domingo, 5 de outubro de 2014

Bati Legani

Bati Legani

O Maamar de Yud Shevat Traduzido


Maamar escrito pelo Rebe Anterior, Rabi Yossef Yitschac Schnersohn z”l e divulgado em Yud Shevat (10 de Shevat) de 5740. Neste mesmo dia o Rebe anterior faleceu. Tornou-se costume entre os chassidim estuda-lo nesta data.

Esperamos que esta tradução traga inspiração para aumentar o estudo da Torá e o cumprimento das Mitsvot e será mais um passo na propagação das fontes Chassidicas para fora.

(Tradução Livre)

Com a Ajuda de D’us
Shabát Parashát Bó – 10 de Shevat 5710

Aniversário do falecimento de sua venerável avó a Rabanit Tzidcanit Rivka, de abençoada memória, cujo mérito nos proteja.

“Vim ao meu jardim, minha irmã, minha noiva” [Cântico dos Cânticos V:1].
[O Midrash explica que o Cântico dos Cânticos não é um simples romance, mas uma metáfora que descreve o relacionamento entre D’us e o povo judeu]. E comenta o Midrash Rabá (ibid.): “Não está escrito ao jardim, mas sim, ao Meu jardim particular, ao lugar onde originalmente Minha essência foi revelada...”

E o Midrash continua: “No início da Criação, a essência da Divindade estava nos níveis inferiores. Porém, através do pecado da Árvore do Conhecimento, a Divindade transportou-se da Terra ao Firmamento, ao segundo e terceiro. E posteriormente, na geração do Dilúvio, do terceiro para o quarto. “Este fato pode ser visto no versículo: “Eu (Adão e Eva) ouviram a voz do Eterno D’us deslocando-se pelo jardim” [Gênesis III: 8]. Falou Rav Ava: Não está escrito “andando,” mas “deslocando-se;” o Midrash explica andando e saltando, andando e saltando.

O Midrash continua explicando que (após sete pecados que levaram a Divindade até o sétimo Firmamento) surgiram sete Tsadikim (justos) que trouxeram novamente a revelação da Divindade à Terra. Pelo mérito de Avraham, a Divindade desceu do sétimo ao sexto Firmamento; pelo de Yitschac, a Divindade desceu do sexto ao quinto Firmamento, até que Moshê, que é o sétimo dos justos (e o Midrash Vayicrá Rabá 29:11 diz que todos os sétimos são queridos) mereceu revelar novamente a Divindade na Terra.

E o principal da revelação da Divindade encontrava-se no Beit Hamicdásh (Templo Sagrado), conforme está escrito: “E que eles me façam um Santuário e Eu repousarei dentro deles” [Êxodus XXV: 8]. Não está escrito “dentro dele” (Santuário), mas sim, – “Dentro deles”; isto significa, dentro de cada um. [A Divindade não se restringe ao Templo, mas pode ser encontrada no coração de cada judeu. Cada judeu tem em si o potencial para ser um templo para a Divindade.]

E este é o significado do versículo: “Os justos herdarão a Terra e habitarão nela para sempre” [Salmos XXXVIII : 29] – onde “os justos herdarão a Terra” refere-se ao Gan Éden (Paraíso ). Por quê? Porque os justos fazem repousar (isto é, atraem ) a característica de “Ele habitará eternamente, exaltado e sagrado [é Seu Nome]” de forma revelada, neste mundo material.

Através da revelação da Divindade no Templo e, mais particularmente, através da revelação da Divindade no coração de cada judeu, podemos entender a interpretação do versículo:.
“Vim ao meu jardim, ao Meu jardim particular,” ao local onde se encontrava Sua essência no início, pois a essência da Divindade encontrava-se nos níveis inferiores.

O principal propósito da Criação e concretização dos mundos é que o Santíssimo, Bendito seja, desejou ter uma moradia nos níveis inferiores; que haja uma revelação de Divindade em baixo, através do trabalho do homem de submissão e conversão de sua natureza física.
Que a alma que provém dos níveis espirituais, desça para vestir-se no corpo material e na alma animal. E estes ocultarão e esconderão a luz da alma divina e, apesar disso, a alma há de agir, provocando a refinação e purificação do corpo, da alma animal e também de seu quinhão no mundo. E este é o significado de “E que eles me façam de cada um, através do Trabalho de refinamento pela maneira de submissão e conversão de sua natureza física.”

O Tanya (mencionando o Zohar, parte II, pág. 128) nos traz: “quando a Sitra Achra [termo cabalístico que designa as forças opostas à Santidade] é submetida, revela-se a Glória do Santíssimo, Bendito seja, por todos os mundos.” A expressão “ por todos os mundos” refere-se ao nível da luz Divina que ilumina a todos os mundos igualmente, ou seja, a luz envolvente de todos os mundos (O Hassovêv Col Almin).

Há distinções de níveis espirituais nos mundos; os mundos superiores não se assemelham aos inferiores. Nos mundos superiores a luz brilha de forma revelada, enquanto nos mundos inferiores, a luz não brilha com tal revelação. Em alguns níveis a luz surge de forma oculta e escondida.

O midrash [Pirkê de Rabi Eliezer, cap. 18] refere-se a esses diferentes níveis em seu comentário sobre o versículo: “Minha Mão estabeleceu a Terra e Minha Direita alçou os Céus” [Isaías XLVIII : 13], dizendo: “Estendeu Sua Direita e criou os Céus e estendeu Sua Esquerda e criou a Terra.” [Como se sabe, na tradição judaica é dada maior importância à mão direita do que à esquerda.] O Midrash explica que a mão direita indica luz e maior revelação. Este é o significado de “Sua Direita alçou os Céus,” onde o termo “Céus” refere-se aos mundos superiores, cuja revelação ocorre de uma maneira “direita”, ou seja, uma grande intensidade da luz e a própria luz encontra-se sob forma revelada. E o termo “Terra” refere-se aos mundos inferiores, caracterizados por uma maneira “esquerda,” onde a luz não se encontra de uma forma revelada e a própria luz vem sob o aspecto oculto e escondido.

Podemos entender melhor esse conceito, compreendendo a diferença entre os quatro níveis espirituais descritos no versículo: “Tudo o que se chama pelo Meu Nome e para Minha Glória, Eu o criei, Eu o formei e até Eu o executei” [Isaías XLIII: 7], que são os quatro mundos Abyá (Atsilut, Beriá, Yetsirá e Assiyá). [O mundo de Atsilut não tem existência própria; é apenas uma radiação da energia Divina]. A Luz Divina em Atsilut não é como em Byá; atsilut é a revelação do oculto, enquanto em Byá, isto não ocorre. O termo Atsilut vem da expressão “Etsló,” – que significa próxima d’Ele, “perto;” o termo Atsilut também provém da linguagem “salvar,” pois Atsilut, apesar de constituir um mundo, classifica-se como parte dos Mundos Infinitos. Porém em Beriá isto não ocorre; já é o começo da existência de alguma coisa a partir do nada e assim é dito: “Tudo o que se chama pelo Meu Nome e pela Minha Glória”, que Meu Nome e Minha Glória ainda estão unidos a Mim. Isto se refere ao mundo de Atsilut (Emanação), que é mundo da união e englobamento, no qual a luz encontra-se no ápice de sua revelação, não sendo sequer comparável à maneira de como se encontra em Byá.

E mesmo em Byá, há diferenças nos graus de revelação das luzes, como se encontram no mundo de Beriá (Criação)e nos mundos de Yetsirá (Formação) e Assiyá (Ação).

Entretanto, tudo o que dissemos é válido em relação à luz que vem dar vida aos mundos de uma maneira “Preenchedora de todos os mundos” (Or Hamemalê Col Almin), mas quando se trata da luz que está acima de um relacionamento com os mundos, ou seja, o tipo de luz envolvente de todos os mundos, que vem de forma envolvente e abrangente para os mundos, esta brilha em todos os mundos da mesma forma. E é isto que o Zóhar se refere como o termo “por todos os mundos”, ou seja, que a revelação da luz é por todos os mundos de maneira igual. A revelação desta luz envolvente de todos os mundos (Sovev Col Almin) vem através do trabalho de refinamento do homem, através da submissão de sua natureza física e conversão desta em santidade, como está escrito no Zóhar: “quando a Sitrá Achrá é submetida.

“Quando através de seu esforço há a submissão das forças do “outro lado,” ou seja, opostas à santidade e a conversão da escuridão em luz, então a virtude da luz provém precisamente da escuridão; ou seja, quando a escuridão transforma-se em luz, então temos a virtude da luz. Para que esta luz brilhe de forma tão revelada, até que ilumine realmente em baixo; isto é, que a luz se propague de tal maneira, que seu modo de propagação ocorra em todos os mundos por igual.

Assim explicamos: “Quando se submete a Sitrá Achrá, revela-se a Glória do Santíssimo, Bendito seja, por todos os mundos,” sob o aspecto da luz envolvente de todos os mundos, cuja maneira de propagação é envolvente e abrangente em todos os mundos por igual, logo ilumina em baixo assim como em cima. E assim se explica: “E que eles Me façam um Santuário e Eu repousarei dentro deles,” dentro de cada um, através do trabalho de submissão de sua natureza física e conversão da escuridão em luz. Através disso, traz-se a revelação de uma forma superior de luz, pois propaga-se a Glória do Santíssimo, Bendito seja, por todos os mundos, uma vez que ilumina e revela-se a luz envolvente.

SINOPSE: O principal da Divindade está nos níveis inferiores. Explica-se que o propósito da Criação dos mundos é que haja uma moradia nos níveis inferiores e isto se faz através da submissão da natureza física (Itcáfia) e sua conversão em santidade (Ithapcha), o que traz a luz envolvente, que se encontra igualmente em todos os mundos.

2 )

O trabalho no Tabernáculo e no Templo centrava-se no serviço de refinamento da submissão da natureza física, que traz e eleva até a conversão de escuridão em luz. Portanto, um dos trabalhos que havia no Templo era o serviço dos Corbanót (sacrifícios). Trazer um sacrifício não era apenas um ato físico. Ao contrário, a participação dos Cohanim e dos Leviyim nos seus serviços, sua música e seu cântico demonstrou que a principal importância do sacrifício era espiritual.

Na esfera pessoal, do serviço de um homem para D’us, a idéia de um sacrifício expressa-se através do versículo: “Um homem que aproximar de vocês um sacrifício ao Eterno, do animal, do gado, etc.” [leviticos I:2], onde a princípio cabe perguntar: se a intenção era simplesmente elucidar as leis do Corban, deveria ter dito: “Um homem de vocês que aproximar um sacrifício ao Eterno, esta e aquela será a lei da oferenda de um sacrifício e seus estatutos;” por que está escrito “Um homem que aproximar de vocês etc.?” A transposição da frase mostra-nos que a intenção do versículo não é apenas descrever os detalhes de como trazer sacrifícios no serviço espiritual da alma do homem.

O termo Corban [cuja origem em hebraico é Carov = perto] tem por objeto a aproximação das forças e dos sentidos. Assim podemos interpretar o versículo da seguinte maneira: “Se um homem quer se aproximar da Divindade, então de vocês será o sacrifício para o Eterno; de vocês e em vocês depende a questão de ser um sacrifício para D’us, ou seja, ser próximo do Todo Poderoso. [A responsabilidade, e a possibilidade de ser uma oferenda ao Eterno, de aproximar-se da Divindade, depende da própria pessoa.]

Mesmo que a pessoa conheça a si mesma e entenda até que degrau ela rebaixou sua alma com atos impróprios e compreenda como estes atos causaram uma separação genuína entre ela e a Divindade, a pessoa nunca deve perguntar: “Como me aproximarei de D’us?” Pois ela deve saber que a proximidade da Divindade depende “de vocês;” de vocês é que depende tudo, ou seja, da própria pessoa.

E cada indivíduo de Israel pode dizer: “Quando alcançarão meus feitos, os de meus ancestrais Avraham, Yitschac e Yaacov?” [Tana Dvê Eliyáhu Rabá, Cap. 25.] Não há nenhuma limitação, impedimento e obstrução de subir e chegar a aproximar-se da Divindade. “D’us nunca sobrecarrega suas criaturas” [Avodá Zará 3a] e revela-se e ilumina a cada qual segundo sua força e capacidade, como encontra-se no Midrash Rabá [Números XII : 3] “E quando eu peço, não peço segundo Minha forças, mas segundo as forças deles,” segundo a força de cada indivíduo. Como D’us exige apenas de acordo com o potencial de cada um, não há obstáculos que nos impeçam de atingir o nível mais elevado.

Este é o sentido de: “Um homem que aproximar,” pois para o homem aproximar-se da Divindade, depende “de vocês;” de vocês a coisa depende, ou seja, “de vocês é o sacrifício para o Eterno,” pois de vocês aproximarão um sacrifício para D’us.

O pretendido aqui não é somente o sacrifício do animal, mas de vocês, ou seja, do animal que está no coração do homem, que é a alma animal. O versículo continua: “do gado e do rebanho,” referindo-se aos graus específicos que existem na alma animal, pois cada pessoa tem uma tarefa diferente no refinamento pessoal.

Há pessoas cuja alma animal é um touro chifrador, dono dos mais grosseiros hábitos; assim como há quem seja como um rebanho (carneiro), que apesar de ser um animal, é de natureza mais dócil (conforme se encontra analisado pormenorizadamente no Cuntrass Hatefilá 5660). O versículo termina com as palavras: “Eles oferecerão os seus sacrifícios” que cada pessoa deve trazer seu sacrifício, pois cada pessoa tem sua própria e única tarefa de refinamento pessoal.

Quando uma oferenda material era trazida ao Templo, era sacrificada no altar. O Talmud relata que o fogo do altar que consumia a oferenda vinha de cima sob a forma de um leão (Rashi explica: uma brasa que caiu dos céus nos dias do rei Salomão e que estava sobre o altar) e o Zóhar declara: “O leão que consome os sacrifícios.”

Este fogo dos céus também tem sua função no que se refere as serviço de uma pessoa individual.

Há um fogo de cima, que é a labareda que se encontra na alma Divina de cada judeu, conforme a passagem: “As labaredas dela são labaredas de fogo, a chama de D’us [Cântico dos Cânticos VIII : 6]. E encontra-se no Midrash Rabá (trazido no Yalcut): “Como o fogo de cima, onde o fogo não faz com que as águas se evaporem, nem as águas apagam o fogo;” o que significa que na natureza da alma Divina há labaredas de fogo, isto é, amor à Divindade que, da mesma forma que o fogo de cima, as águas não o apagam. [Conforme está escrito no Cântico dos Cânticos VIII : 7: “Águas abundantes não poderão apagar o amor e rios não o afogarão”].

O termo “águas abundantes” significa a multiplicidade de empecilhos nas preocupações com o sustento e confusões diversas em problemas distintos – que perturbam a pessoa no estudo da Torá e no serviço Divino [as orações]. E apesar de tudo isto, mesmo os rios não as afogarão, nenhuma dificuldade ou problema poderá apagar o fogo da alma de um judeu, pois as labaredas de amor, que estão na alma Divina, são semelhantes ao fogo que está em cima, ao qual as águas não apagam.

[Da mesma forma que a oferenda material era consumida pelo fogo Divino no altar, similarmente na esfera pessoal, a oferenda, isto é a alma animal de cada pessoa, deve ser consumida por sua labareda Divina.] E nisto precisa-se aproximar-se a alma animal para que também ela tenha amor pela Divindade, conforme está escrito: “E amarás ao Eterno teu D’us com todo teu coração” (Deuteronômio VI : 5) [normalmente a palavra em hebraico usada para designar coração é Libchá e a Torá usou Levavchá, isto é, duplicou a letra Veit. Isto é interpretado pelo Talmud da seguinte maneira (Berachót 54a)], “com tuas duas inclinações;” para que não apenas a alma Divina, mas também a alma animal chegue a amar D’us, através da investidura da alma Divina na alma animal.

A alma animal, por natureza, não tem conhecimento nem sentimentos pela Divindade. Porém, com a investidura da alma Divina na alma animal e da concentração em uma meditação Divina que a alma animal também possa captar, faz-se a aproximação da alma animal (e conforme está escrito em outro local, forma-se uma impressão geral gravada na alma animal de que Divindade é também algo compreensível e captável etc.).

Sua natureza animal é transformada e consumida pelo fogo da alma Divina [como oferenda no Templo era consumida pelo fogo no altar]. Após este trabalho, “muita colheita pode ser feita através da força do boi” [provérbio XIV : 4], [a alma animal contribui com sua força e potência para o serviço Divino].

[No Templo, um dos propósitos da oferenda era o refinamento do mundo.] Os sacrifícios materiais faziam com que as faíscas Divinas encontradas nos reinos mineral vegetal e animal fossem refinadas e elevadas. Similarmente, através da aproximação espiritual, refina-se a alma animal e converte-se a escuridão da alma animal em luz

. Através deste serviço “Eles Me farão um Templo e Eu repousarei dentro deles,” isto é, dentro de cada indivíduo. E isto é conseguido através de seu trabalho na submissão de sua natureza física e principalmente por trazer sua conversão em santidade. Portanto diz o Zóhar: “Quando a Sitra Achrá é submetida, revela-se a Glória do Santíssimo, Bendito seja, por todos os mundos,” sob o aspecto de luz e revelação que é a luz envolvente de todos os mundos etc.

SINOPSE: Explica o objeto dos sacrifícios no trabalho do homem que aproxima, que deve ser de vocês um sacrifício. O fogo em cima e o fogo em baixo, o amor da alma Divina e da alma animal. O amor da alma animal vem através da investidura da alma Divina na alma animal.

3)

Através da explicação acima, podemos entender por que o Tabernáculo era feito exatamente de tábuas de Shitim, visto que o serviço do Tabernáculo e do Templo era principalmente o de converter a escuridão em luz através dos sacrifícios (e particularmente através da oferenda do incenso). Através deste serviço no Templo, brilhava uma revelação de Divindade em todo o mundo.

O Templo e o Tabernáculo eram composto por madeira de Shitim, cuja origem etimológica – “Shitá” significa desvio, ou seja, qualquer desvio do caminho central para algum lado, para cima ou para baixo, chama-se “Shitá”. Da mesma forma, temos o significado de Shtut (tolice) que é o desvio do conhecimento e da sabedoria, sendo este o caminho equilibrado e o desvio dele chama-se Shtut.

Existe a tolice que provém da impureza, conforme a Torá descreve o adultério no versículo: “ao desviar-se sua esposa” [Números V :12], [usando uma palavra derivada de Shitá], ao que Rashi comenta: “desviou-se dos caminhos de pudor.” E também está – escrito [quando o povo de Israel saiu do Egito rumo à Terra de Israel]: “E acamparam em Shitim” (onde cometeram pecados de idolatria e libertinagem) que também exprime a idéia de um desvio para o lado oposto da santidade.

Nossos Sábios, de abençoada memória, comentam no Talmud: “Um homem não peca a não ser que entre nele um espírito de tolice (Shtut).” Este espírito provém do lado oposto da santidade e é o espírito das “cascas” que encobre a verdade.

O espírito é chamado de tolice porque é similar a [inclinação pelo mal que é chamado] “o rei velho e desvairado.” E este espírito oculta a luz e a revelação, pois a realidade é que a Divindade é a verdade e a vida, conforme está escrito: “E o Eterno D’us verdadeiro é o D’us vivo” [Yermyiahu X : 10]. O espírito de Shtut é denominado “casca” pois oculta a verdade e a vitalidade Divina; assim como a casca encobre o fruto, o espírito de Shtut encobre, esconde e oculta a luz da revelação Divina. Por este motivo, a pessoa chega a pecar, pois cabe a princípio perguntar: como pode um judeu chegar a pecar? Isto ocorre somente porque o indivíduo não percebe que através do pecado ele se separa da Divindade; ao contrário, ele pensa que ainda permanece em seu judaísmo.

Porém, se ele soubesse a verdade, que através do pecado o judeu torna-se separado da Divindade, então ele não pecaria de modo algum, Ao contrário, por sua natureza, nenhum judeu não quer, nem pode separar-se da Divindade. A prova disto é, que quando o judeu é testado e obrigado a algum ato de apostasia, na qual é óbvio que ele se torna separado da Divindade, ele é capaz de arriscar sua vida e receber sobre si toda espécie de sofrimentos e mesmo sacrificar-se para santificar o nome do Supremo D’us.

Este fato pode ser observado sensivelmente, mesmo nas camadas mais baixas, nos mais frívolos e nos pecadores de Israel, que estão prontos a sacrificar suas vidas para santificar o nome de D’us. Por quê?

Porque neste momento ele sabe e sente que este ato o separará de D’us. Nenhum judeu não quer, nem pode separar-se do D’us de Israel.

Mas, cometendo os outros pecados, o judeu não sente a separação causada entre ele e D’us; parece-lhe que ele continua em seu judaísmo, como antes de pecar. Esse sentimento falso provém do espírito de Shtut, da Sitrá Achrá, que encobre a luz e a revelação da Divindade, até que estas não sejam sentidas. Explicando melhor: o espírito de Shtut provoca no homem a insensibilidade; a intensidade da vontade por desejos e a efervescência da alma animal causam a frieza e a insensibilidade em assuntos espirituais. A pessoa pode estar tão tomada por prazeres e vontades grosseiros e materiais, que sua sensibilidades espiritual encontra-se no auge do ocultamento, até que se torna totalmente insensível. Ele não sente mais a satisfação, a doçura, o bem e a grandeza do cumprimento das Mitsvot (Mandamentos Divinos).

A pessoa não sente a baixeza da situação devido ao seu distanciamento de D’us causado por seu pecado, que decorre da cobertura da alma animal sobre a alma Divina.

A essência da alma Divina é Divindade [este fundamento aplica-se até os níveis mais baixos da alma, porém principalmente à sua essência], principalmente a faísca Divina que está dentro dela e ligada a seu corpo específico.

Através da alma Divina, a pessoa sente todos os assuntos Divinos e é sensível a qualquer coisa que não seja Divindade; isto é, não quer algo que não seja reveladamente Divindade, muito menos algo oposto à Divindade. Frente a algo que seja oposto à Divindade, fugirá como quem foge do perigo e como uma pessoa que foge da morte. A alma Divina sabe que a morte espiritual é muito mais séria do que a morte material; logo, todo seu anseio e vontade volta-se, à Divindade e a fazer receptáculos para a Divindade.

A grosseria, o materialismo e a existência da alma animal encobrem, ocultam e escondem o sentimento da alma Divina; em termos mais simples, o prazer do mundo [Olam (mundo) em hebraico é relacionado com a palavra Heelêm (ocultamento)] encobre e oculta o sentimento Divino.

Ocorre exatamente o oposto do propósito da criação dos Mundos, quando D’us quis que Ele tivesse uma moradia nos níveis inferiores, através do trabalho do homem no corpo e na alma animal. O homem foi posto exatamente neste mundo pra refiná-lo e purificá-lo; porém na prática, deu-se o oposto o mundo oculta a luz da verdade para o homem e este embrutece-se e materializa-se tanto, até perder toda a sua sensibilidade em ramos espirituais devido à ação da alma animal. A alma animal é firmemente fixada e enraizada em assuntos mundanos, sendo estes objetivos de sua existência. Neles ela medita, pensa e fala vivamente e com entusiasmo. Esses sentimentos, especificamente o prazer que a alma animal desfruta, negam o sentimento espiritual. Este estado é causado pela frieza da alma animal e sua insensibilidade a assuntos espirituais. Pois a alma animal é animalesca na essência de sua existência, conforme seu próprio nome nos mostra: “alma animal,” cuja vitalidade e sensibilidade está em assuntos animalescos.

Podemos ver na prática, que há pessoas que, além de serem isentas de sabedoria da Torá e de maneiras adequadas, seus atos são literalmente como os de animais. Eles pisam e gozam dos assuntos espirituais, dos quais não têm sequer uma idéia, como um animal que pisa sem discernir se em terra, em madeira ou em um corpo humano. Isto provém da falta de sensibilidade, pelo fato do animal ser desprovido de conhecimento (incluído entre estes, estão aqueles que escolhem diversos caminhos, dizendo que este mandamento eles decidem cumprir e algum outro eles não querer cumprir).

Esse atos provêm da audácia e frieza da alma animal e do espírito de tolice. Estes escondem e ocultam a luz da verdade até o grau que a pessoa chega a pecar e ocorre exatamente o oposto do propósito da criação dos mundos. O propósito supremo da criação é para refinar o mundo e fazer dele um receptáculo para a Divindade. Ao invés disto, a alma animal efetuou exatamente o oposto. Não apenas o mundo não foi refinado e purificado, mas também encobriu-se a luz da verdade. E este é o espírito de Shtut que encobre a verdade.

SINOPSE: Explica que o espírito de tolice, a intensidade do prazer da alma animal em geral, ocultam a verdade e causam insensibilidade em relação à Divindade e à grandeza das mitsvot e a baixeza atingida com o afastamento delas.

4)

Entretanto, como se encontra acima, a alma animal encobre a alma Divina; o espírito de tolice esconde e oculta a luz da verdade e da revelação de alma Divina. Em todo caso, este encobrimento afeta apenas os atributos emocionais da alma Divina mas não a sua essência. [A essência da alma Divina não é atacada pelo espírito da tolice.]

[A metáfora dada pela Torá para a alma explica por que os atributos emocionais da alma Divina podem ser afetados e sua essência não:] Conforme está escrito: “Yaacov é a corda de Sua herança”[Deuteronômio XXXII : 9], a ligação do judeu com D’us é comparada com uma corda composta de 613 fios. A corda é a alma que liga o judeu ao Eterno, como está escrito no Tanya (cap. 51): “A alma possui 613 forças.”

Essa metáfora pode ser melhor entendida segundo as palavras de nossos Sábios: “Cada pessoa deve dizer: (para mim foi criado o mundo)” [Sanhedrin 37a] O termo “mundo ” em hebraico tem o mesmo significado que a palavra ocultamento. O mundo oculta e não revela Divindade.

O significado das palavras de nossos Sábios é que cada pessoa deve perceber que a criação do mundo, do ocultamento da Divindade, foi para ela, para que a própria pessoa refine e eleve o mundo.

[Portanto, o universo é estruturado como o macrocosmo do homem.] O homem possui 248 órgãos e 365 veias num total de 613. Esta estrutura é paralela ao universo e seus mundos espirituais. Por isto, também a alma possui 613 forças, das quais dependem as 613 Mitsvot (preceitos). Essas 613 forças são comparadas aos 613 fios da corda que liga o homem a D’us e estabelece unidade entre eles. E como numa corda, onde uma extremidade está presa em baixo, similarmente ocorre com a corda da alma: a extremidade superior está ligada a D’us – em termos Cabalísticos esta é a ligação entre a letra Hei do final do nome de D’us, com as três primeiras letras Yud, hei e Vav – e a outra extremidade está ligada em baixo. Esta se refere ao reflexo da alma que se reveste no corpo para dar-lhe vida.

Através desta explicação, podemos entender o versículo: “Yaacov é a corda de Sua herança.” Através da corda da alma, mesmo os níveis mais baixos que são comparados com calcanhares, estão aptos a realizar seu potencial como herança de D’us. A alma liga-nos à essência Divina e eles estão no ápice da ligação.

A heresia ou um pecado cuja pena é Caret (corte) afetam a totalidade da ligação, tocam no íntimo da essência da alma. E está escrito: “Os seus pecados separam entre vocês e seu D’us” [Isaías LIX : 2], significando: sua Divindade, a Divindade que está em sua alma específica. A essência da alma é realmente Divina e não há coisa alguma que esconda ou oculte a essência da alma. Portanto, quando algo toca na essência da ligação de sua alma e que pode ficar através deste ato separado de D’us, nenhum judeu não quer nem pode ficar separado da Divindade.

Como estes atos afetam a essência da ligação, a sensibilidade do judeu submerge. Porém, outros pecados cujas penas não são tão severas, são apenas fios particulares de uma corda grossa; por isto, a pessoa não sente tanto a quebra destes.

Ao transgredir um dos preceitos de D’us, seja positivo ou negativo, um fio de corda de ligação é rompido (essa capacidade particular da alma perde completamente sua ligação com D’us), enfraquecendo, toda a corda.

Porém, sendo apenas rompidos fios particulares enquanto a essência da ligação encontra-se intacta, a pessoa não sentirá tanto. Neste caso, as emoções da alma animal encobrem e ocultam as emoções da alma Divina até que a pessoa não consegue sentir a luz e a vitalidade Divina. Isso faz com que o indivíduo peque. Significa que o espírito de tolice da Sitra Achra encobre e oculta a luz da verdade, até que a pessoa torna-se insensível à espiritualidade, a fundando-se mais e mais até que chega a transgredir as proibições da Torá. Tudo isso provém do espírito de tolice que foi explicado acima.

SINOPSE: O espírito de tolice só encobre as emoções da alma Divina, mas não a sua essência, nem a essência de sua ligação com D’us.

5)

Da mesma forma como o homem pode desviar-se do caminho central de uma maneira abaixo da lógica (que denomina-se tolice das “cascas”), assim existe o desvio acima da lógica, que é a banalização da santidade.

O Talmud nos conta [Ketubót 17a] que nos casamentos, Rav Yehuda Bar Ilay pegava um ramo de murta e dançava em frente à noiva. Rav Shmuel Bar Yitschac dançava com três (Rashi – fazendo malabarismo). Rav Zeira criticou-o dizendo que seu comportamento não estava de acordo com a honra do Sábios.

Quando faleceu, um pilar de fogo irrompeu, separando-o dos que o cercavam. Então Rav Zeira retirou sua critica. [No Talmud são recordadas três versões diferentes sobre a retratação de Rav Zei]

Uma diz; seu ramo(o ramo de murta com o qual ele dançava) ajudou-o; a outra diz: sua extravagância (enquanto dançava ele se fazia de palhaço) ajudou-o; a terceira diz: sua concepção (seu comportamento e sua conduta) ajudou-o. Essa alegria extremada está acima da lógica e adquire um nível elevado e maravilhoso.

[Por que os Sábios se comportaram desta maneira?]
O Talmud [Sotá 17a] traz: “Quando um homem e uma mulher merecem, a Divindade paira entre eles” e explica: A palavra homem em hebraico é “Ish;” se a letra “Yud” cair, podemos ler “Esh” que significa fogo. A palavra mulher em hebraico é “Ishá;” se a letra “Hei” cair, podemos ler “Esh” (fogo). As letras “Yud” e “Hei”combinam-se formando o nome de D’us. Quando um homem e uma mulher merecem [quando concebem o casamento de modo apropriado], a Divindade paira entre eles.

[Os Sábios estavam conscientes do alto nível – adquirido no casamento, logo seu contentamento era enorme.] A união Divina no casamento é grande e infinita, portanto o casamento é chamado de “uma estrutura eterna”. Por isso, o contentamento dos Sábios não poderia ser limitado por restrições de boas maneiras. Também o pilar de luz, que ele recebeu por seu comportamento, tinha um alto nível; foi um sinal óbvio da revelação Divina.

[A necessidade da alegria da santidade, de um comportamento que transcende o intelecto, é descrito na passagem] “A luz do Ein Sof (Infinito) não pode ser captada pelo pensamento.” A essência Divina transcende todos os limites de compreensão. Há muitos níveis espirituais, refinados e abstratos que podem ser captados pelo pensamento, mas algo que nem é ligado ao pensamento (a essência Divina), não pode ser captada nem pelo intelecto mais elevado.

O Tanya [cap. 18] expressa este conceito como segue: “Em relação a D’us, que está acima da inteligência e conhecimento, que não pode ser compreendido, todos os homens são tolos, como está escrito [Salmos LXXIII: 22-23]: “E eu sou um bobo e ignorante. Eu sou como uma besta em Tua frente, mas eu estou continuamente conTigo,” significando que “porque eu sou um bobo e como uma besta, estou continuamente conTigo.”

Para chegar à essência Divina, a pessoa deve anular sua vontade, o que também é um ato que transcende os limites do conhecimento; por isto, também é chamado de Shtut (tolice).

[No Livro dos Reis encontramos um conceito similar.] O profeta é mencionado como sendo um homem louco, como está escrito: “Por que este homem louco veio?” [Reis II, IX, 1]. Estes termos foram usados porque durante a revelação profética a pessoa deve transcender toda a concepção mundana do material, totalmente além de seu entendimento e sentimento, adquirindo um nível de anulação acima de qualquer limite de entendimento [e só então ele é um receptáculo para a profecia].

Logo, durante a revelação profética, os profetas deviam remover suas vestes, como está escrito no versículo: “E ele (Shaul) também tirou suas vestes e profetizou” [Samuel I, XIX: 24]. [O remover das vestes representou um alto nível espiritual.] As vestes vieram apenas depois e em conseqüência do pecado da Árvore do Conhecimento. Antes do pecado, a Torá afirma: “E estavam os dois nus e não se envergonharam” {Bereshit II:25].

[Antes do pecado, o homem era instintivamente bom; ele era motivado apenas nessa direção. Após o pecado ele “conheceu o bem e o mal”]; porém seus pensamentos mesclaram-se com estas duas forças. [O bem não é mais tão facilmente distinguível do mal], mas mistura-se com ele. Apenas depois que o pecado causou estes sentimentos, Adam e Chava puseram roupas. A raiz profunda desses sentimentos é a própria personalidade da pessoa, seu comportamento com o mundo do intelecto e das emoções.

Para adquirir a profecia, a pessoa deve tirar suas vestes, que é exatamente o desligamento da própria consciência racional e emocional. Ou seja, estar em estado de anulação de suas forças e sentidos, como Maimônides explica nas leis de Vessodê Hatorá (cap. VII, art. I): “Um dos princípios fundamentais da fé é saber que D’us concede profecia a homens. A profecia vem apenas a um homem sábio, que seja forte, isto é, que sobrepuja seus desejos e estes não o dominam. “E por isso, este nível chama-se tolice da santidade, que é o desvio acima do intelecto e da lógica, e não abaixo destes.

[Através do entendimento dos dois níveis de tolice (Shtut), podemos entender porque o Santuário foi construído de madeira de Shitim.] Como consta anteriormente, o objetivo do serviço no Santuário e no Templo era transformar a escuridão em luz, ao ponto em que a própria escuridão brilharia; neste caso, transformar o espírito de tolice (abaixo da lógica) para tolice de santidade. E por isso o Santuário era feito exatamente de madeira de Shitim; um claro exemplo de como transformar o comportamento abaixo da razão em comportamento que transcende a razão.

Através disto podemos entender a interpretação: “E vocês Me farão um Santuário e Eu repousarei dentro deles” – dentro de cada indivíduo. Através do serviço do homem de refinamento pessoal, que traz a transformação da escuridão em luz; ou seja, através de seu esforço de transformar o sub-racional em supra-racional.

[Para explicar o conceito em um nível prático, no comportamento cotidiano do homem:] Há certas coisas que a pessoa faz sem pensar, só porque todos as fazem. Estas coisas são como leis inalteráveis, pois assim é o costume do mundo, como algumas regras de boas maneiras, etc. Este comportamento deve ser elevado de baixo da razão para cima da razão, Por exemplo: comer e dormir são atividades fixas e regulares; também quando é necessário ocupar-se de negócios, são atividades inalteráveis para a maior parte das pessoas. Em contraposição, o tempo fixo para o estudo de Torá e para a reza é adiado e não é regular e, por alguns, é ignorado completamente.

Quando a pessoa faz um balanço pessoal e questiona até que ponto seu comportamento está correto, principalmente sabendo que ela não controla o tempo que viverá, como diz o Midrash [Devarim Rabá 9:3]: “O homem não tem controle para dizer [ao anjo da morte]: Eepere-me até que eu faça meus balanços e cuide da minha família, etc.” Quando a pessoa faz apenas uma avaliação, naturalmente perguntará: Como é possível gastar toda a energia de sua alma em coisas completamente fúteis e esquecer-se totalmente do propósito da descida de sua alma?

Ela deve saber que isto só é possível devido ao espírito de tolice que encobre a verdade. E este será seu trabalho – o de transformar essa tolice: e se esforçará e fixará tempo para o estudo de Torá e então: “Eu repousarei dentro deles,” a revelação Divina brilhará em sua alma.

Este é o significado de (como traz o Zohar): Quando a Sitra Achra é submetida, quando a tolice da alma animalesca e a excitação por prazeres mundanos for transformado em santidade através do cumprimento da Torá e mitsvot, então ‘revela-se a Glória do Santo, bendito seja, por todos os mundos: “A luz envolvente de todos os mundos brilhará e se revelará.”

SINOPSE: Explica que há também a tolice de santidade, desvio acima dos limites da razão e conhecimento, similar à transcendência do intelecto e emoção pessoal requerida para a profecia. O Santuário era feito de tábuas de Shitim, demonstrando como o Shtut, a tolice abaixo da lógica, pode ser transformada em tolice de santidade. E assim cabe a cada pessoa em seu serviço.





O Que É Cabalá?


O Que É Cabalá?
A Alma do Judaísmo

Por Tzvi Freeman
                                                 

Dentro de seu corpo respira uma pessoa – uma alma. Dentro do corpo da prática judaica respira uma sabedoria interior – a alma do Judaísmo. Nós a chamamos de “Cabalá”, que significa “receber”. Assim como a prática judaica é recebida por meio de uma tradição antiga e ininterrupta da revelação no Sinai, assim é a sua alma.
Cabalá, então, é a sabedoria recebida, a teologia e a cosmologia nativas do Judaísmo.
Outro nome para Cabalá – mais revelador – é “Torat ha’Sod.” Comumente, é mal traduzido como “o ensinamento secreto”. A tradução correta, porém, contém o significado oposto: “o ensinamento do secreto.”
“O ensinamento secreto” significa que estamos tentando esconder algo de você.
“O ensinamento do secreto” significa que estamos tentando ensinar algo a você, abrir e revelar algo oculto.
Ora, você poderia dizer, se o segredo é ensinado, não é mais um segredo. Um segredo revelado, poderia parecer, é uma contradição.
Seria assim se estivéssemos discutindo um segredo artificial, que é secreto apenas porque é velado em segredo, porque outros não querem que você descubra. Os verdadeiros segredos, uma vez revelados, explicados, ilustrados, analisados e integrados em sua consciência, permanecem tão misteriosos quanto antes. Não – muito mais misteriosos, pois à medida que a ilha de conhecimento se expande, assim também sua praia sobre o infinito mar do desconhecido.
A vida tem muito desses mistérios: O que é amor? O que é mente? O que é vida? O que é existência? Como acontecem? De onde emergem? O que é a sua alma, a pessoa dentro do seu corpo? Você passa por todos esses a cada momento. Eles são você. E apesar disso, quanto mais você contempla as profundezas de seus mistérios, mais profundas as águas se tornam."A Cabalá não é um ensinamento sagrado. É o ensinamento de um segredo."Os segredos mais profundos são aqueles conhecidos de todos, aqueles que aprendemos quando somos crianças pequenas, aceitamos como certo pelo resto da nossa vida, vivenciamos diariamente – e mesmo assim jamais conseguimos desvendar ou entender com nossa mente cognitiva.
Existe. As coisas existem. Eu existo. Estou vivo. A vida é a não-morte. Escuridão não é luz. Existe aquilo que é maior que eu.
A Cabalá mergulha nesses segredos e traz suas profundezas para a luz. Fornece metáforas para cura e crescimento na vida diária. É por isso que a experiência de estudar Cabalá é “Sim! Eu sabia essa verdade o tempo todo! Meu coração sabia, mas minha boca era incapaz de expressá-la!” As verdades da Cabalá pertencem a todo ser que sente.
Porém, acima de tudo, a Cabalá proporciona uma sensação do além; o conhecimento daquilo que não pode ser conhecido, a sabedoria do mistério, o entendimento daquilo que não entendemos. A Cabalá é o conhecimento do assombro.
Por que a Cabalá é tão secreta?
Ensinar um segredo é perigoso. O aluno está em perigo, pois pode acreditar que realmente entende. Um mistério jamais pode ser apresentado sem as coberturas da metáfora e da parábola. Talvez o estudante entenda a capa mas não consiga desvendar seu conteúdo, como aquele que mastiga a casca e descarta o interior do fruto.
O professor está em perigo, pois como pode saber se realmente entendeu? Vai ensinar muitos alunos, suas ideias serão popularizadas, a essência será perdida e seu significado será retorcido ao oposto da sua intenção.
A própria Cabalá está em perigo, pois uma vez que tenha perdido sua integridade, imediatamente deixa de ser “a sabedoria recebida”. Pode ser sábia, pode ser bela, porém não é mais Cabalá.
É por isso que, na maior parte do tempo, a Cabalá foi transmitida de mestre para alunos selecionados e de confiança, na maior confiabilidade. Quando foi escrita, os textos eram propositadamente crípticos e misteriosos, em enigmas sussurrados, parábolas e alusões obscurecidas. Às vezes, as restrições tinham de ser reafirmadas para impedir todos, exceto alguns poucos, de estudar Cabalá."As águas desta fonte devem ser mantidas puras; devem continuar sendo águas vivas."Somente nas últimas centenas de anos os mestres começaram a revelar abertamente estas verdades. Os mestres chassídicos revelaram uma luz e forneceram um conjunto de metáforas que permite a todos abordarem aquela luz, trazendo a Cabalá ao domínio até da alma mais simples.
Mas mesmo assim, um guia é indispensável, e deve-se tomar muito cuidado para preservar a pureza dos ensinamentos.
Quem é este guia? Como você sabe que está recebendo águas puras, direto da fonte original?
Por um lado, água pura reflete claramente. Se a vida do professor não reflete seus ensinamentos, suas águas são impuras.
Depois, saiba que até Mashiach chegar, o caminho interior nunca é sem conflito. Se o ensinamento vem facilmente, não é o ensinamento interior.
E em terceiro: É verdade que você não precisa ser judeu para se embeber no doce vinho da Cabalá ou para aprender seus caminhos de cura. Mas a alma da Cabalá é diferente de uma alma humana – jamais pode ser arrancada de seu corpo, pois o casamento de alma e corpo é completo. A prática judaica e a Cabalá são uma só. Se você ouvir “Não tem nada a ver com o Judaísmo”, está ouvindo uma mentira.
Como o estudo de Cabalá pode me ajudar?
Cabalá é um aspecto da Torá, e Torá significa “orientação” ou “instruções”. Tudo na Cabalá é para ser uma instrução na vida. Estudamos Cabalá não apenas para atingir um ponto alto, mas porque precisamos de sua inspiração na vida cotidiana, e porque nos fornece direção e orientação prática.
"Para o Cabalista, o supremo paraíso é aqui agora, porque a Luz Infinita está aqui agora."
A Cabalá proporciona uma dimensão cósmica aos assuntos da vida humana de todos os dias. A doença é um reflexo da doença de amor da divina presença para a Luz Infinita. Os desafios da vida são as centelhas perdidas no ato primitivo da criação, vindas a você para serem consertadas e elevadas. Sua vida é uma missão, na qual você é direcionado para as centelhas divinas que pertencem unicamente à sua alma, pelas quais sua alma tem retornado muitas vezes a este mundo até que sejam todas reunidas.
Entender a dimensão cósmica significa que nada na vida é trivial. Tudo tem significado. Tudo se move rumo a um só propósito, com uma única meta. O entendimento permite que você aceite estes desafios e complete a jornada da sua alma.
Como a Cabalá difere de outros ensinamentos espirituais?
Há muitos ensinamentos espirituais sábios de pessoas em toda parte do globo. Em sua prática, as pessoas encontram transcendência do mundo material, esclarecimento e serenidade.
O foco da Cabalá não é a serenidade. Também não é o esclarecimento transcendental. Proporciona estes também, mas como um meio, não como meta. A meta da Cabalá é a ação inspirada. Qualquer que seja a sabedoria que o cabalista adquire, qualquer que seja o estado de êxtase ou união mística ao qual ele ascende, o resultado será sempre um ato de beleza no mundo físico.
Falando de outra forma: muitos mestres dirão a você para praticar boas ações e atos de bondade porque esta é uma pedra ao longo do caminho da consciência mais elevada. O cabalista lhe dirá que no momento da boa ação, você já está ali. O ato em si é a sua meta, à qual uma consciência mais elevada deve levar você.
Para o cabalista, o supremo paraíso é aqui agora, porque a Luz Infinita está aqui agora, e mais que qualquer reino espiritual, é onde a Luz Infinita anseia por ser descoberta. Nosso trabalho é descascar o fruto para revelar aquela luz dentro de cada artefato físico do mundo. Para iluminar não apenas a nós mesmos, mas todo ser vivo, e até a matéria inerte do nosso mundo.
Quando a Cabalá começou?
"A revelação no Sinai foi a primeira e a suprema experiência da verdade interior."
As histórias dos ancestrais são pintadas com uma paleta de visões místicas, revelações divinas e comunicação com seres não-físicos. Porém a Torá, incluindo a Cabalá, não é definida por aquelas visões. O evento central da narrativa judaica é a revelação em massa no Monte Sinai, quando “todo o povo viu os sons e a iluminação”.
Digamos que você viveu pouco tempo depois do evento. Digamos que você perguntou às pessoas que tinham estado lá: “Diga-me o que aconteceu.” O que elas diriam a você?
“Fomos instruídos a não ter outros deuses.”
“Fomos instruídos a honrar nossos pais, a não roubar nem matar.”
Não creio nisso.
Mais provavelmente, a resposta deles seria algo assim:
“Vimos todos os segredos do cosmos abertos à nossa frente. Vimos como cada coisa é gerada para ser a todo momento, vimos como não há realmente nada exceto um Criador, e tudo o mais são articulações de Sua vontade.”
Os próprios mandamentos – não ter outros deuses, honrar os pais, não roubar ou matar – são apenas o conteúdo daquela experiência. O meio, a experiência – isto foi o âmago da mensagem. Foi naquela experiência mística que nosso povo nasceu – a experiência de um mundo no qual “de toda direção, D'us falou com eles.” Eles viram toda a realidade como nada exceto as palavras de uma única, incognoscísvel origem de todas as coisas. E eles entraram em comunhão com aquela Fonte.
Por cerca de mil anos após o Sinai, a experiência judaica permaneceu definida pela profecia. A sabedoria era conhecida às pessoas através de videntes e profetas, homens e mulheres que se afastaram dos desejos e vaidades humanas para atingir uma visão clara dos reinos interiores. Porém nenhuma dessas visões forneceu uma nova revelação, acrescentando ou subtraindo coisa alguma da Torá. Estavam simplesmente afirmando, esclarecendo e sustentando a visão partilhada do Sinai.
A era de profecia acabou no início do período do Segundo Templo, mas a revelação Divina e a visão mística nunca partiram. Nem os rececptores daquela sabedoria se sentaram à beira da tradição judaica. Muitos, se não a maioria, dos mais conhecidos mestres da alma da Torá foram também os mestres estabelecidos sobre o corpo da prática da Torá. Rabi Akiva é considerado o pai da Mishná, e o Talmud e Sefer HaBahir descrevem suas jornadas místicas. Seu aluno, Rabi Shimon bar Yochai, foi responsável pela clássica obra cabalística, o Zohar, e suas opiniões permeiam toda seção do Talmud.
Às vezes, e em determinados lugares, a inquirição filosófica deixou de lado a tradição recebeida para dominar o pensamento judaico. Porém raramente foi considerada a teologia nativa, mas sim uma espécie de enxerto vindo de vinhas estranhas. As obras de filosofia ascendentes, lutando para criar uma única visão a partir de partes disparatadas. A Cabalá faz a conversão, começando com uma visão vívida, holística, e tentando transmitir aquela visão a outros. Apesar disso, especialmente após a expulsão da Espanha, o racionalismo e grande parte da terminologia dos filósofos se integrou à sabedoria holística da Cabalá. O resultado foi um florescimento e uma popularidade sem precedentes do pensamento cabalístico.
"A investigação filosófica jamais foi considerada nossa teologia nativa. Porém a Cabalá mais tarde se beneficiou através da síntese com ela."
Na era crítica quando a Halachá foi codificada e estabelecida (a partir da expulsão espanhola até a metade do Século 17), quase todos os eruditos sérios estavam mergulhados na Cabalá. Rabi Yosef Caro, autor do código padrão da Lei Judaica, o Shulchan Aruch; Rabi Moshê Isserles, cujos retoques tornaram aquele código aceitável ao Judaísmo askenazita; bem como a maioria dos comentaristas padrão daquele código, escreveram obras cabalísticas também. Até o popular sermão na sinagoga com frequência era revestido e enfeitado com referências cabalísticas.
Para a maior parte dos judeus de países muçulmanos, o Zohar é tão sagrado quanto o Livros dos Salmos. O Movimento Chassídico cresceu diretamente a partir da Cabalá. Os oponentes originais ao Movimento Chassídico, como Rabi Elijah de Vilna, foram mestres da Cabalá. Muitos dos comentários padrão estudados atualmente sobre os Cinco Livros de Moshê estão repletos de referências a ideias cabalísticas.
É por isso que tentar entender a experiência judaica sem entender a Cabalá é o mesmo que analisar o comportamento de uma pessoa sem saber o que se passa em sua mente. Os judeus notáveis das eras passadas que não provaram a Cabalá sentiam aquela alma interior intuitivamente dentro da Torá que eles estudavam, dentro de suas preces e dentro da prática das mitsvot. Em todas essas coisas, suas almas brilhavam vibrantemente. No decorrer dos séculos, à medida que o mundo se tornava mais estéril, materialista e confuso, aquela alma se tornou cansada e sentiu-se adormecida. Hoje, o caminho cecrto para uma pessoa que raciocina sentir a alma da experiência judaica é provar seus segredos íntimos. Hoje, o Judaísmo privado da Cabalá é um corpo privado de sua alma.
Hoje o estudo da cabala é vital por um motivo ainda mais importante – como um estágio essencial para a evolução definitiva da humanidade. Abordaremos isto depois.
Você pode ser criativo com a Cabalá?
Uma sabedoria recebida pareceria não deixar espaço para originalidade ou criatividade. O Zohar nos diz que aquele que cria as próprias ideias e as chama de Torá está criando um ídolo.
A comparação é significativa: como um ídolo é uma falsa representação de D'us, também essa ideia é uma falsa representação da sabedoria Divina, e “Ele e Sua sabedoria são um.”
Porém, como em outros campos da Torá, a Cabalá ferve com pensamento criativo e originalidade. Eis como Rabi Moshê Cordovero, um professor líder do Século 16 da escola racionalista-cabalista de Tzfat, explicava a necessidade e os parâmetros de originalidade na Cabalá:
O Livro da Formação diz: “Entenda com sabedoria; seja sábio com entendimento.”
“Entender com sabedoria” significa investigar bem tudo que seu mestre ensinou a você na sabedoria das modalidades. Afinal, nesses assuntos transmitimos apenas um mero esboço. A partir deste esboço, cada pessoa deve entender uma ideia a partir de outra.
O Cabalista é criativo, pode ter visões iluminadoras, porém tudo que ele ensina não passa de comentário sobre a tradição recebida.
Você pode ver isto nas palavras de nossos Sábios quando eles disseram: “Este assunto é falado somente a um sábio que entende com sua própria mente.” A partir disto, você vê que uma pessoa deve usar a própria mente para comparar uma coisa com outra, e assim extrair uma ideia de dentro da outra. Dessa maneira ele terá uma mente procriativa e não uma estéril.
E ainda diz; “Seja sábio com entendimento”. Isso significa que quando você origina e analisa com o próprio intelecto para que possa entender, deve tomar cuidado para conceber a ideia e explicá-la dentro da estrutura da tradição dos rabinos e suas palavras verdadeiras. As ideias originais devem estar incluídas naquilo que você adquiriu, seja pouco ou muito.
Os cabalistas podem ter visões, mas eles não encontraram seus ensinamentos naquelas revelações. Sejam quais forem as visões que eles tiveram, veem aquelas como meras iluminações dos textos sagrados e dos ensinamentos que já receberam. Nesta maneira, a Cabalá permanece uma árvore da vida, com profundas raízes segurando-a firmemente no lugar, enquanto dá doces frutos novos a cada estação.
Quais são algumas ideias básicas da Cabalá?
Embora tudos se estendam a partir de uma só visão unificada, os temas que a Cabalá aborda são vastos e variados. Aqui estão alguns dos principais:
Luz Infinita:
Uma metáfora para D'us. D'us é incognoscível e sem forma, porém todas as formas se expandem a partir Dele. A ideia de luz ilimitada ajuda a comunicar essa ideia. Porém a essência de D'us está além até do infinito. E D'us é encontrado nas trevas assim como é encontrado na luz.
Luz e Recipientes:
Similar à ideia moderna de energia e matéria. O ato da criação é sustentado através de uma dinâmica de luz infinita comprimida em estados definidos de ser chamados “recipientes”, que então projetam a luz para criar uma infinidade de seres.
Dez Sefirot:
A conexão entre a Luz Infinita e uma criação finita deveria ser intransponível, e mesmo assim aqui estamos nós, decididamente projeções finitas daquela Luz Infinita. Este é o mistério das dez sefirot: como o Infinito interage com os mundos que gerou através de dez modalidades luminosas, A ordem das sefirot se move a partir do domínio intelectual através da emoção e desce até o âmbito do “domínio” – a esfera de realmente conseguir algo feito. Esta é a “divina imagem” na qual o ser humano é criado. Ao nos conhecermos como seres humanos, portanto, podemos descobrir o divino. E ao entender o divino, somos mais capazes de curar e nutrir o ser humano.
O Mistério do Alfabeto Hebraico:
Em hebraico, não há coisas, somente palavras. O nome hebraico de cada coisa contém sua força de vida essencial. O poder infinito do Criador é encontrado dentro de cada exemplo e objeto da criação; nada está fora dessa luz e nada é vazia dela. As vinte e duas letras do alfabeto hebraico expressam as articulações específicas daquela força criativa. Aquele que domina seus mistérios tem a chave para entender a natureza de cada coisa.
União de Opostos:
O universo inteiro é uma união dinâmica de macho e fêmea. A alma-vida do universo, conhecida como Shechiná, e a Luz Infinita, anseiam por se reunir, como a alma humana anseia por se reunir com sua origem dentro de D'us. O estudo de Torá e o cumprimento das mitsvot provocam essas uniões, permitindo assim que a luz nova e transcendental penetre no cosmos.
Tikun:
O mais notável dos cabalistas, Rabi Yitschak Luria, conhecido como “o Ari” (o leão), conseguiu explicar muitas passagens arcanas do Zohar por meio de uma doutrina de tikun, que significa “conserto”. Revertendo o modelo padrão, o Ari explicou que o mundo foi criado num estado quebrado, e o ser humano foi colcoado nele para recolher as peças espalhadas e consertar sua integridade. O resultado eventual é a união da existência finita com a Luz Infinita, além até daquilo que era no início da criação.
Como a Cabalá se encaixa no mundo moderno?
A Cabalá tem o potencial de amainar o conflito entre o frio mundo exterior que observamos e o cálido mundo interior do observador.
Nos últimos cem anos, a ciência desnudou a complicada e pura vastidão do mundo físico numa maneira antes inconcebível. Descobrimos uma impressionante harmonia pela qual todo o universo físico é visto como uma singularidade, toda partículo integralmente relacionada a toda outra partícula, uma harmonia pela qual até a matéria e a energia em si mesmas são essencialmente uma única dinâmica.
A tecnologis nos deu meios para partilhar e examinar este conhecimento que era inimaginável há uma geração. Programar nossos próprios ambientes virtuais nos enriquece com uma metáfora pela qual podemos imaginar o que significa criar um mundo e sustentar sua existência a cada momento.
A humanidade deveria ser tomada por reverência e assombro, mas em vez disso temos sido deixados no frio. Ironicamente, em nossa busca pela unidade da lei fisiica, temos nos afastado daquela unidade, cavando um vácuo devastador entre o mundo difícil e material que nos cerca e o mundo suave e humano que arde no interior. Ao mediar este divórcio, nos mesmos nos tornamos órfãos.
A Cabalá cura esta ferida. Descreve o mundo ao redor na linguagem da nossa psique. Ela nos põe em contato com um mundo composto não de matéria crua, mas de mente inimaginável.
O cientistas descreve o universo dentro das dimensões de tempo e espaço, em termos que ele pode contar e mensurar. Porém nem tudo que conta pode ser contado. Uma das obras mais antigas da Cabalá, o Livro da Formação, descreve ainda outra dimensão: aquela da vida, consciência e alma. Tudo que existe no tempo e no espaço, aprendemos, é primeiro encontrado no fundo daquela dimensão interior.
É uma dimensão com a qual estamos intimamente familiarizados.
O artista olha para uma árvore e vê não uma estrutura celular de carbono, mas beleza, vida e magnificência. O amante da música escuta num quarteto de cordas não as vibrações das cordas de nylon e sua série de tons, mas a luta pela resolução dentro da alma do compositor. O crítico literário lê dentro das palavras do romance os pensamentos do autor, dentro dos pensamentos as atitudes, dentro das atitudes a percepção do mundo que gera tais atitudes, e dentro daquela percepção a persona do próprio autor.
Assim também, o cabalista vê dentro de cada exemplo da realidade não sua presença palpável e definida, mas uma energia divina sustentando toda a existência, sempre nova como a água da cachoeira é renovada a cada momento, gerando e regenerando cada detalhe do vácuo absoluto, imbuindo cada coisa com suas propriedades particulares e com vida, cada instante da existência em sua maneira particular. E dentro daquela dinâmica da criação, o cabalista vê o próprio D'us.
Como resultado, temos uma afinidade com este universo ao redor. Assim como sentimos dentro de nós mesmos camada sobre camada de personalidade, mais profundamente cada extrato da consciência, e ainda dentro de tudo isso uma indefinível essência do ser, também podemos perceber profundamente dentro do universo uma sentença infinitamente maior que a nossa, e uma essência que transcende o conhecimento e o saber juntos.
Na verdade, somos os filhos daquela essência incognoscível, nossas mentes um pálido reflexo de sua luz dentro das águas barrentas do mundo material, nossas almas seu próprio sopro dentro daqueles limites corpóreos.
Por que precisamos agora da Cabalá?
O franco estudo da Cabalá atualmente não é apenas porque precisamos da inspiração que ele fornece, mas porque este é um estágio vital na evolução do mundo.
Divulgar os ensinamentos da Cabalá numa forma que a mente possa entender prepara o mundo para a Era Messiânica.
A suprema fase deste mundo é uma era messiânica na qual “a ocupação do mundo inteiro será apenas conhecer a D'us”. Isso não significa simplesmente saber que há um D'us, mas conhecer Seu universo como Ele o conhece, e a sabedoria por trás disso como aquela sabedoria é uma com Ele. A preparação para este tempo já começou, e estamos nela.
A obra principal da Cabalá, o Zohar, descreve uma era que espelhará o dilúvio de Nôach – dessa vez com um mundo inundado com sabedoria em vez de água:
“No seiscentésimo ano da vida de Nôach… todos os mananciais da grande profundeza se abriram, e as janelas do céu ficaram abertas…” – Bereshit, 7:11
Sobre isto, o Zohar declara:
“No 6º século do 6º milênio os portões da sabedoria sobrenatural serão abertos, como as fontes de sabedoria terrena, preparando o mundo para ser elevado ao sétimo milênio.”
O sexto século do sexto milênio do calendário judaico corresponde ao período de 1740-1840, na verdade um período de explosivos avanços em tecnologia e ciência. Ao mesmo tempo, os portões da sabedoria sobrenatural foram abertos através dos mestres chassídicos da Cabalá.
Agora é hora de partilhar ambas as sabedorias, a terrena e a celestial, para fundi-las como uma só e inundar o mundo até que seja cumprida a promessa do profeta:
“A terra ficará repleta com a consciência de D'us como a água cobre o oceano.” - Yeshayahu 11:9
Onde posso aprender a Cabalá autêntica?
Fale com seu rabino. Talvez ele esteja dando aulas sobre Cabalá, ou algum tópico a partir de uma perspectiva cabalística.


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Padre admite, nós criamos o novo testamento "a bíblia"



O Padre Católico confirma que Roma Católica criou o Novo Testamento (A Bíblia), por isso nós os Judeus só usamos o Tanach, As Escrituras Sagradas. Dado por HaShem por intermédio de Moshé nosso Mestre.

YOM KIPUR

YOM KIPUR
Leituras da Torá       Pela manhã
Porção: Vayicrá XVIIIHaftará: Livro de Yoná       Dois rolos da Torá são tirados na manhã de Yom Kipur para a leitura. No primeiro, seis homens (e quando coincidir com Shabat - sete) são chamados à Torá. O Maftir (leitura adicional) é lido no segundo rolo.
A leitura na Torá é sobre o serviço solene no Templo Sagrado, no Dia de Expiação, conduzido pelo próprio Sumo Sacerdote. Este era o único dia do ano em que o Sumo Sacerdote tinha permissão de entrar no Santo dos Santos para oferecer incenso e lá recitar uma prece, em nome de todo o povo.
A Haftará, Porção dos Profetas, fala sobre o verdadeiro significado do arrependimento. O profeta chama para o caminho do arrependimento. Embora D'us seja exaltado e habite nas Alturas, diz o profeta, Ele está também com os contritos e humildes de espírito. D'us proclama paz àquele que está longe e àquele que está perto, assegurando a todos a cura do espírito.
Mas apenas jejuar não é suficiente. "Na verdade eu escolhi este jejum: para romper as ligaduras da iniqüidade... para repartires o pão com o faminto... quando vires o desnudo, cubra-o, e não te esconda de tua própria carne." Mas isto não é tudo. Nenhum arrependimento pode ser completo sem uma melhor apreciação e a observância do Shabat: "Que teus pés descansem no Shabat de fazer tua ocupação no Meu dia santo; e chamarás o Shabat um deleite... e deves honrá-lo abstendo-se de teus caminhos comuns, de procurar teu prazer e de pronunciar palavras vãs - então acharás deleite no Senhor..."

   Na parte da tarde  Porção: Vayicrá XVIIIHaftará: Livro de Yoná       A leitura da Torá de Minchá, Prece da Tarde, fala da pureza da vida judaica. A Torá nos adverte a não seguir os modos imorais dos egípcios e nativos canaanitas, "que a terra não te vomite também, como vomitou as nações que vieram antes de ti."
A Haftará consiste em todo o Livro de Yoná, cuja história certamente lhe é familiar. Contém uma mensagem oportuna sobre a importância do arrependimento e da prece. Se o pecado faz com que a terra vomite seus habitantes, o arrependimento fez com que o peixe vomitasse Yoná de volta à terra seca e o trouxesse de volta à vida.
A pessoa nunca deve se desesperar. A prece e o arrependimento levam das trevas à luz, da sombra da morte a uma nova vida.


 
   

Col Nidrê (O que tem a ver com Yom Kipur

 YOM KIPUR (Col Nidrê)  
 

Quantos de nós fizeram uma simples pergunta: O que Col Nidrê tem a ver com Yom Kipur?

Col Nidrê

Por Rabino Herschel Greenberg  
   
 
Que judeu não se inspira por esta mais solene prece? E qual alma judaica não se emociona quando o chazan, cantor, mesmo que baixinho, começa a entoar estes antigos versos em sua melodia tradicional? Poucas outras ocasiões podem evocar tão profunda emoção espiritual no coração de um judeu.

Porém, quantos de nós investigaram sob a superfície desta prece?

Quantos de nós fizeram uma simples pergunta: o que Col Nidrê tem a ver com Yom Kipur? Por que, poderíamos perguntar, o mais santo e solene dia do ano é iniciado com uma declaração a qual parece faltar o caráter espiritual?

Uma explicação sobre a natureza de Col Nidrê com uma certa inclinação psicológica pode ser sugerida com base nos ensinamentos da Chassidut. Promessas e juramentos são métodos pelos quais encorajamos a nós mesmos a seguir um código de comportamento mais rigoroso. Se alguém acha difícil lidar com as indesejáveis pressões externas pelo caminho "natural", ao exercitar a força de vontade e sentido inatos de moralidade e retidão, pode ser compelido a fazer um voto a fim de sedimentar as defesas naturais contra o mal.

Uma promessa é, portanto, um meio de ganhar força na luta perene para a supremacia do bem sobre o mal. Dá ao indivíduo um impulso psicológico. E, como lemos nos ensinamentos de Cabalá e Chassidut, a declaração de um juramento instila novas energias espirituais não automaticamente encontradas dentro do alcance humano.

Contudo, em Yom Kipur não há necessidade para estes juramentos e promessas. Nesta época de reverência, estas mesmas forças psicológicas e espirituais engendradas pelo juramento estão a nosso alcance, simplesmente pela virtude da santidade do dia. Yom Kipur significa que não dependemos de métodos artificiais para despertar o espírito judaico. Por conseguinte, declaramos nulos e inválidos todas as promessas e juramentos. E, ao fazermos isto, afirmamos nossa ligação natural com D'us, que é sentida por todo judeu neste mais santo dos dias.

A literatura chassídica Chabad discute explicitamente o papel de Col Nidrê de várias maneiras diferentes. Em Licutê Torá o primeiro Rebe de Chabad explica que nêder (promessa) representa a ligação da alma do indivíduo a elementos indesejáveis. O vocábulo usado na Torá para descrever um certo tipo de promessa, "assur", pode ser traduzido como "amarrado" ou "algemado".

Com freqüência, a alma Divina é amarrada e emaranhada pelos limites do corpo e da alma física e animalesca. Isso evita que a alma atinja a ascensão desejada às esferas superiores. Em Yom Kipur, pela teshuvá (sincero arrependimento e retorno a D'us) colocamos em prática a liberação de nossa alma de sua armadilha corpórea. Isto, então, é um dos significados da anulação das promessas em Yom Kipur; permitir que a alma se liberte.

   
 
A maioria das proibições da Torá nunca pode ser cancelada ou posta de lado. A exceção notável a esta regra são as proibições criadas pela fala: a promessa.

   
O Tsemach Tsêdec (terceiro Rebe de Chabad), em sua copiosa obra Or Hatorá, lança luz sobre a recitação de Col Nidrê no princípio de Yom Kipur de maneira diferente. Ele se refere a um dos fenômenos mais incríveis inerente ao processo de anulação de promessas. Quando a promessa é rescindida pelo chacham (sábio) ou pelo Bet Din (Tribunal Rabínico), o que era anteriormente proibido transforma-se num item ou ato permissível. Ao anular as promessas em Yom Kipur, ocorre uma transformação recíproca: o próprio D'us transforma nossos pecados em méritos.

A realização suprema de Yom Kipur traz à tona apenas isto: a remoção total de qualquer traço mau dentro de nós mesmos, até o ponto em que a "escuridão é transformada em luz". Assim, Col Nidrê recitada no início de Yom Kipur faz mais do que simbolizar a transformação do mal em bem; introduz as próprias forças necessárias para fazer aflorar esta metamorfose. Apenas quando geramos aquelas energias de transformação pela anulação das promessas é que D'us permite a forças semelhantes transformarem nossos pecados em méritos.

Até este ponto, as explicações sobre Col Nidrê oferecidas pelos Rebes de Chabad aqui citadas, concentram-se em certos elementos no processo de anulação das promessas. O foco está no "fenômeno da transformação" inerente ao processo de anular as promessas.

Isto salienta a importância do início do mais santo dos dias do ano com Col Nidrê. Porém, há mais um enfoque para a questão global com relação ao papel de Col Nidrê em Yom Kipur, centrado em toda a anatomia do processo de anulação de promessas. Mais uma vez esta análise foi tirada, e livremente adaptada, da obra chassídica Or Hatorá do Tsemach Tsêdec.

Segundo esta explicação, a maioria das proibições da Torá nunca pode ser cancelada ou posta de lado. A exceção notável a esta regra são as proibições criadas pela fala: a promessa.

Este tipo de interdição pode ser transformada pelo sábio, como indicado na Torá. A razão pode ser compreendida na relação da fala (que cria a proibição) com a faculdade de chochmá (sabedoria; o atributo do sábio, chacham, que tem o poder de renunciar à promessa pela fala).

A Chassidut explica como a faculdade da fala não é uma capacidade intelectual. Nem é inerente aos órgãos da fala produzir todos os sons diferentes de todas as letras e vogais. Pelo contrário, é a própria vontade da alma manifesta no "intelecto oculto" da alma (conhecido na literatura cabalística e chassídica como a faculdade de chochmá, em contraste com o intelecto compreensível, conhecido como a faculdade de biná), que é a fonte e base da fala. A habilidade da fala supera, e muito, o intelecto que decide o que dizer.

Como tal, a fim de cancelar os efeitos decorrentes da faculdade da fala, a Torá afirma que o sábio - o indivíduo que personifica e em que é dominante este transcendente "intelecto oculto" conhecido como chochmá - deve ser evocado. Apenas ao envolver a faculdade de chochmá, o manancial da fala, podem ser neutralizados os efeitos da fala.

Com esta breve análise, o Tsemach Tsêdec segue para esclarecer o papel de renunciar às promessas no início de Yom Kipur, o dia em que pedimos a D'us para perdoar nossas iniqüidades passadas. Visto que todas as proibições derivam das declarações da Torá, da faculdade Divina da fala, por assim dizer, é possível neutralizar os efeitos destas proibições ao atingir o aspecto da Divindade que transcende o âmbito da fala e intelecto. Cumprimos os mandamentos de D'us porque Ele assim nos ordenou.

Contudo, o próprio D'us não precisa deles e não é afetado por nosso cumprimento ou não. Como afirma o Midrash, as mitsvot são dadas para nos refinar. Dentro do quadro do intelecto de D'us que dita a necessidade e a eficácia das mitsvot, sua violação é um assunto sério. Provoca uma alteração cósmica, bem como uma degradação pessoal, mas não afeta, de qualquer modo, o próprio D'us. Ele está além dos domínios do intelecto.

É este o nível de Divindade que introduzimos em Yom Kipur, quando anulamos as promessas em Col Nidrê; o nível tão transcendente que nenhuma violação da Torá tem qualquer referência, como se nunca tivesse ocorrido. Este processo é um reflexo espelhado do processo de anulação de promessas. Renunciar a uma promessa é, portanto, uma introdução da faculdade transcendente supra-racional da alma (por meio do sábio).

Isto nos libera das estruturas das promessas geradas pela faculdade inferior da fala e intelecto revelado. Assim também, no processo de arrependimento em Yom Kipur está a revelação das mais sublimes manifestações de D'us, que depois anula todos os efeitos deletérios de nossas transgressões.

O paralelo pode ser levado mais um passo à frente. Como no caso da promessa, não basta ao sábio repudiar a promessa por si; deve haver também uma total renúncia da promessa pela própria pessoa que deve demonstrar absoluto arrependimento por ter feito a promessa; do mesmo modo, a manifestação destas forças transcendentes da Divindade em Yom Kipur devem ser acompanhadas por remorso sincero por todas as más ações passadas.

Col Nidrê, mais do que qualquer outra prece talvez, nos introduz às várias dimensões de teshuvá, com o cancelamento simultâneo e transformação dos pecados.

Possa D'us nos conceder nossos mais sinceros desejos expressos durante Col Nidrê e possamos ser inscritos e selados para um ano bom e doce.
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Tradução da Prece de Col Nidrê

Todas as promessas, proibições [auto-impostas], juramentos, consagrações, restrições, interdições, ou [quaisquer outras] expressões equivalentes de promessa, que possamos prometer, jurar, dedicar [para uso sagrado], ou proibirmo-nos, desde esse Yom Kipur até o próximo Yom Kipur, que venha a nos para bem, [desde já] nos arrependemos de todos eles; assim sendo estão todos absolvidos, perdoados, cancelados, declarados nulos e sem valor, sem força nem efeito. Que nossas promessas não sejam consideradas promessas; que nossas proibições [auto-impostas] não sejam consideradas proibições; e que nossos juramentos não sejam considerados juramentos.
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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

O ESSENCIAL / TESHUVÁ RETORNO A D'US


O ESSENCIAL 
Rabi Nachman

Traduzido por Rabbi Avraham Greenbaum

TESHUVÁ 
Retorno a Deus

Existe uma maneira de que tudo pode ser transformado em bem.

Alim LiTerufah 113

* * *

A grandeza de Deus é insondável: é por isso que Teshuvá tem esse poder. Não importa o quão longe você pode ter caído - seja nas profundezas - nunca se desesperam, porque você sempre pode voltar para Deus. Com um pouco de esforço você pode transformar até mesmo os piores pecados em méritos. Não importa onde no mundo você cair, você pode facilmente voltar para Deus. Isto é devido à sua grandeza insondável. Nada está além de seu poder. Apenas nunca desista! Mantenha chorando, rezando e pedindo a Deus em todos os momentos.

Sichot Haran # 3

* * *

Às vezes, um pecado pode fazer uma pessoa tão amarga que ele se arrepende completamente.

Likutey Halachot, Birkat HaReiach 4: 2

* * *

Pare ali mesmo!

Você pode estar em algum lugar, quando de repente você tem um pensamento de Teshuvá e um profundo desejo de Deus. Pare aqui e ali, naquele mesmo lugar e ter um momento para focar o pensamento eo sentimento de saudade. Transformá-los em uma oração. Coloque o seu desejo em palavras direto de seu coração. Não espere ou seguir em frente, mesmo se você não está no seu lugar habitual de oração e estudo - mesmo se você estiver indo em seu caminho - porque se você seguir em frente, que poderia interromper sua linha de pensamento.

Likutey Moharan II, 124

* * *

O Caminho da Teshuvá

Cada pessoa deve minimizar a sua própria glória e maximizar a glória de Deus. Para aquele que persegue glória não alcança a glória de Deus, mas apenas a glória dos reis, dos quais se diz: "A glória dos reis é objeto de investigação" (Provérbios 25: 2). Para, em seguida, todos investiga quem ele realmente é, perguntando: "Quem é ele eo que ele é para ser dada como honra" Pessoas desafiá-lo, dizendo que ele não está apto para esta honra.

Mas quando uma pessoa foge de honra, minimizando sua própria honra e maximizando a glória de Deus, ele alcança a glória de Deus. Ninguém, em seguida, investiga para ver se ele merece, para "A glória de Deus é ocultar o assunto" (ibid.) - É proibido questionar sua honra.

A única maneira de alcançar a glória de Deus é através do arrependimento. E o verdadeiro sinal de uma pessoa que está de volta a Deus é a capacidade de ouvir-se insultado e permanecer em silêncio. Ele suporta até mesmo o abuso mais assassina com paciência, reduzindo, assim, o sangue no lado esquerdo de seu coração (sede da alma animal) e aniquilando a sua inclinação para o mal. Tal pessoa é digna de uma participação na glória de Deus.

Antes de uma pessoa retorna a Deus, ele não tem ser. É como se ele ainda não tiver sido criado, porque teria sido melhor para ele não ter sido criada em tudo. Mas quando ele se purifica a fim de voltar para Deus, ele se coloca em ordem e se prepara para se tornar um ser. Este elemento de preparação para se tornar - vir a ser, por assim dizer - explica por que o Nome Divino associado ao arrependimento é Ehyeh, "eu serei".

Quando uma pessoa quer purificar-se e voltar para Deus, dizem-lhe: "Espere!" (Yoma 38b-39a). É verdade que ele deve se apressar para libertar sua alma e escapar da escuridão. Mas ele não deve permitir-se a tornar-se desanimado e deprimido, se ele vê que ele está longe de ser verdadeira oração e outras devoções santas. Esperando pacientemente é uma parte necessária do processo. No final, ele será digno de fazer as pazes completamente e tudo será corrigido.

Arrependimento nunca chega ao fim: ela deve ser contínua. Mesmo no exato momento em que uma pessoa está confessando, é impossível para ele dizer as palavras: "Eu pequei, eu tenho transgredido, me rebelei." com perfeita sinceridade livre de todos os motivos estranhos. Assim, ele deve se arrepender por seu arrependimento mais cedo e para a falha em sua confissão anterior.

Mesmo quando uma pessoa sabe que ele se arrependeu completamente, ele ainda deve reparar o seu arrependimento antes. Para o que ele conseguiu, então era bom apenas na proporção da sua percepção da Divindade no momento. Agora, depois de seu arrependimento, a sua percepção, sem dúvida, foi intensificada. Em comparação com a sua percepção presente, sua percepção mais cedo acaba por ter sido grosseiramente materialista. Ele deve, portanto, arrepender-se de seus níveis anteriores - porque ele degradou a verdadeira exaltação do Criador ao nível do material. Feliz é o homem que alcança a verdadeira Teshuvá.

Teshuvá tem três aspectos: ver com os olhos, ouvir com os ouvidos e compreensão no coração (cf. Isaías 6:10). A pessoa deve usar os olhos para olhar para o objetivo final eo propósito deste mundo. Ele deve se concentrar nessa meta de todo o coração, resolver viajar para lá e em nenhum outro lugar. E ele deve usar seus ouvidos para ouvir atentamente a tudo o que os nossos santos sábios disseram. Em seguida, ele será capaz de voltar para Deus.

Teshuvá depende essencialmente da humildade. Deve-se fazer a si mesmo em nada, como um terreno baldio em que as pessoas pisam: é preciso pagar nenhuma atenção a oposição ou o abuso de outros. Deve-se treinar a si mesmo para ficar em silêncio e ouvir-se insultado, sem responder de volta. Tal pessoa é digna do nome "sábio" e vai atingir perfeita Teshuvá, o "Coroa" e ápice da Sefirot. Este é o caminho para a verdadeira e duradoura glória - a glória de Deus.

Likutey Moharan I, 6

* * *

Humildade

Seja totalmente honesto quando você fala com Deus. Acostume-se a falar tão honestamente que seu coração está excitado e as palavras começam derramando com fogo e paixão.

Como você se aproximar de Deus, você verá sua própria pequenez e insignificância em comparação com a sua grandeza, e você será preenchido com humildade. Até agora você deixará seus pecados atrás das costas e ignorou. Mas quando você começa a reconhecer-lhes francamente, você vai se sentir uma profunda vergonha por ter se rebelado contra o Mestre e Governador do Universo, fonte de todos os mundos.

No início desta humildade não vai ser realmente perceptível em seu rosto, porque o pecado enfraquece os poderes mentais de uma pessoa, impedindo-os de que irradia no rosto. Antes de se arrepender, sua mente está tão enfraquecido que ele não tem noção da verdadeira gravidade do pecado ea grandeza do One pecou contra. Mas, como ele volta para Deus e deixa de lado sua loucura, ganhando sabedoria e de entendimento, sua vergonha torna-se cada vez mais visível em seu rosto.

O Tefilin são o sinal de humildade e de apego a Deus. A luz do Tefilin é um raio de luz do semblante íntima de Deus. Quando uma pessoa atinge esta humildade, todos os seus pecados são perdoados e ele se apega a Árvore da Vida.

Likutey Moharan I, 38

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O Poder dos Salmos

Todo mundo quer reverenciar o nome de Deus, mas nem todos são capazes de se arrepender. Às vezes uma pessoa não sente a excitação que seja. Mesmo aquele que é despertado para se arrepender pode não alcançar sua porta única de Teshuvá, e mesmo se ele o fizer, pode ser que o portão está fechado. É por isso que nem todo mundo alcança arrependimento.

Mas através recitando salmos, mesmo aquele que não sente a excitação pode ser inspirado para se arrepender. Os Salmos podem levá-lo à sua porta única e abri-lo, levando-o assim para Teshuvá.

Por esta razão o rei Davi se chamou de "o homem que levantou o jugo ... o doce cantor de Israel" (II Samuel 23: 1). Nossos sábios explicam que David chamou a si mesmo de "o homem que levantou o jugo", porque ele elevou o jugo de arrependimento através de sua própria Teshuvá. David foi um grande Tzaddik e não deve ter pecado, mas Deus o levou para o pecado, a fim de ensinar a todos o caminho da Teshuvá. O rei Davi foi o exemplo principal de Teshuvá e seu caminho é estabelecido nos Salmos, que ele escreveu com tal espírito de santidade que todos possam encontrar-se com eles e, assim, voltar a Deus.

Likutey Moharan II, 73

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Deus se esconde no obstáculo

Quando, depois de uma vida dedicada ao mundanismo uma pessoa sente uma excitação a Deus, o atributo do Julgamento sobe para acusá-lo e não permitir que ele siga os caminhos de Deus. Ele faz isso por confrontá-lo com um obstáculo. Mas Deus ama a bondade e esconde-se dentro do próprio muito obstáculo. Aquele que carece de bom senso vê o obstáculo e retiros de uma só vez. Mas aquele que possui bom senso examina o obstáculo e descobre Deus dentro dele.

Likutey Moharan I, 115

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Revisitando o passado

Para chegar a completar Teshuvá você deve passar por todos os lugares onde você estava antes de sua Teshuvá. Quando você encontrar exatamente as mesmas tentações que você experimentou antes, você deve evitar os olhos e controlar seus impulsos, a fim de não repetir o que você fez antes. Esta é a essência da Teshuvá perfeita: não há outra maneira.

Likutey Moharan II, 49

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Seja uma nova criação

Se você quiser voltar para Deus você deve fazer-se em uma nova criação. Você pode fazer isso com um suspiro!

O homem nunca pára de respirar - liberando o ar viciado e desenho no ar fresco. Nossas vidas dependem disso. O ar que respiramos físico tem sua raiz acima. Há o bom ar da Tzaddik eo ar mal do pecador. O Tzaddik constantemente puxa o ar do santo, o pecador suga o ar de impureza.

Portanto, quando uma pessoa quer se arrepender, ele deve certificar-se de parar o ar ruim de entrar nele. A maneira de fazer isso é com um suspiro, que é uma longa e profunda respiração dentro e para fora. O suspiro começa quando você tirar do ar extra. Isto é semelhante ao que acontece pouco antes de uma pessoa morre: ele aspira o ar extra e, em seguida, o espírito abandona. Cada exalação é a morte do momento que passou, em preparação para o nascimento de um novo momento. Assim, quando você toma um suspiro profundo, você se libertar do ar ruim do pecador e vincular-se ao ar puro da Tzaddik a fim de receber uma nova vitalidade.

Este é Teshuvá, retornando da impureza para a santidade, a fim de ganhar uma nova vida. O próprio corpo é renovada, porque "Suspirando quebra de todo o corpo de uma pessoa" (Berachot 58b), e, portanto, o corpo está refeito.

Chayey Moharan # 37

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Quão preciosa é um suspiro!

Quão precioso é o suspiro de um judeu! O próprio suspiro traz satisfação de suas necessidades.

Para o mundo foi criado através da respiração, que é o espírito de vida: ". E pelo sopro de sua boca todos os seus exércitos" (Salmos 33: 6). A renovação do mundo também será através da respiração: "Envias o teu Espírito, eles são criados, e assim renovas a face da terra" (Salmos 104: 30). A respiração é também a vitalidade do homem desde a sua vida depende da respiração. "E Ele soprou em suas narinas o espírito de vida" (Gn 2, 7).

A vitalidade essencial de todas as coisas, portanto, depende da respiração. Sempre que algo está faltando, a principal carência é de que coisa vitalidade, que é o espírito de vida mantê-lo vivo. Um suspiro é um longo suspiro - o longo suspiro de paciência. Portanto, quando uma pessoa está doente e suspira sobre o que lhe falta, ele chama espírito de vida para o que falta, porque a principal falta é a ausência do espírito de vida.

Mas de onde é que uma pessoa receber o espírito de vida? Saibam que nós recebemos o espírito essencial da vida Tzaddik e líder da geração. Isso ocorre porque o principal espírito da vida está na Torá, pois "o espírito de Deus pairava sobre a face das águas" (Gn 1, 2) e as "águas" são a Torá. Desde o Tzaddkim estão ligados à Torah, pois o principal espírito é vida com eles.

Quando alguém que está ligado ao Tzaddik e líder da geração leva um longo e profundo suspiro, ele chama espírito de vida do Tzaddik, que está ligado à Torah, onde o espírito reside. Assim, o Tzaddik é chamado de "o homem que tem o espírito com ele" (Números 27:18) - porque ele sabe como se relacionar com todos e cada um de acordo com seu espírito.

Likutey Moharan I, 8

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Providência e natureza

Deus nos mostra grande bondade, governando o mundo com providência individual e através das leis da natureza. Quando as pessoas são boas, Deus lida com eles providencialmente, de uma forma que vai além da natureza. No entanto, se Deus fosse para supervisionar a vida de uma pessoa não merecedora de acordo com Sua providência, não é bom nunca poderia alcançá-lo. No entanto por bondade, Deus deixa essa pessoa com as leis da natureza, e, como resultado, por meio da lei das médias, as coisas podem, em seguida, vão bem para ele.

Se única maneira de correr o mundo de Deus foram através de providência, premiar boas ações e punir o pecado, isso poderia levar a um colapso total da providência. Pois, se Deus fosse ver alguém agindo de forma abusiva e lidei com ele com raiva, ele poderia expulsá-lo completamente. Em vez disso, Deus o abandona à natureza, e quando ele melhora seus caminhos, Ele lida com ele providencialmente.

Mas, na realidade, nós somos totalmente incapazes de compreender o que é a "natureza" eo que é "providência", porque a verdade é que até mesmo as leis da natureza são realmente providência de Deus. No entanto, a mente humana é incapaz de compreender o paradoxo de que o que parece ser a lei da natureza é realmente a providência de Deus.

Likutey Moharan II, 17

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I se desviaram como ovelha perdida

"Eu se desviaram como a ovelha perdida: buscar o teu servo" (Salmos 119: 176).

Quando uma pessoa peca, isso faz uma grande diferença se ele vem a seus sentidos de uma só vez e se arrepende, caso em que é fácil para ele voltar para o seu lugar, porque ele ainda não se desviou muito longe do bom caminho. Para quando uma pessoa peca, ele se vira do caminho reto e entra, um caminho de torção diferente. Uma multidão de errado vira ramificam em erro cada vez mais profunda e corrupção. A pessoa pode desviar até agora e se tornar tão emaranhado que é muito difícil para ele voltar e sair do caminho errado.

O caminho de Deus é chamar uma pessoa do momento em que ele o vê afastar-se do caminho do bom senso, pedindo-lhe para voltar atrás. Ele chama cada pessoa da forma mais adequada para ele. Para alguns Ele acena com uma dica. Para outros a convocação é, literalmente, um grito. Algumas pessoas chutar, e Ele deve atacá-los, a fim de chamá-los. Para "a Torá chora diante deles: 'Fools Quanto tempo você vai adorar loucura?'" (Provérbios 1:22, Zohar Shemini 36a). A Torá é a voz de Deus chamando e pedindo aqueles que pecam para retornar a ele.

Enquanto uma pessoa não se desvia muito longe do caminho certo, é fácil para ele voltar porque ele ainda reconhece a voz. Isso ocorre porque apenas um curto período de tempo se passou desde que ele estava perto de Deus e atenderam a Sua voz, a voz da Torá. Ele ainda não tenha esquecido ou perdido muito longe ao longo desses outros caminhos tortuosos. Da mesma forma, quando uma ovelha se desvia do caminho eo pastor imediatamente chama, enquanto as ovelhas ainda não se desviou muito longe, ele ainda reconhece a voz do pastor e responde imediatamente.

Mas uma vez que a ovelha se desvia muito longe do caminho, ele esquece a voz do pastor e não reconhece a sua chamada. O pastor também dá-se a procura, porque a ovelha foi perdido por um longo tempo. Da mesma forma, quando uma pessoa tem ido na direção errada por um longo tempo, depois de ter se desviado do caminho da verdade em todos os caminhos corruptos, desonestos e confusos, é difícil para ele se arrepender.

Mas sabe que às vezes uma pessoa jornadas até agora ao longo desses caminhos corruptos e desonestos que seu próprio errante traz-o perto de seu lugar original e ele só precisa de um teste fácil para trazê-lo de volta ao seu ponto de partida. Mas quando Deus o chama e organiza o teste, a pessoa não reconhece a voz e não sente necessidade de voltar. Essa é a diferença entre jovens e idosos. Aquele que ainda é jovem e não envelheceu em seus pecados pode retornar mais facilmente, porque ele ainda está mais perto e não esqueceu a voz que chama.

Este é o significado do verso: "Eu se desviaram como a ovelha perdida: buscar o teu servo" (Salmos 119, 176). "Eu se desviaram como ovelha perdida": I se desviaram do bom caminho, como uma ovelha perdida que se desviou do caminho. É por isso que peço-Vos: ".seek a teu servo, pois não me esqueço os teus mandamentos". Apresse-se e procurar me, enquanto eu ainda me lembro da voz da Torá e mitsvot. Apresse-se e procurar me imediatamente, porque eu ainda não ter esquecido seu mitzvot: Eu ainda reconhecer o chamado do mitsvot da Torá. É por isso que eu peço que tenha piedade de mim e me procurar rapidamente, enquanto "Eu não esqueci seu mitzvot" e ainda reconhecer a voz da chamada da Torá e mitsvot.

Para quando uma pessoa envelhece em seus pecados, é muito difícil a procurá-lo quando ele já esqueceu e deixou de reconhecer a voz da Torá e mitsvot. Devemos, portanto, pedir a Deus para apressar e nos trazer de volta a Ele, antes de esquecer completamente o chamado da Torá e mitsvot. Esta foi a oração do rei Davi: "Procurai o teu servo, para que eu não tenha esquecido sua mitsvot."

Likutey Moharan I, 206

Targum Faz Rute

Targum Rute Tradução de Samson H. Levey Capítulo 1. 1- Aconteceu nos dias do juiz de juízes que havia uma grande fome na terra de I...