segunda-feira, 12 de agosto de 2013

TRATADO TORAH – SHA'AR 1 – DISCUSSÃO TANAÍTICA 4

SEPHER TESHUVAH YEHUDIM – DISCUSSÕES TANAÍTICAS PARA A TESHUVAH DOS JUDEUS MARRANOS DE ORIGEM SEFARADITA – SEDER CHOCHMAH YEHUDIM – TRATADO TORAH – SHA'AR 1 – DISCUSSÃO TANAÍTICA 4

O TALMUD inclui os ensinamentos de eruditos e sábios judeus que receberam a TORAH SHE BE'ALPEH das gerações que os antecederam, remontando-se até MOSHEH BEN AMRAM. Assim, o judeu que rejeita o TALMUD desrespeita a TORAH SHE BE'ALPEH, a qual é a pedra fundamental do modo de viver judaico. E sem o TALMUD é praticamente impossível entender, interpretar e cumprir os mandamentos e preceitos registrados na TORAH SHE BICHTAV. O estudo somente do TANAKH faria dos FILHOS DE YISRAEL um povo comum como qualquer outro, mas isto nunca ocorreu. Mesmo assim, filósofos e teólogos cristãos, desde cedo, começaram a ensinar que o TANAKH (denominado por eles de ANTIGO TESTAMENTO) é a preparação para o NOVO TESTAMENTO (denominado por eles de NOVA ALIANÇA) e que o NOVO TESTAMENTO é a confirmação do ANTIGO TESTAMENTO. Isto causou muitos conflitos teológicos diante da riqueza dos ensinamentos talmúdicos. Por causa disto, durante séculos, autoridades cristãs católicas apostólicas romanas tentaram converter a força aos FILHOS DE YISRAEL, proibindo-os entre outras o estudo talmúdico e os obrigaram, através de ameaças, mortes e perseguições, a aceitar os falsos ensinamentos de YESHUA NAZARETH.

O filósofo franco-lituano de origem judaica e comentarista talmúdico, EMMANUEL LEVINAS (1906 – 1995), encontrou referências talmúdicas durante os seus estudos judaicos, as quais, segundo ele, deixaram bastante preocupados, na época, as autoridades cristãs católicas apostólicas romanas tais como como o filósofo, escritor, historiador e orador grego, IOANNIS CHRYSOSTOMUS (347 – 407). Ele relata em suas obras que a literatura judaica rabínica talmúdica ensina que o poder rabínico (bem como quaisquer outras formas de poder desenvolvido pelo homem, seja ele econômico, militar, político ou religioso) poderia ser criticado, questionado, julgado e anulado pela própria comunidade judaica rabínica [7,8].

Contrário a isto, a estrutura filosófica e teológica da IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA é construída essencialmente sobre dogmas, os quais não podem ser analisados, discutidos, julgados e questionados por ninguém. Desta forma, o estilo de investigação empregado no estudo do TALMUD motivaria, com o decorrer do tempo, os cristãos a analisar, anular, discutir, julgar e questionar estes dogmas católicos. E assim, toda a estrutura dogmática católica apostólica romana seria completamente destruída. Neste sentido, o TALMUD induz ao exercício do descontentamento social sobre quaisquer poderes econômico, militar, político ou religioso que possam ser considerados maléficos, ofensivos e violentos para o ser humano. E as autoridades cristãs católicas apostólicas romanas sabiam o quanto a sua estrutura dogmática religiosa estava construída sobre distorções, engôdos, falsificações, fraudes e mentiras.

A estrutura literária do TALMUD sempre se mostra intransigente em relação ao ócio e à paralisia social para aqueles que aceitam passivamente quaisquer leis econômicas, militares, políticas ou religiosas. Neste sentido, o estudo do TALMUD consiste em uma forma bastante eficaz de denunciar, recusar e rejeitar, sobretudo, ideologias, filosofias e teologias dogmáticas falsas ou tirânicas, principalmente aquelas de cunho antissemítico. Consequentemente, o TALMUD pode identificar raízes teológicas cristãs contra o modo de viver judaico. Um exemplo disto são os ensinamentos de que o TANAKH é uma preparação para o NOVO TESTAMENTO, que o NOVO TESTAMENTO é a confirmação do TANAKH, e que o nascimento, morte e ressurreição de YESHUA NAZARETH, o qual é creditado teologicamente como FILHO DE ELOHIM, é a prova única e incontestável dos ensinamentos religiosos cristãos. Mas, o TALMUD nada analisa, comenta, discute, menciona ou questiona sobre YESHUA NAZARETH, NOVO TESTAMENTO, teologias cristãs ou dogmas cristãos católicos apostólicos romanos. Mesmo assim, durante séculos, autoridades cristãs católicas apostólicas romanas consideraram o TALMUD como literatura anticristã, diabólica e ofensiva ao desenvolvimento e manutenção da sua TIRANIA DOGMÁTICA. Em diversas ocasiões da HISTÓRIA JUDAICA vária cópias, edições, exemplares e versões do TALMUD foram censuradas, confiscados, adulterados e queimados em praça pública por governos ditatoriais da idade moderna. Algumas destas circunstâncias históricas são relatadas a seguir [9].

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O Que É “Sal Casher”?

Torá e Estudo  

O Que É “Sal Casher”?

Por que não existem profetas?

  



Pergunta:                                       

Por que não existem profetas?                                                        
 Resposta:
Existiram 48 profetas de Israel ao longo de nossa história. Yehoshua, Pinchás, David, Shmuel, Elyahu, Yoêl, Amós, Ovadya, Yoná, Chavacuc, Nachum, Zecharyá, Mal'achi,Yesha'yáhu, Yirmiyáhu, Yechezkel, foram alguns deles. O Tanach (Pentateuco, Profetas e Escrituras) está repleto de profecias. Assim, as palavras dos profetas continuam nos guiando através do Tanach. Interessante notar que da mesma forma como muitos homens experimentaram a profecia, também houveram profetisas. Em muitos casos, elas atingiram níveis até mais elevados que os homens. Houveram sete profetisas conforme se encontram mencionadas na Torá: Sara, Miriam, Débora (Dvora), Hana, Abigail, Hulda e Esther.
No entanto, hoje em dia não existe mais profetas, pois nosso mundo não se encontra mais em um nível tão elevado. O que existe é a presença de pessoas muito especiais em cada geração que possuem Ruach Hacodesh, isto é, um nível muito elevado de santidade que faz com que possam dar sábios conselhos e prever certas coisas de antemão. Não se tratam de profecias, mas sim da expressão e revelação de seu profundo conhecimento de Torá. São pessoas que estudam constantemente e observam os ensinamentos de D'us, cuidam detalhadamente para não violar uma única lei, tentam ao máximo e constantemente cumprir todo e qualquer mandamento da Torá, vivem livres de qualquer pecado, em pensamento e ação, completamente ligadas em fazer o bem aos outros sem pensar em si próprias, nutrem um amor profundo a D'us com profundo conhecimento de Sua essência, entre outras qualidades, raras de serem encontradas em pessoas. É o conjunto destas características, habilidades e concentração profunda à serviço de D'us que tornam uma pessoa Divinamente inspirada, diferente, no entanto, dos profetas, cujas visões vinham diretamente de D'us ou primeiramente através de um anjo.
Embora muitas pessoas tivessem o dom da profecia, a Torá apenas menciona aqueles que deixaram uma mensagem para todas as gerações. Por esta razão nossos sábios salientam que além de Moshê e Aharon há 48 profetas mencionados na Torá. A profecia durou por 1000 anos em Israel, do tempo do Êxodo do Egito (2448; 1313 AEC) até 40 anos após a construção do Segundo Templo Sagrado (3448; 313 AEC). O espírito da profecia acabou naquele ano quando os últimos profetas, Hagai, Zecharyá(Zacarias) e Mal'achi (Malaquias), todos morreram no mesmo mês. É muito dificil ocorrer profecias quando a Arca Sagrada não se encontra em seu devido lugar no Templo Sagrado. Por este motivo, quando o Templo foi destruído, a profecia tornou-se muito rara.
Há diversos níveis de Inspiração Divina. O mais alto grau está logo abaixo do grau de profecia que somente será restaurado na era de Moshiach, quando a maioria dos judeus retornar à Terra Santa e for construido o Terceiro Templo Sagrado em Jerusalém. Esperamos que seja em breve.
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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A Tradição Oral


                                                         A Tradição Oral         
                                                               


Em muitos aspectos, a Torá Oral é mais importante do que a Torá Escrita.
É um principio de nossa fé acreditar que D’us deu a Moisés uma explicação oral da Torá junto com o texto escrito.
Agora, esta tradição oral está essencialmente preservada no Talmud e nos Midrashim.
Deste modo, falamos de duas Torás. Há a Torá Escrita (Torá SheBiKetav) e a Torá Oral (Torá SheB 'Al Peh). Ambas são aludidas na declaração de D’us a Moisés, "E disse o Eterno a Moisés: "Sobe a Mim, ao monte, e fica ali; e dar-te-ei as tábuas de pedra, a lei e os mandamentos que escrevi para os ensinar (Êxodo 24:12).
Em muitos casos, a Torá se refere a detalhes não incluídos no texto escrito, aludindo, deste modo, a uma tradição oral. Assim, a Torá afirma, "...poderás degolar do teu gado e do teu rebanho... como te ordenei" (Deuteronômio 12:21), referindo-se a um mandamento oral relativo a matança ritual (shechitá).
Da mesma forma que mandamentos como tefillin e tzitzit são encontrados na Torá, mas não há nenhum detalhe, então, supostamente, fazem parte da Torá Oral. Embora guardar o Shabat seja um dos Dez Mandamentos, não há detalhes de como deve ser mantido o Shabat, portanto também está na Tora Oral. Deste modo, D’us disse, "Santificai o dia de sábado, como ordenei a vossos pais” (Jeremias 17:22).
Assim como dependemos da tradição para o texto aceito, a vocalização e a tradução da Torá, também dependemos dela para sua interpretação.
Não entendemos a Torá Escrita sem a tradição oral. Conseqüentemente, a Torá Oral é a mais importante das duas.
Visto que a Torá Escrita mostra-se primariamente incompleta a menos que complementada pela tradição oral, a negação da Torá Oral também leva, necessariamente, a negação da origem divina do texto escrito.
A Torá Oral destinava-se originalmente a ser transmitida de boca em boca. Era transmitida de para aluno de tal forma que se o aluno tivesse alguma dúvida, poderia perguntar, e deste modo evitar a ambigüidade. Um texto escrito, por outro lado, mesmo sendo perfeito está sempre sujeito à interpretação errada.
Além disso, a Torá Oral destinava-se também a compreender a infinidade de casos que surgiriam com o passar do tempo. Portanto, nunca poderia ser inteiramente escrita. Assim, está escrito, "Escuta ainda, filho meu: escrever livros é tarefa sem fim, e muito estudo esgota a carne” (Eclesiastes 12:12). Portanto, D’us deu a Moisés um conjunto de regras nas quais a Torá pode ser aplicada em todos os possíveis casos.
Se a Torá inteira fosse dada escrita, interpretaria da maneira que bem quisesse, o que levaria a divisão e discórdia entre as pessoas que seguiriam a Torá de maneiras diferentes. A Torá Oral, por outro lado, requer uma autoridade central para preservá-la, deste modo assegurando a unidade de Israel.
Já que muitos não judeus também aceitam a Bíblia como sagrada, a Torá Oral é o que vai distinguir o Judaísmo e torná-lo único. Por isso, a Torá Oral não poderia ser escrita até que os não judeus adotassem sua própria religião baseada na Bíblia. Deste modo, D’us disse, "Se tivesse escrito a maioria de minha Torá, [] seria contado igual a estranhos" (Oseías 8:12).
Por isso, a Torá Oral é a base do pacto de D’us com Israel. É até mais querida para D’us do que a Torá Escrita.
Detalhes das Mitzvot
A Torá Oral é o meio pelo qual dedicamos nossas vidas para D’us e Seus ensinamentos.
D’us revelou todos os detalhes de como os mandamentos deveriam ser observados enquanto Moisés estava no Monte Sinai. D’us também revelou a Moisés muitas interpretações e leis que não só seriam usadas muito tempo depois. Estas, porém, não foram ensinadas totalmente ao povo.
Há uma tradição que diz que D’us ensinava a Torá Oral durante o dia e a Torá Escrita durante a noite.
Moisés transmitiu a Torá Oral para Aaron, seus filhos e os Anciões, nesta ordem. Desta forma, está escrito, "E foi no oitavo dia que Moisés chamou Aarão e a seus filhos, e aos anciãos de Israel” (Levítico 9:1). As leis foram então transmitidas para todas as pessoas e revisadas, até que cada pessoa tenha examinado-as cuidadosamente quatro vezes.
Antes de morrer, Moisés revisou novamente a Torá Oral e esclareceu quaisquer pontos ambíguos. Assim, está escrito, "Além do Jordão, na terra de Moab, começou Moisés a explicar esta Lei” (Deuteronômio 1:5).
Além de receber muitas explicações e detalhes das leis, Moisés também recebeu regras interpretativas para deduzir e interpretar as leis da Torá. Em muitos casos, ele sabia os casos em que seriam aplicadas estas regras. Embora o estudo delas sejam, originalmente, uma parte central da tradição, seus detalhes foram pouco a pouco esquecidos quando as perseguições destruíram as grandes academias.
As leis e detalhes envolvendo ocorrências diárias comuns foram transmitidas diretamente por Moisés. Porém, as leis envolvendo acontecimentos especiais fora do comum foram transmitidas sendo derivadas da escritura pelas regras interpretativas. Caso contrário, existiria o perigo de serem esquecidas.
Leis provenientes da lógica
As leis que Moisés transmitiu diretamente são chamadas de "Leis (transmitidas) por Moisés no Sinai" (halachot le-Moshe MI-Sinai). Estas leis foram preservadas cuidadosamente de geração em geração, e por essa razão, não encontramos nenhuma disputa em relação a elas.
Porém, no caso das leis originárias de regras interpretativas ou lógicas, podem ser encontradas ocasionais disputas. Estas incluem todos os debates no Talmud. Os sábios então tinham a regra, "Se for lei, deve ser aceita. Mas se for interpretativa, pode ser debatida."
As leis recebidas diretamente e aquelas originárias de regras interpretativas são equivalentes em âmbito e importância, e são semelhantes também em número.
Ambas as leis recebidas oralmente e as derivadas pelas regras interpretativas têm as mesmas condições que as leis escritas na Torá, e são consideradas como ordens da Torá (mitzvot de-Oraitá). É somente no que se relaciona a juramentos que há certas diferenciações das leis escritas na Torá.
Todos as leis que foram derivadas da escritura ou da lógica foram formalmente aceitas pelo Sanhedrin. Então, se tornaram parte da Torá Oral e foram transmitidas de geração em geração.
Todos as leis recebidas por Moisés foram transmitidas oralmente de geração em geração e não precisavam de nenhuma prova ou derivação da escritura. Em alguns casos, porém, uma base bíblica ou lógica foram providenciadas para tais leis, de forma que sejam lembradas melhor. Isto foi aplicado especialmente no caso de leis que não eram de conhecimento comum.
Muitos leis orais foram incorporadas na Bíblia pelos trabalhos dos profetas.
D’us também deu a Moisés muitas regras com relação a que situações devem-se decretar novas leis. Por isso, detalhes de leis rabínicas são muitas vezes originárias do Sinai.
Todas as leis eventualmente legisladas pelo Sanhedrin se tornaram parte da tradição oral que foi transmitida de geração em geração.
Transmissão
A Torá Oral foi transmitida pela boca de Moisés para Iehoshuá depois para os Anciões, os Profetas, e a Grande Assembléia. A Grande Assembléia era o Sanhedrin, liderados por Ezra, nos tempos do Segundo Templo, que se encarregou de ordenar a legislação que faria o Judaísmo viável na diáspora.
A Grande Assembléia sistematizou muito da Torá Oral de uma forma que possa ser memorizada pelos alunos. Esta sistematização foi conhecida como a Mishná. Uma razão para este nome era porque se destinava a ser revisada (shaná) repetidas vezes até ser memorizada. A palavra também denota que a Mishná foi secundária (sheni) à Torá Escrita.
Era uma exigência que a tradição oral fosse transmitida oralmente, exatamente como foi ensinada. Os sábios que ensinaram esta primeira Mishná foram conhecidos como Tannaim, Tanná no singular. Esta palavra vem da palavra de origem aramaica tanna, equivalente ao hebreu shaná, que significa "repetir."
Embora a Torá Oral tivesse que ser transmitida oralmente, era permitido manter registros pessoais. Então, muitas pessoas escreviam anotações pessoais do que era ensinado nas academias. O que de fato foi verdadeiro para os ensinamentos que não eram revisados freqüentemente. Muitos também acrescentavam anotações nas margens dos pergaminhos bíblicos em que costumavam estudar.
Igualmente, os líderes das academias mantinham notas escritas com a finalidade de preservar as tradições com precisão. Porém, já que nenhuma destas anotações foram publicadas, ficaram conhecidas como "pergaminhos escondidos" (megillot setarim).
Durante as gerações seguintes a Grande Assembléia, a Mishná se desenvolveu num de estudo para os alunos memorizarem-na. Este foi expandido pela nova legislação e lei. O que foi conhecido como a "primeira Mishná" (Mishná Rishoná).
Quando as controvérsias começaram a surgir, variações nas Mishnás dos variados mestres começaram a surgir também. Ao mesmo tempo, a ordem da Mishná foi melhorada, especialmente pelo Rabi Akiva (1-121 A.C). Certas partes da Mishná foram colocadas em sua forma atual.
Porém, até aquele momento nenhuma parte da Torá Oral tinha sido publicada. As únicas exceções foram alguns trabalhos menores como o Pergaminho dos Jejuns (Megillat Taanit).
A Mishná do Rabino Yehudá
A redação final e mais precisa da Mishná foi feita pelo Rabino Yehudá, o Príncipe. É a Mishná que temos hoje em dia, como parte do Talmud. O trabalho foi completado em 3948 (188 Era Comun)
A Mishná consiste de seis sequências, incluindo 63 tratados.
Ao compilar seu trabalho, o Rabino Yehudá usou a Mishná anterior resumindo-a e decidindo entre as variadas questões argumentadas. Os sábios de seu tempo concordaram com suas decisões e ratificaram sua edição. Mesmo as opiniões rejeitadas foram incluídas no texto, para que fossem reconhecidas e não revividas nas gerações posteriores.
Há uma dúvida em relação a quando a Mishná foi escrita. Algumas autoridades mantêm a opinião de que foi o próprio Rabino Yehudá quem a publicou. Já de acordo com outras autoridades, porém, esta foi ainda mantida oralmente pelas gerações seguintes.
Uma tradição diz que se houver algum perigo da Torá Oral ser esquecida, poderá ser escrita. Como está escrito nos Salmos: "É chegado o tempo da intervenção do Eterno, pois eles infringiram Tua lei”(Salmos 119:126). O que significa que se há algum perigo da Torá ser abandonada ou esquecida, está em tempo de trabalhar para D’us e remediar a situação...
Desde que a tradição exige que a Torá Oral fosse escrita sob certas condições, os mandamentos para escrever um pergaminho da Torá hoje incluem a obrigação de escrever ou obter livros da Mishná e do Talmud que contenham a Torá Oral.
Além da Mishná, outros volumes foram compilados pelos alunos do Rabino Yehudá durante este período. Estes incluem a Toseftá que segue a seqüência da Mishná, como também o comentário de Mechiltá em Êxodo, a Sifrá em Levítico, e o Sifri em Números e Deuteronômio. Os trabalhos compilados fora da escola do Rabino Yehudá recebem o nome de Baraitá. Pouco tempo depois, o Talmud de Jerusalém (Talmud Yerushalmi) foi compilado pelo Rabino Yochanan.
O Talmud
Antigamente, o costume era, primeiramente, que os alunos memorizassem os fundamentos da Torá Oral, e depois, analisassem cuidadosamente seus estudos. Durante o período precedente ao Rabino Yehudá, as leis memorizadas evoluíram na Mishná, enquanto a análise evoluiu numa segunda disciplina conhecida como Gemará. Depois que a Mishná foi compilada, estas discussões continuaram, tornando-se muito importantes para elucidar a Mishná.
A Gemará progrediu oralmente por uns 300 anos seguindo a redação da Mishná. Finalmente, quando entrou em perigo de ser esquecida e perdida, o Rav Ashi (352-427 Era Comum), juntamente com sua escola na Babilônia se encarregou de reunir todas estas discussões e colocá-las em ordem. Rav Ashi passou a maior parte de sua vida neste projeto junto com seu colega Ravina. Depois de sua morte, seu filho, Mar bar Rav Ashi (Tavyomi) continuou seu trabalho com Meremar. O Talmud babilônico (Talmud Bavli), como é chamado, foi publicado no ano 4265 (505 Era Comum).
O Talmud babilônico concluiu 37 dos 63 tratos da Mishná. Seu principal propósito era esclarecer a Mishná, estabelecer opiniões que se ligavam, fornecer derivações para as leis, discutir a legislação mais antiga e fornecer sermões e histórias para realçar as discussões.
Havia um total de 40 gerações, compreendendo 1,817 anos, desde Moisés até a redação final do Talmud.
O Talmud babilônico foi aceito por todo Israel como a autoridade final em todas as questões de religião e lei. Todas as codificações subsequentes da lei da Torá se conectam desde de que estejam baseadas no Talmud. Opor-se a qualquer ensinamento do Talmud é se opor a D’us e a Sua Torá

Tudo Sobre o Mashiach "Messias"

Tudo sobre o Messias
Rabino


Descendente do Rei David, ele profetizará uma era de paz mundial.
O Messias será um normal, nascido de pais humanos. Consequentemente, é possível que até já tenha nascido.
Semelhante mente, o Messias será mortal. Finalmente, morrerá e deixará seu reino como herança para seu filho ou sucessor.
A tradição menciona que este será um descendente direto do Rei David, filho de Jesse, como está escrito, "Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes um ." (Isaías 11:1). Da mesma forma, em nossas orações, pedimos, "que o filho de David floresça," e "que a memória de Mashiach surja... perante você." Existem inúmeras famílias judias hoje que podem traçar sua descendência diretamente ao Rei David.
O Messias será o maior líder e gênio político que o mundo já viu. E, igualmente será o homem mais sábio que já existiu. Usará seus talentos extraordinários para precipitar uma revolução mundial que trará a justiça social perfeita para a humanidade, e influenciará todas as pessoas a servirem a D’us com coração puro.
O Messias também alcançara a profecia e se tornará o maior profeta da história, somente para Moisés.
Qualidades especiais
O profeta Isaías descreveu seis qualidades com as quais o Messias será santificado: "o espírito do D’us descansará nele, (1) o espírito de sabedoria e (2) compreensão, (3) o espírito do aconselhamento e (4) grandeza, (5) o espírito do conhecimento e (6) o temor a D’us" (Isaías 11:2). Em todas estas qualidades, o Messias superará qualquer outro ser humano.

O Messias não se deixará iludir pela falsidade e hipocrisia deste mundo. Terá o poder para entender o espírito da pessoa, conhecendo assim, seu registro espiritual completo podendo então julgar se é culpado ou não. Com relação a este poder, está escrito, "Deleitará-se pelo temor a D’us; não julgará pelo que seus olhos vêem, ou repreenderá pelo que seus ouvidos ouvem" (Isaías 11:3). Este é um sinal pelo qual o Messias será reconhecido. Porém, similarmente como o presente da profecia, este poder se desenvolverá gradualmente.
O Messias usará este poder para determinar em qual tribo cada judeu pertence. Então, dividirá a Terra de Israel em heranças terrestres onde cada tribo receberá sua parte. Começará com a tribo de Levi, determinando a legitimidade de cada Cohen e Levi. Com relação a isso o profeta escreve, "Ele purificará as crianças de Levi, e refinará- ouro e prata, para se tornarem portadoras de uma oferenda para D’us com honradez" (Malachi 3:3).
Metas e Missão
A missão do Messias tem seis partes. Sua tarefa principal é fazer com que todo o mundo retorne para D’us e Seus ensinamentos.

Ele também restabelecerá a dinastia real para os descendentes de David.
Ele supervisionará a reconstrução de Jerusalém, inclusive o Terceiro Templo.
Ele juntará o povo judeu na Terra de Israel.
Ele restabelecerá o Sanhedrin, o supremo tribunal religioso e as leis do povo judeu. Esta é uma condição necessária para a reconstrução do Terceiro Templo, como está escrito, "restituirei os teus juízes, como eram antigamente, os teus conselheiros, como no princípio; depois te chamarão cidade de justiça, cidade fiel. Sião será redimida pelo direito, e os que se arrependem, pela justiça “(Isaías 1:26-27). Este Sanhedrin também poderá reconhecer formalmente o Messias como rei de Israel.
Ele restabelecerá o sistema sacrifícios, como também as práticas do Ano Sabático (Shmitá) e o Ano Jubileu (Iovel).
Portanto, como Maimonides declara, "Se surgir um governador da família de David, submerso em Torá e em seus Mandamentos como David e seu antepassado, que siga tanto a Torá Escrita como a Oral, que conduza Israel de volta a Torá, fortalecendo a observância de suas leis e lutando em batalhas por D’us, então podemos assumir que ele é o Messias. E se for bem sucedido na reconstrução do Templo em seu local original e juntar o povo dispersado de Israel, sua identidade como Messias passa a ser uma certeza."
Influência mundial
Assim como os poderes do Messias se desenvolverão, sua fama também o fará. O mundo começará a reconhecer sua profunda sabedoria e virá buscar seu conselho. Portanto, ensinará toda a humanidade a viver em paz e seguir os ensinamentos de D’us. Os profetas, deste modo, prenunciam, "Nos últimos dias acontecerá que o monte da casa do Eterno será estabelecido no cume dos montes, e se elevará sobre os outeiros, e para ele afluirão todos os povos. Irão muitas nações, e dirão: Vinde e subamos ao monte do Eterno, e à casa de D’us de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos e andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e as palavras do Eterno de Jerusalém. Ele (o Messias) julgará entre os povos e corrigirá muitas nações; estes converterão as suas espadas em relhas de arados, e suas lanças em podadeira: uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra." (Isaías 2:2-4, Miquéias 4:1-3)

Na Era Messiânica muitas pessoas não-judias se sentirão compelidas a se converter ao Judaísmo como o profeta prenuncia, “Darei a todas as pessoas uma língua pura, para que possam chamar o nome de D’us, e todos possam servi-Lo de uma só forma” (Zacarias 3:9). Uma vez que o Messias se revele, todavia, convertidos não serão aceitos.
Ainda, Jerusalém se tornará o centro de adoração e instrução para toda humanidade. Deste modo D’us disse a Seu profeta, "Voltarei para Sião, e habitarei no meio de Jerusalém; Jerusalém se chamará cidade fiel; e o monte do Eterno, monte santo " (Zacarias 8:3).
Então começará o período em que os ensinamentos de D’us serão supremos sobre toda humanidade, como está escrito, "O Eterno reinará no monte Sião e em Jerusalém; perante os seus anciãos (ele revelará sua) glória " (Isaías 24:23). Todas as pessoas virão para Jerusalém buscando D’us. O profeta Zacarias descreve este fato graficamente quando diz, "Virão muitos povos, e poderosas nações buscar em Jerusalém o Eterno e suplicar a Seu favor...naquele dia sucederá que pegarão dez homens, de todas as línguas das nações, pegarão, sim, na orla da veste de um judeu, e lhe dirão: Iremos convosco, porque temos ouvido que D’us está convosco." (Zacarias 8:22-23).
Em Jerusalém, o povo judeu será estabelecido como professores espirituais e morais de toda humanidade. Naquele tempo, Jerusalém se tornará a capital espiritual do mundo.
Na Era Messiânica, todas as pessoas acreditarão em D’us e proclamarão Sua Unidade. Desta forma, diz o profeta, "O Eterno será rei sobre toda terra; naquele dia um só será o Eterno, e um só será seu nome.”(Zacarias 14:9).
Paz e Harmonia.
Na Era Messiânica, inveja e competições pararão de existir, e no lugar delas haverá abundância de coisas boas e todos os tipos de gentilezas serão tão normais quanto a poeira. Os homens não travarão ou se prepararão para guerra, como o profeta prenuncia, ". Uma Nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.” (Isaías 2:4).

Na Era Messiânica, todas as nações viverão pacificamente juntas. Semelhante mente, pessoas de todas os níveis viverão juntas em harmonia. O profeta comenta este fato alegoricamente quando diz, "O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi.” (Isaías 11:6-7).
Embora o Messias influencie e ensine toda humanidade, sua missão principal será trazer o povo judeu a D’us. Deste modo, o profeta diz, "Porque os filhos de Israel ficarão por muitos dias sem rei, sem príncipe, sem sacrifício, sem coluna, sem estola sacerdotal ou ídolos do lar. Depois tornarão os filhos de Israel e buscarão ao Eterno seu D’us, e a Davi, seu rei; e nos últimos dias, tremendo se aproximarão do Eterno e de sua bondade" (Oséias 3:4-5). Igualmente lemos, "O meu servo Davi reinará sobre eles; todos eles terão um só pastor, andarão nos meus juízos, guardarão os meus estatutos e os observarão.” (Ezequiel 37:24).
Ao passo que a sociedade avança em direção a perfeição e o mundo se torna cada vez mais religioso, a principal ocupação da humanidade será conhecer a D’us. A verdade será revelada e o mundo inteiro reconhecerá que a Torá é o verdadeiro ensinamento de D’us. É o que o profeta quer dizer quando escreve, "...a terra se encherá de conhecimento do Eterno, como as águas cobrem o mar” (Isaías 11:9). Da mesma forma, toda a humanidade atingirá os níveis mais altos de Inspiração Divina sem qualquer dificuldade.
Embora o homem ainda tenha o livre arbítrio na Idade Messiânica, ele terá todo o incentivo para fazer o bem e seguir os ensinamentos de D’us. Será como se o poder do mal estivesse totalmente aniquilado. É o que o profeta prenuncia, "porque está é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Eterno. Na mente lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei...não ensinará jamais cada um ao seu irmão dizendo: conheça D’us, porque todos Me conhecerão, desde o menor até o maior deles” (Jeremias 31:33-34).
O profeta também diz em nome de D’us, "Darei vos um coração novo, e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne” (Ezequiel 36:26), ou seja, a inclinação em direção ao bem estará tão fortalecida no homem que este não seguirá suas tentações físicas. Pelo contrário, irá constantemente se fortalecer espiritualmente e andará em direção a servir a D’us e seguir Sua Torá. Este é o significado da promessa da Torá: "E abrirá o Eterno, teu D’us, teu coração e o coração de tua descendência, para amares ao Eterno, teu D’us, com todo o coração e com toda tua alma, para que vivas” (Deuteronômio. 30:6).
Prática religiosa
O Messias não mudará nossa religião de forma alguma. Todos os mandamentos vão estar ligados à Era Messiânica. Nada será adicionado ou extraído da Torá.

Há uma opinião que diz que os únicos livros da Bíblia que serão regularmente estudados na Era Messiânica são os Cinco Livros de Moisés (o Pentateuco) e o Livro de Ester (Meguilat Ester). A razão para isto é que todos os outros ensinamentos dos profetas são derivados da Torá, e já que o Messias revelará todos os significados da Torá à perfeição, a escrita profética não será mais necessária.
O sistema de sacrifícios será restabelecido na Era Messiânica. Porém, só será aceito o sacrifício de ação de graças, pois já que o coração do homem será circuncidado o desejo de pecar não mais existirá e os sacrifícios que serviam para se reconciliar e reparar o erro não serão necessários. Consequentemente as únicas rezas que existirão serão as de ação de graças.
Nossos profetas e sábios não anseiam pela Era Messiânica para que possam mandar no mundo e dominar a humanidade. Também não desejam que as nações os honre, ou que possam ser capazes de comer, beber e serem felizes. Só desejam uma coisa: estarem livres para poderem se envolver com a Torá e sua sabedoria. Não querem que nada os atrapalhe ou distraia, pois, desta forma podem se empenhar para serem merecedores da vida no Mundo Vindouro.
Do livro: “The Handbook of Jewish Thought” (Vol. 2). Publicado pela Maznaim. Reimpresso com permissão.

sábado, 3 de agosto de 2013

 

As Montanhas Místicas

Uma visão mais profunda

    

A imagem da montanha é a imagem de nossos Patriarcas. Deste ponto inicial da fé em
D’us, o Povo Judeu recebeu sua missão Divina de trazer o conhecimento de D’us a todo o mundo. Nesta apresentação, o Rabi Ginsburgh fala sobre a imagem das duas montanhas na Parashá desta semana e sua conexão intrínseca com a Torá, o Templo, Mashiach e a missão do Povo Judeu de espalhar o conhecimento Divino pelo mundo.

A Parashá Visual

O nome de nossa Parashá é Reê, que significa “Ver”. Depois que o Povo Judeu entrou na Terra de Israel, o primeiro lugar que lhes foi ordenado parar foi na Cidade de Shechem, onde os Cohanim e os Leviim os abençoariam se eles cumprissem a Torá e os amaldiçoariam se eles pecassem. Seis tribos deveriam subir o Monte Guerizim, ao sul de Shechem, para serem abençoadas, e as seis tribos restantes deveriam subir no Monte Eival, ao norte de Shechem, para serem amaldiçoadas.
A benção e a maldição estão visualmente aparentes nas próprias montanhas.
O Monte Guerizim, a montanha da benção, é verde e fresca.
O Monte Eival, a Montanha da Maldição é cinza e árida
Na Cabalá aprendemos que estas duas montanhas representam dois olhos. O Monte Guerizim representa o olho direito da sabedoria, do qual emana a benção pura. O Monte Eival representa o olho esquerdo do entendimento, do qual julgamentos – mesmo julgamentos severos – se manifestam.

A Fonte da Maldição

O fato de que seis tribos permaneceram no Monte Eival significa que havia um elemento positivo na maldição. Em hebraico, a palavra para “maldição” é klalá (kuf, lamed, lamed, hei). A raiz de klalá é kalal (kuf, lamed, lamed) que significa “luz brilhante e resplandecente”, como na expressão nechoshet kalal, “cobre brilhante”. Na sua fonte, uma maldição é uma luz brilhante e resplandecente. Este esplendor pode ser ofuscante, tornando impossível para nós entendê-lo e incorporá-lo em nossas consciências. Mesmo sendo uma maldição o resultado de uma transgressão, não é uma punição ou uma expressão da vingança Divina, D’us o proíba. Em vez disso, a maldição da Torá vem de uma fonte muito elevada, cujo objetivo é purificar as almas daqueles que transgrediram.
Por causa da natureza sublime da maldição, o altar sagrado construído depois da cerimônia nas duas montanhas foi erguido especificamente no Monte Eival, o local mais apropriado ao brilho ofuscante da maldição.
Obviamente, D’us quer que nós apreciemos somente o bem revelado. Para isto, Ele nos deu a Torá e os mandamentos para nos guiar. Em um nível mais profundo, entretanto, a relação entre a benção e a maldição cria um estado de equilíbrio e estabilidade na consciência e alma do Povo Judeu, sendo ambas necessárias.

A Coroa Acima dos Olhos

A porção de Devarim discute o Monte Hermon no norte de Israel. Esta é a primeira montanha que será vista pelo Povo Judeu no retorno a Israel na era Messiânica. O Hermon é uma montanha alta, cujo cume é coberto por neve no inverno. Ele representa o pico da fé no nível superconsciente da coroa da alma judia.
Junto com o Monte Guerizim e o Monte Eival, o Hermon forma um trio com o formato de um triângulo, chamado segolta. O Monte Hermon representa a coroa na alma judaica e está no pico do triângulo. Ele pode ser percebido como o terceiro olho no meio da testa, que pode antever a coroa. O Monte Guerizim, representando sabedoria e o olho direito, está no canto direito, enquanto o Monte Eival, representando entendimento e o olho esquerdo, está no canto esquerdo no triângulo.
A imagem das três montanhas também pode ser vista em cores. No topo está o Monte Hermon branco como a neve. À direita, está o Monte Guerizim verde e florescente e, à esquerda, o cinza e árido Monte Eival. Cinza está mais próximo do branco do que o verde, indicando que há aqui um ciclo começando com o Monte Hermon e indo ao Monte Guerizim, ao Monte Eival e retornando, então, ao Monte Hermon.

Matemática “Montanhosa”

Os valores numéricos dos nomes das três montanhas são os seguintes.
  • Hermon = 304
  • Guerizim = 260
  • Eival = 112
Como vimos acima, o Mt. Eival está ligado ao Mt. Hermon. Seu valor combinado é 416, que equivale a 16 vezes 26, o Nome essencial de D’us. O valor do Mt. Guerizim, 260, é 10 vezes 26.
As quatro letras hebraicas do nome essencial de D’us são:
  • Yud = 10
  • Hei = 5
  • Vav = 6
  • Hei = 5
O 10 vezes 26 do Mt. Guerizim corresponde ao yud, que representa sabedoria, enquanto o 16 vezes o nome essencial de D’us , do Hermon e do Eival corresponde às outras três letras. Todas juntas, o valor numérico do trio de montanhas é 676 = 26 vezes 26, o que resulta no nome essencial ao quadrado, o mais perfeito número.

A Série Quadrática

Como os valores numéricos das montanhas decrescem em ordem, eles criam uma série quadrática simples. Uma série quadrática é criada calculando-se as diferenças entre uma determinada série de números.
Nossa série quadrática é assim: (As diferenças entre os números estão em vermelho. As diferenças entre o segundo estágio dos números – a força impulsora – estão em azul).
112
260
304
244
80
148
44
-60
-164
-104
-104
-104
Existem cinco números positivos nesta série: os três números das montanhas, 676, que equivale a 26 ao quadrado, e os dois números adicionados, 244 e 80. 244 mais 80 = 324, que é 8 ao quadrado. 26 ao quadrado mais 18 ao quadrado = 1000, 10 ao cubo.
Esta série quadrática pode ser desenhada como uma parábola, com o pico (304) no topo:
304
260
244
112
80

O Par Perfeito e o Par Amigável

Os valores numéricos desta série nos oferecem outro espantoso fenômeno. A soma do primeiro, terceiro e quinto números (112, 304, 80 – Hermon, Eival, e seu reflexo oculto) equivale a 496, o valor numérico de malchut, “reinado”. O segundo e o quarto números (260 e 244, Guerizim e seu reflexo oculto) equivalem a 504.
O número 496 é um “número perfeito”. Um número perfeito é aquele cujos divisores, fora o próprio número, somam-se até aquele número. O primeiro número perfeito é 1, e o próximo número perfeito é 6, cujos divisores são 1, 2 e 3. A soma de 1, 2 e 3 é 6. O próximo número perfeito é 28, e o seguinte é 496. (O próximo é 8128, seguido por 2096128...).
Outro conceito na Matemática é o de “números amigáveis”. Este é um par de números tal que todos os divisores de um dos números do par equivalem ao outro número, e vice-versa. Até cerca de 100 anos atrás, o único par conhecido de números amigáveis era 220 e 284, que, somados, equivalem, 504. 496 é o valor numérico de livyatan (“Leviatã”, sozinha – perfeita em si mesmo – pois seu macho foi morto no início da criação). Se somarmos um chet a livyatan, temos as palavras livyat chen, “um gracioso par de companheiros”.
Espantosamente, livyat chen equivale a 504. 496 e 504 são os valores numéricos das montanhas, como mostrado acima, que, juntos, equivalem a 1000. Assim, vemos que a origem da maldição (Eival e seu reflexo junto com sua fonte superconsciente – Hermon) está na singularidade do Leviatã, enquanto a fonte da bênção (Guerizim e sua reflexão) é o segredo do “gracioso par de companheiros”.

“Eu Ergo Meus Olhos para as Montanhas”

No Salmos (121:1) está escrito:
Esah Einai el heharim, mayayin yavo ezri
Eu ergo meus olhos às montanhas, de onde minha ajuda virá?
Este versículo alude às duas montanhas Guerizim e Eival. Os Kohanim e os Leviim permaneceram no vale entre os montes Guerizim e Eival, erguendo seus olhos primeiro para a direita depois para a esquerda ao recitarem a benção e maldição.
Em hebraico, a palavra para “de onde” no versículo acima é mayayin. Esta palavra também pode ser entendida como significando “do ayin”, do Nada Divino, a essência oculta do olho (também pronunciado ayin). Quando erguemos nossos olhos físicos aos Céus, atingimos a visão do Nada Divino, que é a fonte de toda ajuda e salvação.
Em Jó (28:12) está escrito:
Vehachochmah mayayin timatze
De onde a chochmá pode ser encontrada?
A Chassidut ilumina este versículo com uma luz mais profunda: Chochmá vem de ayin, do Nada Divino. A Cabalá e a Chassidut explicam que chochmá, representada aqui pelo Monte Guerizim, passa a existir somente quando se une com o entendimento, representado pelo Monte Eival. Mesmo que o Monte Guerizim represente a benção aparente, ele tem uma unidade oculta com a maldição do Monte Eival, que equilibra o segredo da benção.

Monte Moriá

No versículo do Salmo 121 acima, a palavra para “as montanhas” é heharim. Quando as letras de heharim são rearranjadas, elas soletram hamoriá, o Monte do Templo em Jerusalém. A palavra moriá significa “incenso” ou “ensinamento”, aludindo à palavra de D’us ao Povo judeu e a toda humanidade que emana do Templo Sagrado no Monte Moriá (“ensinamento”) e ao serviço e união fundamentais com D’us no Templo Sagrado (“incenso”).
Claramente, Hamoriá equivale a 260, o mesmo valor numérico de Guerizim. De acordo com o princípio de que o esquerdo é incluído dentro do direito, o Monte Eival é incluído dentro do Monte Guerizim. Estes dois números se unem ao Monte Moriá.
Na Cabalá, o Monte Moriá corresponde a ainda outro ponto na configuração geométrica das montanhas. O Hermon é a coroa no topo, o Monte Guerizim e o Monte Eival são os dois olhos da chochmá (“sabedoria”) e biná (“entendimento”) à direita e à esquerda, e o Monte Moriá corresponde a daat (“conhecimento”). A Cabalá ensina que daat é o ponto entre os ombros. O Templo Sagrado de Jerusalém estava situado no vale entre os sopés das montanhas que o circundavam. Esta imagem é chamada daat, o poder que conecta a mente (sabedoria) às emoções do coração (entendimento). Quando algo conecta duas faculdades aparentemente opostas, sua fonte é mais elevada que as faculdades que ela conecta. Assim, a fonte de daat está acima da sabedoria e do entendimento. Ela deriva da coroa do Monte Hermon. A ponta do Monte Moriá reflete a coroa e está situada entre e abaixo do Monte Guerizim e do Monte Eival, diretamente oposta ao Monte Hermon. O Monte Moriá é o cume das três montanhas precedentes.

Monte Sinai

As quatro montanhas mencionadas acima correspondem às sefirot de keter, chochmá, biná e daat. Estas montanhas estão todas na Terra de Israel. Outra montanha que também tem profundo significado para o Povo Judeu é o Monte Sinai, onde D’us nos deu a Torá. O Monte Moriá, que representa a Torá manifestada no mundo, deve se relacionar ao Monte Sinai, onde a Torá nos foi entregue. O valor numérico de Sinai é 130. Este é o mesmo valor de ayin e é a metade de 260, Moriá. A relação do Sinai com Moriá é o profundo segredo cabalístico da metade de um todo.
Nós meditamos sobre cinco montanhas, cuja progressão é da Torá, do Templo, o Mashiach e a missão do Povo Judeu de espalhar o conhecimento Divino pelo mundo.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

DISCUSSÃO TANAÍTICA 1

                             
    SEPHER TESHUVAH YEHUDIM – DISCUSSÕES TANAÍTICAS PARA A TESHUVAH DOS JUDEUS MARRANOS DE ORIGEM SEFARADITA – SEDER CHOCHMAH YEHUDIM – TRATADO TORAH – SHA'AR 1 – DISCUSSÃO TANAÍTICA 1

O modo de viver judaico é muito diferente daquele encontrado em outras culturas, em outros cultos e sociedades religiosas de outras nações, povos e terras, devido à característica principal deste modo de viver religioso não ter surgido historicamente a partir somente de uma única pessoa. Mais do que isto, o modo de viver judaico é caracterizado pela presença de um grande número de artistas, comentaristas, eruditos, estudiosos e sábios judeus que contribuíram para a existência, manutenção, sobrevivência e suporte do modo de viver judaico, o qual, através dos seus cidadãos natos, conseguiu atravessar, evoluir e vencer séculos de domínio, medo, morte e perseguição infligida por autoridades religiosas cristãs. E os ensinamentos provenientes das comunidades, denominações e lideranças religiosas cristãs foi divulgado pelo mundo a partir de um único indivíduo que conseguia obter adeptos, convertidos e discípulos.

Mas apenas o modo de viver judaico foi criado por ADONAI-ELOHIM quando ELE reuniu milhares de hebreus aos pés do MONTE SINAI, situado ao sul da PENÍNSULA DO SINAI, no EGITO. Ocasião esta em que, pela primeira e única vez, ADONAI-ELOHIM SE manifestou e SE revelou diretamente aos FILHOS DE YISRAEL. Esta inédita revelação, que se seguiu ao ÊXODO JUDAICO do EGITO, constituiu um vínculo eterno e inquebrantável entre ADONAI-ELOHIM e os FILHOS DE YISRAEL em todas as gerações até hoje. Este vínculo foi estabelecido materialmente com a entrega, a outorga da TORAH. Assim, a TORAH passou a ser o pilar central do modo de viver judaico, a qual sem ela não haveria JUDAÍSMO. Apesar do significado da palavra hebraica transliterada por TORAH abranger todos os cumprimentos, ensinamentos, estatutos, fundamentos, instruções, juízos, leis, mandamentos, normas, ordenações, preceitos, prescrições e regulamentações do modo de viver judaico registrados na TORAH, esta palavra refere-se precisamente aos CINCO ROLOS DA TORAH que foram entregues e outorgados diretamente, letra por letra, por ADONAI-ELOHIM a MOSHEH BEN AMRAM, do MONTE SINAI.

Os cinco livros que constituem a TORAH são: BERESHIT (NO PRINCÍPIO), SHEMOT (NOMES), VAYIKRA (E CHAMOU), BAMIDBAR (NO DESERTO) e DEVARIM (PALAVRAS). Estes livros compõem a TORAH SHE BICHTAV (TORAH ESCRITA) ou HUMASH. Mas ADONAI-ELOHIM também transmitiu diretamente a MOSHEH BEN AMRAM a TORAH SHE BE'ALPEH (TORAH ORAL), a qual consiste de comentários, discussões, explicações e interpretações dos mandamentos, dos preceitos e das prescrições registradas na TORAH SHE BICHTAV. A palavra hebraica transliterada por TORAH está escrita no plural porque ela se refere tanto à TORAH SHE BICHTAV quanto à TORAH SHE BE'ALPEH. E ADONAI-ELOHIM chama a MOSHEH BEN AMRAM, segundo está escrito [1]:

E o Eterno disse a Moisés: "Sobe a Mim, ao monte, e fica ali; e dar-te-ei as tábuas de pedra, a lei e os mandamentos que escrevi para os ensinar."

Sepher Shemot 24,12

E ADONAI-ELOHIM revelou a TORAH SHE BE'ALPEH, segundo está escrito:

E o Eterno falava a Moisés face a face, como fala um homem com seu companheiro. E voltava para o acampamento, e seu servidor Iehoshúa bin [Josué, filho de] Nun, o moço, não se retirava de dentro da tenda.

Sepher Shemot 33,11

Os ensinamentos judaicos transmitidos por MOSHEH BEN AMRAM aos FILHOS DE YISRAEL através da TORAH SHE BE'ALPEH estão registrados na TORAH SHE BICHTAV, segundo está escrito:

Estes são os estatutos e os juízos e as leis que o Eterno deu entre Si e os filhos de Israel, no monte Sinai, através de Moisés.

Sepher Vayikra 26,46

E o desejo de ADONAI-ELOHIM de revelar a TORAH SHE BE'ALPEH aos FILHOS DE YISRAEL, através de MOSHEH BEN AMRAM, está registrado na referência tanaítica, segundo está escrito:

“Claramente falarei com ele, e com palavras claras, e não com enigmas, e ele contemplará a glória do Eterno; e por que razão não temestes falar contra o Meu servo, contra Moisés?”

Sepher Bamidbar 12,8

As TÁBUAS DE PEDRA são os ASSERET HADIBROT, a LEI HEBRAICA significa a TORAH SHE BICHTAV e os MANDAMENTOS referem-se à TORAH SHE BE'ALPEH. De fato, a TORAH SHE BICHTAV registra inúmeras alusões a TORAH SHE BE'ALPEH, segundo está escrito:

Se estiver longe de ti o lugar que escolher o Eterno, teu Deus, para ali para ali pôr o Seu Nome, poderás degolar do teu gado e do teu rebanho, que o Eterno te deu, como te ordenei, e comer nas tuas cidades com todo o desejo da tua alma.

Sepher Devarim 12,21

Assim, a referência tanaítica SEPHER DEVARIM 12,21 é um exemplo da transmissão oral direta das instruções sobre o abate de animais, apesar de não serem fornecidas explicações para a sua observância KASHER (PERMITIDO). De fato, a maioria dos mandamentos e preceitos não é explicada na TORAH SHE BICHTAV. A MITZVAH de guardar o SHABBATH é um dos ASSERET HADIBROT, mas não há nenhuma instrução sobre o significado de guardar o SHABBATH. Na TORAH SHE BICHTAV são mencionados também outros mandamentos e preceitos tais como a utilização da MEZUZAH (Rolo de pergaminho elaborado por um escriba e que contém o texto manuscrito dos dois primeiros parágrafos do SHEMA, o qual é guardado em um estojo fixado ao batente direito das portas de residências e apartamentos), do TEFILIN (Caixinhas de couro de cor preta que contêm quatro passagens da TORAH contendo o SHEMA, escritas por um escriba, e que são presas com correias de couro ao braço esquerdo e à testa do judeu) e também o cumprimento da celebração das festas judaicas. No entanto, nada disto é comentado, discutido e nem interpretado na TORAH SHE BICHTAV. Mas todas as instruções são encontradas na TORAH SHE BE'ALPEH. Porém, ADONAI-ELOHIM não revelou aos FILHOS DE YISRAEL o conteúdo completo e total de toda a TORAH na forma escrita.

O sábio judeu acharonita sephardi, RABBI ARYEH MOSHEH ELIYAHU KAPLAN (1934 – 1983), ensina que o propósito de ADONAI-ELOHIM foi revelar diretamente a TORAH SHE BE'ALPEH para que ela fôsse transmitida diretamente de sábios judeus para discípulos judeus. Desta forma, caso o discípulo não confiasse plenamente na sua própria interpretação dos textos hebraicos sagrados, ele poderia buscar esclarecimento com o seu mestre. E caso a TORAH fôsse completamente cunhada na forma escrita, os judeus a interpretariam como eles desejassem, e isto causaria brigas, contendas e desavenças no seio dos FILHOS DE YISRAEL. Mas é exatamente isto o que ocorre no meio religioso cristão, o qual é constituído de milhares de comunidades, denominações e lideranças religiosas por onde circulam milhares de traduções bíblicas distorcidas, as quais nem sequer são bem engendradas pelos seus tradutores cujos maiores objetivos são o imenso e volumoso lucro financeiro das vendas destas traduções bíblicas [2,3].

Os Ossos da Matéria

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