quarta-feira, 14 de agosto de 2013

TRATADO TORAH – SHA'AR 2 – DISCUSSÃO TANAÍTICA 10


SEPHER TESHUVAH YEHUDIM – DISCUSSÕES TANAÍTICAS PARA A TESHUVAH DOS JUDEUS MARRANOS DE ORIGEM SEFARADITA – SEDER CHOCHMAH YEHUDIM – TRATADO TORAH – SHA'AR 2 – DISCUSSÃO TANAÍTICA 10

O JUDAÍSMO ASHKENAZI se desenvolveu, evoluiu e se formou durante a IDADE MÉDIA (Século V – Século XV), no VALE DO RENO (Região geográfica localizada na EUROPA CENTRAL que é irrigada pelo RIO RENO, o qual se estende desde os ALPES ao leste da SUÍÇA, desaguando em forma de delta nas regiões que compõem os PAÍSES BAIXOS) para onde foram conduzidos cativos por ordens imperiais romanas após a destruição do SEGUNDO TEMPLO DE JERUSALÉM. Durante a ALTA IDADE MÉDIA (Século V – Século X) o ambiente intelectual da EUROPA não se apresentava estimulante e nem motivador. As dificuldades econômicas, o rápido expansionismo militar bárbaro e o analfabetismo da maioria da população européia impediam, de modo geral, os avanços culturais inclusive para os FILHOS DE YISRAEL. A cultura européia estava reservada, na sua grande maioria, às autoridades cristãs católicas apostólicas romanas, mas mesmo assim os judeus ashkenazim alfabetizados possuíam vantagens culturais nas sociedades em que viviam. Nestas sociedades, a presença do isolamento cultural em que viviam os judeus ashkenazim impediu muitas vezes a comunicação entre eles e entre os membros destas sociedades. Por causa disto, é que inicialmente, os judeus ashkenazim não se dedicaram às ciências naturais, mas apenas se ocuparam com os assuntos relativos às práticas do modo de viver judaico.

O número de judeus ashkenazim aumentou com a chegada de judeus oriundos da ITÁLIA durante a ALTA IDADE MÉDIA, estimulados e motivados pela política expansionista do IMPERADOR CHARLE MAGNE (747 – 814). Ao aumentar a extensão do seu império sobre a EUROPA CENTRAL, ele estabeleceu o seu domínio sobre a ALEMANHA, a FRANÇA e a ITÁLIA. A partir disto, a condição de vida dos judeus ashkenazim nestes países começou a melhorar muito. Durante o seu império ele evitou colapsos de autoridades políticas resultantes das invasões bárbaras e elaborou estratégias políticas para revitalizar áreas urbanas em declínio. Devido a questões políticas, o IMPERADOR CHARLE MAGNE e os representantes da dinastia real francesa dos carolíngios (843 – 987) estimularam e fortificaram a imigração de judeus ashkenazim. E, devido a isto, os mercadores judeus começaram a receber tratamento preferencial devido ao intercâmbio comercial existente no MAR MEDITERRÂNEO e no ORIENTE.

Diante disto, mercadores judeus estenderam, a partir da FRANÇA, o seu comércio através da EUROPA ORIENTAL prosseguindo para as estepes russas e se estendendo até o ORIENTE MÉDIO. A partir daí, eles prosseguiram para a ÍNDIA e depois para a CHINA. Durante os séculos X e XI estes mercadores judeus negociaram com nobres e reis da EUROPA OCIDENTAL. Durante os séculos X e XI, restrições impostas aos judeus por concílios cristãos católicos apostólicos romanos foram desconsideradas por reis europeus devido à importância econômica do comércio estabelecido com os judeus. E, devido a isto, os judeus terminaram por se estabelecer na CIDADE DE SENS, na CIDADE DE TROYES, na CIDADE DE KÖLN, na CIDADE DE MAINZ, na CIDADE DE SPEYER e na CIDADE DE WORMS.

No entanto, o início das DEUS VULT, ocorridas entre os séculos XI e XIII, obrigaram estes judeus a imigrar maciçamente para a EUROPA ORIENTAL, levando consigo a língua alemã a qual sofreu influência das línguas aramaica, hebraica, latina, polaca e russa, e também sofreu modificações na sua escrita, fonética e morfologia, surgindo assim, a língua IÍDICHE. Nesta época, o estudo da TORAH e do TALMUD era a primeira das prioridades nas comunidades judaicas ashkenazim, e cópias do TALMUD eram encontradas fora das academias judaicas rabínicas babilônicas, e isto facilitou bastante o desenvolvimento, a erudição e a expansão do judaísmo rabínico entre estes judeus. Assim, a CIDADE DE MAINZ, a CIDADE DE SENS, a CIDADE DE TROYES e a CIDADE DE WORMS tornaram-se conhecidas como os mais importantes centros de estudos judaicos rabínicos. Porém, ao longo do tempo, as comunidades judaicas rabínicas foram se estruturando e se fortificando cada vez mais até que começaram a surgir centros acadêmicos judaicos, onde eles se dedicavam ao estudo da TORAH e do TALMUD. Nestes centros acadêmicos judaicos rabínicos surgiram notáveis eruditos como o sábio judeu geonita ashkenazi, RABBI GERSHOM BEN YEHUDAH, GERSHOM MAINZ, MEOR HAGOLA (960 – 1028).

O RABBI GERSHOM BEN YEHUDAH, GERSHOM MAINZ, MEOR HAGOLA também era conhecido por GERSHOM MAINZ porque ele estabeleceu e dirigiu a academia judaica rabínica na CIDADE DE MAINZ, a qual se tornou um importante centro de estudos judaicos rabínicos. O RABBI GERSHOM BEN YEHUDAH elaborou comentários do TALMUD para que as regras judaicas rabínicas nele contidas fôssem praticadas pelos judeus. Entre estas regras judaicas rabínicas citam-se as TAKANOT (DISPOSIÇÕES LEGAIS), tais como a garantia da não violação da correspondência privada; a proibição da poligamia entre os judeus; a exigência do consentimento da mulher para realizar o divórcio; e etc. O RABBI GERSHOM BEN YEHUDAH foi o primeiro sábio judeu ashkenazi na HISTÓRIA JUDAICA. A cultura, a influência e o saber judaico do RABBI GERSHOM BEN YEHUDAH foram tão grandes que ele recebeu o cognome MEOR HAGOLA (LUZ DA DIÁSPORA). O seu discípulo mais destacado foi o sábio judeu rishonita ashkenazi, RABBI SHLOMO BEN YITSHAK, RASHI (1040 – 1105).

O MIN'HAG ASHKENAZI (nome dado ao conjunto de costumes e tradições do modo de viver judaico ashkenazi) segue os costumes das academias judaicas localizadas nas regiões circunvizinhas ao VALE DO RENO. Os judeus ashkenazim não utilizavam sobrenomes alemães, húngaros, iugoslavos, poloneses e russos até o século XVIII, quando a partir de então eles foram obrigados a adotá-los por imposição de autoridades políticas despóticas esclarecidas (autoridade despótica esclarecida é uma autoridade política caracterizada pela união do ABSOLUTISMO com o ILUMINISMO, cuja ação resultante sobre a sociedade é o exercício da tirania) para arrecadação de impostos, registros civis e jurídicos. Séculos mais tarde, no dia 14 de maio do ano de 1948, foi assinada a declaração da independência do ESTADO DE YISRAEL. Diante de tudo isto os judeus marranos sefaraditas devem aprender e lembrar, conforme registrado na referência tanaítica SEPHER NAVI AMOS 3,1-2 [10,11].

É exatamente na referência tanaítica SEPHER NAVI AMOS 3,1-2 que está registrado o testemunho de ADONAI-ELOHIM, a respeito dos judeus. Eles foram dispersos pelo mundo devido às suas faltas, iniqüidades e transgressões. Portanto, ADONAI-ELOHIM foi quem dispersou aos judeus durante as diásporas judaicas punindo-os e ao mesmo tempo abençoando-os. E assim os judeus foram espalhados pelo mundo e o mundo foi abençoado através deles. Mas milhares de judeus foram forçados e obrigados a abandonar, abjurar, negar, renunciar e romper com as tradições judaicas e aceitar a fé cristã católica apostólica romana. Isto é o que registra a HISTÓRIA JUDAICA. E são os descentes destes judeus que, hoje, no BRASIL, ESPANHA, PORTUGAL e em outros países do mundo estão se esforçando para realizar o árduo, difícil, longo, penoso e trabalhoso caminho de retorno de volta às práticas religiosas dos seus antepassados judeus porque eles estão sentindo dentro si próprios o chamado de volta de ADONAI-ELOHIM, QUEM clama e pede pelo retorno dos descentes de judeus marranos de origem sefaradita. As emoções, as lembranças e o sentimento de SEFARDI já começaram. O sentimento do retorno judaico já começou e já se encontra em andamento há algum tempo. Durante as diásporas judaicas, quais os rabinos que ensinaram em nome de YESHUA NAZARETH? Portanto, não há espaço nenhum, sobretudo para missionários cristãos pertencentes a denominações, lideranças e movimentos cristãos evangélicos messiânicos, utilizarem vestimentas judaicas, portarem falsos diplomas de rabino e praticarem o modo de viver judaico visando enganar aos descentes de judeus marranos de origem sefaradita que estão realizando a TESHUVAH, conforme registrado na referência tanaítica SEPHER NAVI OBHADYAHU 20.

Os descentes dos CRIPTO-JUDEUS, CONVERSOS, CRISTÃOS NOVOS ou JUDEUS MARRANOS SEFARADITAS é que deverão retornar, e não os cristãos. Estas armações, artimanhas, estratégias e logísticas maliciosas de nada estão servindo, mas apenas estão expondo o quanto o NOVO TESTAMENTO é uma coletânea de distorções, fraudes e mentiras, conforme será analisado, comentado, discutido, exposto e explicado em outros capítulos. Isto é necessário porque há muito tempo os descentes de judeus marranos de origem sefaradita estão sendo prejudicados por missionários cristãos evangélicos messiânicos. Entretanto, a estratégia de evangelizar judeus foi iniciada pelo missionário cristão católico anglicano inglês de origem alemã, JOSEPH SAMUEL CHRISTIAN FREDERICK FREY (1771 – 1850), o qual, no ano de 1809, fundou a sociedade cristã LONDON MISSIONARY SOCIETY.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Quem eram os Juízes?


Quem eram os Juízes?                             


Quem eram os Juízes e quais eram suas funções?

RESPOSTA:

Os Juízes eram os líderes do povo judeu por aproximadamente 350 anos da História Judaica. Os quinze Juízes, shoftim em hebraico, reinaram em ordem consecutiva (com alguma sobreposição) de 1228 a 879 AEC.

A era dos Juízes foi um tempo no qual a nação judaica ainda estava a caminho da total independência. Esta era segui-se aos reinados de Joshua e os Anciãos, e foi seguida pelo estabelecimento da soberania judaica. Sob os Juízes, a nação judaica ficou em um estado semi-autônomo, apanhado entre a soberania e supremacia totais do Rei Salomão e as batalhas de Joshua contra os clãs das nações pagãs assentadas no território da Terra Santa.

O tema da liderança dos Juízes foi a manutenção espiritual. Enquanto os judeus eram liderados por estas personalidades dinâmicas, mantiveram seu relacionamento com D'us, e durante os breves intervalos de liderança entre os mandatos dos shoftim, eles negligenciaram seu relacionamento com D'us. O papel dos shoftim era o de reparar as brechas na represa da identidade judaica, em oposição a construir e fortalecer novas represas.

Os Shoftim

Nomes e Datas;

Otniel Ben-Knaz - governou de 1228 a 1188 AEC;
Ehud Ben-Gerah - governou de 1188 a 1107 AEC;
Shamgar Ben-Anat governou durante os anos finais de Ehud, e morreu em 1107 AEC.
Devorah (Debora) (a única mulher entre os Juízes), de 1107 a 1067 AEC.
Gideon Ben-Yo'ash - governou de 1067 a 1027 AEC;
Avimelech Ben-Gideon - governou de 1027 a 1024 AEC;
Torah Ben-Puah - governou de 1024 a 1001 AEC;
Yair HaGil'adi - governou de 1003 a 981 AEC (sobrepondo-se a Tolah e Yiftach);
Yiftach HaGil'adi - governou de 982 a 976 AEC;
Ivtzan - governou de 976 a 969 AEC;
Eylon HaZevulon'i - governou de 969 a 959 AEC;
Avdon Ben-Hillel HaPir'atoni - governou de 959 a 951 AEC;
Shimshon (Sansão) governou de 951 a 931 AEC;
Ayli HaKohen governou de 931 a 891 AEC;
Shmuel Hanavi (Samuel) - governou de 890 a 877 AEC;

Os Guerreiros

Muitos dos Shoftim lideraram o povo judeu em batalhas contra forças estrangeiras que dominaram o antigo Israel durante seus reinados. Entre esses guerreiros, estão Otniel Ben-Knaz, Ehud, Devorah, cujos exércitos dispersaram os Canaanitas, e evidentemente, Shimshon, cuja força legendária esmagou o poder e o moral dos Filisteus durante seu reinado, e durante vinte anos após sua morte.

Os Destaques de Carreira

Embora alguns dos Juízes sejam escassamente descritos, e a carreira de outros seja profusamente detalhada, cada um dos Juízes ofereceu uma contribuição especial. A maioria empenhou-se em batalhas políticas e/ou militares contra reinos hostis e as forças que cercavam Israel, ao passo que outros mantiveram governos breves e/ou pacíficos.

Acima de tudo, no entanto, eles foram juízes - acima de seus deveres políticos e sociais, julgaram seu povo, atuando como autoridades haláchicas em todos os casos da Lei Judaica.

Fonte: Chabad (www.pt.chabad.org
 
)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Cabala (também Kabbalah, Qabbala, cabbala, cabbalah, kabala, kabalah, kabbala

                                                           
                                                            
Cabala (também Kabbalah, Qabbala, cabbala, cabbalah, kabala, kabalah, kabbala) é uma sabedoria que investiga a natureza divina. Kabbalah (קבלה QBLH) é uma palavra de origem hebraica que significa recepção.
A Kabbalah — corpo de sabedoria espiritual mais antigo — contém as chaves, que permaneceram ocultas durante um longo tempo, para os segredos do universo, bem como as chaves para os mistérios do coração e da alma humana. Os ensinamentos cabalísticos explicam as complexidades do universo material e imaterial, bem como a natureza física e metafísica de toda a humanidade. A Kabbalah mostra em detalhes como navegar por este vasto campo, a fim de eliminar toda forma de caos, dor e sofrimento.
                                           

Origem[editar
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A "Cabala" é uma filosofia esotérica que visa conhecer a Deus (D'us) e o Universo, sendo afirmado que nos chegou como uma revelação para eleger santos de um passado remoto, e reservada apenas a alguns privilegiados.
Formas antigas de misticismo judaico consistiam inicialmente de doutrina empírica. Mais tarde, sob a influência da filosofia neoplatônica
e neopitagórica
, assumiu um caráter especulativo. Na era medieval desenvolveu-se bastante com o surgimento do texto místico, Sefer Yetzirah, ou Sheper Bahir que significa Livro da Luz, do qual há menção antes do século XIII
. Porém o mais antigo monumento literário sobre a Cabala é o Livro da Formação (Sepher Yetsirah
), considerado anterior ao século VI, onde se defende a ideia de que o mundo é a emanação de Deus. Transformou-se em objeto de estudo sistemático do eleito, chamado o "baale ha-kabbalah" (בעלי הקבלה "possuidores ou mestres da Cabala "). Os estudantes da Cabala tornaram-se mais tarde conhecidos como maskilim (משכילים "o iniciado"). Do décimo terceiro século em diante ramificou-se em uma literatura extensiva, ao lado e frequentemente na oposição ao Talmud
. Grande parte das formas de Cabala ensinam que cada letra, palavra, número, e acento da Escritura contêm um sentido escondido e ensina os métodos de interpretação para verificar esses significados ocultos.
Alguns historiadores de religião afirmam que devemos limitar o uso do termo Cabala apenas ao sistema místico e religioso que apareceu depois do século XII
e usam outros termos para referir-se aos sistemas esotéricos-místicos judeus de antes do século XII. Outros estudiosos veem esta distinção como sendo arbitrária. Neste ponto de vista, a Cabala do pós século XII é vista como a fase seguinte numa linha contínua de desenvolvimento que surgiram dos mesmos elementos e raízes. Desta forma, estes estudiosos sentem que é apropriado o uso do termo Cabala para referir-se ao misticismo judeu desde o primeiro século da Era Comum. O Judaísmo ortodoxo discorda de ambas as escolas filosóficas, assim como rejeita a ideia de que a Cabala causou mudanças ou desenvolvimento histórico significativo. Desde o final do século XIX, com o crescimento do estudo da cultura dos Judeus, a Cabala também tem sido estudada como um elevado sistema racional de compreensão do mundo, mais que um sistema místico. Um pioneiro desta abordagem foi Lazar Gulkowitsch
.

Ensinamentos básicos da Kabbalah[editar
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A Kabbalah ensina que, a fim de podermos reclamar as dádivas para as quais fomos criados para receber, primeiro temos que merecer essas dádivas. Nós as merecemos quando nos envolvemos com nosso trabalho espiritual – o processo de transformarmos a nós próprios na essência. Ao nos ajudar a reconhecer as fontes de negatividade em nossas próprias mentes e corações, a Kabbalah nos fornece as ferramentas para a mudança positiva.
A Kabbalah ensina que todo ser humano é uma obra em execução. Qualquer dor, desapontamento ou caos que exista em nossas vidas não ocorre porque a vida é assim mesmo, mas apenas porque ainda não terminamos o trabalho que nos trouxe até aqui. Esse trabalho, muito simplesmente, é o processo de nos libertarmos do domínio do ego humano e de criar uma afinidade com a essência de compartilhar de Deus.
Na vida do dia-a-dia, esta transformação significa desapegar-se da raiva, da inveja e de outros comportamentos reativos em favor da paciência, empatia e compaixão. Não significa abrir mão de todos os desejos e ir viver no topo de uma montanha. Muito pelo contrário, significa desejar mais da plenitude para a qual a humanidade foi criada para obter.

Estudo da cabala[editar
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Quando perguntaram ao Rav Kook- Cabalista do século XX e Rabino em Israel – quem poderia estudar Cabala, sua resposta foi inequívoca: "Qualquer um que queira", porém, no judaísmo ortodoxo, é permitido o estudo da Cabala apenas aos homens, maiores de quarenta anos de idade, casado e com uma vida "devota" à Torah.
O Rabino Avraham Itzchak Hacohen Kook (1865-1935) foi o primeiro rabino chefe ashkenazi de Israel durante o Mandato Britânico da Palestina, fundador da Yeshivá religiosa e sionista Merkaz Harav, pensador judeu, halachista, cabalista e um afamado estudioso da Torá e jogador de futebol. Ele é conhecido em hebraico como הרב אברהם יצחק הכהן קוק, e pela sigla HaRaAYaH ou simplesmente como "HaRav" (o rabino). Ele foi um dos rabinos mais famosos e influentes do século XX.
De acordo com alguns Cabalistas, os dias em que a Cabala era um segredo acabaram. A sabedoria da Cabala manteve-se oculta no passado porque os Cabalistas temiam que ela fosse mal aplicada e mal entendida. E realmente o pouco que escapou gerou muitos mal-entendidos. Porque os Cabalistas dizem que a nossa geração está pronta para entender o real significado da Cabala, e para acabar com os mal-entendidos, esta ciência está agora sendo revelada para todos que desejam aprender. Na verdade não em sua total essencia, pois não seria compreendida ainda.

Principais textos cabalistas[editar
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A ciência da Cabala é única na maneira que fala sobre você e eu, sobre todos nós. Ele não trata de algo abstrato, apenas com a forma como são criados e como nós funcionamos em níveis mais elevados de existência.
O primeiro livro na Cabala a ser escrito, existente ainda hoje, é o Sefer Yetzirah ("Livro da criação"), escrito por Abraão, o pai das chamadas religiões abraâmicas, ou "religiões do livro", que são as três grandes religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo. Os primeiros comentários sobre este pequeno livro foram escritos durante o século X
, e o texto em si é citado desde o século VI
. Sua origem histórica não é clara. Como muitos textos místicos Judeus, o Sefer Yetzirah foi escrito de uma maneira que pode parecer insignificante para aqueles que o leem sem um conhecimento maior sobre o Tanakh (Bíblia Judaica ,equivalente ao Antigo Testamento) e o Midrash
. Outra obra muito importante dentro da cabala é o Bahir
("iluminação"), também conhecido como "O Midrash do Rabino Nehuniah ben haKana". Com aproximadamente 12.000 palavras. Publicado pela primeira vez em 1176 em Provença, muitos judeus ortodoxos acreditam que o autor foi o Rabino Nehuniah ben haKana, um sábio Talmúdico do século I
. Historiadores mostraram que o livro aparentemente foi escrito não muito antes de ter sido publicado. O trabalho mais importante da cabala é o Zohar
(זהר "Esplendor"). Trata-se de um comentário esotérico e místico sobre o Torah(Referente ao Pentateuco do Antigo Testamento), escrito em aramaico. A tradição ortodoxa judaica afirma que foi escrito pelo Rabino Shimon Bar Yohai durante o século II
. No século XII
, um judeu espanhol chamado Moshe de Leon declarou ter descoberto o texto do Zohar, o texto foi então publicado e distribuído por todo o mundo judeu. Gershom Scholem, que foi um célebre historiador e estudante da Cabala, mostrou que o próprio de Leon teria sido o autor do Zohar: Entre suas provas, uma é que o texto utiliza a gramática e estruturas frasais da língua espanhola do século XII; outra é que o autor não tinha um conhecimento exato de Israel. O Zohar contém e elabora sobre muito do material encontrado no Sefer Yetzirah e no Sefer Bahir
, e sem dúvida é a obra cabalística por excelência. Após o Zohar, temos os escritos de Ari, um renomado cabalista do século XVI. O século XX, por sua vez, viu o surgimento dos trabalhos do cabalista Yehuda Ashlag
. Os textos do Ashlag são os mais adequados para a nossa geração. Eles, assim como outras fontes cabalísticas, descrevem a estrutura dos mundos superiores, como ela descende e como o nosso universo, com tudo o que possui, veio a existir.

Cabala no Cristianismo e na sociedade não Judaica[editar
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O termo "Cabala" veio a ser usado até meados do século XI
, e naquele tempo referia-se à escola de pensamento (Judaica) relacionada ao misticismo esotérico. Desde esses tempos, trabalhos Cabalísticos ganharam uma audiência maior fora da comunidade Judaica. Assim versões Cristãs da Cabala começaram a desenvolver-se; no início do século XVIII
a cabala passou a ter um amplo uso por filósofos herméticos, neo-pagãos e outros novos grupos religiosos. Hoje esta palavra pode ser usada para descrever muitas escolas Judaicas, Cristãs ou neo-pagãs de misticismo esotérico. Leve-se em conta que cada grupo destes tem diferentes conjuntos de livros que eles mantêm como parte de sua tradição e rejeitam as interpretações de cada um dos outros grupos.

Ensinamentos cabalísticos sobre a alma humana[editar
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O Zohar propõe que a alma humana possui três elementos, o nefesh, ru'ach, e neshamah. O nefesh é encontrado em todos os humanos e entra no corpo físico durante o nascimento. É a fonte da natureza física e psicológica do indivíduo. As próximas duas partes da alma não são implantadas durante o nascimento, mas são criadas lentamente com o passar do tempo; Seu desenvolvimento depende das ações e crenças do indivíduo. É dito que elas só existem por completo em pessoas espiritualmente despertas. Uma forma comum de explicar as três partes da alma é como mostrado a seguir:
  • Nefesh - A parte inferior ou animal da alma. Está associada aos instintos e desejos corporais.
  • Ruach - A alma mediana, o espírito. Ela contém as virtudes morais e a habilidade de distinguir o bem e o mal.
  • Neshamah - A alma superior, ou super-alma. Essa separa o homem de todas as outras formas de vida. Está relacionada ao intelecto, e permite ao homem aproveitar e se beneficiar da pós-vida. Essa parte da alma é fornecida tanto para judeus quanto para não-judeus no nascimento. Ela permite ao indivíduo ter alguma consciência da existência e presença de Deus.
A Raaya Meheimna, uma adição posterior ao Zohar por um autor desconhecido, sugere que haja mais duas partes da alma, a chayyah e a yehidah. Gershom Scholem escreve que essas "eram consideradas como representantes dos níveis mais elevados de percepção intuitiva, e estar ao alcance somente de alguns poucos escolhidos".
  • Chayyah - A parte da alma que permite ao homem a percepção da divina força.
  • Yehidah - O mais alto nível da alma, pelo qual o homem pode atingir a união máxima com Deus.

Antiguidade do misticismo esotérico[editar
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De acordo com a compreensão tradicional, Kabbalah data do Éden. Ela veio de um passado remoto como uma revelação para eleger os Tzadikim (pessoas justas) e, na maior parte, foi preservado somente para poucos privilegiados .
Literatura Apocalíptica pertence aos séculos II
e I do pré-Cristianismo contendo alguns elementos da futura Kabbalah e, segundo Josephus, tais escritos estavam em poder dos Essênios, e eram cuidadosamente guardados por eles para evitar sua perda, o qual eles alegavam ser uma antiguidade valiosa . Estes muitos livros contém tradições secretas mantidas ocultas pelos "iluminados" como declarado em IV Esdras xiv. 45-46, onde Pseudo-Ezra é chamado a publicar os vinte e quatro livros canônicos abertamente, de modo a que merecedores e não merecedores pudessem igualmente ler, mas mantendo sessenta outros livros ocultos de forma a "fornece-los apenas àqueles que são sábios" (compare Dan. xii. 10); pois para eles, estes são a primavera do entendimento, a fonte da sabedoria, e a corrente do conhecimento.
Instrutivo ao estudo do desenvolvimento da Cabala é o Livro dos Jubilados, escrito no reinado do Rei João Hircano, o qual refere a escritos de Jared, Cainan, e Noé, e apresenta Abraão como o renovador, e Levi como o guardião permanente, destes escritos antigos. Ele oferece uma cosmogênese baseada nas vinte e duas letras do alfabeto
hebraico
, e conectada com a cronologia judaica e a messianologia, enquanto ao mesmo tempo insiste na Heptade como número sagrado ao invés do sistema decádico adotado por Haggadistas posteriores e pelo "Sefer Yetzirah". A ideia Pitagórica do poder criador de números e letras, sobre o qual o "Sefer Yetzirah" está fundamentado, era conhecido no tempo da Mishnah
(antes de 200DC).

Doutrinas místicas nos tempos do Talmude[editar
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Nos tempos do Talmude os termos "Ma'aseh Bereshit" (Trabalhos da Criação) e "Ma'aseh Merkabah" (Trabalhos do Divino Trono/Carruagem) claramente indicam a vinculação com o Midrash nestas especulações; elas eram baseadas em Gen. i. e Ezequiel i. 4-28; enquanto os nomes "Sitre Torah" (Talmude Hag. 13a) e "Raze Torah" (Ab. vi. 1) indicam seu caráter secreto. Em contraste com a afirmação explícita das Escrituras que Deus criou não somente o mundo, mas também a matéria da qual ele foi feito, a opinião é expressa em tempos muito recentes que Deus criou o mundo da matéria que encontrou disponível — uma opinião provavelmente atribuída a influência da cosmogênese platônica
. Eminentes professores rabinos conservam a teoria da preexistência da matéria (Midrash Genesis Rabbah i. 5, iv. 6), em contrariedade com Gamaliel II. (ib. i. 9).
Ao discorrer sobre a natureza de Deus e do universo, os místicos do período Talmúdico afirmaram, em contraste com o transcendentalismo Bíblico, que "Deus é o lugar-morada do universo; mas o universo não é o lugar-morada de Deus". Possivelmente a designação ("lugar") para Deus, tão frequentemente encontrada na literatura Talmúdica-Midrashica, é devida a esta concepção, assim como Philo
, ao comentar sobre Gen. xxviii. 11 diz, "Deus é chamado 'ha makom' (המקום "o lugar") porque Deus abarca o universo, mas Ele próprio não é abarcado por nada" ("De Somniis," i. 11). Spinoza devia ter esta passagem em mente quando disse que os antigos judeus não separavam Deus do mundo. Esta concepção de Deus pode ser panenteísta
. Isto também postula a união do homem com Deus; ambas as ideias foram posteriormente desenvolvidas na Cabala mais recente. Até em tempos bem recentes, teólogos da Palestina e de Alexandria reconheceram dois atributos de Deus: o atributo da justiça (מדת הדין, "middat ha-din") e o atributo da misericórdia (מדת הרחמים, "middat ha-rahamim") (Midrash Sifre,Deut.27): Este é o contraste entre misericórdia e justiça, que é uma doutrina fundamental da Cabala.

Moderna e contemporânea[editar
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A Cabala tem crescido a partir do século XVI, com o Rabino Itzhak Luria, conhecido como Ari ("O Leão").Ele oferece, em seu livro Etz Chaim (Árvore da Vida) uma explicação aprofundada das dez sefirot, e as explicações sobre o livro do Zohar (incluindo Idra Rabba).
A partir deste período, muitos cabalistas incentivaram o estudo da Cabala, como relatou o rabino Azulai Orh Hashemesh em seu livro: "A proibição estabelecida no aprendizado da Kabbalah foi um tempo limitado, até em 1490. Desde 1540, é necessário incentivar todos os interessados no livro do Zohar, porque só estudando o Zohar que a humanidade alcançará a redenção espiritual, e Portanto, não é proibido estudar Kabbalah."
Assim também diz o rabino Yehuda Levi Ashlag, cabalista do século XX: "Não há outro caminho para a população em geral, conseguir alguma elevação espiritual e redenção, a não ser com a aprendizagem da Cabala. Este é o método mais fácil e mais acessível."

Dualidade Cabalística[editar
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Embora Kabbalah apresentar a Unidade de Deus, uma das críticas mais graves e persistentes é que pode levar longe monoteísmo, em vez disso promover o dualismo. Em seus textos há a crença de uma contraparte sobrenatural de Deus. O sistema dualista afirma que existe um poder bem contra um poder maligno. Existem dois modelos principais de gnóstico-cosmologia dualista: a primeira, que remonta a Zoroastrismo, acredita que a criação é ontologicamente dividida entre as forças do bem e do mal. A segunda, encontrada em grande parte greco-romana como ideologias Neo-platonismo, acredita que o universo conhecia uma harmonia primordial, mas que uma perturbação cósmica resultou um segundo, o mal, a dimensão da realidade. Este segundo modelo influenciou a cosmologia da Cabala.
De acordo com a cosmologia cabalista, as dez sefirot correspondem a dez níveis de criação. Estes níveis da criação não deve ser entendido como dez diferentes "deuses", mas como dez maneiras diferentes de revelar Deus, um por nível. Não é Deus que muda, mas a capacidade de perceber Deus que muda.
Enquanto Deus pode parecer a apresentar natureza dupla (masculino/feminino, compassivo/julgadora, criador/destruidor), todos os seguidores da Cabala têm consistentemente salientado a unidade absoluta de Deus. Por exemplo, em todas as discussões de macho e fêmea, a natureza oculta de Deus existe acima de tudo, sem limite, sendo chamado o infinito ou a "No End" (Ein Sof) Nem um nem o outro, que transcende qualquer definição. A habilidade de Deus para tornar-se escondido da percepção é chamada de "Restrição" (Tzimtzum). O ocultamento torna a criação possível porque Deus pode ser "revelado" em uma diversidade de formas limitadas, que então forma os blocos de criação.
Trabalhos posteriores cabalísticos, incluindo o Zohar
, parecem mais fortemente afirmar dualismo. Eles atribuem todos os males de uma força sobrenatural, conhecido como o Achra Sitra (o "outro lado") que emana de Deus. A "esquerda" da emanação divina é um reflexo negativo do lado de "santidade", com que foi bloqueado em combate. [Encyclopaedia Judaica, Volume 6, "Dualismo", p. 244]. Embora neste aspecto o mal exista dentro da estrutura divina do Sefirot, a Zohar indica que o Ahra Sitra não tem poder sobre Ein Sof, e só existe como um aspecto necessário da criação de Deus para dar ao homem o livre arbítrio, e que o mal é a consequência dessa escolha. Não é uma força sobrenatural em oposição a Deus, mas um reflexo da luta interna moral dentro de humanidade entre os ditames da moralidade e da renúncia de instintos básicos.

Cabala e a Tradição Esotérica Ocidental[editar
]

A Tradição Esotérica Ocidental (ou Hermética
) é a maior precursora dos movimentos do Neo-Paganismo e da Nova Era, que existem de diversas formas atualmente, estando fortemente intrincados com muitos dos aspectos da Cabala. Muito foi alterado de sua raiz Judaica, devido à prática esotérica comum do sincretismo
. Todavia a essência da tradição está reconhecidamente presente. A Cabala “Hermética”, como é muitas vezes denominada, provavelmente alcançou seu apogeu na “Ordem Hermética do Alvorecer Dourado” (Hermetic Order of the Golden Dawn), uma organização que foi sem sombra de dúvida o ápice da Magia Cerimonial
(ou dependendo do referencial, o declínio à decadência). Na “Alvorecer Dourado”, princípios Cabalísticos
como as dez emanações (Sephirah
), foram fundidas com deidades Gregas e Egípcias, o sistema Enochiano
da magia angelical de John Dee, e certos conceitos (particularmente Hinduístas e Budistas) da estrutura organizacional estilo esotérico- (Maçónica ou Rosacruz). Muitos rituais
da Alvorecer Dourado foram expostos pelo ocultista Aleister Crowley e foram eventualmente compiladas em formato de Livro, por Israel Regardie
, autor de certa notoriedade. Crowley deixou sua marca no uso da Cabala, em vários de seus escritos; destes, talvez o mais ilustrativo seja Líber 777
. Este livro é basicamente um conjunto de tabelas relacionadas: às várias partes das cerimônias de magias religiosas orientais e ocidentais; a trinta e dois números que representam as dez esferas e vinte e dois caminhos da Árvore da Vida
Cabalística. A atitude do sincretismo demonstrada pelos Kabalistas Herméticos é plenamente evidente aqui, bastando verificar as tabelas, para notar que Chesed corresponde a Júpiter, Isis, a cor azul (na escala Rainha), Poseidon, Brahma e ametista – nada, certamente, do que os Cabalistas Judeus tinham em mente.

DISCUSSÃO TANAÍTICA 6


SEPHER TESHUVAH YEHUDIM – DISCUSSÕES TANAÍTICAS PARA A TESHUVAH DOS JUDEUS MARRANOS DE ORIGEM SEFARADITA – SEDER CHOCHMAH YEHUDIM – TRATADO TORAH – SHA'AR 2 – DISCUSSÃO TANAÍTICA 6

Segundo autores da HISTÓRIA JUDAICA, eruditos e sábios judeus, a TORAH SHE BICHTAV é o registro da IMUTÁVEL PALAVRA e da VONTADE de ADONAI-ELOHIM. Nela está registrada parte da HISTÓRIA DE YISRAEL, intervenções de messias e a realização de profecias divinas. Autores da história judaica relatam que desde a outorga da TORAH, ocorrida no MONTE SINAI, gigantesco e terrível foi o esforço realizado pelos FILHOS DE YISRAEL em preservar durante séculos, sobretudo obras literárias judaicas rabínicas como a KABBALAH e o TALMUD. As obras literárias judaicas rabínicas foram escondidas, guardadas e preservadas por séculos de tal forma que elas se constituíram até hoje na maior característica de identificação dos FILHOS DE YISRAEL e do modo de viver judaico.

Durante séculos, historiadores judeus e não judeus registraram a perda do ARON HA-KODESH (ARCA DA ALIANÇA), do BEIT HAMIKDASH (CASA DA SANTIDADE), e etc., mas os FILHOS DE YISRAEL não perderam as sagradas escrituras hebraicas. E graças às sagradas escrituras hebraicas os FILHOS DE YISRAEL se constituem, até hoje, como nação e como povo. Diante disto, o sábio judeu geonita, RABBI SA'ADIA BEN YOSEF, GAON (882 – 942), declarou que YISRAEL somente se constitui uma nação e um povo graças a TORAH, e o sábio judeu acharonita ashkenazi, RABBI YOM TOV LIPMANN TZUNTZ, LEOPOLD ZUNZ (1794 – 1886), declarou que o TANAKH foi preservado de tal forma que durante séculos ele se transformou em uma pátria portátil para os judeus. E, de fato, durante séculos, o TANAKH ajudou, auxiliou, guardou, manteve, orientou, preservou, protegeu, suportou, testemunhou e zelou a favor dos FILHOS DE YISRAEL e do modo de viver judaico [1].

Do ponto de vista sociológico isto se constitui em um fenômeno no qual uma escritura religiosa disciplinada, séria e codificada carrega filosofias de um modo de viver, um guia de conduta ético, moral, sexual e social, e que, durante muito tempo direcionou, governou e orientou a vida ética, moral, sexual e social judaica. Isto foi observado com admiração pelo judeu converso, crítico literário, jornalista e poeta lírico alemão, CHRISTIAN JOHANN HEINRICH HEINE (1797 – 1856), o qual declarou que os judeus podem se consolar de terem perdido o ARON HACODESH e o BEIT HAMIKDASH, mas que tal perda é insignificante em comparação com o TANAKH, o tesouro sagrado imperecível que os FILHOS DE YISRAEL guardaram, mantiveram e preservaram por séculos, e que sobreviveu até hoje.

Foi reconhecido inclusive pelo líder espiritual e político árabe, ABU AL QASIM MUHAMMAD IBN ABD ALLAH IBN ABD AL MUTTALIB IBN HASHIM, PROFETA MAOMÉ (570 – 632), quem caracterizou os FILHOS DE YISRAEL como O POVO DO LIVRO. Esta honraria foi conservada durante séculos e tornou-se uma característica do modo de viver judaico. O TANAKH tornou-se para os judeus a sua felicidade, o seu governante, o seu legado, a sua pátria e o seu tesouro, mas em muitas ocasiões tornou-se o seu juiz e a sua maldição. Os FILHOS DE YISRAEL viveram este livro e continuam através dele a praticar o modo de viver judaico. Impressionante é como o POVO JUDEU sobreviveu aos guetos, holocausto, tribunais inquisidores, mortes, perseguições, pogroms e torturas, e conseguiram manterem-se como povo diferente, distinto e singular durante séculos de existência [1].

Muitas são as obras literárias históricas que ajudam a compreender a essência e a natureza do modo de viver judaico. Estas obras ajudam a compreender a essência dos FILHOS DE YISRAEL e do modo de viver judaico como um fenômeno único, e também ajudam a compreender como os FILHOS DE YISRAEL aprenderam, ao longo dos séculos, a realizarem mudanças para poderem continuar a ser o mesmo povo e também para compreender como o JUDAÍSMO é a expressão do modo de viver judaico.

DISCUSSÃO TANAÍTICA 8



SEPHER TESHUVAH YEHUDIM – DISCUSSÕES TANAÍTICAS PARA A TESHUVAH DOS JUDEUS MARRANOS DE ORIGEM SEFARADITA – SEDER CHOCHMAH YEHUDIM – TRATADO TORAH – SHA'AR 2 – DISCUSSÃO TANAÍTICA 8

Nos primeiros séculos que se seguiram à destruição do SEGUNDO BEIT HAMIKDASH, ocorrida no ano 70 d.e.c., o aprofundamento intelectual judaico em busca de esclarecimentos tanaíticos necessário para continuar a manutenção do modo de viver judaico resultou no surgimento da GUEMARAH e do MIDRASH. Assim, a MISHNAH, a AGGADAH, a HALAKHA e a GUEMARAH formaram a obra literária judaica rabínica da mais alta importância denominada TALMUD. A fase intelectual caracterizada mais importante voltada para a busca de esclarecimentos sobre assuntos relativos ao TANAKH e ao TALMUD ocorreu durante o PERÍODO GEONIM (589 – 1038), nas academias judaicas rabínicas fundadas na CIDADE DE NEHARDEA, CIDADE DE PUMBEDITHA e na CIDADE DE SURA.

Depois deste período, surgiram inúmeras escolas de exegese judaica rabínica no EGITO, ESPANHA, FRANÇA, MARROCOS e TUNÍSIA. Inclusive na ALEMANHA e FRANÇA, países em que os judeus estavam menos avançados culturalmente, surgiram interesses pela FILOLOGIA (ciência que estuda idioma, literatura, cultura ou civilização sob uma visão histórica e a partir de documentos escritos) e pela GRAMÁTICA. Enquanto o JUDAÍSMO no ORIENTE era praticado por judeus que seguiam as orientações das academias de estudo rabínico das cidades babilônicas, o JUDAÍSMO na EUROPA era praticado de acordo com as suas próprias características rituais e costumes e recebia influência, sobretudo da língua do país em que ele era praticado. Assim, ocorreu a divisão mais característica existente entre o POVO JUDEU: o JUDAÍSMO ASHKENAZI (desenvolvido, sobretudo na ALEMANHA e na FRANÇA) e o JUDAÍSMO SEFARDI (desenvolvido, sobretudo na PENÍNSULA IBÉRICA).

Entretanto, deve ser sabido que o JUDAÍSMO SEFARDI começou a se desenvolver durante o reinado de SHLOMO MELECH BEN DAVID, entre os anos de 970 a.e.c. e 930 a.e.c. E durante esta época já havia grande movimentação de hebreus que empreendiam viagens comerciais através de navios pelo MAR MEDITERRÂNEO (passando pela SARDENHA e prosseguindo até a ESPANHA) transportando macacos, pavões e também marfim, ouro e prata, conforme registrado nas referências tanaíticas SEPHER MELAHIM ALEF 10,22 e DIVREI HAIAMIM BET 9,21. Portanto, nesta época, já havia grande contingente de hebreus na PENÍNSULA IBÉRICA. Porém, no ano de 721 a.e.c. o MALHUT YISRAEL (REINO DO NORTE), governado pelo décimo nono e último monarca israelita, HOSHEA BEN ELAH, foi invadido e conquistado pelo exército real liderado pelo monarca assírio, REI SHARRUKIN II.

A partir daí, os israelitas foram conduzidos como cativos para a ASSYRIA e para a MÉDIA, unindo-se a população local. O território israelita foi totalmente ocupado por assírios e babilônios os quais se misturaram com o restante da população israelita. Nesta época, o MALHUT YEHUDAH (REINO DO SUL), governado pelo décimo segundo monarca judeu, REI AHAZ BEN YOTAM, foi obrigado a pagar altíssimos impostos para evitar que ele também fôsse invadido e conquistado. Mais tarde, devido à recusa do décimo terceiro monarca judeu, REI YEHIZKIYYAHU BEN AHAZ, em continuar pagando estes impostos, o monarca assírio, REI SENNAKHERIB, invade o MALHUT YEHUDAH e sitia a CIDADE DE YERUSHALAYIM, mas sem obter sucesso algum. Esta foi a PRIMEIRA DIÁSPORA JUDAICA.

Entre os anos de 603 a.e.c. e 602 a.e.c., o MALHUT YEHUDAH é invadido e conquistado pelo exército real do monarca babilônico, NABU CUDURRI UTSUR II. A partir daí, o governante do sul, REI YEHOYAKIM BEN YOSHIYAHU, é obrigado a pagar tributos ao conquistador babilônico. Mais tarde, o vigésimo e último monarca judeu, REI TZIDKIYAHU BEN YOSHIYAHU, rebelou-se contra o monarca babilônico. Devido a isto, o exército real babilônico destruiu o MALHUT YEHUDAH. Assim, no ano de 587 a.e.c. milhares dentre os FILHOS DE AVRAHAM do MALHUT YEHUDAH foram conduzidos como cativos para a BABILÔNIA, outros fugiram para o EGITO, e apenas os hebreus mais pobres permaneceram. Esta foi a SEGUNDA DIÁSPORA JUDAICA. Porém, o período do cativeiro babilônico fez crescer entre o POVO JUDEU o sentimento de identidade hebréia indissolúveis [8,9].

DISCUSSÃO TANAÍTICA 9


SEPHER TESHUVAH YEHUDIM – DISCUSSÕES TANAÍTICAS PARA A TESHUVAH DOS JUDEUS MARRANOS DE ORIGEM SEFARADITA – SEDER CHOCHMAH YEHUDIM – TRATADO TORAH – SHA'AR 2 – DISCUSSÃO TANAÍTICA 9

Relatos tanaíticos do período compreendido entre a conquista da CIDADE DE YERUSHALYIM e a posterior conquista e invasão da BABILÔNIA, no ano de 539 a.e.c., pelo monarca persa, KURAS II, contém registros da palavra hebraica transliterada por YEHUDI para identificar a raça do povo oriundo de MALHUT YEHUDAH e também para identificar o modo de viver característico deste povo: o modo de viver judaico. No ano de 538 a.e.c. o monarca KURAS II autorizou aos hebreus do sul, os judeus, a retornarem para ERETZ YISRAEL, mas nem todos os judeus desejaram retornar para a sua terra.

No ano 70 d.e.c., o SEGUNDO BEIT HAMIKDASH foi destruído pelo exército imperial romano comandado pelo general romano, TITUS FLAVIUS CAESAR VESPASIANUS AUGUSTUS (39 d.e.c. – 81 d.e.c.). Muitos judeus foram capturados, outros prefiram fugir e o restante foi obrigado a enfrentar a pobreza por causa do confisco das suas terras. Mas não houve expulsão como nas diásporas judaicas anteriores. Mais tarde, no ano de 132 d.e.c., começou a terceira revolta judaica armada contra os invasores romanos, liderada por SHIMEON BAR KOKHBA. O fim da resistência judaica armada ocorreu no ano de 135 d.e.c. com a destruição da FORTALEZA DE BETAR. Após isto, parte da população judaica local foi deportada para a PROVÍNCIA DE YAHUDAH e para o NORTE DA GALILÉIA, parte da população foi vendida como escravos e os restantes dos judeus fugiram para a ÁFRICA, ÁSIA MENOR, BABILÔNIA, GÁLIA, GRÉCIA, PENÍNSULA IBÉRICA, ROMA e SÍRIA, aumentando mais ainda a população judaica nestas regiões que lá já se encontravam bem antes do ano 70 d.e.c. devido às diásporas judaicas anteriores. E, infelizmente, foi assim que começou a TERCEIRA DIÁSPORA JUDAICA.

Os judeus concentrados principalmente na PENÍNSULA IBÉRICA tornaram-se conhecidos como JUDEUS SEFARDIM. A palavra SEFARDI é ainda hoje freqüentemente utilizada em ERETZ YISRAEL para se referir também aos judeus oriundos dos países do NORTE ÁFRICA. Entretanto é um erro referir-se a todos os judeus norte-africanos e dos países árabes como judeus sefardim. Os judeus mais antigos destes países são originários de MIZRACH (ORIENTE) e são denominados JUDEUS MIZRACHIM. De fato, houve muitas comunidades judaicas sefarditas de importância nos países árabes foram responsáveis por boa parte do desenvolvimento místico da KABBALAH durante a IDADE MEDIVAL (Século V – Século XV) e muitos eruditos e sábios judeus sefardim foram autores de importantes obras literárias judaicas cabalísticas. A palavra hebraica transliterada por SEFARDI significa essencialmente ESPANHOL. Esta palavra foi indicada para se referir aos judeus oriundos da PENÍNSULA IBÉRICA e ainda significa ESPANHA na moderna língua hebraica. Interessante é que a palavra hebraica transliterada por SEFARDI está registrada na referência tanaítica, segundo está escrito:

Estes cativos do exército dos filhos de Israel que habitavam com os cananeus, até Tsorfat, e os cativos de Jerusalém, que habitavam em Sefarad, possuirão as cidades do Sul.


Sepher Navi Obhadyahu 20

Na referência tanaítica SEPHER NAVI OBHADYAHU 20, a palavra hebraica transliterada por SEFARDI refere-se à região onde está localizada a atual ESPANHA. Assim, as CIDADES DO SUL referem-se às cidades que estão localizadas no DESERTO DO NEGEVE (SUL). Mas esta profecia tanaítica ainda não se cumpriu, porém quando ela se cumprir, então os judeus sefaraditas ocuparão e viverão nas cidades do sul do ESTADO DE YISRAEL. Ainda hoje, a palavra hebraica transliterada por SEFARDI corresponde a todo judeu originário da ESPANHA e que de lá migraram para PORTUGAL, HOLANDA, MARROCOS, TURQUIA e BRASIL. Na época, a população judaica na PENÍNSULA IBÉRICA representava mais de 20% da população local. Nesta região, os judeus também se dedicaram a matemática, astronomia, medicina, comércio e se constituíram como os primeiros banqueiros para empréstimos de dinheiro. E durante séculos, os judeus cresceram em número e prosperaram nesta região.

Mas infelizmente, no dia 2 de janeiro 1492 o membro da corte aragonesa e político espanhol, JUAN DE COLOMA (? – ?), escreveu o DECRETO DE ALHAMBRA, o qual decretou a expulsão dos judeus da ESPANHA em caso destes não se converterem a fé cristã católica apostólica romana. O decreto político-religioso foi aceito e assinado no dia 31 de março do ano de 1492, pelo monarca cristão católico romano espanhol da SICILIA, CASTELA, LEON, ARAGÓN, VALENCIA, MALLORCA, BARCELONA, NAPOLI e NAVARRA, REI FERNANDO II (1452 – 1516), e pela sua esposa, a monarquiza cristã católica romana espanhola de CASTELA e LEON, RAINHA ISABEL I (1451 – 1504). O decreto informa também que os judeus que rejeitarem a conversão serão obrigados a sair da ESPANHA até o dia 31 de julho do ano de 1492. O prazo foi prorrogado até o dia 2 de agosto do ano de 1492, a qual foi exatamente a data de partida da viagem marítima empreendida pelo explorador e navegador espanhol de origem judaica sefardi, CRISTÓBAL COLÓN (1451 – 1506), rumo ao continente americano [10,11].

No dia 5 de dezembro do ano de 1496, o monarca português, REI DOM MANUEL I, O VENTUROSO (1469 – 1521), assinou o decreto político-religioso de expulsão dos judeus de PORTUGAL. O decreto informa que os judeus deverão deixar o reino português até o dia 31 de outubro do ano de 1497. O REI DOM MANUEL I, O VENTUROSO permitiu aos judeus que optassem pela conversão a fé cristã católica apostólica romana ou por abandonar o reino português, esperando assim que a maioria deles escolhesse a conversão. E assim, as regras da inquisição cristã católica espanhola começaram também a vigorar contra os judeus nas terras portuguesas. Os judeus, no entanto, não aceitaram a oferta real e, em grande maioria, resolveram abandonar o país. Mas o REI DOM MANUEL I, O VENTUROSO, ao saber que a sua maliciosa estratégia não logrou resultados, ordenou o bloqueio terrestre da fronteira com a ESPANHA e por mar ele ordenou o bloqueio marítimo à passagem dos navios que transportavam os refugiados, com exceção do porto da CIDADE DE LISBOA. Nas áreas deste porto se concentraram cerca de 20 mil judeus que esperavam transportes marítimos para abandonar o país. Assim, muitas dificuldades começaram a surgir para tornar impossível a saída dos judeus que desejavam abandonar as terras portuguesas para não abandonar o modo de viver judaico. E muitos judeus que permaneceram sem condições de viajar se submeteram às conversões voluntárias e outros foram forçados a se converterem.

No mês de abril do ano de 1497, desrespeitando o decreto de expulsão, o REI DOM MANUEL I, O VENTUROSO, ordenou o seqüestro de crianças judias menores de 14 anos para educá-las em lares cristãos católicos romanos. Esta tarefa ignóbil foi realizada com brutalidade, estupidez e muita violência. No mês de outubro do ano 1497, os judeus que ainda resistiam às conversões foram arrastados à força miseravelmente pelas ruas até às pias batismais pelas massas cristãs católicas romanas completamente enlouquecidas e incitadas por fanáticos clérigos cristãos católicos apostólicos romanos e com a ajuda complacente das forças militares reais portuguesas. Foram através destes batismos forçados ocorridos em larga escala que surgiram os MARIT AYIN YEHUDIM (JUDEUS MARRANOS) ou CRIPTO-JUDEUS, que após serem submetidos às conversões forçadas, eles retornaram em segredo às práticas do modo de viver judaico, mas eles falsamente professavam em público a fé cristã católica apostólica romana.

Em função destas conversões forçadas eles adotaram sobrenomes de famílias espanholas e portuguesas. Estes judeus, denominados também CONVERSOS ou CRISTÃOS NOVOS nunca foram realmente bem aceitos pelos cristãos locais também denominados CRISTÃOS VELHOS, os quais começaram a desconfiar da sinceridade da fé religiosa professada por estes conversos. Ocorreu que no dia 19 de abril do ano de 1506, cristãos católicos apostólicos romanos estavam no CONVENTO DE SÃO DOMINGOS DE LISBOA participando de uma celebração eucarística em que oravam pelo fim da fome e da seca que assolavam PORTUGAL. Em um determinado momento, alguém informou ter visto no altar da igreja o rosto iluminado de YESHUA NAZARETH, o que para os cristãos presentes foi interpretado como uma mensagem de misericórdia divina. Mas um cristão-novo que também participava da celebração religiosa tentou explicar que não era milagre, mas apenas o reflexo da luz solar. Imediatamente, os participantes da celebração investiram contra o cristão-novo espancando-o até a morte. A partir daí, os cristãos-novos, os quais já eram vistos com muita desconfiança, tornaram-se o bode expiatório da fome, da seca e da peste.

Entre os dias 19 e 21 de abril do ano de 1506, ocorreu o MASSACRE DE LISBOA (MATANÇA DA PÁSCOA DE 1506 ou POGROM DE LISBOA). Incitados por frades católicos dominicanos que prometeram absolvição dos pecados dos últimos 100 dias para aqueles que assassinassem conversos, então cerca de dois mil cristãos-novos incluindo homens, mulheres e crianças, foram perseguidos, torturados e assassinados por uma turba de mais de quinhentos cristãos incluindo até marinheiros holandeses e de outros países. A partir deste fato iniciou-se a diáspora judaica portuguesa, onde parte da população fugiu para o NORTE DA EUROPA, onde fundaram comunidades nos PAÍSES BAIXOS e na ALEMANHA, outra parte da população fugiu para o SUL DA FRANÇA e para a INGLATERRA, o restante fugiu para a GRÉCIA e TURQUIA e outros decidiram retornar para o ORIENTE MÉDIO. Devido a isto, os cristãos-novos sofreram influência das culturas de outros países e a língua ladina foi enriquecida com palavras árabes, francesas, gregas, hebraicas e turcas, distanciando-se da sua forma original [10,11].

Diante disto, os descendentes de judeus marranos de origem sefaradita aprendem que manter a identidade judaica ao longo dos séculos não foi nada fácil e, assim, eles observam que o comportamento cristão para com os FILHOS DE YISRAEL é causado, sobretudo pela idolatria em dividir ADONAI-ELOHIM em três outras divindades, negando assim a TORAH e as revelações divinas através dos NEVIIM YISRAEL. Por causa disto, mesmo debaixo de perseguições terríveis, os FILHOS DE YISRAEL continuaram a não se importar com vozes celestiais e nem com vozes humanas em desacordo com a TORAH e nem ceder a pressões externas oriundas de autoridades políticas e religiosas sejam elas quais forem, mas simplesmente eles continuaram estudando a TORAH e continuaram a praticar e a seguir os mandamentos, os preceitos e as prescrições nela registradas. Além disto, mesmo se vozes celestiais porventura ordenassem aos FILHOS DE YISRAEL alterar os mandamentos, os preceitos e as prescrições registradas na TORAH, eles não deveriam obedecê-la porque ADONAI-ELOHIM promete (em muitas referências tanaíticas) que é IRREVOGÁVEL O SEU VÍNCULO COM OS FILHOS DE YISRAEL, segundo está escrito:

...ESTATUTO PERPÉTUO É POR TODAS AS VOSSAS GERAÇÕES...

Através dos séculos, os FILHOS DE YISRAEL foram obrigados a se sacrificarem por inúmeras vezes para poderem continuar estudando e ensinando e, desta forma, manter e preservar a existência da TORAH e do TALMUD e, assim, continuar as práticas do modo de viver judaico. Os FILHOS DE YISRAEL entenderam (da mesma forma como fizeram no passado os seus inimigos mortais) que as únicas obras literárias judaicas que os preservaram da destruição física foram a TORAH e o TALMUD. Ao longo dos séculos, isto provou aos FILHOS DE YISRAEL que a manutenção e a preservação do estudo da TORAH e o TALMUD é a melhor arma contra a assimilação religiosa oriunda de outras nações e povos. Por isto, os assassinatos, os debates judaico-cristãos, as tolas bulas, decretos e encíclicas papais, o holocausto, os tribunais inquisidores, as perseguições, as provocações, a queima de livros e as torturas físicas e mentais sofridas pelos FILHOS DE YISRAEL duraram e se intensificaram por muito tempo, mas elas nunca resultaram em nada. Os inimigos dos FILHOS DE YISRAEL ainda continuam atuando duramente contra ele, mas eles nada conseguem e, como sempre, eles permanecem sempre de mãos vazias.

No meio cristão, sobretudo evangélico e protestante, não existe mérito por estudar a TORAH, nem simplesmente pelo prazer de estudá-la, mas utiliza-se o TANAKH com o intuito de acumular bens financeiros, conquistar honrarias, privilégios e status exatamente como fazem os hipócritas pertencentes a denominações e lideranças religiosas cristãs cujos membros militantes se disponibilizam a utilizar vestimentas judaicas para prejudicar a TESHUVAH dos descendentes de judeus marranos de origem sefaradita. E para isto, os missionários cristãos evangélicos messiânicos proferem palavras adocicadas ao se apresentarem diante dos descendentes de judeus marranos de origem sefaradita. Mas o que eles desejam mesmo é destruir o modo de viver judaico através dos falsos ensinamentos em nome de YESHUA NAZARETH. Entretanto, os FILHOS DE YISRAEL já sabiam que a própria sobrevivência sempre dependeu unicamente das análises, dos comentários, das discussões e das interpretações do TANAKH, os quais, mais tarde, foram utilizados para construir, desenvolver e elaborar a redação do TALMUD.

DISCUSSÃO TANAÍTICA 7




SEPHER TESHUVAH YEHUDIM – DISCUSSÕES TANAÍTICAS PARA A TESHUVAH DOS JUDEUS MARRANOS DE ORIGEM SEFARADITA – SEDER CHOCHMAH YEHUDIM – TRATADO TORAH – SHA'AR 2 – DISCUSSÃO TANAÍTICA 7

O articulista, médico e professor judeu, FLÁVIO ROTMAN, declara que se a paz da alma é a verdadeira face divina dentro de cada ser humano, então os FILHOS DE YISRAEL possuem o direito à igualdade, à liberdade, bem como o direito de viver em uma nação democrática, soberana, centrada na justiça social: O ESTADO DE YISRAEL. Cita FLÁVIO ROTMAN uma história agádica narrada em um dos tratados talmúdicos, a qual ilustra a forma pela qual os judeus se dedicavam ao estudo da TORAH. Segundo esta narrativa agádica, quando o POVO HEBREU estava reunido aos pés do MONTE SINAI, para firmar uma aliança com ADONAI-ELOHIM, uma espada (juntamente com o TANAKH ao lado) desceu do céu e permaneceu suspensa sobre os hebreus. Em seguida, uma voz ordenou para que eles escolhessem entre a ESPADA e o TANAKH. Os hebreus escolheram o TANAKH. De fato, na história judaica, a guarda, a manutenção, a preservação e o zelo pelo TANAKH conduziram muitos judeus à destruição pela espada brandida pelos execráveis inimigos dos FILHOS DE YISRAEL. Os judeus sobreviveram triunfantes e vitoriosos a todos os implacáveis, incansáveis e perseguidores políticos e religiosos. Mesmo assim, eles continuam, até hoje, analisando, comentando, discutindo, estudando e interpretando o TANAKH [1].

A palavra hebraica transliterada por TANAKH representa as três divisões das escrituras sagradas hebraicas: TORAH, NEVIIM e KETHUVIM. A TORAH entre outros, significa orientações ou procedimentos na vida nos aspectos de conduta ética, moral, religiosa, sexual e social. Durante séculos, a TORAH tornou-se a PEDRA CENTRAL e em seguida o TALMUD tornou-se o PILAR CENTRAL, os quais continuam a guardar, manter, suportar e sustentar a prática do modo de viver judaico. Após a TORAH, o TALMUD tornou-se a segunda obra literária religiosa mais importante do modo de viver judaico. A palavra hebraica transliterada por TALMUD está ligada a palavra hebraica transliterada por LAMED (a qual está associada a ESTUDO) e está ligada a palavra hebraica transliterada por LIMED (a qual está associada a ENSINO). E ambos, ENSINO e ESTUDO formam a base da educação judaica e do judaísmo rabínico. A literatura judaica rabínica talmúdica consiste nas análises, comentários, discussões e interpretações dos mandamentos, dos preceitos e das prescrições registradas na TORAH. A elaboração desta obra literária judaica rabínica é da autoria dos eruditos e sábios judeus residentes na BABILÔNIA e em YISRAEL, e demorou um longo período, o qual se estendeu do século V a.e.c. até o século V d.e.c.

Em uma sociedade de constantes mudanças, o TALMUD se tornou um instrumento de ajuda no estudo do comportamento ético e moral do modo de viver judaico. Exceto a TORAH, o TALMUD foi e ainda é a única obra literária religiosa judaica que expressou e ainda expressa os aspectos da essência dos judeus e da sua vida espiritual e que funcionou como um guia incomparável de conduta espiritual, ética, moral e social. Diante disto, o TALMUD induz a observação do descontentamento social diante de quaisquer poderes econômico, militar, político ou religioso que possam ser considerados maléficos, ofensivos e violentos. E as autoridades religiosas cristãs católicas apostólicas romanas sabiam o quanto a sua estrutura dogmática religiosa estava construída sobre distorções, engôdos, falsificações, fraudes, mentiras e mitos.

A estrutura literária do TALMUD sempre se mostra intransigente em relação ao ócio e à paralisia social para aqueles que aceitam passivamente quaisquer leis econômicas, militares, políticas ou religiosas. Assim, o estudo do TALMUD é uma forma bastante eficaz de denunciar, recusar e rejeitar, sobretudo, ideologias, filosofias e teologias dogmáticas falsas ou tirânicas, principalmente aquelas de cunho antissemítico. Consequentemente, o TALMUD pode identificar raízes teológicas cristãs contra o JUDAÍSMO, conforme explicado no LIVRO 2 – CAPÍTULO 1. Além disto, os implacáveis, incansáveis e insistentes perseguidores dos FILHOS DE YISRAEL também descobriram, ao longo dos séculos, que a principal característica do modo de viver judaico reside na dependência principalmente do estudo do TALMUD. Assim, caso os FILHOS DE YISRAEL abandonassem o estudo do TALMUD ele não poderia sobreviver como nação e como povo. Por causa disto, durante séculos, lideranças políticas e religiosas cristãs atuaram e investiram brutalmente e violentamente contra os FILHOS DE YISRAEL.

Em muitas ocasiões o estudo do TALMUD foi proibido e em seguida sofreu ataques teológicos de autoridades cristãs católicas apostólicas romanas que planejaram a sua destruição, primeiro através de debates teológicos em público e em seguida através da sua queima pelo fogo inquisitorial. Foi exatamente por causa disto que o TANAKH foi incorporado ao patrimônio da cultura literária universal tornando-se a obra literária judaica clássica utilizada pela humanidade, enquanto que o TALMUD permaneceu como uma obra literária judaica rabínica apenas, exclusivamente e somente dos judeus. E foi assim que os FILHOS DE YISRAEL, o POVO DO LIVRO, abraçou o TALMUD como o LIVRO DO POVO [2].

Durante séculos, a busca da compreensão, do entendimento e da verdade, em termos dos valores judaicos foi poucas vezes interrompida mesmo com o sofrimento da perseguição aos FILHOS DE YISRAEL. Esta busca apenas era possível através do estudo do TANAKH. E em torno do TANAKH desenvolvia-se uma atividade contínua de exame investigativo que os FILHOS DE YISRAEL guardavam e zelavam como se fôsse apenas a própria TORAH. Esta atividade dotada de característica investigativa e interpretativa judaica rabínica era a MISHNAH, a qual foi totalmente codificada sob a responsabilidade do sábio judeu tanaíta da quinta geração, RABBI YEHUDAH HA NASSI, RABENNU HA KADOSH (135 – 219).

As interpretações e investigações judaicas dos textos sagrados tanaíticos resultaram mais tarde em um grande número de análises, comentários, discussões e interpretações registradas que se destinavam a explicar mais profundamente o que transmitiam os textos sagrados hebraicos. O caráter não dogmático e aberto do pensamento religioso judaico tornou possível a MISHNAH ser referida como uma obra literária investigativa. Mas estas análises, comentários e discussões provocaram discordâncias e controvérsias exatamente por causa da sua natureza investigativa que poderia destruir as teologias cristãs dogmáticas sustentadas pelas autoridades religiosas cristãs católicas apostólicas romanas. Do mesmo modo, falsas acusações de heresias também foram direcionadas a outras obras literárias judaicas rabínicas como MOREH NEVUCHIM, da autoria do sábio judeu rishonita sephardi, RABBI MOSHEH BEN MAIMON, O RAMBAN (1138 – 1204), e SEPHER MILHAMOT ADONAI, da autoria do sábio judeu rishonita ashkenazi, RABBI LEVI BEN GERSHON, O RALBAG (1288 – 1344), ambas as obras literárias judaicas rabínicas também registram análises, comentários e discussões judaicas rabínicas [3–7].

A característica judaica de esclarecer e explicar referências tanaíticas contendo ou não inconsistências e contradições por meio da exegese rabínica estimulou e motivou aos eruditos e sábios judeus a escrever e estudar os comentários do TANAKH. O sentido da exegese rabínica é expor, externar, exteriorizar e extrair. Embora a exegese ajude a interpretar e revelar o sentido de algo ligado ao mundo humano, na prática ela foi aplicada a interpretação de textos bíblicos. Entretanto, o filósofo, teólogo e escritor cristão egípcio, ORIGENES ALEKSANDRIA (185 – 254), utilizava a interpretação alegórica de textos bíblicos, afirmando que tais textos, além da clareza aparente, continham um sentido mais profundo. Porém, a utilização da exegese no meio cristão sempre provocou uma quantidade abusiva de interpretações. Isto causou, ao longo dos séculos, o surgimento de uma quantidade enorme de denominações e lideranças religiosas cristãs. Na sociedade cristã, o TANAKH é utilizado para se obter sempre aquilo que se deseja não importando o que seja. E, para isto, os cristãos interpretam o TANAKH da forma que eles desejarem.

Na sociedade cristã, vários são os casos em que o cristão, ao interpretar o TANAKH segundo os seus próprios caprichos, desejos, desígnios, objetivos e vontade, ele acaba por buscar a sua própria satisfação pessoal ao invés de buscar o conhecimento da vontade de ADONAI-ELOHIM. E quando isto ocorre ele torna-se DEUS DE SI MESMO. É exatamente por causa disto que a sociedade internacional vem testemunhando há séculos o surgimento de milhares de denominações e lideranças religiosas cristãs resultantes de desavenças, desentendimentos e discórdias entre os seus membros, os quais trabalham apenas para obterem enriquecimento, fama, glória, influência social, poder, posição social, premiação, prestígio, promoção e troca de favores. E quando tudo isto é obtido então os fiéis declaram que a vontade divina foi satisfeita. Mas isto é resultado da tentativa de dividir ADONAI-ELOHIM, em três divindades. Ao que tudo indica, a sobrevivência do CRISTIANISMO reside na miséria da sua sociedade dividida.

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