terça-feira, 23 de julho de 2013
segunda-feira, 22 de julho de 2013
UM SÓ AMOR
Existem muitos grupos neste mundo – grupos seculares, grupos religiosos e todos os tipos de boas organizações que realizam missões maravilhosas em todo o globo.
Se você já esteve em um evento do Kabbalah Centre, provavelmente reparou que somos um grupo bastante diverso, composto por muitas crenças e caminhos de vida. Ainda assim, apesar disso, existe um incrível senso de união. E o motivo é um conceito especial, conhecido em hebraico como ‘ahavá’, que em português significa amor.
Na Kabbalah, temos um sistema de numerologia, em que cada letra do alfabeto hebraico carrega um valor numérico. Isso significa que as palavras não só possuem significados, mas também têm um valor mensurável. Curiosamente, a palavra ‘ahavá’ possui valor numérico de 13, bem como a palavra ‘echad’, que significa um.
Por que isso é significativo?
Se pensarmos bem, existe apenas um lugar onde podemos experimentar a verdadeira união de ‘ahavá’ : na Luz Divina, que permite que cada um de nós respire a mesma energia que nos concede o direito de finalizar nosso processo no corpo, que foi criado para nossa alma nessa confluência do tempo.
Assim como a luz do Sol precisa do seu recipiente, que é a Lua, da mesma forma precisamos de alguém com quem compartilhar nosso amor. Quando somamos um mais um no amor, obtemos 13 + 13, que somam 26. E vocês sabem o que possui valor numérico de 26? É o que se conhece na Kabbalah como o Tetragrama ou o nome de Deus de quatro letras, que representa o nível mais elevado de espiritualidade.
Logo, quando olhamos nos olhos uns dos outros e um de nós é muçulmano, o outro é cristão e o outro judeu, isso não importa. Entendemos que é a ‘ahavá’, o ‘echad’, que nos une a todos.
Karen Berg
SHABAT: REVELANDO O MISTÉRIO!
SHABAT: REVELANDO O MISTÉRIO!
A mesa do Shabat, altar no judaísmo,
Tem em seus elementos, profundo simbolismo.
E a numerologia, através de sua ciência,
Neles nos revela uma Divina coincidência:
Velas, vinho, pão trançado, peixe e carne pra mistura,
Que partes são do ritual, da mesa da bem-ventura,
Tem em comum a afluência, no número que por excelência,
Aponta para o sétimo dia, da Criação, a grande essência!
CONFIRA:
Vela: Ner = נר
50 - נ
200 - ר
50+200 = 250 = 2+5+0 = 7
Vinho: Iain = יין
10 - י
10 - י
50 - ן
10+10+50 = 70 = 7+ 0 = 7
Pão trançado: Chalá = חלה
8 - ח
30 - ל
5 - ה
8+30+5=43 = 4+3 = 7
Peixe: Dag = דג
4 - ד
3 - ג
4 + 3=7
Bassar: Carne = בשר
2 - ב
300 - ש
200 - ר
2+300+200 = 502 = 5+0+2 = 7
Abs MoreVentura
SEPHER TOSAFOT YEHUDIM 7
SEPHER TOSAFOT YEHUDIM – SUPLEMENTOS TANAÍTICOS PARA A TESHUVAH DOS JUDEUS MARRANOS DE ORIGEM SEFARADITA – TOSEFTA 2 – O JUDAÍSMO MESSIÂNICO – COMENTÁRIO TANAÍTICO 7
Os judeus marranos de origem sefaradita são os judeus especialmente oriundos, sobretudo da ESPANHA e de PORTUGAL, os quais se tornaram conhecidos historicamente como JUDEUS MARRANOS, BNEY ANUSSIM e CRISTÃOS NOVOS porque eles foram coagidos, forçados e obrigados na marra a aceitar a idolátrica fé religiosa cristã católica apostólica romana, mas mesmo assim continuaram a praticar em segredo o modo de viver judaico. Mas, foi a partir do século XVI que o maior contingente de judeus sefaraditas começou a se refugiar em segredo no interior da REGIÃO NORDESTE DO BRASIL. Após a descoberta do BRASIL, no dia 22 de abril do ano de 1500, judeus marranos de origem sefaradita começaram a chegar aos portos brasileiros vindos de PORTUGAL. Durante muitos anos, judeus marranos de origem sefaradita oriundos de PORTUGAL vieram para o BRASIL, fugindo da intolerância das autoridades religiosas cristãs católicas apostólicas romanas que exerciam a TIRANIA DOGMÁTICA em PORTUGAL, alimentavam esperanças de praticar livremente o modo de viver judaico. E mais judeus sefaraditas chegaram ao BRASIL durante a época do domínio holandês, exercido entre os anos de 1624 e 1654, porque as práticas do modo de viver judaico eram toleradas na HOLANDA e, por causa disto, as autoridades governamentais holandesas foram muito bem recebidas pelas comunidades judaicas locais [3].
Mas, entretanto, deve ser lembrado que os judeus marranos de origem sefaradita se comportavam como cristãos católicos apostólicos romanos fora das suas residências apenas, exclusivamente, somente e unicamente para se manterem livres e vivos, mas dentro das suas residências eles se comportavam como judeus autênticos. Porém, há algumas décadas atrás, cristãos pertencentes a várias denominações religiosas cristãs evangélicas e protestantes descobriram, através de pesquisas históricas, que os sobrenomes das suas famílias possuem origens judaicas sefaraditas e, devido a isto, estes cristãos concluíram que eram descendentes de judeus marranos de origem sefaradita. Consequentemente, para que os descendentes de judeus marranos de origem sefaradita retornem hoje às práticas do modo de viver judaico eles devem se comprometer a cumprir, a observar e a praticar os mandamentos, os preceitos e as prescrições registradas na TORAH, e também comentar, discutir e estudar as obras da literatura judaica rabínica sefaradita [4–6].
Mas, entretanto, quando alguém se esforça em tentar se passar por judeu (ou judia) para conseguir celebrar a renovação da promessa de fidelidade ao JUDAÍSMO [quando na realidade ele (ou ela) não será fiel] ou então tentar se passar por judeu (ou judia) para realizar uma falsa conversão judaica ou retorno judaico (visando transmitir discretamente os idolátricos ensinamentos cristãos), então os rabinos devem se recusar a consumar as celebrações judaicas da GERUT (CONVERSÃO) ou da TESHUVAH (RETORNO) e devem se sentir no direito e na obrigação de denunciar os farsantes, visando defender o modo de viver judaico e, sobretudo proteger a dignidade, a honestidade e a sinceridade dos descendentes de judeus marranos de origem sefaradita. Mas quem são estes farsantes que, há muito tempo, se passam por judeus?
Há muitas décadas atrás nenhuma informação era conhecida a respeito de um projeto religioso missionário cristão que estava sendo desenvolvido por autoridades religiosas representantes de várias denominações, lideranças e movimentos cristãos evangélicos e protestantes cujo propósito foi recrutar cristãos evangélicos e protestantes para receberem instrução, orientação e treinamento dos seus líderes espirituais, através dos quais aprenderam a utilizar a literatura judaica e as vestimentas judaicas e, após esta fase de aprendizado, eles se apresentaram aos judeus como ISRAELITAS DO CAMINHO; ISRAELITAS DA NOVA ALIANÇA; JUDEUS DO CAMINHO; JUDEUS EFRAIMITAS; JUDEUS NAZARENOS; JUDEUS DA NOVA ALIANÇA; JUDEUS DA UNIDADE, e etc, incumbidos apenas, exclusivamente, somente e unicamente do trabalho missionário cristão hipócrita, inútil e medíocre de evangelizar judeus. E, para realizarem o inútil trabalho missionário cristão de evangelização de judeus, os missionários cristãos evangélicos e protestantes messiânicos precisaram esconder as suas verdadeiras identidades cristãs para continuarem se apresentando aos judeus como judeus sem serem descobertos, mas esta façanha não durou muito tempo porque os judeus são caracterizados pela desconfiança e pelo alto espírito investigativo [7–9].
domingo, 21 de julho de 2013
SEPHER TOSAFOT YEHUDIM 6
SEPHER
TOSAFOT YEHUDIM – SUPLEMENTOS TANAÍTICOS PARA A TESHUVAH DOS JUDEUS
MARRANOS DE ORIGEM SEFARADITA – TOSEFTA 2 – O JUDAÍSMO MESSIÂNICO –
COMENTÁRIO TANAÍTICO 6
O BNEY ANUSSIM SEPHARAD adverte,
denuncia e informa que em detrimento da ação dos religiosos que se
apresentam, se declaram e se identificam como judeus, mas que na
realidade são missionários cristãos evangélicos e protestantes messiânicos,
cujo medíocre trabalho é evangelizar judeus, induzindo-os a aceitarem a
filiação divina, a messianidade e os ensinamentos de YESHUA NAZARETH,
torna-se necessário, principalmente para os descendentes de judeus
marranos de origem sefaradita, o fornecimento de explicações sobre
YESHUA NAZARETH, sobre o CRISTIANISMO e, sobretudo sobre as intenções
dos missionários cristãos evangélicos e protestantes messiânicos,
informando principalmente os motivos da fortíssima rejeição judaica a
YESHUA NAZARETH, através da identificação de distorções, de fraudes e de
mentiras registradas no NOVO TESTAMENTO, quando elas são confrontadas
diante do TANAKH.
Há algumas décadas atrás, cristãos
pertencentes a várias denominações religiosas cristãs evangélicas e
protestantes descobriram (por elas mesmas e sem a interferência de
terceiros) as suas raízes judaicas. Estes cristãos descobriram, através
de pesquisas históricas, que os sobrenomes das suas famílias possuem
origens judaicas sefaraditas e, devido a isto, estes cristãos concluíram
que eram descendentes de judeus marranos de origem sefaradita (cujos
ancestrais familiares foram coagidos, forçados e obrigados, durante
séculos, a praticar o idolátrico culto religioso cristão católico
apostólico romano). E, a partir desta grande descoberta histórica, eles
decidiram olvidar grandes esforços para retornarem às práticas do modo
de viver judaico. Porém esta descoberta histórica também é um
cumprimento profético, segundo está escrito [1–3]:
Estes
cativos do exército dos filhos de Israel que habitavam com os cananeus,
até Tsorfat, e os cativos de Jerusalém, que habitavam em Sefarad,
possuirão as cidades do Sul.
Sepher Navi Obhadyahu 20
Os judeus sefaraditas foram expulsos da ESPANHA no ano de 1492; foram
expulsos da SICILIA no ano de 1493; e, por fim, eles foram expulsos de
PORTUGAL no ano de 1496, por não aceitarem eles a idolátrica fé
religiosa cristã católica apostólica romana. Mas, infelizmente, os
judeus sefaraditas que decidiram permanecer na ESPANHA e em PORTUGAL
(porque não possuíam recursos financeiros para procurar refúgio seguro
em outros países) foram ameaçados, coagidos e forçados na marra (isto é,
através da força bruta) a abandonar, a abjurar e a desprezar as
práticas do modo de viver judaico, e a aceitar amargamente e com
profunda tristeza a idolátrica fé religiosa cristã católica apostólica
romana. E, devido a isto, os judeus originários de ESPANHA e de PORTUGAL
se tornaram conhecidos historicamente como JUDEUS MARRANOS, BNEY
ANUSSIM (FILHOS DOS FORÇADOS) e, mais tarde, estes judeus tornaram-se
conhecidos também historicamente como CRISTÃOS NOVOS. Mas, felizmente,
os judeus sefaraditas que não decidiram permanecer na ESPANHA e em
PORTUGAL (porque possuíam recursos financeiros para procurar refúgio
seguro em outros países) conseguiram se refugiar na BÉLGICA, na HOLANDA,
em LUXEMBURGO, e em países do NORTE DA ÁFRICA e do ORIENTE MÉDIO [3].
A partir do século XVI, pequenos grupos de judeus marranos de origem
sefaradita conseguiram embarcar em navios e encontraram refúgio seguro
nos países citados acima, nos quais os judeus marranos de origem
sefaradita se misturaram aos judeus sefaraditas que lá já se
encontravam. Assim, torna-se muito difícil distinguir judeus sefaraditas
de judeus marranos de origem sefaradita até porque a maioria deles é
oriunda da PENÍNSULA IBÉRICA e, além disto, ser coagido, forçado e
obrigado a procurar refúgio seguro em outros países também é uma grande
amargura e uma grande tristeza. Mas a palavra MARRANO refere-se apenas,
exclusivamente, somente e unicamente aos judeus sefaraditas que foram
coagidos, ameaçados e obrigados na marra a abandonar, abjurar e
desprezar as práticas do modo de viver judaico, e a aceitar amargamente e
com profunda tristeza a idolátrica fé religiosa cristã católica
apostólica romana, mas os judeus marranos de origem sefaradita
continuaram a praticar, em segredo, o modo de viver judaico [1–3].
sexta-feira, 19 de julho de 2013
O que Acontece quando Morremos?
Por Shlomo Yaffe e Yanki Tauber
Uma das crenças fundamentais do Judaísmo é que a vida não começa com o nascimento nem termina com a morte. Isso está articulado no versículo em Cohêlet (Eclesiastes): "E o pó retorna à terra como era, e o espírito retorna a D'us, que o deu."1
O Rebe enfatizava que uma lei básica da Física (conhecida como a Primeira Lei da Termodinâmica) é que nenhuma energia jamais é "perdida" ou destruída; apenas assume outra forma. Se este é o caso com a energia física, muito mais com uma entidade espiritual como a alma, cuja existência não está limitada ao tempo e espaço nem a qualquer um dos delineadores do estado físico.
Certamente, a energia espiritual que no ser humano é a fonte de visão e audição, emoção e intelecto, vontade e consciência não deixa de existir meramente porque o corpo físico deixou de funcionar; ao contrário, passa de uma forma de existência (vida física expressa e atuante via corpo) a uma forma mais elevada, exclusivamente espiritual, de existência.
Embora haja numerosas estações na jornada de uma alma, estas podem ser geralmente agrupadas em quatro fases gerais:
A existência totalmente espiritual da alma antes de entrar no corpo
A vida física
A vida pós-física no Gan Eden
O Mundo Vindouro (Olam Habá), que se segue à Ressurreição dos Mortos.
O que são estas quatro fases e por que são todas necessárias?
Ver ou não ver:
O Paradoxo do Livre Arbítrio
Como é discutido amplamente no ensinamento chassídico,2 o supremo propósito da alma é cumprido durante o tempo que passa neste mundo físico, tornando este mundo "uma morada para D'us", encontrando e expressando a Divindade na vida cotidiana pelo cumprimento das mitsvot.
Porém, para que nossas ações neste mundo tenham um verdadeiro significado, devem ser produto de nosso livre arbítrio. Se quisermos experimentar o poder e a beleza da Divina presença que trazemos ao mundo com nossas mitsvot, devemos sempre escolher o que é certo e assim perder nossa autonomia. O óbvio se torna robótico. Nossos feitos não seriam nossos, assim como não é "um feito" fazermos três refeições ao dia ou evitar pular dentro de uma fogueira.
Portanto, este estágio crucial de nossa existência é vivido sob as condições de um blecaute espiritual quase completo: num mundo em que a realidade Divina está oculta, no qual nosso propósito na vida não é óbvio; um mundo no qual "todos os seus assuntos são severos e o mal e os perversos prevalecem".3
Por outro lado, no entanto, como seria possível descobrir a bondade e a verdade sob estas condições? Se a alma é atirada num mundo tão sem D'us e cortada de todo o conhecimento do Divino, de que maneira ela poderia descobrir o caminho da verdade?
É por isso que a alma existe num estado puramente espiritual antes de descer a este mundo. Em sua existência pré-física, a alma está fortalecida com a Divina sabedoria, conhecimento e visão que a habilitará para a sua luta para transcender e transformar a realidade física.
Nas palavras do Talmud: "O feto no útero da mãe aprende toda a Torá… Quando chega a hora de emergir na atmosfera deste mundo, vem um anjo e lhe dá um tapinha na boca, fazendo-o esquecer tudo."4
Uma pergunta óbvia: Se somos ordenados a esquecer tudo, então por que nos ensinar? Mas aqui está todo o paradoxo do conhecimento e opção: não podemos ver a verdade, nem sequer podemos conhecê-la abertamente, mas ao mesmo tempo nós a conhecemos, dentro de nós. Bem lá no fundo podemos preferir ignorá-la, mas também lá no fundo, onde quer que estejamos e o que quer que nos tornemos, sempre podemos escolher desenterrá-la. Isto, em última análise, é opção; nossa escolha entre perseguir o conhecimento implantado em nossa alma ou suprimi-lo.
A exclusividade mútua da conquista e recompensa
Assim está montado o cenário para a Fase II: os testes, sofrimentos e tribulações da vida física. As características do físico – o fato de ser finito, opaco, preocupado consigo mesmo, sua tendência a ocultar o que está por trás dele – formam um pesado véu que obscurece praticamente todo o conhecimento e lembrança de nossa fonte Divina. E mesmo assim, lá no fundo sabemos diferenciar o certo do errado. De alguma forma, sabemos que a vida é significativa, que estamos aqui para cumprir o propósito Divino; de alguma forma, quando confrontados com uma opção entre uma ação Divina e uma não-Divina, sabemos a diferença. O conhecimento é tênue – uma lembrança nublada, subconsciente, de um estado espiritual anterior. Podemos silenciá-lo ou amplificá-lo – a opção é nossa.
Tudo que é físico é, por definição, finito; de fato, é isso que o torna uma ocultação da infinitude do Divino. Intrínseco na vida física está o fato de que é finita: ela termina. Uma vez que tenha terminado – e nossa alma está livre da sua incorporação física – não podemos mais realizar e cumprir. Mas agora, finalmente, podemos contemplar e extrair satisfação daquilo que realizamos.
As duas são mutuamente exclusivas; a realização impede a satisfação, a satisfação impede a realização. A realização somente pode ocorrer na cegueira espiritual do mundo físico; a satisfação somente pode ocorrer no ambiente sem escolha da realidade espiritual.
O Talmud cita o versículo: "Cumprirás esta mitsvá, os decretos e as leis que Eu te ordeno hoje cumprir."5 "Cumpri-los hoje" – explica o Talmud – "mas não fazê-los amanhã. Fazê-los hoje, e amanhã receber a recompensa."6 A Ética dos Pais explica dessa maneira: "Um único momento de arrependimento e boas ações nesse mundo é maior que tudo no Mundo Vindouro. E um único momento de felicidade no Mundo Vindouro vale mais que tudo neste mundo."7
É como se passássemos cem anos assistindo a uma orquestra tocar uma sinfonia na televisão – com o som desligado. Observamos os movimentos da mão do maestro e os músicos. Às vezes perguntamos: por que as pessoas na tela estão fazendo estranhos movimentos sem nenhum objetivo? Às vezes entendemos que uma grande sinfonia estava sendo tocada, mas não ouvimos uma única nota. Após cem anos assistindo em silêncio, assistimos de novo – desta vez com o som ligado.
A orquestra somos nós mesmos, e a música – bem ou mal interpretada – são os atos de nossa vida.
O que é céu e inferno?
Céu e inferno é onde a alma recebe sua punição e recompensa depois da morte. Sim, o Judaísmo acredita, e fontes judaicas tradicionais discutem extensivamente a punição e recompensa após a vida (na verdade, este é um dos "Treze Princípios" do Judaísmo enumerados por Maimônides). Porém são um "céu" e "inferno" diferentes daqueles descritos nos textos cristãos medievais ou nos cartoons dos jornais. O céu não é um lugar de halos e harpas, nem o inferno está povoado por aquelas criaturas vermelhas com tridentes. Após a morte, a alma retorna à sua fonte Divina, juntamente com toda a Divindade que "extraiu" do mundo físico usando-o para fins significativos. A alma agora revive suas experiências em um outro plano, e experimenta o bem que realizou durante seu tempo de vida física como felicidade e prazer incríveis, e o negativo como incrivelmente doloroso.
O prazer e a dor não são recompensa e punição no sentido convencional – no sentido que podemos punir um criminoso enviando-o para a prisão ou recompensando um funcionário dedicado com um aumento. É aquilo que passamos em nossa própria vida em sua realidade – uma realidade da qual estivemos abrigados durante nossa vida física. Experimentamos a verdadeira importância e efeito de nossas ações. Aumentar o volume daquela TV que mostra a orquestra sinfônica pode ser agradável ou intensamente doloroso,8 dependendo de como tocamos a música de nossa vida.
Quando a alma deixa o corpo, fica perante a Corte Celestial para fazer uma "avaliação e prestar contas" de sua vida terrena.9 Porém a Corte Celestial faz apenas a "contabilidade"; a parte da "avaliação" somente a própria alma pode fazer.10 Somente a alma pode julgar a si mesma – pode sentir e conhecer a verdadeira extensão daquilo que realizou, ou negligenciou em realizar no decorrer de sua vida física. Libertada das limitações e ocultação do seu estado físico, pode agora ver a Divindade; pode olhar sua própria vida em retrospecto e ver como foi realmente. A vivência da Divindade por parte da alma é trazida ao mundo com suas mitsvot e ações positivas no requintado prazer do Gan Eden; sua experiência da destruição forjada pelos seus lapsos e transgressões é a dor insuportável do Guehinon (Purgatório).
A verdade dói. A verdade também purifica e cura. A dor espiritual do Guehinon – o sofrimento da alma ao enfrentar a verdade da sua vida – purifica e cura a alma das manchas e falhas que seus erros provocaram nela. Livre desta camada de negatividade, a alma agora está apta a apreciar realmente o imenso bem que sua vida engendrou e "banhar-se na radiância Divina" emitida pela Divindade que trouxe ao mundo.
Sim, uma alma Divina espalha muito mais bem que mal durante sua vida. O âmago da alma é feito de bondade; o bem que realizamos é infinito, o mal apenas superficial. Portanto, até a mais perversa das almas, dizem nossos Sábios, passa, no máximo, doze meses no Guehinon, seguidos por uma eternidade no céu. Além disso, a passagem da alma pelo Guehinon pode ser mitigada pela ação de seus filhos e entes queridos aqui na terra. Recitar o Kadish e fazer outras boas ações "pelo mérito de" e "para elevação da alma" que se foi significa que a alma, na verdade, está continuando a atuar positivamente sobre o mundo físico, dessa maneira acrescentando à bondade da sua vida física.11
A alma, por sua vez, permanece envolvida na vida daqueles que deixou para trás quando partiu da vida física. A alma da mãe ou pai continua a vigiar a vida dos seus filhos e netos, para sentir orgulho (ou sofrer) com seus atos e realizações, e para interceder por eles perante o Trono Celestial; o mesmo se aplica àqueles com quem a alma estava conectada com laços de amor, amizade e comunidade. Na verdade, como a alma não está mais restrita pelas limitações do estado físico, seu relacionamento com os entes queridos é, de muitas maneiras, ainda mais profundo e significativo que antes.
No entanto, embora a alma esteja consciente de tudo que transpira na vida dos seus entes queridos, as almas que permanecem no mundo físico estão limitadas àquilo que podem perceber através dos cinco sentidos do corpo físico. Somente podemos causar impacto na alma de um ente querido que se foi por meio de nossas ações positivas, mas não podemos nos comunicar com ela por meios convencionais (fala, visão, contato físico, etc.) que, antes do seu passamento, definia a maneira de nos relacionarmos uns com os outros. (De fato, a Torá proíbe expressamente as práticas idólatras da necromancia, mediunidade e tentativas similares de "fazer contato" com o mundo dos mortos.) Por isso a ocorrência da morte, embora signifique uma elevação para a alma de quem parte, é sentida como uma trágica perda para aqueles que aqui ficam.
Reencarnação:
Uma segunda chance
Cada alma individual é enviada ao mundo físico com sua própria missão individualizada para cumprir. Como judeus, todos temos a mesma Torá com as mesmas 613 mitsvot, mas cada um de nós tem seu próprio conjunto de desafios, talentos e capacidades, e mitsvot específicas que formam o cerne de sua missão na vida.
Às vezes, a alma talvez não conclua sua missão numa única vida. Nestes casos, retorna à terra para "uma segunda vinda" para completar o trabalho. Este é o conceito de guilgul neshamot – comumente chamado de "reencarnação" – extensivamente discutido nos ensinamentos da Cabalá.12 É por isso que com muita freqüência nos sentimos atraídos a uma mistvá ou causa específica, e fazemos dela o foco de nossa vida, dedicando a isso uma parte aparentemente desproporcional de nosso tempo e energia: é nossa alma gravitando ao redor das "peças que faltam" de seu propósito Divinamente ordenado. 13
O Mundo Vindouro
Assim como a alma individual passa através de três estágios – preparação para a sua missão, a missão em si e a fase subseqüente de satisfação pela recompensa – assim, também, o faz a Criação como um todo. Uma cadeia de "mundos" espirituais precede a realidade física, para servi-la como uma fonte de vitalidade Divina. Então vem a era do Olam HaZê (Este Mundo), no qual o Divino propósito da Criação é desempenhado. Finalmente, quando a humanidade como um todo completou sua missão de tornar o mundo físico "uma morada para D'us", vem a era da recompensa universal – O Mundo Vindouro (Olam Habá).
Há uma grande diferença entre o "mundo da recompensa" de uma alma individual no Gan Eden e a recompensa universal no Mundo Vindouro. O Gan Eden é um mundo espiritual, habitado por almas sem corpos físicos; o Mundo Vindouro é um mundo físico, habitado por almas com corpos físicos14 (embora a própria natureza do físico terá de passar por uma transformação fundamental, como se vê abaixo).
No Mundo Vindouro, a realidade física "abrigará" perfeitamente e refletirá a Divina realidade que irá transcender a limitação e a temporalidade que a define hoje. Assim, embora no mundo imperfeito de hoje a alma possa apenas experimentar a "recompensa" depois de partir do corpo e da vida física, no Mundo Vindouro, a alma e o corpo estarão reunidos e juntos apreciarão os frutos de seu trabalho. Assim os profetas de Israel falaram sobre um tempo quando todos que morreram serão restaurados à vida; seus corpos serão regenerados15 e suas almas restauradas aos corpos. "A morte será erradicada para sempre"16 e o mundo estará repleto com o conhecimento de D'us como a água cobre o leito do mar.17
Isso, obviamente, sinalizará o fim da "Era da realização".18 O véu da fisicalidade, rarificado até a completa transparência, não ocultará mais a verdade de D'us, mas sim a expressará e a revelará de maneira ainda mais profunda que a realidade espiritual mais elevada.
A Bondade e a Divindade deixarão de ser algo que fazemos e atingimos, pois será aquilo que somos. Porém nossa experiência de bondade será absoluta. Ambos, corpo e alma, reunidos como estavam antes de serem separados pela morte, habitarão todo o bem que realizamos com nossas ações livremente escolhidas nos desafios e ocultações da vida física.
Notas:
1 – Cohêlet 12:7
2 - Veja: Body: O Mundo Feisico Segundo Rabi Shneur Zalman de Liadi.
3 – Tanya, cap. 6
4 – Talmud. Nidá 30b.
5 – Devarim 7:11.
6 – Talmud, Eruvin 22a.
7 – Ética dos Pais 4:17.
8 – Assim os Sábios falaram sobre um "Gehenna de Fogo" no qual sentimos o "calor" totalmente destrutivo de nossos desejos ilícitos, raiva e ódios; e um "Gehenna de Neve", no qual estamos expostos ao "frio" de nossos momentos de indiferença a D'us e aos nossos semelhantes.
9 – Ética dos Pais 3:1; et al.
10 – Rabi Israel Báal Shem Tov.
11 – É por isso que se dá tanta ênfase à recitação do Kadish e outras ações para elevação da alma de um falecido durante o primeiro ano após sua morte.
12 – De fato, os cabalistas dizem que estes dias – após 6.000 anos de história humana – uma alma "nova" é uma raridade; a esmagadora maioria de nós é de almas reencarnadas, que voltaram à terra para preencher as lacunas de uma vida anterior.
13 – Para ler mais sobre o assunto, veja nossos artigos sobre Reencarnação.
14 – Este é na verdade tema de debate entre dois grandes pensadores judeus e autoridades de Torá, Maimônides e Nachmânides; os ensinamentos da Cabalá e Chassidismo seguem a abordagem de Nachmânides, que vê a suprema recompensa como ocorrendo num mundo de almas incorporadas. Para ler mais sobre isso, veja A Ressurreição dos Mortos.
15 – É interessante saber que muito antes da descoberta da genética e do DNA, o Talmud fala sobre um osso minúsculo e indestrutível do corpo chamado luz, a partir do qual todo o corpo será reconstruido após ter retornado ao pó.
16 – Yeshayáhu 25:8.
17 – Yeshayáhu 11:9.
18 – O Talmud chega a citar o versículo (Cohêlet 12:1): "Haverá anos sobre os quais você dirá: Não tenho desejo neles", e declara" "Isso se refere aos dias da Era Messiânica, na qual não há mérito nem obrigação" (Talmud, Shabat 151b).
Uma das crenças fundamentais do Judaísmo é que a vida não começa com o nascimento nem termina com a morte. Isso está articulado no versículo em Cohêlet (Eclesiastes): "E o pó retorna à terra como era, e o espírito retorna a D'us, que o deu."1
O Rebe enfatizava que uma lei básica da Física (conhecida como a Primeira Lei da Termodinâmica) é que nenhuma energia jamais é "perdida" ou destruída; apenas assume outra forma. Se este é o caso com a energia física, muito mais com uma entidade espiritual como a alma, cuja existência não está limitada ao tempo e espaço nem a qualquer um dos delineadores do estado físico.
Certamente, a energia espiritual que no ser humano é a fonte de visão e audição, emoção e intelecto, vontade e consciência não deixa de existir meramente porque o corpo físico deixou de funcionar; ao contrário, passa de uma forma de existência (vida física expressa e atuante via corpo) a uma forma mais elevada, exclusivamente espiritual, de existência.
Embora haja numerosas estações na jornada de uma alma, estas podem ser geralmente agrupadas em quatro fases gerais:
A existência totalmente espiritual da alma antes de entrar no corpo
A vida física
A vida pós-física no Gan Eden
O Mundo Vindouro (Olam Habá), que se segue à Ressurreição dos Mortos.
O que são estas quatro fases e por que são todas necessárias?
Ver ou não ver:
O Paradoxo do Livre Arbítrio
Como é discutido amplamente no ensinamento chassídico,2 o supremo propósito da alma é cumprido durante o tempo que passa neste mundo físico, tornando este mundo "uma morada para D'us", encontrando e expressando a Divindade na vida cotidiana pelo cumprimento das mitsvot.
Porém, para que nossas ações neste mundo tenham um verdadeiro significado, devem ser produto de nosso livre arbítrio. Se quisermos experimentar o poder e a beleza da Divina presença que trazemos ao mundo com nossas mitsvot, devemos sempre escolher o que é certo e assim perder nossa autonomia. O óbvio se torna robótico. Nossos feitos não seriam nossos, assim como não é "um feito" fazermos três refeições ao dia ou evitar pular dentro de uma fogueira.
Portanto, este estágio crucial de nossa existência é vivido sob as condições de um blecaute espiritual quase completo: num mundo em que a realidade Divina está oculta, no qual nosso propósito na vida não é óbvio; um mundo no qual "todos os seus assuntos são severos e o mal e os perversos prevalecem".3
Por outro lado, no entanto, como seria possível descobrir a bondade e a verdade sob estas condições? Se a alma é atirada num mundo tão sem D'us e cortada de todo o conhecimento do Divino, de que maneira ela poderia descobrir o caminho da verdade?
É por isso que a alma existe num estado puramente espiritual antes de descer a este mundo. Em sua existência pré-física, a alma está fortalecida com a Divina sabedoria, conhecimento e visão que a habilitará para a sua luta para transcender e transformar a realidade física.
Nas palavras do Talmud: "O feto no útero da mãe aprende toda a Torá… Quando chega a hora de emergir na atmosfera deste mundo, vem um anjo e lhe dá um tapinha na boca, fazendo-o esquecer tudo."4
Uma pergunta óbvia: Se somos ordenados a esquecer tudo, então por que nos ensinar? Mas aqui está todo o paradoxo do conhecimento e opção: não podemos ver a verdade, nem sequer podemos conhecê-la abertamente, mas ao mesmo tempo nós a conhecemos, dentro de nós. Bem lá no fundo podemos preferir ignorá-la, mas também lá no fundo, onde quer que estejamos e o que quer que nos tornemos, sempre podemos escolher desenterrá-la. Isto, em última análise, é opção; nossa escolha entre perseguir o conhecimento implantado em nossa alma ou suprimi-lo.
A exclusividade mútua da conquista e recompensa
Assim está montado o cenário para a Fase II: os testes, sofrimentos e tribulações da vida física. As características do físico – o fato de ser finito, opaco, preocupado consigo mesmo, sua tendência a ocultar o que está por trás dele – formam um pesado véu que obscurece praticamente todo o conhecimento e lembrança de nossa fonte Divina. E mesmo assim, lá no fundo sabemos diferenciar o certo do errado. De alguma forma, sabemos que a vida é significativa, que estamos aqui para cumprir o propósito Divino; de alguma forma, quando confrontados com uma opção entre uma ação Divina e uma não-Divina, sabemos a diferença. O conhecimento é tênue – uma lembrança nublada, subconsciente, de um estado espiritual anterior. Podemos silenciá-lo ou amplificá-lo – a opção é nossa.
Tudo que é físico é, por definição, finito; de fato, é isso que o torna uma ocultação da infinitude do Divino. Intrínseco na vida física está o fato de que é finita: ela termina. Uma vez que tenha terminado – e nossa alma está livre da sua incorporação física – não podemos mais realizar e cumprir. Mas agora, finalmente, podemos contemplar e extrair satisfação daquilo que realizamos.
As duas são mutuamente exclusivas; a realização impede a satisfação, a satisfação impede a realização. A realização somente pode ocorrer na cegueira espiritual do mundo físico; a satisfação somente pode ocorrer no ambiente sem escolha da realidade espiritual.
O Talmud cita o versículo: "Cumprirás esta mitsvá, os decretos e as leis que Eu te ordeno hoje cumprir."5 "Cumpri-los hoje" – explica o Talmud – "mas não fazê-los amanhã. Fazê-los hoje, e amanhã receber a recompensa."6 A Ética dos Pais explica dessa maneira: "Um único momento de arrependimento e boas ações nesse mundo é maior que tudo no Mundo Vindouro. E um único momento de felicidade no Mundo Vindouro vale mais que tudo neste mundo."7
É como se passássemos cem anos assistindo a uma orquestra tocar uma sinfonia na televisão – com o som desligado. Observamos os movimentos da mão do maestro e os músicos. Às vezes perguntamos: por que as pessoas na tela estão fazendo estranhos movimentos sem nenhum objetivo? Às vezes entendemos que uma grande sinfonia estava sendo tocada, mas não ouvimos uma única nota. Após cem anos assistindo em silêncio, assistimos de novo – desta vez com o som ligado.
A orquestra somos nós mesmos, e a música – bem ou mal interpretada – são os atos de nossa vida.
O que é céu e inferno?
Céu e inferno é onde a alma recebe sua punição e recompensa depois da morte. Sim, o Judaísmo acredita, e fontes judaicas tradicionais discutem extensivamente a punição e recompensa após a vida (na verdade, este é um dos "Treze Princípios" do Judaísmo enumerados por Maimônides). Porém são um "céu" e "inferno" diferentes daqueles descritos nos textos cristãos medievais ou nos cartoons dos jornais. O céu não é um lugar de halos e harpas, nem o inferno está povoado por aquelas criaturas vermelhas com tridentes. Após a morte, a alma retorna à sua fonte Divina, juntamente com toda a Divindade que "extraiu" do mundo físico usando-o para fins significativos. A alma agora revive suas experiências em um outro plano, e experimenta o bem que realizou durante seu tempo de vida física como felicidade e prazer incríveis, e o negativo como incrivelmente doloroso.
O prazer e a dor não são recompensa e punição no sentido convencional – no sentido que podemos punir um criminoso enviando-o para a prisão ou recompensando um funcionário dedicado com um aumento. É aquilo que passamos em nossa própria vida em sua realidade – uma realidade da qual estivemos abrigados durante nossa vida física. Experimentamos a verdadeira importância e efeito de nossas ações. Aumentar o volume daquela TV que mostra a orquestra sinfônica pode ser agradável ou intensamente doloroso,8 dependendo de como tocamos a música de nossa vida.
Quando a alma deixa o corpo, fica perante a Corte Celestial para fazer uma "avaliação e prestar contas" de sua vida terrena.9 Porém a Corte Celestial faz apenas a "contabilidade"; a parte da "avaliação" somente a própria alma pode fazer.10 Somente a alma pode julgar a si mesma – pode sentir e conhecer a verdadeira extensão daquilo que realizou, ou negligenciou em realizar no decorrer de sua vida física. Libertada das limitações e ocultação do seu estado físico, pode agora ver a Divindade; pode olhar sua própria vida em retrospecto e ver como foi realmente. A vivência da Divindade por parte da alma é trazida ao mundo com suas mitsvot e ações positivas no requintado prazer do Gan Eden; sua experiência da destruição forjada pelos seus lapsos e transgressões é a dor insuportável do Guehinon (Purgatório).
A verdade dói. A verdade também purifica e cura. A dor espiritual do Guehinon – o sofrimento da alma ao enfrentar a verdade da sua vida – purifica e cura a alma das manchas e falhas que seus erros provocaram nela. Livre desta camada de negatividade, a alma agora está apta a apreciar realmente o imenso bem que sua vida engendrou e "banhar-se na radiância Divina" emitida pela Divindade que trouxe ao mundo.
Sim, uma alma Divina espalha muito mais bem que mal durante sua vida. O âmago da alma é feito de bondade; o bem que realizamos é infinito, o mal apenas superficial. Portanto, até a mais perversa das almas, dizem nossos Sábios, passa, no máximo, doze meses no Guehinon, seguidos por uma eternidade no céu. Além disso, a passagem da alma pelo Guehinon pode ser mitigada pela ação de seus filhos e entes queridos aqui na terra. Recitar o Kadish e fazer outras boas ações "pelo mérito de" e "para elevação da alma" que se foi significa que a alma, na verdade, está continuando a atuar positivamente sobre o mundo físico, dessa maneira acrescentando à bondade da sua vida física.11
A alma, por sua vez, permanece envolvida na vida daqueles que deixou para trás quando partiu da vida física. A alma da mãe ou pai continua a vigiar a vida dos seus filhos e netos, para sentir orgulho (ou sofrer) com seus atos e realizações, e para interceder por eles perante o Trono Celestial; o mesmo se aplica àqueles com quem a alma estava conectada com laços de amor, amizade e comunidade. Na verdade, como a alma não está mais restrita pelas limitações do estado físico, seu relacionamento com os entes queridos é, de muitas maneiras, ainda mais profundo e significativo que antes.
No entanto, embora a alma esteja consciente de tudo que transpira na vida dos seus entes queridos, as almas que permanecem no mundo físico estão limitadas àquilo que podem perceber através dos cinco sentidos do corpo físico. Somente podemos causar impacto na alma de um ente querido que se foi por meio de nossas ações positivas, mas não podemos nos comunicar com ela por meios convencionais (fala, visão, contato físico, etc.) que, antes do seu passamento, definia a maneira de nos relacionarmos uns com os outros. (De fato, a Torá proíbe expressamente as práticas idólatras da necromancia, mediunidade e tentativas similares de "fazer contato" com o mundo dos mortos.) Por isso a ocorrência da morte, embora signifique uma elevação para a alma de quem parte, é sentida como uma trágica perda para aqueles que aqui ficam.
Reencarnação:
Uma segunda chance
Cada alma individual é enviada ao mundo físico com sua própria missão individualizada para cumprir. Como judeus, todos temos a mesma Torá com as mesmas 613 mitsvot, mas cada um de nós tem seu próprio conjunto de desafios, talentos e capacidades, e mitsvot específicas que formam o cerne de sua missão na vida.
Às vezes, a alma talvez não conclua sua missão numa única vida. Nestes casos, retorna à terra para "uma segunda vinda" para completar o trabalho. Este é o conceito de guilgul neshamot – comumente chamado de "reencarnação" – extensivamente discutido nos ensinamentos da Cabalá.12 É por isso que com muita freqüência nos sentimos atraídos a uma mistvá ou causa específica, e fazemos dela o foco de nossa vida, dedicando a isso uma parte aparentemente desproporcional de nosso tempo e energia: é nossa alma gravitando ao redor das "peças que faltam" de seu propósito Divinamente ordenado. 13
O Mundo Vindouro
Assim como a alma individual passa através de três estágios – preparação para a sua missão, a missão em si e a fase subseqüente de satisfação pela recompensa – assim, também, o faz a Criação como um todo. Uma cadeia de "mundos" espirituais precede a realidade física, para servi-la como uma fonte de vitalidade Divina. Então vem a era do Olam HaZê (Este Mundo), no qual o Divino propósito da Criação é desempenhado. Finalmente, quando a humanidade como um todo completou sua missão de tornar o mundo físico "uma morada para D'us", vem a era da recompensa universal – O Mundo Vindouro (Olam Habá).
Há uma grande diferença entre o "mundo da recompensa" de uma alma individual no Gan Eden e a recompensa universal no Mundo Vindouro. O Gan Eden é um mundo espiritual, habitado por almas sem corpos físicos; o Mundo Vindouro é um mundo físico, habitado por almas com corpos físicos14 (embora a própria natureza do físico terá de passar por uma transformação fundamental, como se vê abaixo).
No Mundo Vindouro, a realidade física "abrigará" perfeitamente e refletirá a Divina realidade que irá transcender a limitação e a temporalidade que a define hoje. Assim, embora no mundo imperfeito de hoje a alma possa apenas experimentar a "recompensa" depois de partir do corpo e da vida física, no Mundo Vindouro, a alma e o corpo estarão reunidos e juntos apreciarão os frutos de seu trabalho. Assim os profetas de Israel falaram sobre um tempo quando todos que morreram serão restaurados à vida; seus corpos serão regenerados15 e suas almas restauradas aos corpos. "A morte será erradicada para sempre"16 e o mundo estará repleto com o conhecimento de D'us como a água cobre o leito do mar.17
Isso, obviamente, sinalizará o fim da "Era da realização".18 O véu da fisicalidade, rarificado até a completa transparência, não ocultará mais a verdade de D'us, mas sim a expressará e a revelará de maneira ainda mais profunda que a realidade espiritual mais elevada.
A Bondade e a Divindade deixarão de ser algo que fazemos e atingimos, pois será aquilo que somos. Porém nossa experiência de bondade será absoluta. Ambos, corpo e alma, reunidos como estavam antes de serem separados pela morte, habitarão todo o bem que realizamos com nossas ações livremente escolhidas nos desafios e ocultações da vida física.
Notas:
1 – Cohêlet 12:7
2 - Veja: Body: O Mundo Feisico Segundo Rabi Shneur Zalman de Liadi.
3 – Tanya, cap. 6
4 – Talmud. Nidá 30b.
5 – Devarim 7:11.
6 – Talmud, Eruvin 22a.
7 – Ética dos Pais 4:17.
8 – Assim os Sábios falaram sobre um "Gehenna de Fogo" no qual sentimos o "calor" totalmente destrutivo de nossos desejos ilícitos, raiva e ódios; e um "Gehenna de Neve", no qual estamos expostos ao "frio" de nossos momentos de indiferença a D'us e aos nossos semelhantes.
9 – Ética dos Pais 3:1; et al.
10 – Rabi Israel Báal Shem Tov.
11 – É por isso que se dá tanta ênfase à recitação do Kadish e outras ações para elevação da alma de um falecido durante o primeiro ano após sua morte.
12 – De fato, os cabalistas dizem que estes dias – após 6.000 anos de história humana – uma alma "nova" é uma raridade; a esmagadora maioria de nós é de almas reencarnadas, que voltaram à terra para preencher as lacunas de uma vida anterior.
13 – Para ler mais sobre o assunto, veja nossos artigos sobre Reencarnação.
14 – Este é na verdade tema de debate entre dois grandes pensadores judeus e autoridades de Torá, Maimônides e Nachmânides; os ensinamentos da Cabalá e Chassidismo seguem a abordagem de Nachmânides, que vê a suprema recompensa como ocorrendo num mundo de almas incorporadas. Para ler mais sobre isso, veja A Ressurreição dos Mortos.
15 – É interessante saber que muito antes da descoberta da genética e do DNA, o Talmud fala sobre um osso minúsculo e indestrutível do corpo chamado luz, a partir do qual todo o corpo será reconstruido após ter retornado ao pó.
16 – Yeshayáhu 25:8.
17 – Yeshayáhu 11:9.
18 – O Talmud chega a citar o versículo (Cohêlet 12:1): "Haverá anos sobre os quais você dirá: Não tenho desejo neles", e declara" "Isso se refere aos dias da Era Messiânica, na qual não há mérito nem obrigação" (Talmud, Shabat 151b).
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quinta-feira, 18 de julho de 2013
SEPHER TESHUVAH YEHUDIM 46
SEPHER TESHUVAH YEHUDIM – DISCUSSÕES TANAÍTICAS PARA A TESHUVAH DOS JUDEUS MARRANOS DE ORIGEM SEFARADITA – SEDER CHOCHMAH YEHUDIM – TRATADO BERESHIT – SHA'AR 5 – DISCUSSÃO TANAÍTICA 46
O mundo em que o ser humano habita, se desenvolve e evolui não foi o primeiro mundo e nem foi o único mundo a ser criado por ADONAI-ELOHIM, mas apenas, exclusivamente, somente e unicamente ELE, ADONAI-ELOHIM, criou também outros mundos, até o momento em que ELE decidiu criar, segundo a SUA VONTADE, a TERRA e o HOMEM para nele habitar e viver. Diante disto, os descendentes de judeus marranos de origem sefaradita aprendem que os FILHOS DE YISRAEL sempre viverão e poderão narrar a sua história sempre como uma nova criação divina. Este ensinamento judaico está registrado indiretamente nas referências tanaíticas SEPHER BERESHIT 7,1-24 (DILÚVIO); SEPHER BERESHIT 11,1-9 (TORRE DE BABEL); e SEPHER BERESHIT 11,10-25,11 (AVRAHAM BEN TERAH). Visando se apoderar deste ensinamento judaico rabínico, filósofos e teólogos cristãos ensinam que a última criação divina foi o surgimento de YESHUA NAZARETH, o qual através dos seus ensinamentos e da sua crucificação ele foi constituído único herdeiro universal, segundo está escrito [1]:
Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas; Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.
Epístola de Paulo aos Hebreus 1,1-4
No entanto, MOSHEH BEN AMRAM recebeu uma revelação de ADONAI-ELOHIM a respeito dos NEVIIM YISRAEL, os quais surgiriam em auxílio aos FILHOS DE YISRAEL, segundo está escrito:
Profeta do meio de ti, dentre os teus irmãos, como sou eu, o Eterno te fará surgir em todas as gerações; a ele ouvireis.
Sepher Devarim 18,15
E disse-me o Eterno: “Falaram bem no que disseram. Profeta farei surgir do meio de seus irmãos, como tu és; e porei as Minhas palavras em sua boca e ele lhes falará tudo o que Eu lhe ordenar. E qualquer homem que não ouvir as Minhas palavras, que ele falar em Meu Nome, Eu lhe cobrarei. Mas o profeta que propositadamente falar alguma coisa em Meu Nome, que não lhe ordenei falar, ou que falar em nome de outros deuses, este profeta morrerá.” E se disseres no teu coração: ‘Como conheceremos a coisa que o Eterno não falou?’ Quando falar o profeta em Nome do Eterno, e a coisa não se cumprir e não suceder, esta é a coisa que o Eterno não falou; propositadamente a falou o profeta, não o temerás.
Sepher Devarim 18,17-22
Nas referências tanaíticas SEPHER DEVARIM 18,15 e SEPHER DEVARIM 18,17-22, ADONAI-ELOHIM revela que fará surgir NEVIIM no meio judaico, e não que ELE faria surgir alguém referido como FILHO DE ELOHIM, e nem tão pouco ELE prometeu que faria surgir alguém que transmitisse ensinamentos contraditórios, fraudulentos, completamente estranhos àqueles registrados na TORAH [1].
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