segunda-feira, 12 de agosto de 2013

DISCUSSÃO TANAÍTICA 6


SEPHER TESHUVAH YEHUDIM – DISCUSSÕES TANAÍTICAS PARA A TESHUVAH DOS JUDEUS MARRANOS DE ORIGEM SEFARADITA – SEDER CHOCHMAH YEHUDIM – TRATADO TORAH – SHA'AR 2 – DISCUSSÃO TANAÍTICA 6

Segundo autores da HISTÓRIA JUDAICA, eruditos e sábios judeus, a TORAH SHE BICHTAV é o registro da IMUTÁVEL PALAVRA e da VONTADE de ADONAI-ELOHIM. Nela está registrada parte da HISTÓRIA DE YISRAEL, intervenções de messias e a realização de profecias divinas. Autores da história judaica relatam que desde a outorga da TORAH, ocorrida no MONTE SINAI, gigantesco e terrível foi o esforço realizado pelos FILHOS DE YISRAEL em preservar durante séculos, sobretudo obras literárias judaicas rabínicas como a KABBALAH e o TALMUD. As obras literárias judaicas rabínicas foram escondidas, guardadas e preservadas por séculos de tal forma que elas se constituíram até hoje na maior característica de identificação dos FILHOS DE YISRAEL e do modo de viver judaico.

Durante séculos, historiadores judeus e não judeus registraram a perda do ARON HA-KODESH (ARCA DA ALIANÇA), do BEIT HAMIKDASH (CASA DA SANTIDADE), e etc., mas os FILHOS DE YISRAEL não perderam as sagradas escrituras hebraicas. E graças às sagradas escrituras hebraicas os FILHOS DE YISRAEL se constituem, até hoje, como nação e como povo. Diante disto, o sábio judeu geonita, RABBI SA'ADIA BEN YOSEF, GAON (882 – 942), declarou que YISRAEL somente se constitui uma nação e um povo graças a TORAH, e o sábio judeu acharonita ashkenazi, RABBI YOM TOV LIPMANN TZUNTZ, LEOPOLD ZUNZ (1794 – 1886), declarou que o TANAKH foi preservado de tal forma que durante séculos ele se transformou em uma pátria portátil para os judeus. E, de fato, durante séculos, o TANAKH ajudou, auxiliou, guardou, manteve, orientou, preservou, protegeu, suportou, testemunhou e zelou a favor dos FILHOS DE YISRAEL e do modo de viver judaico [1].

Do ponto de vista sociológico isto se constitui em um fenômeno no qual uma escritura religiosa disciplinada, séria e codificada carrega filosofias de um modo de viver, um guia de conduta ético, moral, sexual e social, e que, durante muito tempo direcionou, governou e orientou a vida ética, moral, sexual e social judaica. Isto foi observado com admiração pelo judeu converso, crítico literário, jornalista e poeta lírico alemão, CHRISTIAN JOHANN HEINRICH HEINE (1797 – 1856), o qual declarou que os judeus podem se consolar de terem perdido o ARON HACODESH e o BEIT HAMIKDASH, mas que tal perda é insignificante em comparação com o TANAKH, o tesouro sagrado imperecível que os FILHOS DE YISRAEL guardaram, mantiveram e preservaram por séculos, e que sobreviveu até hoje.

Foi reconhecido inclusive pelo líder espiritual e político árabe, ABU AL QASIM MUHAMMAD IBN ABD ALLAH IBN ABD AL MUTTALIB IBN HASHIM, PROFETA MAOMÉ (570 – 632), quem caracterizou os FILHOS DE YISRAEL como O POVO DO LIVRO. Esta honraria foi conservada durante séculos e tornou-se uma característica do modo de viver judaico. O TANAKH tornou-se para os judeus a sua felicidade, o seu governante, o seu legado, a sua pátria e o seu tesouro, mas em muitas ocasiões tornou-se o seu juiz e a sua maldição. Os FILHOS DE YISRAEL viveram este livro e continuam através dele a praticar o modo de viver judaico. Impressionante é como o POVO JUDEU sobreviveu aos guetos, holocausto, tribunais inquisidores, mortes, perseguições, pogroms e torturas, e conseguiram manterem-se como povo diferente, distinto e singular durante séculos de existência [1].

Muitas são as obras literárias históricas que ajudam a compreender a essência e a natureza do modo de viver judaico. Estas obras ajudam a compreender a essência dos FILHOS DE YISRAEL e do modo de viver judaico como um fenômeno único, e também ajudam a compreender como os FILHOS DE YISRAEL aprenderam, ao longo dos séculos, a realizarem mudanças para poderem continuar a ser o mesmo povo e também para compreender como o JUDAÍSMO é a expressão do modo de viver judaico.

DISCUSSÃO TANAÍTICA 8



SEPHER TESHUVAH YEHUDIM – DISCUSSÕES TANAÍTICAS PARA A TESHUVAH DOS JUDEUS MARRANOS DE ORIGEM SEFARADITA – SEDER CHOCHMAH YEHUDIM – TRATADO TORAH – SHA'AR 2 – DISCUSSÃO TANAÍTICA 8

Nos primeiros séculos que se seguiram à destruição do SEGUNDO BEIT HAMIKDASH, ocorrida no ano 70 d.e.c., o aprofundamento intelectual judaico em busca de esclarecimentos tanaíticos necessário para continuar a manutenção do modo de viver judaico resultou no surgimento da GUEMARAH e do MIDRASH. Assim, a MISHNAH, a AGGADAH, a HALAKHA e a GUEMARAH formaram a obra literária judaica rabínica da mais alta importância denominada TALMUD. A fase intelectual caracterizada mais importante voltada para a busca de esclarecimentos sobre assuntos relativos ao TANAKH e ao TALMUD ocorreu durante o PERÍODO GEONIM (589 – 1038), nas academias judaicas rabínicas fundadas na CIDADE DE NEHARDEA, CIDADE DE PUMBEDITHA e na CIDADE DE SURA.

Depois deste período, surgiram inúmeras escolas de exegese judaica rabínica no EGITO, ESPANHA, FRANÇA, MARROCOS e TUNÍSIA. Inclusive na ALEMANHA e FRANÇA, países em que os judeus estavam menos avançados culturalmente, surgiram interesses pela FILOLOGIA (ciência que estuda idioma, literatura, cultura ou civilização sob uma visão histórica e a partir de documentos escritos) e pela GRAMÁTICA. Enquanto o JUDAÍSMO no ORIENTE era praticado por judeus que seguiam as orientações das academias de estudo rabínico das cidades babilônicas, o JUDAÍSMO na EUROPA era praticado de acordo com as suas próprias características rituais e costumes e recebia influência, sobretudo da língua do país em que ele era praticado. Assim, ocorreu a divisão mais característica existente entre o POVO JUDEU: o JUDAÍSMO ASHKENAZI (desenvolvido, sobretudo na ALEMANHA e na FRANÇA) e o JUDAÍSMO SEFARDI (desenvolvido, sobretudo na PENÍNSULA IBÉRICA).

Entretanto, deve ser sabido que o JUDAÍSMO SEFARDI começou a se desenvolver durante o reinado de SHLOMO MELECH BEN DAVID, entre os anos de 970 a.e.c. e 930 a.e.c. E durante esta época já havia grande movimentação de hebreus que empreendiam viagens comerciais através de navios pelo MAR MEDITERRÂNEO (passando pela SARDENHA e prosseguindo até a ESPANHA) transportando macacos, pavões e também marfim, ouro e prata, conforme registrado nas referências tanaíticas SEPHER MELAHIM ALEF 10,22 e DIVREI HAIAMIM BET 9,21. Portanto, nesta época, já havia grande contingente de hebreus na PENÍNSULA IBÉRICA. Porém, no ano de 721 a.e.c. o MALHUT YISRAEL (REINO DO NORTE), governado pelo décimo nono e último monarca israelita, HOSHEA BEN ELAH, foi invadido e conquistado pelo exército real liderado pelo monarca assírio, REI SHARRUKIN II.

A partir daí, os israelitas foram conduzidos como cativos para a ASSYRIA e para a MÉDIA, unindo-se a população local. O território israelita foi totalmente ocupado por assírios e babilônios os quais se misturaram com o restante da população israelita. Nesta época, o MALHUT YEHUDAH (REINO DO SUL), governado pelo décimo segundo monarca judeu, REI AHAZ BEN YOTAM, foi obrigado a pagar altíssimos impostos para evitar que ele também fôsse invadido e conquistado. Mais tarde, devido à recusa do décimo terceiro monarca judeu, REI YEHIZKIYYAHU BEN AHAZ, em continuar pagando estes impostos, o monarca assírio, REI SENNAKHERIB, invade o MALHUT YEHUDAH e sitia a CIDADE DE YERUSHALAYIM, mas sem obter sucesso algum. Esta foi a PRIMEIRA DIÁSPORA JUDAICA.

Entre os anos de 603 a.e.c. e 602 a.e.c., o MALHUT YEHUDAH é invadido e conquistado pelo exército real do monarca babilônico, NABU CUDURRI UTSUR II. A partir daí, o governante do sul, REI YEHOYAKIM BEN YOSHIYAHU, é obrigado a pagar tributos ao conquistador babilônico. Mais tarde, o vigésimo e último monarca judeu, REI TZIDKIYAHU BEN YOSHIYAHU, rebelou-se contra o monarca babilônico. Devido a isto, o exército real babilônico destruiu o MALHUT YEHUDAH. Assim, no ano de 587 a.e.c. milhares dentre os FILHOS DE AVRAHAM do MALHUT YEHUDAH foram conduzidos como cativos para a BABILÔNIA, outros fugiram para o EGITO, e apenas os hebreus mais pobres permaneceram. Esta foi a SEGUNDA DIÁSPORA JUDAICA. Porém, o período do cativeiro babilônico fez crescer entre o POVO JUDEU o sentimento de identidade hebréia indissolúveis [8,9].

DISCUSSÃO TANAÍTICA 9


SEPHER TESHUVAH YEHUDIM – DISCUSSÕES TANAÍTICAS PARA A TESHUVAH DOS JUDEUS MARRANOS DE ORIGEM SEFARADITA – SEDER CHOCHMAH YEHUDIM – TRATADO TORAH – SHA'AR 2 – DISCUSSÃO TANAÍTICA 9

Relatos tanaíticos do período compreendido entre a conquista da CIDADE DE YERUSHALYIM e a posterior conquista e invasão da BABILÔNIA, no ano de 539 a.e.c., pelo monarca persa, KURAS II, contém registros da palavra hebraica transliterada por YEHUDI para identificar a raça do povo oriundo de MALHUT YEHUDAH e também para identificar o modo de viver característico deste povo: o modo de viver judaico. No ano de 538 a.e.c. o monarca KURAS II autorizou aos hebreus do sul, os judeus, a retornarem para ERETZ YISRAEL, mas nem todos os judeus desejaram retornar para a sua terra.

No ano 70 d.e.c., o SEGUNDO BEIT HAMIKDASH foi destruído pelo exército imperial romano comandado pelo general romano, TITUS FLAVIUS CAESAR VESPASIANUS AUGUSTUS (39 d.e.c. – 81 d.e.c.). Muitos judeus foram capturados, outros prefiram fugir e o restante foi obrigado a enfrentar a pobreza por causa do confisco das suas terras. Mas não houve expulsão como nas diásporas judaicas anteriores. Mais tarde, no ano de 132 d.e.c., começou a terceira revolta judaica armada contra os invasores romanos, liderada por SHIMEON BAR KOKHBA. O fim da resistência judaica armada ocorreu no ano de 135 d.e.c. com a destruição da FORTALEZA DE BETAR. Após isto, parte da população judaica local foi deportada para a PROVÍNCIA DE YAHUDAH e para o NORTE DA GALILÉIA, parte da população foi vendida como escravos e os restantes dos judeus fugiram para a ÁFRICA, ÁSIA MENOR, BABILÔNIA, GÁLIA, GRÉCIA, PENÍNSULA IBÉRICA, ROMA e SÍRIA, aumentando mais ainda a população judaica nestas regiões que lá já se encontravam bem antes do ano 70 d.e.c. devido às diásporas judaicas anteriores. E, infelizmente, foi assim que começou a TERCEIRA DIÁSPORA JUDAICA.

Os judeus concentrados principalmente na PENÍNSULA IBÉRICA tornaram-se conhecidos como JUDEUS SEFARDIM. A palavra SEFARDI é ainda hoje freqüentemente utilizada em ERETZ YISRAEL para se referir também aos judeus oriundos dos países do NORTE ÁFRICA. Entretanto é um erro referir-se a todos os judeus norte-africanos e dos países árabes como judeus sefardim. Os judeus mais antigos destes países são originários de MIZRACH (ORIENTE) e são denominados JUDEUS MIZRACHIM. De fato, houve muitas comunidades judaicas sefarditas de importância nos países árabes foram responsáveis por boa parte do desenvolvimento místico da KABBALAH durante a IDADE MEDIVAL (Século V – Século XV) e muitos eruditos e sábios judeus sefardim foram autores de importantes obras literárias judaicas cabalísticas. A palavra hebraica transliterada por SEFARDI significa essencialmente ESPANHOL. Esta palavra foi indicada para se referir aos judeus oriundos da PENÍNSULA IBÉRICA e ainda significa ESPANHA na moderna língua hebraica. Interessante é que a palavra hebraica transliterada por SEFARDI está registrada na referência tanaítica, segundo está escrito:

Estes cativos do exército dos filhos de Israel que habitavam com os cananeus, até Tsorfat, e os cativos de Jerusalém, que habitavam em Sefarad, possuirão as cidades do Sul.


Sepher Navi Obhadyahu 20

Na referência tanaítica SEPHER NAVI OBHADYAHU 20, a palavra hebraica transliterada por SEFARDI refere-se à região onde está localizada a atual ESPANHA. Assim, as CIDADES DO SUL referem-se às cidades que estão localizadas no DESERTO DO NEGEVE (SUL). Mas esta profecia tanaítica ainda não se cumpriu, porém quando ela se cumprir, então os judeus sefaraditas ocuparão e viverão nas cidades do sul do ESTADO DE YISRAEL. Ainda hoje, a palavra hebraica transliterada por SEFARDI corresponde a todo judeu originário da ESPANHA e que de lá migraram para PORTUGAL, HOLANDA, MARROCOS, TURQUIA e BRASIL. Na época, a população judaica na PENÍNSULA IBÉRICA representava mais de 20% da população local. Nesta região, os judeus também se dedicaram a matemática, astronomia, medicina, comércio e se constituíram como os primeiros banqueiros para empréstimos de dinheiro. E durante séculos, os judeus cresceram em número e prosperaram nesta região.

Mas infelizmente, no dia 2 de janeiro 1492 o membro da corte aragonesa e político espanhol, JUAN DE COLOMA (? – ?), escreveu o DECRETO DE ALHAMBRA, o qual decretou a expulsão dos judeus da ESPANHA em caso destes não se converterem a fé cristã católica apostólica romana. O decreto político-religioso foi aceito e assinado no dia 31 de março do ano de 1492, pelo monarca cristão católico romano espanhol da SICILIA, CASTELA, LEON, ARAGÓN, VALENCIA, MALLORCA, BARCELONA, NAPOLI e NAVARRA, REI FERNANDO II (1452 – 1516), e pela sua esposa, a monarquiza cristã católica romana espanhola de CASTELA e LEON, RAINHA ISABEL I (1451 – 1504). O decreto informa também que os judeus que rejeitarem a conversão serão obrigados a sair da ESPANHA até o dia 31 de julho do ano de 1492. O prazo foi prorrogado até o dia 2 de agosto do ano de 1492, a qual foi exatamente a data de partida da viagem marítima empreendida pelo explorador e navegador espanhol de origem judaica sefardi, CRISTÓBAL COLÓN (1451 – 1506), rumo ao continente americano [10,11].

No dia 5 de dezembro do ano de 1496, o monarca português, REI DOM MANUEL I, O VENTUROSO (1469 – 1521), assinou o decreto político-religioso de expulsão dos judeus de PORTUGAL. O decreto informa que os judeus deverão deixar o reino português até o dia 31 de outubro do ano de 1497. O REI DOM MANUEL I, O VENTUROSO permitiu aos judeus que optassem pela conversão a fé cristã católica apostólica romana ou por abandonar o reino português, esperando assim que a maioria deles escolhesse a conversão. E assim, as regras da inquisição cristã católica espanhola começaram também a vigorar contra os judeus nas terras portuguesas. Os judeus, no entanto, não aceitaram a oferta real e, em grande maioria, resolveram abandonar o país. Mas o REI DOM MANUEL I, O VENTUROSO, ao saber que a sua maliciosa estratégia não logrou resultados, ordenou o bloqueio terrestre da fronteira com a ESPANHA e por mar ele ordenou o bloqueio marítimo à passagem dos navios que transportavam os refugiados, com exceção do porto da CIDADE DE LISBOA. Nas áreas deste porto se concentraram cerca de 20 mil judeus que esperavam transportes marítimos para abandonar o país. Assim, muitas dificuldades começaram a surgir para tornar impossível a saída dos judeus que desejavam abandonar as terras portuguesas para não abandonar o modo de viver judaico. E muitos judeus que permaneceram sem condições de viajar se submeteram às conversões voluntárias e outros foram forçados a se converterem.

No mês de abril do ano de 1497, desrespeitando o decreto de expulsão, o REI DOM MANUEL I, O VENTUROSO, ordenou o seqüestro de crianças judias menores de 14 anos para educá-las em lares cristãos católicos romanos. Esta tarefa ignóbil foi realizada com brutalidade, estupidez e muita violência. No mês de outubro do ano 1497, os judeus que ainda resistiam às conversões foram arrastados à força miseravelmente pelas ruas até às pias batismais pelas massas cristãs católicas romanas completamente enlouquecidas e incitadas por fanáticos clérigos cristãos católicos apostólicos romanos e com a ajuda complacente das forças militares reais portuguesas. Foram através destes batismos forçados ocorridos em larga escala que surgiram os MARIT AYIN YEHUDIM (JUDEUS MARRANOS) ou CRIPTO-JUDEUS, que após serem submetidos às conversões forçadas, eles retornaram em segredo às práticas do modo de viver judaico, mas eles falsamente professavam em público a fé cristã católica apostólica romana.

Em função destas conversões forçadas eles adotaram sobrenomes de famílias espanholas e portuguesas. Estes judeus, denominados também CONVERSOS ou CRISTÃOS NOVOS nunca foram realmente bem aceitos pelos cristãos locais também denominados CRISTÃOS VELHOS, os quais começaram a desconfiar da sinceridade da fé religiosa professada por estes conversos. Ocorreu que no dia 19 de abril do ano de 1506, cristãos católicos apostólicos romanos estavam no CONVENTO DE SÃO DOMINGOS DE LISBOA participando de uma celebração eucarística em que oravam pelo fim da fome e da seca que assolavam PORTUGAL. Em um determinado momento, alguém informou ter visto no altar da igreja o rosto iluminado de YESHUA NAZARETH, o que para os cristãos presentes foi interpretado como uma mensagem de misericórdia divina. Mas um cristão-novo que também participava da celebração religiosa tentou explicar que não era milagre, mas apenas o reflexo da luz solar. Imediatamente, os participantes da celebração investiram contra o cristão-novo espancando-o até a morte. A partir daí, os cristãos-novos, os quais já eram vistos com muita desconfiança, tornaram-se o bode expiatório da fome, da seca e da peste.

Entre os dias 19 e 21 de abril do ano de 1506, ocorreu o MASSACRE DE LISBOA (MATANÇA DA PÁSCOA DE 1506 ou POGROM DE LISBOA). Incitados por frades católicos dominicanos que prometeram absolvição dos pecados dos últimos 100 dias para aqueles que assassinassem conversos, então cerca de dois mil cristãos-novos incluindo homens, mulheres e crianças, foram perseguidos, torturados e assassinados por uma turba de mais de quinhentos cristãos incluindo até marinheiros holandeses e de outros países. A partir deste fato iniciou-se a diáspora judaica portuguesa, onde parte da população fugiu para o NORTE DA EUROPA, onde fundaram comunidades nos PAÍSES BAIXOS e na ALEMANHA, outra parte da população fugiu para o SUL DA FRANÇA e para a INGLATERRA, o restante fugiu para a GRÉCIA e TURQUIA e outros decidiram retornar para o ORIENTE MÉDIO. Devido a isto, os cristãos-novos sofreram influência das culturas de outros países e a língua ladina foi enriquecida com palavras árabes, francesas, gregas, hebraicas e turcas, distanciando-se da sua forma original [10,11].

Diante disto, os descendentes de judeus marranos de origem sefaradita aprendem que manter a identidade judaica ao longo dos séculos não foi nada fácil e, assim, eles observam que o comportamento cristão para com os FILHOS DE YISRAEL é causado, sobretudo pela idolatria em dividir ADONAI-ELOHIM em três outras divindades, negando assim a TORAH e as revelações divinas através dos NEVIIM YISRAEL. Por causa disto, mesmo debaixo de perseguições terríveis, os FILHOS DE YISRAEL continuaram a não se importar com vozes celestiais e nem com vozes humanas em desacordo com a TORAH e nem ceder a pressões externas oriundas de autoridades políticas e religiosas sejam elas quais forem, mas simplesmente eles continuaram estudando a TORAH e continuaram a praticar e a seguir os mandamentos, os preceitos e as prescrições nela registradas. Além disto, mesmo se vozes celestiais porventura ordenassem aos FILHOS DE YISRAEL alterar os mandamentos, os preceitos e as prescrições registradas na TORAH, eles não deveriam obedecê-la porque ADONAI-ELOHIM promete (em muitas referências tanaíticas) que é IRREVOGÁVEL O SEU VÍNCULO COM OS FILHOS DE YISRAEL, segundo está escrito:

...ESTATUTO PERPÉTUO É POR TODAS AS VOSSAS GERAÇÕES...

Através dos séculos, os FILHOS DE YISRAEL foram obrigados a se sacrificarem por inúmeras vezes para poderem continuar estudando e ensinando e, desta forma, manter e preservar a existência da TORAH e do TALMUD e, assim, continuar as práticas do modo de viver judaico. Os FILHOS DE YISRAEL entenderam (da mesma forma como fizeram no passado os seus inimigos mortais) que as únicas obras literárias judaicas que os preservaram da destruição física foram a TORAH e o TALMUD. Ao longo dos séculos, isto provou aos FILHOS DE YISRAEL que a manutenção e a preservação do estudo da TORAH e o TALMUD é a melhor arma contra a assimilação religiosa oriunda de outras nações e povos. Por isto, os assassinatos, os debates judaico-cristãos, as tolas bulas, decretos e encíclicas papais, o holocausto, os tribunais inquisidores, as perseguições, as provocações, a queima de livros e as torturas físicas e mentais sofridas pelos FILHOS DE YISRAEL duraram e se intensificaram por muito tempo, mas elas nunca resultaram em nada. Os inimigos dos FILHOS DE YISRAEL ainda continuam atuando duramente contra ele, mas eles nada conseguem e, como sempre, eles permanecem sempre de mãos vazias.

No meio cristão, sobretudo evangélico e protestante, não existe mérito por estudar a TORAH, nem simplesmente pelo prazer de estudá-la, mas utiliza-se o TANAKH com o intuito de acumular bens financeiros, conquistar honrarias, privilégios e status exatamente como fazem os hipócritas pertencentes a denominações e lideranças religiosas cristãs cujos membros militantes se disponibilizam a utilizar vestimentas judaicas para prejudicar a TESHUVAH dos descendentes de judeus marranos de origem sefaradita. E para isto, os missionários cristãos evangélicos messiânicos proferem palavras adocicadas ao se apresentarem diante dos descendentes de judeus marranos de origem sefaradita. Mas o que eles desejam mesmo é destruir o modo de viver judaico através dos falsos ensinamentos em nome de YESHUA NAZARETH. Entretanto, os FILHOS DE YISRAEL já sabiam que a própria sobrevivência sempre dependeu unicamente das análises, dos comentários, das discussões e das interpretações do TANAKH, os quais, mais tarde, foram utilizados para construir, desenvolver e elaborar a redação do TALMUD.

DISCUSSÃO TANAÍTICA 7




SEPHER TESHUVAH YEHUDIM – DISCUSSÕES TANAÍTICAS PARA A TESHUVAH DOS JUDEUS MARRANOS DE ORIGEM SEFARADITA – SEDER CHOCHMAH YEHUDIM – TRATADO TORAH – SHA'AR 2 – DISCUSSÃO TANAÍTICA 7

O articulista, médico e professor judeu, FLÁVIO ROTMAN, declara que se a paz da alma é a verdadeira face divina dentro de cada ser humano, então os FILHOS DE YISRAEL possuem o direito à igualdade, à liberdade, bem como o direito de viver em uma nação democrática, soberana, centrada na justiça social: O ESTADO DE YISRAEL. Cita FLÁVIO ROTMAN uma história agádica narrada em um dos tratados talmúdicos, a qual ilustra a forma pela qual os judeus se dedicavam ao estudo da TORAH. Segundo esta narrativa agádica, quando o POVO HEBREU estava reunido aos pés do MONTE SINAI, para firmar uma aliança com ADONAI-ELOHIM, uma espada (juntamente com o TANAKH ao lado) desceu do céu e permaneceu suspensa sobre os hebreus. Em seguida, uma voz ordenou para que eles escolhessem entre a ESPADA e o TANAKH. Os hebreus escolheram o TANAKH. De fato, na história judaica, a guarda, a manutenção, a preservação e o zelo pelo TANAKH conduziram muitos judeus à destruição pela espada brandida pelos execráveis inimigos dos FILHOS DE YISRAEL. Os judeus sobreviveram triunfantes e vitoriosos a todos os implacáveis, incansáveis e perseguidores políticos e religiosos. Mesmo assim, eles continuam, até hoje, analisando, comentando, discutindo, estudando e interpretando o TANAKH [1].

A palavra hebraica transliterada por TANAKH representa as três divisões das escrituras sagradas hebraicas: TORAH, NEVIIM e KETHUVIM. A TORAH entre outros, significa orientações ou procedimentos na vida nos aspectos de conduta ética, moral, religiosa, sexual e social. Durante séculos, a TORAH tornou-se a PEDRA CENTRAL e em seguida o TALMUD tornou-se o PILAR CENTRAL, os quais continuam a guardar, manter, suportar e sustentar a prática do modo de viver judaico. Após a TORAH, o TALMUD tornou-se a segunda obra literária religiosa mais importante do modo de viver judaico. A palavra hebraica transliterada por TALMUD está ligada a palavra hebraica transliterada por LAMED (a qual está associada a ESTUDO) e está ligada a palavra hebraica transliterada por LIMED (a qual está associada a ENSINO). E ambos, ENSINO e ESTUDO formam a base da educação judaica e do judaísmo rabínico. A literatura judaica rabínica talmúdica consiste nas análises, comentários, discussões e interpretações dos mandamentos, dos preceitos e das prescrições registradas na TORAH. A elaboração desta obra literária judaica rabínica é da autoria dos eruditos e sábios judeus residentes na BABILÔNIA e em YISRAEL, e demorou um longo período, o qual se estendeu do século V a.e.c. até o século V d.e.c.

Em uma sociedade de constantes mudanças, o TALMUD se tornou um instrumento de ajuda no estudo do comportamento ético e moral do modo de viver judaico. Exceto a TORAH, o TALMUD foi e ainda é a única obra literária religiosa judaica que expressou e ainda expressa os aspectos da essência dos judeus e da sua vida espiritual e que funcionou como um guia incomparável de conduta espiritual, ética, moral e social. Diante disto, o TALMUD induz a observação do descontentamento social diante de quaisquer poderes econômico, militar, político ou religioso que possam ser considerados maléficos, ofensivos e violentos. E as autoridades religiosas cristãs católicas apostólicas romanas sabiam o quanto a sua estrutura dogmática religiosa estava construída sobre distorções, engôdos, falsificações, fraudes, mentiras e mitos.

A estrutura literária do TALMUD sempre se mostra intransigente em relação ao ócio e à paralisia social para aqueles que aceitam passivamente quaisquer leis econômicas, militares, políticas ou religiosas. Assim, o estudo do TALMUD é uma forma bastante eficaz de denunciar, recusar e rejeitar, sobretudo, ideologias, filosofias e teologias dogmáticas falsas ou tirânicas, principalmente aquelas de cunho antissemítico. Consequentemente, o TALMUD pode identificar raízes teológicas cristãs contra o JUDAÍSMO, conforme explicado no LIVRO 2 – CAPÍTULO 1. Além disto, os implacáveis, incansáveis e insistentes perseguidores dos FILHOS DE YISRAEL também descobriram, ao longo dos séculos, que a principal característica do modo de viver judaico reside na dependência principalmente do estudo do TALMUD. Assim, caso os FILHOS DE YISRAEL abandonassem o estudo do TALMUD ele não poderia sobreviver como nação e como povo. Por causa disto, durante séculos, lideranças políticas e religiosas cristãs atuaram e investiram brutalmente e violentamente contra os FILHOS DE YISRAEL.

Em muitas ocasiões o estudo do TALMUD foi proibido e em seguida sofreu ataques teológicos de autoridades cristãs católicas apostólicas romanas que planejaram a sua destruição, primeiro através de debates teológicos em público e em seguida através da sua queima pelo fogo inquisitorial. Foi exatamente por causa disto que o TANAKH foi incorporado ao patrimônio da cultura literária universal tornando-se a obra literária judaica clássica utilizada pela humanidade, enquanto que o TALMUD permaneceu como uma obra literária judaica rabínica apenas, exclusivamente e somente dos judeus. E foi assim que os FILHOS DE YISRAEL, o POVO DO LIVRO, abraçou o TALMUD como o LIVRO DO POVO [2].

Durante séculos, a busca da compreensão, do entendimento e da verdade, em termos dos valores judaicos foi poucas vezes interrompida mesmo com o sofrimento da perseguição aos FILHOS DE YISRAEL. Esta busca apenas era possível através do estudo do TANAKH. E em torno do TANAKH desenvolvia-se uma atividade contínua de exame investigativo que os FILHOS DE YISRAEL guardavam e zelavam como se fôsse apenas a própria TORAH. Esta atividade dotada de característica investigativa e interpretativa judaica rabínica era a MISHNAH, a qual foi totalmente codificada sob a responsabilidade do sábio judeu tanaíta da quinta geração, RABBI YEHUDAH HA NASSI, RABENNU HA KADOSH (135 – 219).

As interpretações e investigações judaicas dos textos sagrados tanaíticos resultaram mais tarde em um grande número de análises, comentários, discussões e interpretações registradas que se destinavam a explicar mais profundamente o que transmitiam os textos sagrados hebraicos. O caráter não dogmático e aberto do pensamento religioso judaico tornou possível a MISHNAH ser referida como uma obra literária investigativa. Mas estas análises, comentários e discussões provocaram discordâncias e controvérsias exatamente por causa da sua natureza investigativa que poderia destruir as teologias cristãs dogmáticas sustentadas pelas autoridades religiosas cristãs católicas apostólicas romanas. Do mesmo modo, falsas acusações de heresias também foram direcionadas a outras obras literárias judaicas rabínicas como MOREH NEVUCHIM, da autoria do sábio judeu rishonita sephardi, RABBI MOSHEH BEN MAIMON, O RAMBAN (1138 – 1204), e SEPHER MILHAMOT ADONAI, da autoria do sábio judeu rishonita ashkenazi, RABBI LEVI BEN GERSHON, O RALBAG (1288 – 1344), ambas as obras literárias judaicas rabínicas também registram análises, comentários e discussões judaicas rabínicas [3–7].

A característica judaica de esclarecer e explicar referências tanaíticas contendo ou não inconsistências e contradições por meio da exegese rabínica estimulou e motivou aos eruditos e sábios judeus a escrever e estudar os comentários do TANAKH. O sentido da exegese rabínica é expor, externar, exteriorizar e extrair. Embora a exegese ajude a interpretar e revelar o sentido de algo ligado ao mundo humano, na prática ela foi aplicada a interpretação de textos bíblicos. Entretanto, o filósofo, teólogo e escritor cristão egípcio, ORIGENES ALEKSANDRIA (185 – 254), utilizava a interpretação alegórica de textos bíblicos, afirmando que tais textos, além da clareza aparente, continham um sentido mais profundo. Porém, a utilização da exegese no meio cristão sempre provocou uma quantidade abusiva de interpretações. Isto causou, ao longo dos séculos, o surgimento de uma quantidade enorme de denominações e lideranças religiosas cristãs. Na sociedade cristã, o TANAKH é utilizado para se obter sempre aquilo que se deseja não importando o que seja. E, para isto, os cristãos interpretam o TANAKH da forma que eles desejarem.

Na sociedade cristã, vários são os casos em que o cristão, ao interpretar o TANAKH segundo os seus próprios caprichos, desejos, desígnios, objetivos e vontade, ele acaba por buscar a sua própria satisfação pessoal ao invés de buscar o conhecimento da vontade de ADONAI-ELOHIM. E quando isto ocorre ele torna-se DEUS DE SI MESMO. É exatamente por causa disto que a sociedade internacional vem testemunhando há séculos o surgimento de milhares de denominações e lideranças religiosas cristãs resultantes de desavenças, desentendimentos e discórdias entre os seus membros, os quais trabalham apenas para obterem enriquecimento, fama, glória, influência social, poder, posição social, premiação, prestígio, promoção e troca de favores. E quando tudo isto é obtido então os fiéis declaram que a vontade divina foi satisfeita. Mas isto é resultado da tentativa de dividir ADONAI-ELOHIM, em três divindades. Ao que tudo indica, a sobrevivência do CRISTIANISMO reside na miséria da sua sociedade dividida.

TRATADO TORAH – SHA'AR 1 – DISCUSSÃO TANAÍTICA 4

SEPHER TESHUVAH YEHUDIM – DISCUSSÕES TANAÍTICAS PARA A TESHUVAH DOS JUDEUS MARRANOS DE ORIGEM SEFARADITA – SEDER CHOCHMAH YEHUDIM – TRATADO TORAH – SHA'AR 1 – DISCUSSÃO TANAÍTICA 4

O TALMUD inclui os ensinamentos de eruditos e sábios judeus que receberam a TORAH SHE BE'ALPEH das gerações que os antecederam, remontando-se até MOSHEH BEN AMRAM. Assim, o judeu que rejeita o TALMUD desrespeita a TORAH SHE BE'ALPEH, a qual é a pedra fundamental do modo de viver judaico. E sem o TALMUD é praticamente impossível entender, interpretar e cumprir os mandamentos e preceitos registrados na TORAH SHE BICHTAV. O estudo somente do TANAKH faria dos FILHOS DE YISRAEL um povo comum como qualquer outro, mas isto nunca ocorreu. Mesmo assim, filósofos e teólogos cristãos, desde cedo, começaram a ensinar que o TANAKH (denominado por eles de ANTIGO TESTAMENTO) é a preparação para o NOVO TESTAMENTO (denominado por eles de NOVA ALIANÇA) e que o NOVO TESTAMENTO é a confirmação do ANTIGO TESTAMENTO. Isto causou muitos conflitos teológicos diante da riqueza dos ensinamentos talmúdicos. Por causa disto, durante séculos, autoridades cristãs católicas apostólicas romanas tentaram converter a força aos FILHOS DE YISRAEL, proibindo-os entre outras o estudo talmúdico e os obrigaram, através de ameaças, mortes e perseguições, a aceitar os falsos ensinamentos de YESHUA NAZARETH.

O filósofo franco-lituano de origem judaica e comentarista talmúdico, EMMANUEL LEVINAS (1906 – 1995), encontrou referências talmúdicas durante os seus estudos judaicos, as quais, segundo ele, deixaram bastante preocupados, na época, as autoridades cristãs católicas apostólicas romanas tais como como o filósofo, escritor, historiador e orador grego, IOANNIS CHRYSOSTOMUS (347 – 407). Ele relata em suas obras que a literatura judaica rabínica talmúdica ensina que o poder rabínico (bem como quaisquer outras formas de poder desenvolvido pelo homem, seja ele econômico, militar, político ou religioso) poderia ser criticado, questionado, julgado e anulado pela própria comunidade judaica rabínica [7,8].

Contrário a isto, a estrutura filosófica e teológica da IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA é construída essencialmente sobre dogmas, os quais não podem ser analisados, discutidos, julgados e questionados por ninguém. Desta forma, o estilo de investigação empregado no estudo do TALMUD motivaria, com o decorrer do tempo, os cristãos a analisar, anular, discutir, julgar e questionar estes dogmas católicos. E assim, toda a estrutura dogmática católica apostólica romana seria completamente destruída. Neste sentido, o TALMUD induz ao exercício do descontentamento social sobre quaisquer poderes econômico, militar, político ou religioso que possam ser considerados maléficos, ofensivos e violentos para o ser humano. E as autoridades cristãs católicas apostólicas romanas sabiam o quanto a sua estrutura dogmática religiosa estava construída sobre distorções, engôdos, falsificações, fraudes e mentiras.

A estrutura literária do TALMUD sempre se mostra intransigente em relação ao ócio e à paralisia social para aqueles que aceitam passivamente quaisquer leis econômicas, militares, políticas ou religiosas. Neste sentido, o estudo do TALMUD consiste em uma forma bastante eficaz de denunciar, recusar e rejeitar, sobretudo, ideologias, filosofias e teologias dogmáticas falsas ou tirânicas, principalmente aquelas de cunho antissemítico. Consequentemente, o TALMUD pode identificar raízes teológicas cristãs contra o modo de viver judaico. Um exemplo disto são os ensinamentos de que o TANAKH é uma preparação para o NOVO TESTAMENTO, que o NOVO TESTAMENTO é a confirmação do TANAKH, e que o nascimento, morte e ressurreição de YESHUA NAZARETH, o qual é creditado teologicamente como FILHO DE ELOHIM, é a prova única e incontestável dos ensinamentos religiosos cristãos. Mas, o TALMUD nada analisa, comenta, discute, menciona ou questiona sobre YESHUA NAZARETH, NOVO TESTAMENTO, teologias cristãs ou dogmas cristãos católicos apostólicos romanos. Mesmo assim, durante séculos, autoridades cristãs católicas apostólicas romanas consideraram o TALMUD como literatura anticristã, diabólica e ofensiva ao desenvolvimento e manutenção da sua TIRANIA DOGMÁTICA. Em diversas ocasiões da HISTÓRIA JUDAICA vária cópias, edições, exemplares e versões do TALMUD foram censuradas, confiscados, adulterados e queimados em praça pública por governos ditatoriais da idade moderna. Algumas destas circunstâncias históricas são relatadas a seguir [9].

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O Que É “Sal Casher”?

Torá e Estudo  

O Que É “Sal Casher”?

Por que não existem profetas?

  



Pergunta:                                       

Por que não existem profetas?                                                        
 Resposta:
Existiram 48 profetas de Israel ao longo de nossa história. Yehoshua, Pinchás, David, Shmuel, Elyahu, Yoêl, Amós, Ovadya, Yoná, Chavacuc, Nachum, Zecharyá, Mal'achi,Yesha'yáhu, Yirmiyáhu, Yechezkel, foram alguns deles. O Tanach (Pentateuco, Profetas e Escrituras) está repleto de profecias. Assim, as palavras dos profetas continuam nos guiando através do Tanach. Interessante notar que da mesma forma como muitos homens experimentaram a profecia, também houveram profetisas. Em muitos casos, elas atingiram níveis até mais elevados que os homens. Houveram sete profetisas conforme se encontram mencionadas na Torá: Sara, Miriam, Débora (Dvora), Hana, Abigail, Hulda e Esther.
No entanto, hoje em dia não existe mais profetas, pois nosso mundo não se encontra mais em um nível tão elevado. O que existe é a presença de pessoas muito especiais em cada geração que possuem Ruach Hacodesh, isto é, um nível muito elevado de santidade que faz com que possam dar sábios conselhos e prever certas coisas de antemão. Não se tratam de profecias, mas sim da expressão e revelação de seu profundo conhecimento de Torá. São pessoas que estudam constantemente e observam os ensinamentos de D'us, cuidam detalhadamente para não violar uma única lei, tentam ao máximo e constantemente cumprir todo e qualquer mandamento da Torá, vivem livres de qualquer pecado, em pensamento e ação, completamente ligadas em fazer o bem aos outros sem pensar em si próprias, nutrem um amor profundo a D'us com profundo conhecimento de Sua essência, entre outras qualidades, raras de serem encontradas em pessoas. É o conjunto destas características, habilidades e concentração profunda à serviço de D'us que tornam uma pessoa Divinamente inspirada, diferente, no entanto, dos profetas, cujas visões vinham diretamente de D'us ou primeiramente através de um anjo.
Embora muitas pessoas tivessem o dom da profecia, a Torá apenas menciona aqueles que deixaram uma mensagem para todas as gerações. Por esta razão nossos sábios salientam que além de Moshê e Aharon há 48 profetas mencionados na Torá. A profecia durou por 1000 anos em Israel, do tempo do Êxodo do Egito (2448; 1313 AEC) até 40 anos após a construção do Segundo Templo Sagrado (3448; 313 AEC). O espírito da profecia acabou naquele ano quando os últimos profetas, Hagai, Zecharyá(Zacarias) e Mal'achi (Malaquias), todos morreram no mesmo mês. É muito dificil ocorrer profecias quando a Arca Sagrada não se encontra em seu devido lugar no Templo Sagrado. Por este motivo, quando o Templo foi destruído, a profecia tornou-se muito rara.
Há diversos níveis de Inspiração Divina. O mais alto grau está logo abaixo do grau de profecia que somente será restaurado na era de Moshiach, quando a maioria dos judeus retornar à Terra Santa e for construido o Terceiro Templo Sagrado em Jerusalém. Esperamos que seja em breve.
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