sexta-feira, 24 de abril de 2015

Tazria - Metsorá » Seleções do Midrash A Gravidez e o Parto

O crescimento do feto no útero da mãe inspira a pessoa a sentir gratidão pelo Criador, que na sua bondade cuida do homem antes mesmo dele nascer.

Ainda no útero da mãe, a criança aprende toda a Torá. Também lhe é mostrada uma visão do Gan Eden e do gueinom, e o anjo que está encarregado dela lhe suplica: "Seja um tsadic! Não se torne um rashá (malvado)!"

Quando a criança entra neste mundo, o anjo toca seus lábios, fazendo com que todo o conhecimento da Torá previamente ensinado a ela seja esquecido. (Contudo, este conhecimento foi absorvido pela sua mente subconsciente, proporcionando-lhe que capte futuramente os ensinamentos da Torá com mais facilidade).

Embora ao nascer a criança esteja suja e besuntada com sangue e continua a sujar-se, assim mesmo é querida por todos. O encanto de bebês e crianças pequenas, explicam nossos sábios, é que a Shechiná (Santidade) repousa sobre eles, uma vez que estão livres do pecado.
Originalmente, o nascimento de uma criança acontecia imediatamente após a concepção, e era indolor. A situação atual é resultado da maldição pronunciada sobre Chava (esposa de Adam, o primeiro homem) após ter pecado.

No futuro, o fardo da gravidez de nove meses será suspenso novamente, e o nascimento de crianças acontecerá imediatamente após a concepção e não acarretará dor, conforme a visão do profeta Yeshayáhu: "Antes que ela entre em trabalho de parto, ela o expelirá; antes que venha a dor, dará à luz um menino."

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A Concepção de uma Criança

Esta parashá "Tazria - Metsorá" inicia-se mencionando as leis de uma parturiente com as palavras: "Se uma mulher concebeu uma semente…"

O Midrash descreve o momento da concepção: O anjo encarregado da concepção é chamado Laila. Quando o Todo Poderoso deseja que nasça um ser humano, ordena ao Anjo Laila: "Traga-me esta ou aquela neshamá (alma) do Gan Eden!" A alma, entretanto, se ressente por ser desenraizada de sua Divina fonte, e reclama ao Todo Poderoso: "Sou pura e sagrada, conectada à Sua Glória. Por que é necessário que eu seja degradada entrando num corpo humano?"

"Não é como diz," D’us a corrige. "O mundo onde você viverá ultrapassa em beleza aquele de onde você emanou. Foi criada com o único propósito de tornar-se parte de um ser humano, sendo elevado pelos seus atos."

O Todo Poderoso em seguida ordena a alma fundir-se com a semente a qual estava destinada. Mesmo antes do feto estar formado, o anjo indaga de D’us: "Qual será o destino dela?"

Neste momento, todo o futuro da criança ainda não nascida é pré-destinado. O Todo Poderoso determina se será homem ou mulher, se será saudável ou sofrerá de alguma doença ou defeito, sua aparência, o grau de inteligência, bem como sua capacidade física e mental. Mais ainda, todos os detalhes de suas circunstâncias na vida já estão decididos – será ele rico ou pobre, o que possuirá, e quem será seu futuro cônjuge.

Vemos que todas as minúcias da vida de uma pessoa já estão decididas. Entretanto, há uma única exceção: D’us não decreta se alguém tornar-se-á um tsadic (justo) ou um rashá (perverso). Cada um decide como moldar a si mesmo por meio de suas faculdades e capacidades que lhe foram pré-ordenadas.

A pessoa não deve sentir-se orgulhosa de sua inteligência, força ou dinheiro, pois estas qualidades não são suas próprias conquistas; ao contrário, foram Divinamente designadas a ele antes do nascimento.
Há apenas um campo de empenho no qual a conquista resulta dos esforços individuais – se ele estudará (e quanto) sobre a grandiosidade de D’us , Sua Torá e se (e quanto) seguirá Seus caminhos. O grau de sucesso atingido nesta área, é um fruto de esforço e realização próprios.

Dia da Impureza e de sua Indisposição

Mulheres que estão adentrando ao Judaísmo não sabem da riqueza do que é o judaísmo e passam por cima ou não sabem do seu valor perante o Eterno e em nosso meio.
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Dias de Impureza e de sua Indisposição "Levítico 15:19-24
Essa impureza da mulher motivo, pelo qual ela se afasta de seu marido por sete dias durante o período da sua menstruação, chama-se em hebraico "Nidá", o que significa "separação" e nela está proibida toda intimidade com seu marido. As leis de Nidá baseiam-se naquilo que está escrito em Levítico 15:19-24. Além disso existe um tratado completo no Talmud com o mesmo nome, dedicado à amplificação destas leis.
Os cientistas maravilham-se diante do fato de que os antigos hebreus praticavam o mais alto padrão de higiene sexual reconhecido nos tempos atuais. Tem sido demostrada também a existência de uma substância tóxica no soro do sangue, na saliva, e na transpiração, na urina e em todas as outras exundações da mulher durante o período da menstruação.
Qualquer dúvida ver Torah Levítico "Vayícrá" 12: pag. 321
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quarta-feira, 22 de abril de 2015

Uma história com um burro


TRADUÇÃO: Um dia um burro pertencente um fazendeiro caiu em um poço. O animal berrou suplicantemente por horas enquanto o fazendeiro pensava no que fazer com ele. Finalmente, o fazendeiro decidiu que o animal estava velho e que o poço precisava ser coberto de alguma forma e que não valia a pena recuperar o burro.
Ele convidou todos os seus vizinhos para ajudá-lo. Cada um deles pegou uma pá e começaram a jogar terra no poço. Em princípio, o burro percebeu o que estava acontecendo e berrou desesperadamente. Então, para o espanto de todos, ele, de repente, se aquietou.
Depois de muitas pás lançadas, o fazendeiro finalmente olhou para dentro do poço. Ele estava assustado com o que viu. A cada pá de terra que atingia as suas costas, o burro estava fazendo algo espantoso. Ele se sacudia, deixando cair a terra no chão e subia em cima dela.
Como os vizinhos do fazendeiro continuaram jogando terra sobre as costas do animal, ele se sacudia e subia mais ainda. Tão logo, todos ficaram maravilhados, pois o burro subiu na parede do poço e saiu correndo feliz pulando de alegria.
Moral: A vida joga em nós muitas pás de terra com todo tipo de sujeira. O truque para sair do poço é sacudir a poeira e subir sobre ela. Cada um dos nossos problemas será um trampolim. Nós podemos sair dos mais profundos poços se não pararmos e nunca desistirmos. Sacudamos a poeira e passemos por cima dela.
Se lembre destas cinco regras para ser feliz:
1. Livre o seu coração da poeira do preconceito e do ódio - perdoe!
2. Livre sua mente e seus pensamentos das preocupações - a maioria delas nunca acontece!
3. Viva de forma simples e valorize o que você tem.
4. Se doe mais.
5. Espere menos das pessoas que mais de si mesmo.
Você tem duas escolhas... sorria e feche esta página ou passe esta mensagem adiante compartilhando com alguém que precisa aprender esta lição.
(Texto compartilhado por Kerwin Rae | traduzido por Raimundo N. Martins, Jr.)

terça-feira, 21 de abril de 2015

TZIMTZUM

A auto-constrição da Luz Divina ou TzimTzum é um dos conceitos filosóficos mais importantes da Cabala, e é introduzido pelo Bahir.

Kaplan afirma que a explicação mais clara para o TzimTzum pode ser encontrada nos escritos do Ari - Rabi Itzrak Luria (1534-1572).

Conforme descrito em Etz Hahaiim (Árvore da Vida), o processo era o seguinte:

Antes de todas as coisas serem criadas... a Luz Divina era simples e enchia toda a existência. Não havia espaço vazio...

Quando a Sua simples Vontade decidiu criar todos os universos... Ele comprimiu os lados da Luz, deixando um espaço vazio... Este espaço era perfeitamente redondo...

Após essa compressão ter ocorrido... passou a existir um lugar onde todas as coisas poderiam ser criadas... Ele, então, traçou uma única linha reta da Luz infinita... e a trouxe até aquele espaço vazio... A Luz infinita foi trazida para baixo por intermédio desta linha...

                                                    
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O espaço vazio e redondo do Tzimtzum, mostrando-se a fina Linha de Luz da Criação.

Dizem os cabalistas modernos, que não se deve considerar o conceito de Tzimtzum literalmente, pois é impossível aplicar-se qualquer conceito espacial à Deus. 
A referencia ao Tzimtzum é meramente conceitual, pois se Deus preenchesse cada perfeição, não haveria motivo para a existência do homem. 
Deus portanto, comprimiu a sua perfeição infinita, permitindo a existência de "um lugar" para o livre arbítrio e consequente realização do homem.

No Zohar, podemos encontrar uma referência ao Tzimtzum:

Na cabeça da autoridade do Rei Ele talhou da luminescência divina,

uma Lâmpada de Trevas E ali emergiu do Oculto dos Ocultos

o Mistério do Infinito uma linha sem forma, embutida em um anel... medida por uma linha...

A razão do Tzimtzum é a solução de um aparente paradoxo, detectado pelos cabalistas: 
D'us deve estar no mundo, contudo, se Ele não Se restringir, toda a criação seria completamente dominada por Sua Essência. 
O Bahir alude tanto ao paradoxo, como à sua solução (54).

O Tzimtzum trás também um paradoxo mais difícil: a Sua Essência deveria estar então ausente do espaço vazio, pois D'us removeu dali a Sua Luz... Todavia Deus deve também preencher este espaço, pois "não existe lugar onde Ele não esteja"...

Este paradoxo relaciona-se com a dicotomia da imanência e transcendência de Deus.

A Lâmpada das Trevas citada no Zohar, assim como a própria abertura do Bahir, mostrada no início, escolhida pelo Rabi Nehuniah, tratam deste tema da Cabala teórica: Como D'us absolutamente transcendental pode interagir com a sua criação?

A estrutura do Sephiroth, e os conceitos a eles ligados, é que formam a ponte ente Deus e o Universo segundo a Cabala.

Para não se pensar que isso inclui qualquer transformação no próprio D'us, é que o Rabi Nehuniah afirma claramente que as trevas do espaço vazio são, de fato, luz, no que diz respeito à D'us. A criação do espaço vazio e todas as posteriores transformações e mudanças de fase (conforme o Zohar), pois não transformam ou diminuem a luz de D'us...

Semelhante afirmação faz o Rabi Shimon no princípio da Idra Raba, uma das partes mais misteriosas do Zohar, ao citar: "Amaldiçoado é o homem que faz qualquer imagem... e a coloca em lugar escondido." (Deuteronômio 26:15).

Rabi Nehuniah também faz uma advertência semelhante: "Não pense que as Sephiroth sejam luzes destinadas a preencher qualquer escuridão referente à Deus, pois, para Ele, tudo é Luz...".

SHEPHER HABAHIR


O Sepher haBahir também chamado de Midrash do Rabi Nehuniah ben Hakana é, juntamente com o Sepher Yetzirah que o precedeu e o Sepher haZohar que o sucedeu, um dos trabalhos clássicos da Cabala.

Seu nome vem do primeiro versículo citado no seu próprio texto: (Jó, 37-21) "E agora não se vê luz, o céu é luminoso (bahir)".

Citado no comentário de Raavad a respeito do Sepher Yetzirah e pelo Ranban (Rabi Moshe Nachman) em seu comentário sobre a Torah, é também, por diversas vezes, parafraseado no Zohar, conforme Aryeh Kaplan em sua introdução à tradução e comentário do Bahir.

Dizia Moshe Cordovero (1522-1570): "As palavras deste texto são luminosas (Bahir) e cintilantes, mas o seu brilho pode cegar...".

Acredita-se que o Bahir foi composto em meados do século XII (1175), na escola cabalística de Provance (França), e circulou por quase cinco séculos em forma de manuscrito, restrito a um círculo restrito de cabalistas judeus, antes que fosse impresso em Amsterdã no ano de 1651.

Sua primeira edição em outra língua deu-se em 1923 para o alemão e após em 1980 para o inglês. Assim, o Bahir é, como o Zohar um trabalho não muito popular, seu texto é porém muito menor que o do Zohar, em torno de 12.000 palavras, e maior que o Sepher Yetzirah.

Embora o Bahir seja considerado como produto dos ensinamentos do Rabi Nehuniah, partes consideráveis do trabalho são atribuídos a outros autores de sua escola ou descendência. Dentre estes, são citados o Rabino Akiba, o Rabino Eliezer o Grande, Rabino Berachia, Rabino Yochanan ben Dahabai, Rabino Levitas ben Tavros e Rabino Rahumai o mais citado dentre todos, sucessor do Rabi Nehuniah como líder da escola, que também conheceu o Rabi Pinhas ben Yair, sogro do Rabi Shimon bar Yochai, autor do Zohar. Diz a lenda que Rabi Rahumai estava junto com o Rabi Pinhas, quando Rabi Shimon saiu de sua caverna no Kineret, onde o Zohar lhe foi revelado...

Conta-nos Aryeh Kaplan, que com o encerramento do período Talmúdico, o círculo de cabalistas diminuiu e, em certas épocas, pode não ter ultrapassado uma parca dúzia de indivíduos. Porém este grupo era tão unido que, muitas vezes, pessoas estranhas nem suspeitavam de sua existência. Embora fosse importante manter a tradição da Cabala, também era importante evitar que caísse em mãos erradas...Dentre os cabalistas "pré-Bahir", podemos citar Natronai Gaon (794-861), Sherira Gaon(906-1006), Hai Gaon (939-1038).

Por outro lado, sábios como Maimônides (1135-1204) que escreveu a Mishné Torah e o Rabi Yehudá ben Barzilai (1035-1105) autor de um dos mais extensos comentários sobre o Sepher Yetzirah, nunca viram ou comentaram nada sobre o Bahir.

Ainda dentre os conhecedores da Tradição encontram-se Ravaad o Rabino Avraham ben David de Posquieres (1120-1198), filho de Avraham ben Itzrak e pai de Isaac o Cego, que embora fosse cego possuía a reputação de poder ver a alma de uma pessoa e de ser capaz de ler os seus pensamentos. Isaac o Cego, que foi chamado de "Pai da Cabala" pelo Rabi Bachya Asher (1276-1340) em seu comentário sobre a Torah, transmitiu a tradição a seus discípulos Ezra e Ariel, e estes ao Rabino Moshe ben Nachman (Nachmanides), conhecido como Ranban (1194-1270) que citou freqüentemente o Bahir em seus comentários sobre a Torah.

O Bahir foi o texto mais importante da Cabala Clássica, até a publicação do Zohar em 1295. E este último extende-se em muitas oportunidades sobre comentários e conceitos encontrados inicialmente no Bahir. De fato um estudo cuidadoso revela uma considerável semelhança entre os dois trabalhos, o que pode ser explicado pelo fato de que o Rabino Shimeon bar Yochai, autor do Zohar, conhecia os ensinamentos de Rabi Nehuniah, mesmo antes da revelação mística especial da caverna o Rabi Shimeon já devia ter sido iniciado na Tradição dos "Mistérios da Carruagem" conforme o Bahir chama a Cabala, e a ligação deve ter sido o Rabi Pinhas ben Yair, sogro de Shimeon e amigo do Rev Rahumai, conforme citado. De especial interesse é também o fato de que ambos os trabalhos Zohar e Bahir referem-se à Luz e a Brilho ...

Ainda conforme Kaplan, resumimos a seguir a estrutura do Bahir e seus ensinamentos:

1 - Primeiros versículos da criação (1-16)

2 - O alfabeto (27-44)

3 - As Sete Vozes e Sephiroth (45-123)

4 - As dez Sephiroth (123-193)

5 - Mistérios da Alma (194-200)

O Texto inicia-se por uma declaração do Rabino Nehuniah:

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Disse o Rabi Nehuniah ben Hakanah - como está escrito:

"E agora não se vê a luz, o céu é luminoso (bahir)".

"Ele fez das trevas o Seu esconderijo".

"Nuvens e trevas O envolvem".

"Mesmo a treva não é para Tí".

"A noite reluz qual dia - luz e treva são o mesmo".

...prossegue com o Rabi Berachiah, está escrito:

"A terra era Caos (Tohu) e Desolação (Bohu)".

Rabi Rahumai e Amorai entram no debate, sobre o conceito de "o que preenche" (maley) - (Isaias 6:3) "Sua glória preenche toda a terra".

A letra beith , que inicia a Torah recebe considerável atenção.

A segunda parte trata das oito primeiras letras do aleph-beth , de Aleph à Cheth. No final desta parte (40-44) trata-se das vogais e de alguns dos sinais massoréticos, Kaplan, em seu comentário sobre o Bahir curiosamente vincula-os ao Sephiroth.

A terceira parte inicia-se pelo exame das sete vozes escutadas no Sinai, e ao indagar a relação entre estas e os Dez Mandamentos, inicia um exame do Sephiroth.

Subseções importantes nesta parte incluem explicações sobre Isaías (51-56) e do terceiro capítulo de Habacuc (68-81). Numerosos conceitos do Sepher Yetzirah são introduzidos e comentados (63-106) o que conduz a um exame dos diversos nomes místicos de Deus (106-112). Importância especial é dada ao número 32, que corresponde aos Caminhos da Sabedoria ao valor numérico de Lev (coração) e ao número de fios do Tzittzit :

O que é o seu coração ?

... O coração (Lev) é trinta e dois. Esses são secretos, e com eles o mundo foi criado (alusão ao Sepher Yetzirah).



Que são esses trinta e dois ?

Disse ele: São os 32 Caminhos.

É qual um rei que estivesse na mais recôndita de várias câmaras. Deveria o rei, então, trazer todos para sua câmara através destes caminhos ? Concordareis que ele não deveria. Deveria ele revelar suas jóias, suas tapeçarias, seus segredos ocultos e escondidos ? Concordareis mais uma vez que ele não deveria. O que faz o rei ? Ele toca a Filha e inclui todos os caminhos nela e em suas vestimentas.

Aquele que desejar entrar, deve ali fitar.



Ele a casou com um rei e, também lhe deu ela como presente.

Por causa do seu amor por ela, ele, às vezes, a chama de "minha irmã", pois são ambos do mesmo lugar. Às vezes, a chama de minha filha, pois ela é de fato sua filha. E, às vezes a chama de "minha mãe".

Em seu comentário, Kaplan esclarece várias passagens, sendo interessante que o Coração (Lamed Beth) representa a Torah em sua totalidade pois esta inicia-se com a letra Beth e termina com a letra Lamed).

Kaplan continua, com a complexa explicação do parágrafo final:

...Embora a origem da revelação seja Netzach (Vitória) e Hod (Esplendor), em sua última instância, toda revelação vem através do Reino (Malchuth), que é Fêmea. É também, a Presença Divina - Schinah. Por isso os Trinta e Dois Caminhos são revelados principalmente por intermédio da Filha.

...Entretanto o conceito de Fêmea está dividido em dois conceitos, os quais nos ensinamentos cabalísticos, são representados pelas duas esposas de Jacó: Lia e Raquel. Raquel é o conceito de Fêmea que se origina de Malchuth propriamente dito. Lia, por outro lado, é de fato o Malchuth (Reino) de Imma (Mãe) de Binah (Compreensão), e, como tal, representa o nível mais inferior de Imma (Mãe), que está no lugar de Malchuth (Reino). Normalmente, considera-se Lia em posição superior à Raquel.

Originando-se ambos, Zeir Anpin e Raquel, do útero de Imma (Mãe), são representados como irmão e irmã. São também, marido e mulher, sendo este significado de "minha irmã, minha noiva" (Cântico dos Cânticos 4:9, 5:1). A Fêmea ;e, também a filha de Zeir Anpin, do mesmo modo que Eva, derivou-se da costela de seu companheiro. Além disso, sendo Lia um aspecto da Fêmea, que, de fato, é o nível mais inferior de Imma (Mãe), em parte, ela também é, realmente, mãe do Zeir Anpin.

Está portanto escrito: "Diga à Sabedoria, és minha irmã, e chama à Compreensão de mãe". (Provérbios 7:4)....

Na quarta parte do Bahir encontra-se o primeiro exame do Sephiroth, introduzido por uma explicação sobre a benção sacerdotal, onde diz-se que os dez dedos correspondem as dez Sephiroth, conceito também encontrado no Sepher Yetzirah. A palavra Sephirah, é definida como sendo aquilo que expressa (saper) o poder e a glória de Deus (125). Existem nesta parte subseções relativas a permanência dos israelitas em Elim (161-167) e sobre o mandamento a respeito do Lulav (172-178). A seção termina com uma análise entre o relacionamento do Sephiroth e as esferas (179ss), e uma breve introdução à reencarnação (183), igualmente em relação ao Sephiroth.

A parte final, de número cinco, trata da alma, iniciando-se com um discurso sobre a reencarnação e seu relacionamento com a justiça Divina (194). O conceito da alma é relatado por Raba e Rav Zeira, dentro do contexto da criação da vida através das artes místicas (196).

No final, o Bahir trata dos conceitos de alma feminina e masculina, com uma análise do Tamar (197) e uma explicação de porque Eva foi a pessoa a ser tentada...O Bahir, não emprega o termo Cabala (Kabbalah), que conforme a lenda foi utilizado por Isaac o Cego, posteriormente, mas sim Maaseh Mercavah ou "Mistérios da Carruagem" numa referência à visão de Ezequiel, e diz que: sondar estes mistérios é tão aceitável quanto a oração (68), mas, adverte ser impossível fazê-lo sem errar (150).

Conforme o Talmud, a Kabbalah deve ser ensinada apenas através de sugestões e alusões, diretriz que é seguida ao pé da letra pelo autor ou autores do Bahir. Quem ler este trabalho como um livro qualquer, encontrará longas passagens que aparentemente não fazem nenhum sentido. Não é pois um trabalho para leitura casual, mas para estudo sério e concentrado, o que era aceito pelos cabalistas, para os quais os principais textos foram escritos para serem compreendidos apenas quando analisados de modo integrado. Somos advertidos de que quem lê sobre a Cabala de maneira literal e superficial, decerto não a compreenderá... conclui Kaplan.

Dentre os conceitos mais explorados no Bahir está o Sephiroth e, com exceção de três, seus nomes são também introduzidos. A ordem do Sephiroth é tal que as sete últimas correspondem aos sete dias da semana e derivam do versículo - Teus são, Ó Deus, a Grandeza, a Força, A Beleza, a Vitória e o Esplendor, tudo (Fundação) que se encontra entre o céu e a terra, Teu, Ó Deus, é o Reino (1 Crônicas 29:11). Embora esta seja a ordem adotada na grande maioria dos textos cabalistas, no Bahir, as últimas quatro são invertidas: Reino (Aravot, 7), Fundação (8), Vitória (9) e Esplendor (10).

Outro importante conceito encontrado no Bahir é o da transmigração das almas (Gilgul) ou reencarnações, conceito introduzido em nome do Rabi Akiba (121, 155). Este conceito é mais bem desenvolvido no Zohar, e em maiores detalhes no Sepher Gilgulim e nos diversos trabalhos da escola do Ari.

O Bahir trata das letras do alfabeto hebraico, das quais quinze é mencionadas e de alguns mandamentos como Tefilim, Tzitzit, Lulzv e Etrog.

Dois termos incomuns são encontrados, e ambos referem-se aos anjos ou forças angélicas: Tzurá - que significa forma , e Komah, que pode ser traduzido como estrutura (8, 166). Na cultura cabalística são mais conhecidos em sua forma aramaica, sendo a primeira Diukna e o último Parzuf. Outros termos para designar os anjos são Manhiguim (Diretores) e Pedikim (Funcionários).

Outra revelação importante são os nomes de Deus. O Nome contendo 12 letras é examinado (107, 111), como é igualmente o Nome de 72 combinações.

- São esses os Sagrados Exaltados Nomes Explícitos. Existem doze Nomes, uma para cada uma das doze tribos de Israel:

AH-TzYTzaH-RON

ACLYTha-RON

ShMaKTha-RON

DMUShaH-RON

Ve-TzaPhTzaPhYth-RON

HURMY-RON

BRaChYaH-RON

EReSh GaDRa-AON

BaSAVaH MoNA-HON

ChaZHaVaYaH

HaVaHaYRY HAH


Ve-HaRAYTh-HON

Todos eles estão incluídos no Coração do céu. Incluem macho e fêmea. São cedidos ao Eixo, à Esfera e ao Coração, e são os poços da Sabedoria...

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segunda-feira, 20 de abril de 2015

Targum Faz Rute

Targum Rute Tradução de Samson H. Levey Capítulo 1. 1- Aconteceu nos dias do juiz de juízes que havia uma grande fome na terra de I...