OS FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DO JUDAÍSMO ANOUSSITA
Por Asher Ben-Shlomo
Mas vós sereis para Mim um Reino de Sacerdotes e uma Nação Santa. São estas as palavras que tu dirás aos filhos de Israel (Ex 19 : 1-6)
A data bíblica do Êxodo pode ser estimada por 1 Reis 6:1, em que se lê que Salomão começou a construir o Templo no quarto ano de seu reinado, 480 anos depois que os filhos de Israel saíram do Egito. A maioria dos estudiosos da Bíblia estima que o quarto ano do reinado de Salomão foi o ano 967 a.C. Logo a data do Êxodo teria sido 1447 a.C. (967 + 480). No êxodo do Egito encontramos a origem histórica da nação israelense. De acordo com a tradição, o povo dos filhos de Israel, sob a liderança de Moisés, abandonam a terra de Goshen, então sob controle egípcio. Cruzam o mar vermelho, cujas águas engoliram o exército do Faraó que os perseguia e atravessam o deserto do Sinai, no qual permanecem 40 anos, até a conquista de Canaã e e a reconquista da terra de Goshen (Josué 15:51). Sob domínio israelense, o Rei David estabeleceu o seu reino sobre todas as tribos de Israel. Apenas após o estabelecimento do Reino de Judá, à época do Rei Roboão Ben-Shlomo, que surge na nação israelense a identidade judaica, enquanto identidade estatal, desvinculada da identidade israelense própria do Reino de Israel. O exílio imposto sobre os judeus, no ano 70 d.e.C., levou ao desenvolvimento do judaísmo extra-nacional, ou seja, do Judaísmo desvinculado do estado judeu, após o mesmo deixar de existir, em decorrência da destruição de Jerusalém pelo exército romano. Ao longo de 20 séculos, o Judaísmo extra-nacional assumiu a forma do judaísmo religioso, que subdividiu-se em ultra-ortodoxo, ortodoxo, conservativo ou tradicionalista e reformista ou liberal. No judaísmo ultra-ortodoxo e ortodoxo, encontraremos a sub-divisão religiosa entre sefaraditas (espanhóis) e ashkenazitas (alemães). Com o restabelecimento do Estado de Israel, no ano de 1948 d.e.C., o judaísmo extra-nacional assumiu uma perspectiva secular, dando margem ao surgimento do judaísmo humanista. O renascimento da identidade judaica dos anoussitas (descendentes dos judeus perseguidos pela inquisição) e o consequente retorno à prática do judaísmo de seus antepassados, ao qual soma-se o ensejo de integração ao seio da nação israelense, torna necessário a redefinição do judaísmo estatal, originário do Reino de Judá. Entretanto, como o atual estado judeu foi denominado Israel ao invés de Judá, podemos considerar o judaísmo anoussita como expressão do israelismo nacional, considerando-se o moderno Estado de Israel a continuidade nacional do antigo Reino Unido de Israel, estabelecido pelo Rei David. Diante da impossibilidade das diversas correntes do judaísmo religioso reconhecerem a judaicidade dos anoussitas, somente o israelismo nacional, fundamentado no artigo 9 da lei da cidadania de Israel, relacionado com a aquisição da cidadania israelense por direito de concessão, poderá reivindicar o caráter nacional israelense de todo anoussita identificado com o estado judeu, organização jurídica da nação israelense, considerada judaica do ponto de vista cultural-espiritual.
Definição de conceitos :
POVO – O Povo é o conjunto de pessoas que pertencem ao Estado pela relação de cidadania (definição de Giancarlo Ospitali, publicada pelo Ex-Prof. de Direito da Universidade Federal do Ceará Paulo Bonavides, em sua obra Ciência Política, 10a. Edição, 1994, pág. 76, Malheiros Editores).
ESTADO – O Estado é uma comunidade de homens fixada sobre um território próprio e que possui uma organização da qual resulta para o grupo, considerado em suas relações com seus membros, uma potestade superior de ação, de mando e de coerção (definição de Carré de Malberg, publicada pelo Ex-Prof. de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais Silveira Neto, em sua obra Teoria do Estado, 3a. Edição, 1969, pág. 75, Max Limonad Editor).
NAÇÃO – A Nação é uma entidade de direito natural e histórico. Conceitua-se como um conjunto homogêneo de pessoas ligadas entre sí por vínculos permanentes de sangue, idioma, religião, cultura e ideais (definição do Ex-Prof. de Direito da Universidade de São Paulo Sahid Maluf, em sua obra Teoria Geral do Estado, 21a. Edição, pág. 16, Editora Saraiva). ISRAEL – Nome atribuído ao patriarca Jacó e à Comunidade de seus descendentes. Na Torah de Moisés encontraremos a referência a Israel enquanto Povo (Am), Comunidade (Edá) e Nação (Leom ou Goy). Na versão original em hebraico do Livro de Gênesis, Capítulo 27, Versículo 29, Povos (Amim) e Leumim (Nações) correspondem a duas referências atribuídas aos cidadãos do Estado, enquanto Comunidade (Edá).
JUDÁ – Um dos doze filhos de Jacó. Uma das doze tribos de Israel. O antigo Reino de Judá (ou Judéia) incorporou as tribos de Judá e de Benjamin, bem como os Levitas, os Cohanim e os membros das demais tribos de Israel que habitaram no reino judaico.
IDENTIDADE JUDAICA - A identidade judaica pode ser considerada a partir de dois referênciais distintos :
1. Referencial Civil – A cidadania do antigo Reino de Judá, e a cidadania do moderno Estado de Israel.
2. Referencial Religioso – O Judaísmo.
Do ponto de vista Religioso poderíamos alegar que todos os filhos de Israel, desde o período bíblico foram judeus, ainda que, inexista na Torah de Moisés qualquer referência à identidade judaica, que somente veio a ser citada nos últimos capítulos do Primeiro Livro dos Reis, ao tratar da conquista da terra de Judá pelos babilônios e o consequente exílio imposto às classes dominantes do antigo estado judeu.
IDENTIDADE ISRAELENSE - A identidade nacional de Israel, exposta na Torah de Moisés corresponde à identidade israelita ou israelense (do hebraico : israeli), conforme consta em Levítico 24 : 10.
À época de Moisés todos os filhos de Israel eram considerados Israelim, conforme acima elucidado.
Os elementos acima expostos permite-nos chegar às seguintes conclusões :
1. O POVO JUDEU corresponde ao POVO ISRAELENSE. Desta forma, todos os israelenses são judeus do ponto de vista civil, ainda que não o sejam do ponto de vista religioso. Encontraremos atualmente em Israel israelenses de diferentes religiões : judaica, católica, cristã ortodoxa, presbiteriana, drusa, muçulmana, dentre outras.
2. Sendo a cidadania o fundamento de um povo, então não há como conceber a existência do povo sem a existência do próprio Estado. Os judeus constituiam o povo do REINO DE JUDÁ, entre os séculos X e VI a.e.C., cujo território foi incorporado ao império persa no século VI a.e.C., passando a ser denominado ESTADO DA JUDÉIA (em aramaico : Yehud Medinata). Sob o domínio persa, os judeus eram chamados de filhos do Estado (Bnei Ha'Mediná), em relação à Judéia, conforme consta no texto original hebraico em Esdras 2 : 1, e em Nehemias 9 : 6. Desde o ano de 1948 d.e.C. os judeus constituem o povo israelense, com o restabelecimento do Estado de Israel.
3. O principio da lei do retorno, que possibilita a todo judeu e a todo descendente de judeu até a terceira geração paterna ou materna tornar-se cidadão israelense, desde que cumprido o requisito da aliah, representa, de forma incontestável, o reconhecimento de que todos os judeus e todos os descendentes de judeus são israelenses étnicos, independentemente do fator religioso.
4. Podemos, desta forma, concluir que, em decorrência do fato do moderno Estado Judeu ter sido denominado Israel, contemplamos o renascimento da identidade israelense, de forma a caracterizar o moderno ESTADO DE ISRAEL enquanto continuidade nacional do antigo REINO UNIDO DE ISRAEL, fundado pelo Rei Davi.
JUDAÍSMO CIVIL OU ISRAELISMO NACIONAL
Existe atualmente em Israel um anacronismo entre a identidade judaica e a identidade israelense.
A lei do retorno é uma lei paradoxal : de um lado concede a cidadania israelense a todo judeu e a todo descendente de judeu até a terceira geração, e de outro lado, reconhece como judeu somente o filho de mãe judia, ou o convertido.
Existem atualmente, três definições de quem é judeu :
a) A definição estipulada pela lei do retorno, que se baseia na halachá ortodoxa, segundo a qual a judaicidade é definida em base a ascendência materna;
b) A definição estipulada pelo judaísmo caraíta, segundo a qual a judaicidade é definida em base à ascendência paterna;
c) A definição estipulada pelo judaísmo reformista norte-americano, segundo a qual a judaicidade é definida tanto em base à ascendência materna quanto paterna.
Uma grande parte dos emigrantes da Rússia e da Ucrânia são descendentes de judeus somente em base à ascendência paterna.
Os judeus caraítas, que se baseiam na ascendência paterna enquanto fator de definição da judaicidade, têm a respectiva judaicidade garantida por meio de jurisprudência estabelecida pela Suprema Corte de Justiça de Israel, o Bagatz.
Os emigrantes da Rússia e da Ucrânia, que não pertencem à comunidade caraíta, são colocados à margem da sociedade israelense, uma vez que em seus respectivos registros civis figuram como cidadãos israelenses sem religião (aqueles que se identificam com o judaísmo) ou cristãos, e também figuram como cidadãos israelenses de nacionalidade russa ou ucraniana. Somente os que se convertem através do ortodoxismo (cerca de 1%) passam a ser registrados como cidadãos israelenses de religião judaica e de nacionalidade judaica.
O referido paradoxo entre a cidadania (o vínculo jurídico com o estado) e a nacionalidade (através do vínculo jurídico com a religião) impossibilita uma real integração nacional em Israel de todos os judeus, em base às três definições de judaicidade, conforme acima relacionadas.
O judaísmo civil ou israelismo nacional, visará o reconhecimento da judaicidade de todos os israelenses étnicos (judeus de acordo com as três definições acima relacionadas, bem como os anoussitas que retornaram à prática da tradição judaica e que reivindicam a condição de israelenses em base ao direito de concessão da cidadania, a partir do vínculo étnico com o povo de Israel e a identificação nacional com o Estado de Israel). Na prática, encontraremos o princípio de reconhecimento do israelismo em base ao jus sanguinis (ascendência materna ou paterna), em base ao direito de naturalização, e em base ao direito de concessão, estabelecidos pela lei da cidadania, de 1952.
Asher Ben-Shlomo
Membro do Diretório Nacional do Partido Hatikva
Membro do Comitê Executivo da Organização Sionista Mundial
Chefe do Comitê Diretivo do SICA
Superintendente do Instituto Hebraico de Israel
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
rhwzh rpo O livro do zohar
O Livro do Esplendor
O Sefer Ha-Zohar - o Livro do Esplendor - É, sem sombra de dúvida, a obra principal e mais sagrada da Cabalá, a dimensão mística do judaísmo. Fonte inesgotável de sabedoria e conhecimento, seus ensinamentos e revelações se equiparam, em importância, aos da Torá e do Talmud.
De autoria do grande Rabi Shimon bar Yochai, permanece inacessível até os dias de hoje para a grande maioria dos que tentam transpor o mistério que encerra. Quem sabe se por esta razão, ou apesar desta, nenhuma outra obra mística jamais despertou tanta curiosidade e exerceu tão grande influência?
O Zohar é a coluna vertebral da Cabalá, também chamada de Chochmat Ha-Emet - a Sabedoria da Verdade. Na língua hebraica, Cabalá significa "recebimento" ou "o que foi recebido". Por ser parte integral da Torá, tem origem e natureza Divina. Apesar de seus ensinamentos terem sido transmitidos a Adão e aos patriarcas do povo judeu, foi Moisés quem os recebeu diretamente de D'us durante a Revelação no Monte Sinai e os instituiu formalmente como parte da história do povo de Israel. Desde então, esta sabedoria mística vem sendo repassada de geração em geração para uns poucos escolhidos entre os líderes espirituais do povo judeu.
Chamados de Nistarim (literalmente "os ocultos"), os primeiros cabalistas preservaram zelosamente esses ensinamentos, transmitindo-os oralmente às gerações seguintes. Somente no século II da era comum, surgiria no seio de Israel um homem que possuía os dons espirituais e intelectuais que lhe permitiram dar forma a essa sabedoria milenar. Seu nome era Rabi Shimon bar Yochai, uma das personalidades mais reverenciadas na história judaica. A ele coube o Zechut, o honroso mérito de revelar a Luz Divina em todo a sua majestade e esplendor.
Grande líder e um dos maiores sábios talmúdicos, Rabi Shimon viveu em uma época muito conturbada. Durante sua geração, Israel penava sob o jugo romano, tendo que se sujeitar à proibição do estudo da Torá, esta apenas uma entre as inúmeras imposições de Roma. A gravidade da situação levou os mestres da Lei a adotarem medidas excepcionais. Preocupados que a perseguição e a dispersão dos judeus pudessem resultar na perda parcial dos ensinamentos da Torá Oral, os sábios deram seu consentimento para que os fundamentos de seu conteúdo fossem transcritos. Portanto, o Talmud, seus comentários, o Midrash e os ensinamentos cabalísticos começaram a ser compilados e escritos. E foi Rabi Shimon bar Yochai quem estruturou a tradição mística através do Zohar.
No entanto, havia um grande problema na transcrição dos segredos da Cabalá. Os sábios temiam que pessoas sem preparo espiritual tivessem acesso aos segredos da Criação e do Universo. Para evitar que isso acontecesse, O Livro do Esplendor foi escrito de forma praticamente indecifrável para os não iniciados. E a primeira condição para se fazer parte desse grupo pequeno e seleto era possuir um vasto e profundo conhecimento sobre a Torá e sobre a tradição cabalística.
Livro fechado
O Sefer ha'Zohar é um livro fechado e as chaves para sua compreensão permanecem em mãos de um número reduzido de sábios. Esta obra pode ser comparada a um sistema codificado, de extrema complexidade, que esconde tesouros inestimáveis. Rabi Shimon era um daqueles seres pertencentes a um plano espiritual tão elevado que, entre os que estudam a sua obra, são poucos os que conseguem assimilar parte de seus ensinamentos. Não obstante, mesmo com apenas um pouco desse conhecimento, constroem-se montanhas de sabedoria.
Como vimos, para os não iniciados, o Zohar é misterioso e praticamente impenetrável. As dificuldades de compreensão estão presentes em quase todos os níveis da obra. Além da insondável profundidade de seus preceitos, seu estilo literário peculiar e sua dialética dificultam a compreensão. Seus textos, escritos em hebraico, aramaico antigo ou em espanhol (versão muito usada e difundida entre os judeus Sefaradim) estão "codificados", impossibilitando, assim, que pessoas leigas entendam seu significado. Imagens simbólicas são usadas no lugar de uma terminologia racional e tópicos independentes são tratados em conjunto, colocando lado a lado assuntos aparentemente sem relação entre si.
Muitas das passagens do Zohar são compostas por combinações de alusões fragmentadas, que somente podem ser conectadas por associações secretas. Mas, na realidade, as conexões existem e são bastante claras para aqueles que entendem seu simbolismo e significado. Um sábio familiarizado com os segredos místicos da Torá entende perfeitamente seu conteúdo, seu estilo e sua estrutura aparentemente ilógica. Se para os não iniciados muitos de seus ensinamentos carecem de significado, estes mesmos preceitos são, para os que podem decifrá-los, a chave para desvendar os maiores e mais profundos segredos da existência e do Universo.
Apesar de ter sido traduzido para o hebraico moderno e para outros idiomas, os verdadeiros ensinamentos do Sefer Ha-Zohar continuam sendo praticamente incompreensíveis. Mesmo para a maioria dos eruditos na Torá, o Livro do Esplendor continua sendo um enigma. O Talmud e outras obras da lei judaica são acessíveis e compreensíveis; não apenas é permitido o seu estudo, como também é incentivado e é uma obrigação colocar-se em prática os seus ensinamentos. Já o Zohar continua além do alcance intelectual e espiritual da maioria dos judeus - pelo menos por enquanto. Grandes cabalistas sempre alertaram que o privilégio de estudar e entender esta obra era reservado para muito poucos.
O cuidado e o resguardo em relação ao Zohar sempre foram impostos com o propósito de preservar não só a obra, mas também a alma daqueles que se aventurassem a estudá-la. Temia-se que seus ensinamentos e revelações pudessem ser mal interpretados ou usados de forma inadequada. Infelizmente, esses temores se confirmaram no decorrer da história. Houve vários casos de indivíduos e até mesmo de grupos que, após mergulharem nas águas do misticismo judaico sem o preparo adequado, acabaram por se perder. Ainda mais grave: seus ensinamentos místicos foram utilizados por falsos messias e distorcidos por místicos não-judeus e por adeptos da ciência do ocultismo. Os resultados foram catastróficos. Por isso, cabe alertar o leitor que o estudo do Zohar e da Cabalá somente deve ser conduzido na companhia de um professor que, além de instruído, tenha atingido um equilíbrio espiritual e mental; que entenda e siga a Lei Judaica em todos os seus minuciosos pormenores.
Seu conteúdo
O Zohar é fonte de inspiração e sabedoria para os iniciados que ousam adentrar seus segredos. Seus principais focos são a teosofia - a interação das Sefirot e seus mistérios, a conduta humana e o destino dos judeus neste mundo bem como no mundo das almas. São raras as ocasiões em que discute de forma explícita a meditação ou a experiência mística.
Ao penetrar na superfície literal da Torá, O Livro do Esplendor revela as profundezas místicas de suas histórias, leis e segredos. Transforma a narrativa bíblica em uma "biografia de D'us". Toda a Torá é lida como permutações de Nomes Divinos. Cada uma de suas palavras ou de suas Mitzvot simbolizam algum aspecto das Sefirot - que representam as maneiras pelas quais D'us interage com Sua Criação. O Zohar revela que o real significado da Torá reside em sua parte oculta - chamada de Nistar - e em seus segredos místicos.
Mas esta obra grandiosa não trata apenas de assuntos esotéricos e místicos. Não há uma única preocupação sobre a existência humana que permaneça intocada em suas páginas. Apesar da aura de mistério que a cerca, muitos de seus ensinamentos têm servido de guia para várias gerações de judeus. De um lado, o Zohar se aprofunda nos maravilhosos mistérios da alma e do Criador; do outro, aborda assuntos como o poder do mal e a necromancia, proibida pelo judaísmo. Nele encontram-se visões da Redenção Messiânica, assim como soluções para as complexas relações entre seres humanos e os problemas de seu cotidiano.
Alicerçado principalmente na Torá, o Zohar é uma obra imensa, dividida em cinco tomos que são, por sua vez, subdivididos em Parashiot, seguindo o mesmo número e nome das Parashiot da Torá. Trata-se principalmente de uma exegese - uma dissertação de homilias - e suas idéias emergem através de comentários e discursos. Nele estão as interpretações místicas e os comentários das Parashiot - as leituras semanais da Torá. A obra não se restringe aos Cinco Livros de Moisés; também aborda outros livros da Torá, inclusive o Cântico dos Cânticos, o Livro de Ruth e as Lamentações. Não cabe enfatizar em demasia que a Cabalá é a parte secreta da Torá e, portanto, não poderia ser estudada ou seguida à parte da Torá revelada. Acreditar ou estudar a Cabalá sem o respaldo da Torá Escrita e Oral é, no mínimo, incongruente, pois não há um único trabalho cabalístico que não contenha citações dos 24 livros da Torá Escrita, do Talmud e do Midrash.
Assim como o Talmud, o Zohar cobre todas as manifestações do espírito judaico. Porém, enquanto o primeiro é essencialmente uma obra sobre a Lei Judaica, com pitadas de misticismo, o segundo é principalmente um trabalho místico que aborda e elabora sobre algumas leis do Torá. O Zohar descreve a realidade esotérica subjacente à experiência cotidiana. Nele, temas e histórias, tópicos legais e assuntos litúrgicos são vistos e expostos através de uma interpretação mística.
Um breve histórico
Como vimos acima, os ensinamentos da Cabalá começaram a assumir uma forma estruturada através do Livro do Esplendor, de Rabi Shimon bar Yochai. Segundo o Talmud, após ter fugido das autoridades romanas que queriam matá-lo, Rabi Shimon e seu filho, Rabi Elazar, esconderam-se em uma caverna nas montanhas da Galiléia. Pai e filho lá permaneceram durante treze anos, dedicando-se completamente ao estudo da Torá. Certamente Rabi Shimon já havia sido exposto aos ensinamentos místicos judaicos. Mas, enquanto estavam na caverna, ele e seu filho foram visitados pelas almas de Moisés e do profeta Eliahu, que lhes revelaram muitos outros preceitos cabalísticos. É possível que outros sábios, antes e depois dele, também tenham tido os dons intelectuais e espirituais para transmitir os ensinamentos da Cabalá. Mas foi Rabi Shimon, devido à sua luz, à pureza de sua alma e aos seus méritos, o escolhido por D'us para fazê-lo.
Como atesta a própria obra, coube a Rabi Abba, um dos alunos de Rabi Shimon, a tarefa de registrar por escrito os ensinamentos de seu mestre. Parte do Zohar não foi transcrita na época; foi preservada e transmitida de forma oral pelos discípulos de Rabi Shimon, conhecidos como "a Chevraiá".
Mas apesar de transcrito, ainda não havia chegado a hora de ser divulgado o seu conteúdo. Segundo a tradição, seus manuscritos originais ficaram escondidos durante mil anos e foram descobertos apenas no século XIII. Durante as décadas de 1270 e 1280, estes manuscritos ficaram restritos a círculos cabalistas. Finalmente, chegaram às mãos de um místico judeu espanhol, Rabi Moshe de Leon (1238-1305), que os editou e publicou na década de 1290, porém, só chegaria na Palestina, mais propriamente em Safed (a famosa cidade mística de Israel) por volta do século XVI, pois, foi por esse período que um Bem-Anussim levou o Zohar em espanhol para Safed, e lá o entregou nas mãos do renomado rabino Isaac Lúria, que tinha como seguidor Chaim Vital de Damasco.
Lá em Safed, Isaac Lúria instalou em 1570, e montou uma escola mística compostas de jovens e adultos cabalistas. Mais tarde, depois de sua morte, os rabinos acharam por bem restringir os ensinamentos do Zohar a um pequeno e seleto grupo de homens de no mínimo quarenta anos. Assim permaneceu até meados do século XVIII.
Por que teria essa obra magna permanecido escondida por tanto tempo? O próprio Livro do Esplendor revela a razão ao afirmar que sua sabedoria e luz seriam reveladas como preparação para a Redenção Final, que deveria ocorrer 1.200 anos após a destruição do Templo Sagrado. E é exatamente o que aconteceu ! O Grande Templo de Jerusalém foi destruído no ano 70 da e.C., o que significa que, segundo as previsões do Zohar, seu conteúdo deveria ser revelado no ano de 1270.
O estudo da Cabalá floresceu na Espanha e na Provença, mas até a expulsão dos judeus da Península Ibérica, o Zohar só era conhecido no meio de restritos círculos de sábios e cabalistas. Após a expulsão, ele emerge desses círculos fechados e agora, tendo exemplares nas mãos dos Benei-Anussim, estes passam a se utilizar de sua liguagem mística afim de viver em secreto a sua religião, e passa a exercer uma grande influência sobre os judeus sefaraditas. Perseguidos e expulsos, os judeus da Espanha encontraram em seus ensinamentos sobre a Redenção Messiânica uma grande fonte de conforto e esperança e tanto a obra como seu autor passaram a ser reverenciados por eles. Até hoje, o Zohar está presente no dia-a-dia dos judeus dessa origem, pois seus ensinamentos moldaram grande parte de suas tradições e seus costumes religiosos.
Muitos dos cabalistas forçados (Benei-Anussim) a sair da Península Ibérica se estabeleceram na cidade sagrada de Safed, em Israel, que se tornou um centro de estudos místicos. Em Safed, o Sefer HaZohar serviu de base para os ensinamentos de dois dos maiores cabalistas - ambos sefaraditas - da era moderna: Rabi Moshe Cordovero (falecido em 1570), conhecido como o Ramak; e o grande Rabi Isaac Lúria (1534-1572), o Arizal.
Foi em Safed que o Arizal transmitiu seus conhecimentos sobre o Livro do Esplendor e a Cabalá. Desenvolveu um novo sistema para a compreensão de seus mistérios, chamado de Método Luriânico. Seus ensinamentos são reconhecidos como a autoridade máxima da Cabalá, tendo sido estudados pelas gerações de cabalistas que o seguiram. A partir de seus ensinamentos, a Cabalá se tornou mais acessível e passou a ser disseminada por sábios e místicos judeus. O próprio Arizal afirmara que havia chegado a era na qual não só seria permitido revelar a sabedoria da Cabalá, mas tornar-se-ia uma obrigação fazê-lo.
Mas, foi na primeira metade do século XVIII, com o surgimento do chassidismo - como passou a ser chamado o movimento iniciado no leste da Europa pelo Rabi Baal Shem Tov - que a Cabalá que fora ensinada pelo Arizal passou a atingir um número ainda maior de judeus. A principal contribuição do chassidismo foi sua adaptação da doutrina da Cabalá a uma linguagem cotidiana e de fácil compreensão. Desta maneira, a profunda sabedoria de Rabi Shimon bar Yochai passou a influenciar as massas de judeus asquenazitas do leste Europeu. Com a expansão do chassidismo os ensinamentos do Zohar passaram a influenciar um número cada vez maior de judeus.
A santidade da obra
Chamada também de HaZohar Ha-Kadosh - O Sagrado Zohar - esta obra é envolta por uma aura de suprema santidade. Sua natureza misteriosa e seu conteúdo inacessível só acrescentaram reverência ao respeito que provoca entre judeus e não-judeus. Como vimos anteriormente, o Zohar é a suprema autoridade no campo do misticismo judaico, é a face mística da Revelação Divina manifestada por meio da Torá. Em termos de santidade, o Zohar foi posto em um nível ainda maior do que o Talmud, pois enquanto as leis deste último representam o corpo da Torá, os mistérios do Zohar representam sua alma. Mas, o Livro do Esplendor nunca se opõe à autoridade do Talmud nem às suas leis. Assim como alma e corpo são interdependentes; apenas quando unidos e em harmonia podem proporcionar ao homem uma vida significativa. Da mesma forma, o Zohar e o Talmud não podem cumprir sua missão, nem sobreviver de forma separada e sem uma mútua interligação.
O Zohar tem sido aceito por todo o povo judeu, independentemente de seu passado e tradições. Embora apenas um número limitado de judeus o tenha estudado de fato, continua a influenciar de maneira que sequer pode ser imaginada. Uma história do Baal Shem Tov revela o amor dos Chassidim pelo Zohar e é também um exemplo de sua santidade e poder. Sabe-se que o Baal Shem Tov sempre levava uma cópia desta obra com ele, sendo capaz de realizar milagres e prever o futuro através da força espiritual do livro. Um dia lhe perguntaram como tinha sido capaz de, simplesmente olhando para o Zohar, descrever os passos de um homem que havia desaparecido. E ele respondeu com uma citação do Talmud: "A luz que D'us fez em seis dias de Criação permitiria ao homem enxergar de um lado do mundo para o outro, mas esta luz tem sido guardada para os justos no Mundo Vindouro". E onde está esta luz guardada", perguntou o Baal Shem Tov, respondendo ele próprio: "Na Torá. Então, quando eu abro o Zohar, eu posso ver o mundo todo".
Postado por Judeus de Caruaru às 03:31
O Sefer Ha-Zohar - o Livro do Esplendor - É, sem sombra de dúvida, a obra principal e mais sagrada da Cabalá, a dimensão mística do judaísmo. Fonte inesgotável de sabedoria e conhecimento, seus ensinamentos e revelações se equiparam, em importância, aos da Torá e do Talmud.
De autoria do grande Rabi Shimon bar Yochai, permanece inacessível até os dias de hoje para a grande maioria dos que tentam transpor o mistério que encerra. Quem sabe se por esta razão, ou apesar desta, nenhuma outra obra mística jamais despertou tanta curiosidade e exerceu tão grande influência?
O Zohar é a coluna vertebral da Cabalá, também chamada de Chochmat Ha-Emet - a Sabedoria da Verdade. Na língua hebraica, Cabalá significa "recebimento" ou "o que foi recebido". Por ser parte integral da Torá, tem origem e natureza Divina. Apesar de seus ensinamentos terem sido transmitidos a Adão e aos patriarcas do povo judeu, foi Moisés quem os recebeu diretamente de D'us durante a Revelação no Monte Sinai e os instituiu formalmente como parte da história do povo de Israel. Desde então, esta sabedoria mística vem sendo repassada de geração em geração para uns poucos escolhidos entre os líderes espirituais do povo judeu.
Chamados de Nistarim (literalmente "os ocultos"), os primeiros cabalistas preservaram zelosamente esses ensinamentos, transmitindo-os oralmente às gerações seguintes. Somente no século II da era comum, surgiria no seio de Israel um homem que possuía os dons espirituais e intelectuais que lhe permitiram dar forma a essa sabedoria milenar. Seu nome era Rabi Shimon bar Yochai, uma das personalidades mais reverenciadas na história judaica. A ele coube o Zechut, o honroso mérito de revelar a Luz Divina em todo a sua majestade e esplendor.
Grande líder e um dos maiores sábios talmúdicos, Rabi Shimon viveu em uma época muito conturbada. Durante sua geração, Israel penava sob o jugo romano, tendo que se sujeitar à proibição do estudo da Torá, esta apenas uma entre as inúmeras imposições de Roma. A gravidade da situação levou os mestres da Lei a adotarem medidas excepcionais. Preocupados que a perseguição e a dispersão dos judeus pudessem resultar na perda parcial dos ensinamentos da Torá Oral, os sábios deram seu consentimento para que os fundamentos de seu conteúdo fossem transcritos. Portanto, o Talmud, seus comentários, o Midrash e os ensinamentos cabalísticos começaram a ser compilados e escritos. E foi Rabi Shimon bar Yochai quem estruturou a tradição mística através do Zohar.
No entanto, havia um grande problema na transcrição dos segredos da Cabalá. Os sábios temiam que pessoas sem preparo espiritual tivessem acesso aos segredos da Criação e do Universo. Para evitar que isso acontecesse, O Livro do Esplendor foi escrito de forma praticamente indecifrável para os não iniciados. E a primeira condição para se fazer parte desse grupo pequeno e seleto era possuir um vasto e profundo conhecimento sobre a Torá e sobre a tradição cabalística.
Livro fechado
O Sefer ha'Zohar é um livro fechado e as chaves para sua compreensão permanecem em mãos de um número reduzido de sábios. Esta obra pode ser comparada a um sistema codificado, de extrema complexidade, que esconde tesouros inestimáveis. Rabi Shimon era um daqueles seres pertencentes a um plano espiritual tão elevado que, entre os que estudam a sua obra, são poucos os que conseguem assimilar parte de seus ensinamentos. Não obstante, mesmo com apenas um pouco desse conhecimento, constroem-se montanhas de sabedoria.
Como vimos, para os não iniciados, o Zohar é misterioso e praticamente impenetrável. As dificuldades de compreensão estão presentes em quase todos os níveis da obra. Além da insondável profundidade de seus preceitos, seu estilo literário peculiar e sua dialética dificultam a compreensão. Seus textos, escritos em hebraico, aramaico antigo ou em espanhol (versão muito usada e difundida entre os judeus Sefaradim) estão "codificados", impossibilitando, assim, que pessoas leigas entendam seu significado. Imagens simbólicas são usadas no lugar de uma terminologia racional e tópicos independentes são tratados em conjunto, colocando lado a lado assuntos aparentemente sem relação entre si.
Muitas das passagens do Zohar são compostas por combinações de alusões fragmentadas, que somente podem ser conectadas por associações secretas. Mas, na realidade, as conexões existem e são bastante claras para aqueles que entendem seu simbolismo e significado. Um sábio familiarizado com os segredos místicos da Torá entende perfeitamente seu conteúdo, seu estilo e sua estrutura aparentemente ilógica. Se para os não iniciados muitos de seus ensinamentos carecem de significado, estes mesmos preceitos são, para os que podem decifrá-los, a chave para desvendar os maiores e mais profundos segredos da existência e do Universo.
Apesar de ter sido traduzido para o hebraico moderno e para outros idiomas, os verdadeiros ensinamentos do Sefer Ha-Zohar continuam sendo praticamente incompreensíveis. Mesmo para a maioria dos eruditos na Torá, o Livro do Esplendor continua sendo um enigma. O Talmud e outras obras da lei judaica são acessíveis e compreensíveis; não apenas é permitido o seu estudo, como também é incentivado e é uma obrigação colocar-se em prática os seus ensinamentos. Já o Zohar continua além do alcance intelectual e espiritual da maioria dos judeus - pelo menos por enquanto. Grandes cabalistas sempre alertaram que o privilégio de estudar e entender esta obra era reservado para muito poucos.
O cuidado e o resguardo em relação ao Zohar sempre foram impostos com o propósito de preservar não só a obra, mas também a alma daqueles que se aventurassem a estudá-la. Temia-se que seus ensinamentos e revelações pudessem ser mal interpretados ou usados de forma inadequada. Infelizmente, esses temores se confirmaram no decorrer da história. Houve vários casos de indivíduos e até mesmo de grupos que, após mergulharem nas águas do misticismo judaico sem o preparo adequado, acabaram por se perder. Ainda mais grave: seus ensinamentos místicos foram utilizados por falsos messias e distorcidos por místicos não-judeus e por adeptos da ciência do ocultismo. Os resultados foram catastróficos. Por isso, cabe alertar o leitor que o estudo do Zohar e da Cabalá somente deve ser conduzido na companhia de um professor que, além de instruído, tenha atingido um equilíbrio espiritual e mental; que entenda e siga a Lei Judaica em todos os seus minuciosos pormenores.
Seu conteúdo
O Zohar é fonte de inspiração e sabedoria para os iniciados que ousam adentrar seus segredos. Seus principais focos são a teosofia - a interação das Sefirot e seus mistérios, a conduta humana e o destino dos judeus neste mundo bem como no mundo das almas. São raras as ocasiões em que discute de forma explícita a meditação ou a experiência mística.
Ao penetrar na superfície literal da Torá, O Livro do Esplendor revela as profundezas místicas de suas histórias, leis e segredos. Transforma a narrativa bíblica em uma "biografia de D'us". Toda a Torá é lida como permutações de Nomes Divinos. Cada uma de suas palavras ou de suas Mitzvot simbolizam algum aspecto das Sefirot - que representam as maneiras pelas quais D'us interage com Sua Criação. O Zohar revela que o real significado da Torá reside em sua parte oculta - chamada de Nistar - e em seus segredos místicos.
Mas esta obra grandiosa não trata apenas de assuntos esotéricos e místicos. Não há uma única preocupação sobre a existência humana que permaneça intocada em suas páginas. Apesar da aura de mistério que a cerca, muitos de seus ensinamentos têm servido de guia para várias gerações de judeus. De um lado, o Zohar se aprofunda nos maravilhosos mistérios da alma e do Criador; do outro, aborda assuntos como o poder do mal e a necromancia, proibida pelo judaísmo. Nele encontram-se visões da Redenção Messiânica, assim como soluções para as complexas relações entre seres humanos e os problemas de seu cotidiano.
Alicerçado principalmente na Torá, o Zohar é uma obra imensa, dividida em cinco tomos que são, por sua vez, subdivididos em Parashiot, seguindo o mesmo número e nome das Parashiot da Torá. Trata-se principalmente de uma exegese - uma dissertação de homilias - e suas idéias emergem através de comentários e discursos. Nele estão as interpretações místicas e os comentários das Parashiot - as leituras semanais da Torá. A obra não se restringe aos Cinco Livros de Moisés; também aborda outros livros da Torá, inclusive o Cântico dos Cânticos, o Livro de Ruth e as Lamentações. Não cabe enfatizar em demasia que a Cabalá é a parte secreta da Torá e, portanto, não poderia ser estudada ou seguida à parte da Torá revelada. Acreditar ou estudar a Cabalá sem o respaldo da Torá Escrita e Oral é, no mínimo, incongruente, pois não há um único trabalho cabalístico que não contenha citações dos 24 livros da Torá Escrita, do Talmud e do Midrash.
Assim como o Talmud, o Zohar cobre todas as manifestações do espírito judaico. Porém, enquanto o primeiro é essencialmente uma obra sobre a Lei Judaica, com pitadas de misticismo, o segundo é principalmente um trabalho místico que aborda e elabora sobre algumas leis do Torá. O Zohar descreve a realidade esotérica subjacente à experiência cotidiana. Nele, temas e histórias, tópicos legais e assuntos litúrgicos são vistos e expostos através de uma interpretação mística.
Um breve histórico
Como vimos acima, os ensinamentos da Cabalá começaram a assumir uma forma estruturada através do Livro do Esplendor, de Rabi Shimon bar Yochai. Segundo o Talmud, após ter fugido das autoridades romanas que queriam matá-lo, Rabi Shimon e seu filho, Rabi Elazar, esconderam-se em uma caverna nas montanhas da Galiléia. Pai e filho lá permaneceram durante treze anos, dedicando-se completamente ao estudo da Torá. Certamente Rabi Shimon já havia sido exposto aos ensinamentos místicos judaicos. Mas, enquanto estavam na caverna, ele e seu filho foram visitados pelas almas de Moisés e do profeta Eliahu, que lhes revelaram muitos outros preceitos cabalísticos. É possível que outros sábios, antes e depois dele, também tenham tido os dons intelectuais e espirituais para transmitir os ensinamentos da Cabalá. Mas foi Rabi Shimon, devido à sua luz, à pureza de sua alma e aos seus méritos, o escolhido por D'us para fazê-lo.
Como atesta a própria obra, coube a Rabi Abba, um dos alunos de Rabi Shimon, a tarefa de registrar por escrito os ensinamentos de seu mestre. Parte do Zohar não foi transcrita na época; foi preservada e transmitida de forma oral pelos discípulos de Rabi Shimon, conhecidos como "a Chevraiá".
Mas apesar de transcrito, ainda não havia chegado a hora de ser divulgado o seu conteúdo. Segundo a tradição, seus manuscritos originais ficaram escondidos durante mil anos e foram descobertos apenas no século XIII. Durante as décadas de 1270 e 1280, estes manuscritos ficaram restritos a círculos cabalistas. Finalmente, chegaram às mãos de um místico judeu espanhol, Rabi Moshe de Leon (1238-1305), que os editou e publicou na década de 1290, porém, só chegaria na Palestina, mais propriamente em Safed (a famosa cidade mística de Israel) por volta do século XVI, pois, foi por esse período que um Bem-Anussim levou o Zohar em espanhol para Safed, e lá o entregou nas mãos do renomado rabino Isaac Lúria, que tinha como seguidor Chaim Vital de Damasco.
Lá em Safed, Isaac Lúria instalou em 1570, e montou uma escola mística compostas de jovens e adultos cabalistas. Mais tarde, depois de sua morte, os rabinos acharam por bem restringir os ensinamentos do Zohar a um pequeno e seleto grupo de homens de no mínimo quarenta anos. Assim permaneceu até meados do século XVIII.
Por que teria essa obra magna permanecido escondida por tanto tempo? O próprio Livro do Esplendor revela a razão ao afirmar que sua sabedoria e luz seriam reveladas como preparação para a Redenção Final, que deveria ocorrer 1.200 anos após a destruição do Templo Sagrado. E é exatamente o que aconteceu ! O Grande Templo de Jerusalém foi destruído no ano 70 da e.C., o que significa que, segundo as previsões do Zohar, seu conteúdo deveria ser revelado no ano de 1270.
O estudo da Cabalá floresceu na Espanha e na Provença, mas até a expulsão dos judeus da Península Ibérica, o Zohar só era conhecido no meio de restritos círculos de sábios e cabalistas. Após a expulsão, ele emerge desses círculos fechados e agora, tendo exemplares nas mãos dos Benei-Anussim, estes passam a se utilizar de sua liguagem mística afim de viver em secreto a sua religião, e passa a exercer uma grande influência sobre os judeus sefaraditas. Perseguidos e expulsos, os judeus da Espanha encontraram em seus ensinamentos sobre a Redenção Messiânica uma grande fonte de conforto e esperança e tanto a obra como seu autor passaram a ser reverenciados por eles. Até hoje, o Zohar está presente no dia-a-dia dos judeus dessa origem, pois seus ensinamentos moldaram grande parte de suas tradições e seus costumes religiosos.
Muitos dos cabalistas forçados (Benei-Anussim) a sair da Península Ibérica se estabeleceram na cidade sagrada de Safed, em Israel, que se tornou um centro de estudos místicos. Em Safed, o Sefer HaZohar serviu de base para os ensinamentos de dois dos maiores cabalistas - ambos sefaraditas - da era moderna: Rabi Moshe Cordovero (falecido em 1570), conhecido como o Ramak; e o grande Rabi Isaac Lúria (1534-1572), o Arizal.
Foi em Safed que o Arizal transmitiu seus conhecimentos sobre o Livro do Esplendor e a Cabalá. Desenvolveu um novo sistema para a compreensão de seus mistérios, chamado de Método Luriânico. Seus ensinamentos são reconhecidos como a autoridade máxima da Cabalá, tendo sido estudados pelas gerações de cabalistas que o seguiram. A partir de seus ensinamentos, a Cabalá se tornou mais acessível e passou a ser disseminada por sábios e místicos judeus. O próprio Arizal afirmara que havia chegado a era na qual não só seria permitido revelar a sabedoria da Cabalá, mas tornar-se-ia uma obrigação fazê-lo.
Mas, foi na primeira metade do século XVIII, com o surgimento do chassidismo - como passou a ser chamado o movimento iniciado no leste da Europa pelo Rabi Baal Shem Tov - que a Cabalá que fora ensinada pelo Arizal passou a atingir um número ainda maior de judeus. A principal contribuição do chassidismo foi sua adaptação da doutrina da Cabalá a uma linguagem cotidiana e de fácil compreensão. Desta maneira, a profunda sabedoria de Rabi Shimon bar Yochai passou a influenciar as massas de judeus asquenazitas do leste Europeu. Com a expansão do chassidismo os ensinamentos do Zohar passaram a influenciar um número cada vez maior de judeus.
A santidade da obra
Chamada também de HaZohar Ha-Kadosh - O Sagrado Zohar - esta obra é envolta por uma aura de suprema santidade. Sua natureza misteriosa e seu conteúdo inacessível só acrescentaram reverência ao respeito que provoca entre judeus e não-judeus. Como vimos anteriormente, o Zohar é a suprema autoridade no campo do misticismo judaico, é a face mística da Revelação Divina manifestada por meio da Torá. Em termos de santidade, o Zohar foi posto em um nível ainda maior do que o Talmud, pois enquanto as leis deste último representam o corpo da Torá, os mistérios do Zohar representam sua alma. Mas, o Livro do Esplendor nunca se opõe à autoridade do Talmud nem às suas leis. Assim como alma e corpo são interdependentes; apenas quando unidos e em harmonia podem proporcionar ao homem uma vida significativa. Da mesma forma, o Zohar e o Talmud não podem cumprir sua missão, nem sobreviver de forma separada e sem uma mútua interligação.
O Zohar tem sido aceito por todo o povo judeu, independentemente de seu passado e tradições. Embora apenas um número limitado de judeus o tenha estudado de fato, continua a influenciar de maneira que sequer pode ser imaginada. Uma história do Baal Shem Tov revela o amor dos Chassidim pelo Zohar e é também um exemplo de sua santidade e poder. Sabe-se que o Baal Shem Tov sempre levava uma cópia desta obra com ele, sendo capaz de realizar milagres e prever o futuro através da força espiritual do livro. Um dia lhe perguntaram como tinha sido capaz de, simplesmente olhando para o Zohar, descrever os passos de um homem que havia desaparecido. E ele respondeu com uma citação do Talmud: "A luz que D'us fez em seis dias de Criação permitiria ao homem enxergar de um lado do mundo para o outro, mas esta luz tem sido guardada para os justos no Mundo Vindouro". E onde está esta luz guardada", perguntou o Baal Shem Tov, respondendo ele próprio: "Na Torá. Então, quando eu abro o Zohar, eu posso ver o mundo todo".
Postado por Judeus de Caruaru às 03:31
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
LILITH - A HISTÓRIA OCULTA - REVOLUCIONÁRIA OU FEITICEIRA?
LILITH - A HISTÓRIA OCULTA - REVOLUCIONÁRIA OU FEITICEIRA?
A 1º mulher de Adão - Eva (a submissa) veio depois.
Poucas pessoas sabem a saga vivida por Lilith, a primeira mulher de Adão, que veio do pó como ele, não nasceu da costela e, por isso, não foi submissa. Como todo bom machão, Adão reclamou com Deus e, então, ele amaldiçoou a Lilith e a tornou um personagem obscuro na história bíblica.
MASCULINO/FEMININO
Na origem de todos os povos do mundo sempre existiu a tradição de um casal fundador da raça humana. A maioria são casais-deuses, exceto nas religiões patriarcais, como a cristã, onde um único Deus masculino formou todas as coisas e seres.
Entretanto, ao estudar a espiritualidade hebraica, através da Cabala, nos é ensinado que o grande deus monoteísta não é do sexo masculino, mas é completo em si mesmo, o que existem são divisões de gênero, inclusive é uma insolência lhe dar aspecto humano, pois sua essência é luz pura. E desde quando luz tem sexo?
Mas como sabemos vivemos num mundo bipolar e é por isso que nossa Divina Arquiteta teve a iluminada idéia de semear o amor no terreno fértil de nossos corações, para que pudéssemos andar lado a lado, sempre em casais e nunca sozinhos.
Ao se estudar Carl Jung descobriremos que dentro de cada homem há uma mulher (anima) e em cada mulher há o princípio masculino (animus). Este eterno jogo de yin-yang se ajusta e se completa. Portanto, nenhum indivíduo é inteiramente masculino ou inteiramente feminino.
Cada um de nós é composto dos dois elementos e esses dois constituintes estão freqüentemente em conflito. O princípio feminino ou "Eros" é universalmente representado pela Lua e o princípio masculino ou "Logos" pelo Sol. O mito da criação no Gênesis afirma: Deus criou duas luzes, a luz maior para reger o dia e a luz menor para reger a noite. O Sol como princípio masculino é o soberano do dia, da consciência, do trabalho e da realização, do entendimento e da discriminação conscientes, o Logos.
A Lua, o princípio feminino é a soberana da noite, do inconsciente. É a deusa do amor, controladora das forças misteriosas que fogem à compreensão humana, atraindo os seres humanos irresistivelmente um para o outro, ou separando-os inexplicavelmente. Ela é o Eros, poderoso e fatídico e totalmente incompreensível.
Na natureza, o princípio feminino ou a deusa feminina mostra-se como uma força cega, fecunda, cruel, criativa, acariciadora e destruidora.
É a fêmea das espécies mais mortal que o macho, feroz em seu amor como também com seu ódio.
Esse é o princípio feminino na forma demoníaca. O medo quase universal que os homens têm de cair sob o domínio ou fascinação de uma mulher e a atração que esta mesma servidão têm para eles, são evidências de que o efeito que uma mulher produz num homem é, em geral realmente de caráter demoníaco.
Essa imagem repousa tão somente, na natureza da própria "anima"do homem ou alma feminina, sua imagem interior do feminino. A "anima"' não é uma mulher, mas um espírito de natureza feminina, que reflete as características do lado demoníaco, tanto glorioso, como terrível. Na vida cotidiana o homem não entra diretamente em contato com o princípio masculino duro, predatório, mas encontra-o sob a máscara humana, mediado pela sua função superior.
Mas o feminino dentro dele não é mediado através de uma personalidade humana culta e desenvolvida.
O princípio feminino, a Deusa Lua, age sobre ele diretamente do inconsciente, aproximando-se como um traidor que vem de dentro. Não é de admirar tanto medo e desconfiança!
O LADO OBSCURO DE LILITH

Se Eva se acusou de ter atraído a morte, o pecado e a tristeza ao mundo, Lilith já era demoníaca desde que foi criada. Lilith surgiu do intento de compreender a difrença entre os mitos da criação de Gênesis, já que em sus primeira história em Gênesis 1, homem e mulher são criados iguais e conjuntamente, enquanto na segunda história, em Gênesis 3, a mulher é criada depois do homem e a partir de seu corpo. Segundo as lendas, Lilith era a primeira esposa, que era bem pior que a segunda. No entanto, a figura escolhida para desempenhar esse papel na lenda judia era originariamente suméria, a resplandecente "Rainha do Céu", cujo nome "Lil" significava "ar" ou "tormenta". As vezes se tratava de uma presença ambígua, amante dos "lugares selvagens e desabitados", associada também com o aspecto obscuro da Deusa Inanna e com sua irmã Ereshkigal, Rainha do Mundo Subterrâneo". Aparece pela primeira vez no poema sobre Inanna, quando o herói Gilgamesh tala a árvore de Inanna:
"Gilgamesh golpeou a serpente que não podia ser encantada.
O pássaro Anzu voou com suas crias às montanhas;
e Lilith aniquilou seu lar e retirou-se aos lugares selvagens e desabitados."
"Lil" também era a palavra sumero-acádia que designava a "tormenta de pó" ou "nuvem de pó", um termo que também se aplicava aos fantasmas, cuja forma era uma nuvem de pó e cujo o alimento era supostamente o pó da terra. Na língua semítica "liliatu" era então "a criada de um fantasma", porém prontamente se fundiu com a palavra "layil", "noite", e se converteu em uma palavra que se designava a um demônio noturno.
A "lílít" do texto hebraico se traduz na versão grega de Septuaginta e por Lamia na Vulgata latina de São Jerônimo. As "lamiae" são muito conhecidas nas tradições gregas e latinas, como monstros voadores noturnos, que sempre aparecem sob o aspecto de pássaros. A maioria dos autores, afirma que as lamias são monstros femininos que devoram homens e crianças. Portanto, as lamias e Lilith têm muitos pontos em comum e foram convertidas em "vampiras".
No mito hebreu, Lilith, portanto, acumulou sem descanso todas as associações à noite e à morte. é possível que a imagem hebréia de Lilith se baseasse nas imagens de Inanna-Isthar como Deusa das grandes alturas e de grandes profundidades, porém, compreensivelmente rebaixada ao ser percebida desde o ponto de vista de um povo deportado à BABILÔNIA.
Só há uma referência à Lilit, como coruja, no Antigo Testamento. É encontrada no meio de uma profecia de Isaías. No dia da vingança de Yahvé, quando a terra se envolverá num deserto,"e um sátiro chamará o outro; também ali repousará Lilith e nele encontrará descanso." Inanna e Isthar eram chamadas de "Divina Senhora Coruja" (Nin-nnina Kilili). Isso pode explicar de onde provêm Lilith e porque era representada como uma coruja.
Uma versão da Criação de Lilith na mitologia Hebréia conta que Yahvé fez Lilith, como a Adão, porém no lugar de usar terra limpa, "tomou a sujeira e sedimentos impuros da terra, e deles formou uma mulher. Como era de se esperar, essa criatura resultou ser um espírito maligno". Lilith se converteu a posteriori na primeira esposa de Adão, cuja presença original nunca terminou de eliminar-se totalmente de de seu segundo matrimônio. O que falhou no primeiro foi obviamente a independência de Lilih e sua igualdade com Adão, por isso depois criou-se Eva. Em conseqüência, a lenda tacha de insubordinação a atitude por parte de Lilith, pois, segundo a história, se negava a aceitar seu "lugar apropriado" que aparentemente era permanecer debaixo de Adão durante a relação sexual:
-"Porque teria que ficar debaixo de ti quando sou tua igual, já que ambos fomos criados de barro?", pergunta ela.
Adão não sabe contestar essa pergunta, de maneira que, pronunciando o nome mágico de Deus e Lilith se foi voando pelos ares até o Mar Vermelho. Ali dá à luz a mais de 100 demônios por dia
Adão fala de sua esposa a Yahvé, e esse enviou a sua procura os três anjos Senoi, Sansenoi e Samanglof, que a encontraram nas margens do Mar Vermelho, onde mais tarde as tropas egípcias seriam engolidas por ordem de Moisés.
Lilith se negou a voltar a ocupar seu lugar junto de Adão e ameaça dizendo que possui poder de matar crianças. Então os anjos tentaram afogá-la no Mar Vermelho, porém Lilith advogou em causa própria e salvou sua vida com a condição de jamais causar dano a uma criança recém-nascida de onde viera seu nome escrito.
Finalmente Yahvé deu a Lilith, Sammael (Satã), e ela foi a primeira das quatro esposas do diabo e a perseguidora dos recém-nascidos.
Mas, em conseqüência dessa fala, a ordem divina se converteu no centro de todas as fantasias de terror que provoca a sensação de indefesa. Lilith poderia aparecer em qualquer momento da noite, ela ou algum de seus demônios, para levar uma criança, aterrorizando os pais dos pequenos. Podia também possuir um homem durante o sono. Esse constataria que havia caído debaixo de seu poder se encontrasse restos de sêmen ao despertar. É difícil evitar concluir que Lilith se converteu em uma imagem de desejo sexual não reconhecido, reprimido e projetado sobre a mulher, que se converte em sedutora. Por todos os lugares foram encontrados amuletos contra o "poder" de Lilith.
Através da figura de Lilith, na cultura hebréia, a divisão e polarização próprias da Idade do Ferra da Grande Mãe em seus aspectos, a Deusa que dá a vida e a Deusa que atrai a morte, é levada um pouco mais longe. Ao terror do sofrimento inexplicável que pode manifestar-se sem aviso prévio e se insere uma dimensão nova da demonização da sexualidade.
O mito em Gênesis, estabelece que é a infração do mandamento de Yahvé, e não a sexualidade, a causa da expulsão do Paraíso à condição humana; e o conhecimento do bem e do mal, que alcançaram através da desobediência, tampouco se pode explicar em termos de conhecimento sexual. No entanto, tanto a desobediência como o conhecimento se associaram com a sexualidade porque a primeira coisa que Adão e Eva "viram" quando "seus olhos se abriram" foi que estavam nus. Antes disso, andavam nus e sem vergonha. A nudez, portanto, se converteu em sexualidade pecaminosa, especialmente quando a serpente fálica entra na especulação teológica. Em certas ocasiões a serpente era identificada como Lilith e se desenhava a serpente com um corpo de mulher, interpretando-se que a dita criatura era Lilith. Outras vezes a serpente tinha um rosto como o de Eva. Por esta razão, uma percepção da sexualidade como algo "não divino", invade as lendas de Lilith como aspecto escuro de Eva.
Mas, o papel de Lilith parece não terminar quando se une a Satã, aliás, muito pelo contrário. Segundo Zohar (Hhadasch, seção Yitro, p.29), depois participa da perdição de Adão, ao qual Yahvé (Jehová) concede como segunda esposa a Eva, nascida da sua própria costela, ou seja, à imagem do homem, o reflexo do homem, ou a imagem castrada de Adão. "Depois de que o Tentador (Sammael) houvera desobedecido ao Santíssimo, bendito seja, o Senhor o condenou a morrer". A Cabala faz eco desta tradição (Livro Emek-Ammelehh, XI), que Sammael será castigado: "Esse dia, Yahvé visitará com sua terrível espada a Leviatã, a serpente insinuante, que é Sammael, e a Leviatã, a serpente sinuosa, que é Lilith.
Esse texto nos diz que tão somente Lilith está incluída no castigo junto com Sammael e não as outras três esposas e que, Lilith também apresenta o aspecto de serpente. O que se conclui é que Lilith está reprimida no inconsciente e, quando surge, coloca a sociedade paternalista em xeque. Assim, quando Eva convida Adão para comer a maçã, é das mãos de Lilith que a receberá.
LILITH, MÃE DE ADÃO?

Pode parecer até exagerado achar que Lilith foi mãe de Adão, mas Adão tinha que ter uma mãe, senão não seria humano. E, se Adão não conheceu uma mãe material, deveria ter a imagem dela para si mesmo. Talvez seja por esse motivo que o nome de Lilith tenha desaparecido do texto oficial da Bíblia. Estaria em desacordo com as normas cristãs Adão ter uma mãe e essa mãe ter sido sua esposa. E a rejeição de Lilith pela companhia de Adão, não poderia ser interpretada como um desmame? De todas as formas, a equivalência de esposa e mãe existe. "A noção de proibição havia sido deslocada do jogo genital ao feito de chupar o peito (comer a maçã)... O verdadeiro sentido é: "podemos comer da maçã, porém está proibida para o filho que tenha contato sexual com sua mãe"...
Quem é Lilith então? Para Adão é um primeiro objeto de amor, do qual deve acordar-se e descobrir seu sexo." Ou seja, Lilith representa o primeiro estágio de desenvolvimento de Adão, chamado matriarcal e governado pelo arquétipo da "mãe", que será seguido pelo estágio patriarcal, no qual o arquétipo do pai será dominante. A expressão "estágio patriarcal" significa que Adão alcançou um nível de desenvolvimento do ego e da consciência no qual se dá uma importância crescente à vontade, à atividade, ao aprendizado e aos valores transmitidos pelo mundo. Entretanto, sem a separação, que levará Lilith para longe, Adão não poderia se desenvolver e se tornar adulto. Mas nessa transição da fase matriarcal para a patriarcal, o arquétipo anteriormente dominante da mãe é constelado de tal modo que seu lado "negativo" aparece. O arquétipo da fase a ser superada aparecerá como a "Mãe Terrível". Lilith começa então a provocar medo, porque representa o elemento que "reprime" e que dificulta o desenvolvimento necessário e devido. Por isso é transformada novamente na serpente é a antítese da energia ascendente do desenvolvimento do ego, tornando-se então, símbolo de estagnação, regressão e morte.
Lilith com rabo de serpente era a imagem da divindade andrógina, antes da criação, ou seja, antes do aparecimento do desejo, antes da separação do ser primitivo e absoluto, portanto, equivalente ao nada, de acordo com as teses de Hegel. Essa imagem representa a reminiscência da Lilith primitiva. Porém ela se converteu em pássaro noturno e alçando vôo desapareceu entre as trevas. Sua segunda forma, como corresponde a uma imagem desprovida de elementos terrestres, é uma forma para ficar na memória. O mito não é teológico, é essencialmente social. Em uma sociedade paternalista, Lilith é reprimida para dar lugar a Eva. Portanto, Eva representa a mulher moldada pelo homem.
Eva, entretanto, é uma mulher incompleta, lhe falta algo: o aspecto de Lilith que toma as vezes, quando se rebela, o aspecto que irá tomar Eva ao comer a maçã.
A Eva, como mulher, está totalmente alienada, não é nada mais do que a imagem castrada de Jehová e de Adão e não a imagem da parte feminina de Deus. Eva é uma mulher muda, a sombra de uma mulher, quase um fantasma. A mulher real é Lilith.
A REBELDIA DE LILITH
Cuidadosamente apagada da Bíblia cristã, Lilith permanece como símbolo de rebelião à repressão do feminino na psique e na sociedade. O mito Lilith mostra bem a passagem do matriarcado para o patriarcado.
Tanto na literatura ortodoxa como na apócrifa, a sombra de Lilith seguiu cercando as mulheres até o século XV d. C. Nessa época, e utilizando as mesmas imagens incorporadas em Lilith, milhares delas foram acusadas de copular com o demônio, matar crianças e seduzir homens, ou seja, de serem bruxas.
Textos da literatura judia de fontes apócrifas, não incluídos no canon ortodoxo do Antigo Testamento, contêm passagens como a seguinte:
"As mulheres são o mal, filhos meus: como não têm o poder nem a força para enfrentar o homem, usam truques e intentam enganá-lo com seus encantos; a mulher não pode dominar pela força o homem, porém o domina mediante a astúcia. Pois certamente a anjo de Deus me falou sobre elas e me ensinou que as mulheres se entregam mais ao espírito de fornicação que o homem, e que tramam conspirações em seus corações contra os homens; com sua forma de adornar-se primeiro lhes fazem perder a cabeça, e com uma olhada inoculam o veneno, e logo durante o próprio ato os fazem cativos; pois uma mulher não pode vencer o homem pela força. Assim que evitai a fornicação, filhos meus, e ordenem a vossas esposas e filhas que não adornem suas cabeças e seus rostos, pois a toda mulher que usa truques desse tipo estará reservado o castigo eterno".
Esse exemplo nos mostra como um mito, se for entendido e concebido de forma literal, pode criar um prejuízo e converter-se em uma doutrina que se declara a si mesma uma verdade divinamente revelada. É conveniente lembrar que Jesus não aprovou nem o mito nem suas implicações, nem os costumes patriarcais referentes as mulheres, muito pelo contrário. Foram transmitidas ao Novo Testamento através dos escritos de Pablo, e assim fizeram sua entrada na doutrina formal cristã.
LILITH E ADÃO/EVA

Enquanto Lilith é descrita como forma negativa, Eva, ao contrário, é apresentada em suas belezas e ornamentos. Adão não a recusa por vê-la como ossos dos seus ossos. Mas Eva carregará a culpa pela perda do paraíso.
E, esta é a informação que nos é passada pelo catolicismo, isto é, que a mulher possui uma imperfeição inerente, devida a sua natural inferioridade e sua incapacidade de distinguir o bem do mal. Tais afirmações foram codificadas no psiquismo feminino, fazendo com que todas as mulheres se tornassem estigmatizadas com esta identidade negativa. Foi deste modo, que o feminino se viu reduzido ao submisso e ao incapaz. A submissão foi então, imposta culturalmente a todas as mulheres, que distorceu intencionalmente os aspectos femininos, com o intuito de reprimir e estabelecer uma sociedade patriarcal.
Lilith, portanto, desobedece à supremacia de Adão, Eva, assumindo seu arquétipo Lilith, desobedeceria à proibição. Lilith, nada mais é, do que o lado sombrio de Eva, daí o porque das qualidades terríveis que são atribuídas a ela. Todo mal que lhe é atribuído está em sua desobediência, ao seu "não" a submissão.
Criada ao pôr do sol, Lilith é noturna, e por isso lhe foi atribuída a qualidade de vampiro. Lilith, ou as projeções do mito eram descritas em suas características eróticas, sensuais, mas quase sempre misturadas com características horrendas, partes animalescas, sobretudo nas extremidades.
A tradição de Lilith é a tradição da rejeição à Adão. O não de Adão, como já observamos, deveu-se não só ao caráter demoníaco de Lilith, mas também a exigência do desenvolvimento do ego de Adão.
A serpente-demônio, ou o próprio demoníaco que existe em Lilith, impele a mulher a "fazer algo" que a sociedade paternalista não permite.
Lilith é o arquétipo da mulher indomada, que luta apaixonadamente pelo poder pessoal. Suas características são destemor, força, entusiasmo e individualismo. Ela é atividade e exuberância emocional. Para as religiões patriarcais, é a personificação da luxúria feminina, uma inimiga das crianças que atua de noite, semeando o mal e a discórdia. Em Isaias, ela é chamada de "a coruja da noite". No Zohar, é descrita como "a prostituta, a maligna, a falsa, a negra".
Lilith aparece em nossas vidas para nos dizer que é hora de assumirmos o nosso poder. Você tem medo de assumi-lo? Você é daquelas pessoas que não sabem dizer "não"? Tem medo de perder sua feminilidade se tiver o poder em suas mãos? Você teme ser afastada(o) ou banida(o) pelos outros quando estiver em exercício de seu poder? Está com medo de fazer mau uso dele, dominando ou manipulando os outros? Lilith diz que, agora, para você, o caminho da totalidade está em reconhecer que não está ligada ao seu poder e, então, em segundo lugar, submeter-se e aceitar este poder.
Lobo em pele de cordeiro.
‚FALSOS PROFETAS, CABALÍSTAS E OUTRAS ESPÉCIES...‛
“Profeta do meio de ti, dentre os teus irmãos, como sou Eu, o Eterno te fará surgir em todas as gerações; a ele ouvireis” (Devarim 18:15, Shofetim)
Na porção da Torá de Shofetim, temos a revelação de D-us sobre quem pode ser considerado como um profeta, seja qual for seu nível e características particulares de seus pronunciamentos. Os sábios explicam que a expressão ‚do meio de ti‛ declara que não existe possibilidade de profecia exceto na Terra de Israel1. E sobre a expressão ‚dentre os teus irmãos‛, significa que Hashem deu ao Seu Povo, o Povo de Israel eminência sobre todos os outros povos, colocando o Seu espírito de profecia somente sobre eles. Mais ainda, sobre ‚como eu‛ é explicado, isso indica
1 Ver Ramba”n neste verso. Sobre a profecia de Ezequiel na Babilônia, ver Talmud, Moêd Katán 25a.
que deverá ser alguém que seja ‚um profeta de D-us, e não um que afirma ler as nuvens faz divinações‛2. Os versos desta porção de Shofetim continuam elucidando este assunto vital e avisando que o falso profeta – aquele que fala de coisas que contrariam a D-us – será morto.
2 Rabi Avraham Ibn Ezra neste mesmo verso.
3 Talmud, Sanhedrin 64a; Yoma 69b.
Agora, levando em consideração que desde a destruição do Segundo Templo Sagrado, a profecia cessou na terra3, mas que os sábios ensinam que níveis menores do espírito Divino profético (nevuah) ainda são possíveis, tais como bat kól (‚filha da voz‛) ou hassagát rúach ha-kódesh (‚inspiração Divina‛), existem ainda sim e no nosso nível atual qualificações muito específicas para que a pessoa possa obter qualquer nível de inspiração e professar qualquer coisa sobre D-us. Felizmente, existem muitos mestres justos nos últimos tempos para nos ajudar guiar em direção a Redenção Final do único e verdadeiro Mashiach. Entretanto, o espírito do ‚falso profeta‛ (e não se engane, pois é um rúach, um espírito de fato) continua a pairar e se desenvolver como nunca em nossos tempos. Ainda que seus trajes e discursos tenham mudado com os tempos, ele invade a realidade inclusive ocupando meios aonde assuntos espirituais sérios e legítimos antes eram privilegiados – aonde se falava de D-us com retidão.
Agora, ainda que tenhamos inúmeros lugares corretos e abençoados, como sinagogas etc. que trazem sim os ensinamentos da Torá com amor e espanto, novos ‚centros de abismo‛ se espalharam e mesmo indivíduos predadores a fim de propagar o que se tornou popularmente conhecido como espiritualidade, ou ainda, o ‚espiritualismo secular‛ – a arma atual maior de todos os falsos profetas. O espiritualismo secular busca infectar a consciência humana atual com erros profundos sobre as verdades espirituais de D-us. De fato, este modelo de ensino nefasto é um caos feroz que se difunde agressivamente, afirmando sempre ensinar coisas místicas, espirituais, iluminadas, etc. Na essência, professa-se nestes lugares que ‚todo e qualquer caminho levam à união espiritual do homem e D us‛. Isso significa que para estes ignorantes e tolos, qualquer coisa (objetos, textos, rituais de várias religiões, etc.) pode e deve ser ‘misturado’, criando assim uma ‚estrutura religiosa autônoma‛; permitindo a estas pessoas ‚sentir‛ que assim se aproximam do Divino (pois de acordo com estes cultos, seitas, etc., ‚sentir se espiritual‛ é suficiente e equivale ao avodát Hashém sagrado – o serviço de devoção a D us de maneira santificada). Estas misturas que se formam e variam com a própria imaginação e desejo da pessoa (ou de quem ela segue), embaralham aspectos físicos e espirituais ‘absolutamente incongruentes’, trazendo resultados no mundo físico e nos espirituais nada menos do que devastadores, incorrendo assim nos difíceis decretos divinos que recaem sobre este mundo.
Hoje em dia, uma das maiores representações dessas misturas altamente perniciosas se dá através de absolutamente tudo que recebe o rótulo de ‚New Age‛ – um nome
‘codificado’ da sítra áchra (‚o lado do mal‛) que, como uma máscara, oculta todo o mal destas misturas que está por de trás e que é chamado de ‚todas as mesas estão imundas, manchadas por vômito, e não há um lugar que esteja limpo‛4. Também é preciso notar outras representações deste mal através de pessoas e supostos ‚centros espirituais‛ que apesar de conhecerem ‚algo‛ do caminho da verdade, por razões de autobenefício e auto glorificação, ‘esculpem’ da verdade da Torá uma outra – ‘falsa e inferior’. Estes líderes hereges (reformistas e conservadores, gentios que acham que podem falar de ‚Cabala‛, etc.) fazem isso para atingir ganhos materiais em troca de oferecer aos incautos desesperados um caminho ‚mais fácil‛, de atalhos infantis para o seu ‚crescimento‛ espiritual. Eles agradam seu rebanho com suas palavras falsas. Portanto, estes indivíduos são chamados de ‘falsos profetas’, e sobre eles a Torá afirma: ‚Se um profeta se levantar no meio de ti, ou sonhador, e te der um sinal do céu ou um milagre da terra, e realizar se o sinal ou o milagre de que te falou, e te disser: ‘Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo los!’ – não obedecerás às palavras daquele profeta ou daquele sonhador; porque o Eterno, vosso D us, vos está testando para saber se amais o Eterno, vosso D us, com todo vosso coração e com toda a vossa alma‛5.
4 Isaías 28:8.
5 Deuteronômio 13:2 4.
6 Pasmem, mas muitos destes charlatões nefários se auto intitulam ‚especialistas em Cabalá‛.
Gravíssimo também é quando a própria intimidade do pensamento de D us, a nossa santa Cabalá, é disseminada por óbvios hereges arrogantes, ímpios profissionais. Estes propõem uma suposta ‚auto ajuda‛, mas que é completamente distante dos caminhos e verdades de D us. Em suas misturas profanas, eles deformam e zombam da vida santificada que demanda a Cabalá. Repletos de erros na formulação de seus de conceitos ‚sábios‛ (pois ‘nada’ de fato conhecem de Cabalá), estes mestres hipócritas vivem vidas que contrariam absolutamente a todos os princípios virtuosos da Torá e da Cabalá. Estes chamados ‚especialistas‛6 da sítra áchra propõem a ‘Cabalá sem Cabalát Torá’ (ou seja, a parte mística da Torá sem o ‘recebimento’ dela toda, a saber, sem os mandamentos de D us e o comprometimento com uma vida virtuosa, recatada, e reta de acordo com as leis de D us) – algo certamente vil, indigno, e completamente desprovido de santidade. Realmente um grande rebaixamento da santidade da Torá, sendo por estes ímpios tratada como mero entretenimento e negócio popular lucrativo.
É preciso entender que a Torá e os seus segredos ensinados pelo nível interpretativo da Cabalá não podem jamais serem aprendidos apenas de um livro. De fato, mesmo no judaísmo, muitos rabinos se perdem com este assunto e se auto-intitulam como mestres teóricos da Cabalá Iyyunit (‚filosófica‛). Sim, eles até podem ter muito conhecimento filosofia mística, mas eles não têm experiência real dos conceitos que eles leram a respeito por tantos anos. Eles receberam esta sua filosofia mística acreditando que ela seja Cabalá verdadeira, mas o Cabalistas verdadeiros se referem às escolas teóricas do
Zohar, Ari”zal etc. como sendo meramente o pshat do Sód (‚o nível mais superficial do nível íntimo da Torá”). Ou seja, do nível mais básico da Torá Cabalística profética. Estes teóricos estudam os livros e academicamente dialogam sobre seu suposto aprendizado, mas nunca praticam qualquer técnica de expansão mental para lhes permitir vivenciar o que eles professam. Portanto, seu conhecimento dos assuntos que eles se pronunciam, apesar de serem intelectualmente desafiadores, são superficiais e rasos. Os teóricos, sem treinamento profético e experiência real não têm a habilidade de irem além do ponto em que seus meio-intelectos podem compreender academicamente os assuntos lidos em livros. Isto significa que todo os seu conhecimento é meramente teórico, e não verdadeiro. Eles acreditam que conhecem, mas na verdade não conhecem. Sem experiência, conhecimento verdadeiro não pode ser entendido de fato. A Torá íntima e secreta é aprendida de dentro da pessoa, de dentro dos recessos mais profundos da mente subconsciente.
Enfim, de fato, estes indivíduos e seus locais abundam hoje em dia, obtendo grande sucesso através da complacência, preguiça, arrogância, e ignorância dos seus inúmeros adeptos famosos e dos não tão famosos. E aquele que é ligado às estas idéias corruptas é um que se ‚curvará a outro deus‛7 o qual é vivificado pelas mentes e corações manchados de todos ‚que deixam a Torá e louvam os ímpios‛8. E em resposta a estes ímpios, é vital declarar guerra e assim resgatar a ‚Princesa Celestial‛, a Shechiná, que é mantida refém e é abusada nas mãos destes impiedosos. Se eles querem maltratar o que é santo, é preciso não se render a isso, como muitos de nossos irmãos têm feito, a saber, cortando fora este braço da Torá. Que D us não permita isso nunca. Pelo contrário, é tempo de pidión shivúyim (‚resgate dos prisioneiros‛).
Assim, é preciso lutar contra estes malfeitores espirituais, e devolver o que é nosso ao seu lugar santo. A Cabalá não pode de forma alguma ser mantida nas mãos dos impuros cultistas e hereges. O lugar da Cabalá é e sempre foi no bojo do Judaísmo – aonde existir temor a D us.
7 Êxodo 34:14.
8 Provérbios 28:4.
O Nascimento de uma nação
Judaísmo: O Nascimento de uma Nação (Publicado: sexta-feira 27 janeiro, 2012 04:37 PM Israel)
Por que Deus estava com pressa no momento do Êxodo?
"Isso é 'como você deve comer [da Oferta da Páscoa]: com sua cintura com cinto, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão . E você deve comê-lo em Chipazon . - Haste em " (Ex. 12:11)
A palavra Chipazon é uma palavra incomum; em toda a Bíblia que aparece apenas três vezes. Duas vezes ele é usado para descrever a pressa dos israelitas quando deixarem o Egito. Por que eles precisam estar prontos para sair a qualquer momento?
De acordo com o Midrash, havia na verdade três partidos que estavam com pressa.Os egípcios, que tinham medo de que todos iriam morrer de pragas, queria que os escravos israelitas a sair o mais rápido possível. Os israelitas estavam com pressa, para que Faraó mudou de idéia novamente e se recusam a deixá-los sair.
Mas havia um terceiro em uma corrida. O Midrash Também fala da Chipazon da Shechiná . Por que Deus estava com pressa?
A Redenção Hasty
A redenção do Egito precisava ser rápido, como a liberação rápida de uma seta. Aqui estava um grupo de escravos que tinha quase completamente esquecido de a grandeza de sua alma interior, uma dádiva preciosa dos seus antepassados, Princes Santo na terra. Súbita com um empurrão Mão de Deus , um grande povo cheio de coragem e nobreza de espírito, ao contrário de qualquer nação do mundo jamais havia visto, nasceu. Era este o nascimento dramático " de uma nação do meio de outra nação "no palco da história humana.
O êxodo do Egito meteórica com prodígios e milagres era crítico, para proteger essa nova nação da confusão escura de todo o mundo pagão. O povo judeu precisava ser extraído de forma decisiva do meio idólatra egípcio em que eles viveram por séculos, de modo que eles estariam livres para levantar a bandeira da fé pura e iluminada.
Futuro da Redenção
A palavra Chipazon aparece pela terceira vez na Bíblia - em bela descrição de Isaías da Redenção Futura. Ao contrário do Êxodo do Egito,
"Você não vai sair com Haste - Chipazon - ou ir no vôo, pois o Eterno irei adiante de ti, e tua retaguarda Will Seja o Deus de Israel. " (52:12)
Ao contrário da reviravolta milagrosa que provocou o nascimento repentino do povo judeu, a redenção futura é um processo gradual, avançando com passos lentos, progressivos.
Por que o resgate futuro, será tão diferente da redenção do Egito?
No Egito, os escravos hebreus eram pouco diferente de seus vizinhos idólatras. Sua redenção necessitária uma intervenção sobrenatural, um resgate Divino de cima. Mas a redenção futura será efectuada dentro das leis da natureza. Ela emana da agitação do coração humano, Itre'uta de-Letata - uma Despertar de baixo. O povo judeu se levanta de seu sono exílio, retorna à sua terra natal, recupera a sua independência, reconstrói suas florestas e cidades, defende-se dos inimigos que iria destruí-lo, recria seus centros de Torá, e assim por diante. Passo a passo, sem sobrepor as leis da natureza, de modo que mesmo o Ba'al ha-ness , o beneficiário do milagre, não tem conhecimento do Milagre.
Ao contrário do êxodo dramático do Egito, a redenção futuro não é uma fuga do mundo e suas influências. Ao longo dos séculos, conseguimos iluminar muitos aspectos que estavam cheios de trevas. Nossa influência refinou o mundo em vários níveis. O impacto da nossa Torá e estilo de vida, que nós guardamos com dedicação e sacrifício ao longo das gerações, têm servido como estrelas brilhantes de iluminação para muitas nações.
Os objetivos da futura redenção é dupla. Em primeiro lugar - para completar a empresa de espalhar a nossa luz em todo o mundo. Esta luz precisa ser projetada em sua forma pura, imaculada, limpa do Dregs que se acumularam de séculos Antes de negativas influências. O segundo objetivo é purificar-nos daqueles tendências estrangeiras que temos absorvido através do nosso contato com as nações durante nosso exílio prolongado.
Quando ficar mais uma vez, forte e independente sobre majestosas alturas da nossa terra, pronto para alcançar o nosso potencial espiritual - só então as nações será capaz de ver a nossa luz.
Mas deve contar com a herança de nossa redenção do Egito e nascimento milagroso como o povo de Israel. Então = Redemindo nosso futuro que não será em Haste, mas vai crescer de forma constante, Kim'a Kim'a , como a luz sempre Espalhando do sol da manhã.
(Adaptado de Ma'amarei HaRe'iyah vol. I. p. 164)
O que devemos aprender com o 1º mandamentos dado ao povo de Israel com um povo:
O que devemos aprender com o primeiro mandamento dado ao povo de Israel como um povo:
"E o Senhor falou a Moisés e Arão na terra do Egito, dizendo:" Este mês (HaZeh) será para vós o princípio dos meses; será o primeiro mês do ano para você. "(Êxodo 15:1 - 2)
O HaZeh palavra ("isto"), é muito significativa em nosso versículo. O Midrash metaforicamente compreende a declaração de Deus de "isto" como um dedo Divino apontando para o sliver recém-saído de uma lua e dizendo a Moshe: "Quando você ver a lua neste estado você deve santificá-la como chefe de todos os meses
O que era tão importante para este mandamento ser declarado neste momento delicado antes do êxodo do Egito.
Também leu uma declaração muito dramática neste contexto no Talmud;
Rabbi Yohanan diz: "Quem faz a bênção para a lua nova em seu tempo adequado, é como se ele recebece a presença divina". "(Sanhedrin 42b)
Por que seria isso?
Os Filhos de Israel no Egito eram escravos. Eles não tinham controle sobre o tempo.
Na realidade todos nós somos escravos do tempo. Todos nós vivemos como se fossemos vítimas do rio correndo do tempo. Às vezes nos sentimos como se estivéssemos sendo arrastado para a frente para o desconhecido e, às vezes temos um sentimento oprimido e impotente.
Desde que Adão e Eva foram introduzidas para o espectro da morte, o relógio começou a marcar de forma consistente e preocupante.
Em hebraico a palavra para "tempo" é zman. Rabbi Moshe Shapiro de Jerusalém ensina que zman é de mesma raiz da palavra como o hazmana palavra que significa convite. O tempo não é um rio caudaloso que nos leva em direção ao desconhecido. Na verdade é um convite para um destino nomeado.
Os escravos hebreus do Egito tiveram que aprender esta verdade, então D’us lhes ordena que declarar um novo mês. D'us quer dizer a essas pessoas que Ele lhes deu o poder de santificar o mês. Além disso, não é apenas declarar o início do mês, mas trata-se de preenchê-lo com a santidade e propósito. A escolha de santificação também determina a chegada dos dias de festa nomeado. A eles têm sido dado este poder ao longo do tempo, dando-lhes a capacidade de preencher o tempo com um significado.
Além disso eles e nós, seus descendentes, estão sendo ensinados o poder de renovação. Devemos aprender a viver em um mundo governado pela passagem do sol e sua constância sempre presente, como o versículo declara: "Não há nada novo sob o sol (Kohelet 1:9).Contudo, devemos também conectar-se o poder de renovação e de novos começos. O povo judeu é comparado à lua. Assim como a lua cresce mais brilhante e depois se desvanece, a história judaica espelha este ciclo. Embora eles começaram como escravos, eles se desenvolveram nos reinos poderosos do rei Davi e seu filho. Embora eles entrasse no exílio sua força espiritual sempre retornará a reanimá-los. Este é um ciclo que continuará até o dia final.
Como recitamos na halevanah birkat, "a bênção da lua, (Sanhedrin 42a):
"Louvado és Tu, ó Senhor, nosso D’us, Rei do Universo, que criou os céus com a sua palavra, e hospeda todo o céu com o sopro de sua boca. .... Ele é o Criador verdadeiro, que age fielmente, e Ele disse a lua para renovar-se. É uma linda coroa para as pessoas transportadas por D’us desde o nascimento, que será igualmente renovada no futuro, a fim de proclamar a beleza do seu criador para a sua majestade gloriosa.
Finalmente, são também uma lição. Como observamos a declaração do rabino Yochanan "Quem faz a bênção para a lua nova em seu tempo adequado, é como se recebece a presença Divina" (Sanhedrin 42b) "e é preciso explicar a razão para isso.
O rabino Menachem Mendel de Vitebsk Uma vez perguntou aos seus alunos "o que a linguagem que D'us Speak? "disse um aluno" Bangla ". Outro disse que em todas as línguas e outro disse no "não linguagem ". O rabino Menachem Mendel respondeu "todos vocês estão parcialmente corretos, mas" Homem "é a linguagem de D'us. "Ao homem foi dado o papel de expressar a Divindade no mundo.
Assim como a lua reflete a luz do sol, assim também são as pessoas de D'us, vivem para refletir a luz de D'us. Mesmo no meio da escuridão da noite, quando a luz do sol não pode ser percebida, sua reflexão é apresentada pela lua. Ser uma "luz do mundo" (Isaías 42:6) significa simplesmente ser um reflexo da luz de D'us no mundo.
Esse é o significado por trás da declaração Rabi Yochanan sobre receber a Presença Divina. Isso quer dizer que receber a Presença Divina é realmente como refleti-lo ao mundo, mesmo em tempos de escuridão e exílio. "Para declarar na parte da manhã Sua bondade e Sua fidelidade à noite" (Salmo 92:3)
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