terça-feira, 21 de abril de 2015

TZIMTZUM

A auto-constrição da Luz Divina ou TzimTzum é um dos conceitos filosóficos mais importantes da Cabala, e é introduzido pelo Bahir.

Kaplan afirma que a explicação mais clara para o TzimTzum pode ser encontrada nos escritos do Ari - Rabi Itzrak Luria (1534-1572).

Conforme descrito em Etz Hahaiim (Árvore da Vida), o processo era o seguinte:

Antes de todas as coisas serem criadas... a Luz Divina era simples e enchia toda a existência. Não havia espaço vazio...

Quando a Sua simples Vontade decidiu criar todos os universos... Ele comprimiu os lados da Luz, deixando um espaço vazio... Este espaço era perfeitamente redondo...

Após essa compressão ter ocorrido... passou a existir um lugar onde todas as coisas poderiam ser criadas... Ele, então, traçou uma única linha reta da Luz infinita... e a trouxe até aquele espaço vazio... A Luz infinita foi trazida para baixo por intermédio desta linha...

                                                    
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O espaço vazio e redondo do Tzimtzum, mostrando-se a fina Linha de Luz da Criação.

Dizem os cabalistas modernos, que não se deve considerar o conceito de Tzimtzum literalmente, pois é impossível aplicar-se qualquer conceito espacial à Deus. 
A referencia ao Tzimtzum é meramente conceitual, pois se Deus preenchesse cada perfeição, não haveria motivo para a existência do homem. 
Deus portanto, comprimiu a sua perfeição infinita, permitindo a existência de "um lugar" para o livre arbítrio e consequente realização do homem.

No Zohar, podemos encontrar uma referência ao Tzimtzum:

Na cabeça da autoridade do Rei Ele talhou da luminescência divina,

uma Lâmpada de Trevas E ali emergiu do Oculto dos Ocultos

o Mistério do Infinito uma linha sem forma, embutida em um anel... medida por uma linha...

A razão do Tzimtzum é a solução de um aparente paradoxo, detectado pelos cabalistas: 
D'us deve estar no mundo, contudo, se Ele não Se restringir, toda a criação seria completamente dominada por Sua Essência. 
O Bahir alude tanto ao paradoxo, como à sua solução (54).

O Tzimtzum trás também um paradoxo mais difícil: a Sua Essência deveria estar então ausente do espaço vazio, pois D'us removeu dali a Sua Luz... Todavia Deus deve também preencher este espaço, pois "não existe lugar onde Ele não esteja"...

Este paradoxo relaciona-se com a dicotomia da imanência e transcendência de Deus.

A Lâmpada das Trevas citada no Zohar, assim como a própria abertura do Bahir, mostrada no início, escolhida pelo Rabi Nehuniah, tratam deste tema da Cabala teórica: Como D'us absolutamente transcendental pode interagir com a sua criação?

A estrutura do Sephiroth, e os conceitos a eles ligados, é que formam a ponte ente Deus e o Universo segundo a Cabala.

Para não se pensar que isso inclui qualquer transformação no próprio D'us, é que o Rabi Nehuniah afirma claramente que as trevas do espaço vazio são, de fato, luz, no que diz respeito à D'us. A criação do espaço vazio e todas as posteriores transformações e mudanças de fase (conforme o Zohar), pois não transformam ou diminuem a luz de D'us...

Semelhante afirmação faz o Rabi Shimon no princípio da Idra Raba, uma das partes mais misteriosas do Zohar, ao citar: "Amaldiçoado é o homem que faz qualquer imagem... e a coloca em lugar escondido." (Deuteronômio 26:15).

Rabi Nehuniah também faz uma advertência semelhante: "Não pense que as Sephiroth sejam luzes destinadas a preencher qualquer escuridão referente à Deus, pois, para Ele, tudo é Luz...".

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