quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Profeta Daniel


Profeta Daniel
 A opinião tradicional  é que o livro foi escrito no século VI a.e.c., e que Daniel foi realmente o autor. As evidências em favor dessa opinião são as seguintes:
  • Afirmações presentes no próprio Livro. O profeta Daniel fala em primeira pessoa em muitas passagens (Daniel 8:1-7, 13-19, 27; 9:2-22; 10:2-5). Afirma que recebeu pessoalmente a ordem divina de preservar o livro (Daniel 12). O fato de que existam seções nas quais o autor se refira a si mesmo em terceira pessoa não é estranho, já que esse estilo é freqüente em obras antigas.
  • O autor conhece bem a história. Somente um homem do século VI a.e.c., bem versado em assuntos babilônicos, poderia ter escrito quanto a alguns dos fatos históricos que se encontram no livro. O conhecimento desses fatos se perdeu depois do século VI a.e.c., pois não se registrou em outra literatura antiga posterior. Descobertas arqueológicas mais ou menos recentes trouxeram estes fatos novamente à luz.
Daniel no Capítulo 7  menciona a marcha de grandes potências, que realmente aconteceram. A Tomada da Babilônia por Ciro, o governante Medo-Persa até as mais conhecidas potências militares ascendentes da divisão do império de Alexandre o Grande,  descrito no livro de Daniel como um "leopardo com asas" devido a rapidez de suas conquistas. Daniel escreveu valiosas profecias que estavam muito além de seu tempo.
O livro se divide basicamente em duas partes. A primeira (Capítulos 1 a 6) é relevantemente histórica. A segunda (Capítulos 7 a 12) tem  cunho profético. No entanto o livro constitui uma unidade literária.  Por exemplo. Só   compreenderá o uso dos copos do templo no banquete de Belsasar se for levado em conta como chegaram a Babilônia etc.
O Profeta é comumente citado por missionários que através de contas complicadas e da  invenção de um sistema de dias batizado de  "ano profético", distorcem alguns versos de Daniel para justificar crenças estranhas ao judaísmo.

Profeta Daniel


Profeta Daniel
 A opinião tradicional  é que o livro foi escrito no século VI a.e.c., e que Daniel foi realmente o autor. As evidências em favor dessa opinião são as seguintes:
  • Afirmações presentes no próprio Livro. O profeta Daniel fala em primeira pessoa em muitas passagens (Daniel 8:1-7, 13-19, 27; 9:2-22; 10:2-5). Afirma que recebeu pessoalmente a ordem divina de preservar o livro (Daniel 12). O fato de que existam seções nas quais o autor se refira a si mesmo em terceira pessoa não é estranho, já que esse estilo é freqüente em obras antigas.
  • O autor conhece bem a história. Somente um homem do século VI a.e.c., bem versado em assuntos babilônicos, poderia ter escrito quanto a alguns dos fatos históricos que se encontram no livro. O conhecimento desses fatos se perdeu depois do século VI a.e.c., pois não se registrou em outra literatura antiga posterior. Descobertas arqueológicas mais ou menos recentes trouxeram estes fatos novamente à luz.
Daniel no Capítulo 7  menciona a marcha de grandes potências, que realmente aconteceram. A Tomada da Babilônia por Ciro, o governante Medo-Persa até as mais conhecidas potências militares ascendentes da divisão do império de Alexandre o Grande,  descrito no livro de Daniel como um "leopardo com asas" devido a rapidez de suas conquistas. Daniel escreveu valiosas profecias que estavam muito além de seu tempo.
O livro se divide basicamente em duas partes. A primeira (Capítulos 1 a 6) é relevantemente histórica. A segunda (Capítulos 7 a 12) tem  cunho profético. No entanto o livro constitui uma unidade literária.  Por exemplo. Só   compreenderá o uso dos copos do templo no banquete de Belsasar se for levado em conta como chegaram a Babilônia etc.
O Profeta é comumente citado por missionários que através de contas complicadas e da  invenção de um sistema de dias batizado de  "ano profético", distorcem alguns versos de Daniel para justificar crenças estranhas ao judaísmo.

Profeta Daniel Resumo Briográfico


Profeta Daniel Resumo Biográfico
Daniel (em hebraico דניאל) é um dos profetas da Bíblia. A sua vida e profecias estão incluídas no Livro Daniel. O significado do nome é "Aquele que é julgado por Du's" ou "D'us assim julgou", ou ainda, "D'us é meu juiz"
No terceiro ano de Joaquim como rei de Judá, o rei Nabucodonosor, da Babilônia, atacou Jerusalém, e os seus soldados cercaram a cidade. Nabucodonosor conquistou, pilhou a cidade e levou objetos de sua conquista para a Babilônia e mandou colocá-los no templo do seu deus, na sala do tesouro. O rei Nabucodonosor chamou Aspenaz, o chefe dos serviços do palácio, e mandou que escolhesse entre os prisioneiros israelitas alguns jovens da família do rei e também das famílias nobres. Todos eles deviam ter boa aparência e não ter nenhum defeito físico; deviam ser inteligentes, instruídos e ser capazes de servir no palácio. E precisariam aprender a língua e estudar os escritos dos babilônios. Entre os que foram escolhidos estavam Daniel da tribo de Judá. Aspenaz lhe deu outro nome babilônico. Daniel ficou no palácio real até o ano em que o rei Ciro começou a governar a Babilônia. Ele sempre foi respeitado, até mesmo pelos governantes, por sua sabedoria. Não existem registros da data e circunstâncias de sua morte. Mas ele possívelmente morreu em Susa, com oitenta e cinco anos, onde existe uma provável tumba (imagem acima) onde estaria seu corpo, este lugar é conhecido como 'Shush-Daniel'.
O Livro de Daniel
O livro leva o nome de seu protagonista, no entanto vários livros do Tanach recebem o nome de seu principal herói como título, como por exemplo os livros de Josué, Samuel, Ester etc. Mas tal título não indica necessariamente que essa pessoa foi a autora do livro. No caso de Daniel além de protagonista ele é o provável autor do Livro. As evidências em favor dessa opinião são as seguintes:
  • O profeta Daniel fala em primeira pessoa em muitas passagens. Afirma que recebeu pessoalmente a ordem divina de preservar o livro. O fato de que existam seções nas quais o autor se refira a si mesmo em terceira pessoa não é estranho, já que esse estilo era frequente.
  • Somente um homem bem versado em assuntos babilônicos, poderia ter escrito quanto a fatos históricos que se encontram no livro.
O livro se divide em duas partes fáceis de distinguir. A primeira (Capítulos 1 a 6) é principalmente histórica. A segunda (Capítulos 7 a 12) tem um cunho profético. Apesar disto o livro constitui uma unidade literária. Para defender tal unidade apresentam-se os seguintes argumentos:
  • As diferentes partes do livro estão mutuamente relacionadas entre si.
  • A parte histórica contém uma profecia (Daniel 2) estreitamente relacionada com o tema das profecias que se encontram na última parte do livro (Daniel 7 a 12). O capítulo 7 amplia o tema tratado no capítulo 2. Há também uma relação evidente entre elementos históricos e proféticos.

A suposta discrepância cronológica entre Daniel 1:1 e Jeremias 25:1.

Jeremías sincroniza o 4.º ano de Joaquim de Judá com o primeiro ano de Nabucodonosor da Babilônia. No entanto, Daniel fala que a primeira conquista de Jerusalém efetuada por Nabucodonosor ocorreu no terceiro ano de Joacim, com o que indubitavelmente afirma que o primeiro ano de Nabucodonosor coincide com o terceiro ano de Joaquim. Antes da descoberta de registos dessa época que revelam variados sistemas de computar anos de reinado dos antigos monarcas, os comentaristas tinham dificuldade para explicar esta aparente discrepância. Tratavam de resolver o problema supondo uma convergência de Nabucodonosor com seu pai Nabopolasar ou pressupondo que Jeremías e Daniel localizavam os acontecimentos segundo diferentes sistemas de datas: Jeremías segundo o sistema judeu e Daniel segundo o babilônico.Resolveu-se a dificuldade ao descobrir que os reis babilonios, como os de Judá desse tempo, contavam os anos de seus reinados segundo o método do ¹"ano de ascensão". O ano em que um rei babilonio ascendia ao trono não se contava oficialmente como seu primeiro ano, mas como o ano de ascensão ao trono. Seu primeiro ano, é o primeiro ano completo no calendário, não começava até o próximo dia de ano novo, quando, numa cerimônia religiosa, tomava as mãos do deus babilônico Bel. Também sabemos por Flávio Josefo e pela Crônica que Nabucodonosor estava empenhado numa campanha militar na Palestina contra o Egito quando seu pai morreu e ele tomou o trono. Portanto, Daniel e Jeremías concordam completamente. Jeremías sincronizou o primeiro ano do reinado de Nabucodonosor com o quarto ano de Joaquim, enquanto Daniel foi tomado cativo no ano que subiu ao trono Nabucodonosor, ano que ele identifica como o terceiro de Joaquim.

Os idiomas do livro
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Como Esdras, uma parte do livro de Daniel foi escrita em hebraico e outra parte em aramaico.
Uma opinião aparentemente bem orientada é que as diferentes seções do livro foram escritas em diferentes ocasiões. Pelo fato de ser um culto servidor público do governo, Daniel falava e escrevia em vários idiomas. Provavelmente escreveu alguns dos relatos históricos e algumas das visões em hebreu, e outras em aramaico. Partindo desta suposição, o capítulo 1 teria sido escrito em hebreu, provavelmente durante o primeiro ano de Ciro, e os relatos dos capítulos 3 ao 6 em aramaico em diferentes ocasiões. As visões proféticas foram registradas na maior parte em hebreu (Daniel 8 a 12), ainda que a visão do capítulo 7 foi escrita em aramaico. Por outro lado, o relato do sonho de Nabucodonosor (Daniel 2) foi escrito em hebreu até o ponto em que se cita o discurso dos caldeos (Daniel 2:4) e desde este ponto até o fim da narração o autor usou o aramaico.
Ao final de sua vida, quando Daniel reuniu todos seus escritos para formar um só livro, é possível que não tivesse considerado necessário traduzir certas partes para dar ao livro unidade lingüística, já que sabia que a maior parte de seus leitores entenderiam os dois idiomas.
Aqueles que datam a origem de Daniel no século II a.e.c. têm também o problema de explicar por que um autor hebreu do período macabeo escreveu parte de um livro em hebreu e outra parte do mesmo em aramaico.
Também as peculiaridades ortográficas das seções arameas do livro de Daniel são parecidas às do arameo do Ásia ocidental dos séculos IV e III a.e.c., devido possivelmente a uma modernização do idioma, há diferenças notáveis. A ortografia não pode dizer-nos muito quanto à data quando se escreveu o livro. No máximo, as peculiaridades ortográficas podem indicar quando se fizeram as últimas revisões da ortografia.
Notas"1 - Método de calcular o tempo do governo dos reis. Nos registros históricos era costume, na Babilônia, calcular os anos de governo ou reinado de um rei como anos completos, a partir de 1.° de nissan. Os meses durante os quais o rei talvez tivesse realmente começado a governar antes de 1.° de nissan eram considerados como constituindo seu ano de ascensão, mas eram historicamente creditados ou contados como anos completos de governo do rei que o precedera.” – Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, p. 144.  Texto baseado no original em inglês  da Enciclopédia Britanica

Quatro versos do Profeta Daniel

Quatro versos do Profeta Daniel:


Os missionários utilizam o capítulo 9 do Profeta Daniel como cumprimento de uma "profecia" sobre Jesus, de Nazaré. Com isto visam dar suporte a sua crença que o nazareno é o "messias" descrito nas Escrituras. No entanto, uma leitura mais atenta dos versículos e comparando traduções missionárias com hebraicas aparecem discrepâncias.
Observe que:
Versos em negrito - Bíblia Sagrada, versão da Imprensa Bíblica Brasileira, baseada na tradução de João Ferreira de Almeida.
Versos em azul - Bíblia Hebraica, baseada no Hebraico e à luz do Talmud e Fontes Judaicas, David Gorodovits e Jairo Fridlin.
9:2 - no ano primeiro do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o número de anos, de que falara o Senhor ao profeta Jeremias, que haviam de durar as desolações de Jerusalém, era setenta anos.
9:2 - ...eu, Daniel, examinava nos livros os cálculos sobre o número de anos que tinham se passado desde a revelação do Eterno ao profeta Jeremias, para compreender quanto faltava para que se completassem os 70 anos desde a destruição de Jerusalém.

9:24 - Setenta semanas estão decretadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o santíssimo.
9:24 - Setenta períodos foram decretados sobre teu povo e sobre a cidade santa para dar por finda a transgressão, cessar o pecado, perdoar a iniqüidade e promover a justiça eterna, , confirmando a visão e a profecia, e consagrando o Santo dos Santos.
Setenta semanas...
Interessante observar que a palavra hebraica para semanas é shavua, aqui, especificamente o profeta usa shavuí, que em hebraico é semanal. O mais correto é próximo da tradução seria "períodos".
...fazer cessar...
Tradução errada: Em hebraico, "kalê" significa extingüir. Refere-se à extinção da transgressão que precedera o exílio na Babilônia.
...para dar fim aos pecados...


Tradução errada: para selar os sacrifícios pelas transgressões não intencionais.


...o santíssimo.


A forma colocada é intencional, para se fazer levar a Jesus. Na verdade, é sobre o Templo reconstruído. No original, Kodech kodachim. Este é o local mais santo do templo. O Santo dos Santos.
9:25 Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém até o ungido, o príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; com praças e tranqueiras se reedificará, mas em tempos angustiosos
9:25 Saiba e compreenda: desde a proclamação da ordem para restaurar e reedificar Jerusalém até que seja ungido um princípe, passar-se-ão 7 períodos; durante 62 períodos será reconstruída com suas praças e seus fossos, enfrentando tempos difíceis.
...ungido...
Refere-se a Ciro, chamado pelo profeta de ungido (mesisas) antes de seu nascimento. Ver em Isaias 45:1
Assim disse o Eterno a Seu ungido, a Ciro...

(Isaias 45:1)

9:26 E depois de sessenta e duas semanas será cortado o ungido, e nada lhe subsistirá; e o povo do príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até o fim haverá guerra; estão determinadas assolações.
9:26 E depois dos 62 períodos será abatido o ungido e não haverá outro; o povo de um monarca que virá destruirá a cidade e o Santuário, mas por fim será arrastada por uma inundação; depois, até o final da guerra, grande destruição foi decretada.



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Sim! Jesus foi previsto por Daniel.




Sim! Jesus foi previsto por Daniel

Judaísmo Messiânico Não Existe
Os missionários que se apresentam como 'judeus messiânicos', distorcendo o termo para de forma rasteira enganarem judeus e afastá-lo de sua herança sempre insistem em afirmar que o Tanach (Torá - Profetas - Escritos) estão cheios de profecias sobre Jesus. Será mesmo? A resposta é que sim, realmente existe uma profecia de Daniel que fala sobre Jesus. O "evento" Jesus foi previsto pelo profeta, mais precisamente no capítulo 11 versículo 14. Para uma melhor compreensão reproduzimos abaixo o capítulo XI da Leis dos Reis do livro de Juízes de Mishné Torá.

1 - O Rei - Messias erguer-se-á, no futuro, e restaurará o reinado de Davi como nos dias de outrora, e a sua soberania original; reconstruirá o Templo e reunirá os dispersos do povo judeu. Voltarão a vigorar os sacrifícios, comemorações de anos sabáticos e jubileus, de acordo com as orientações que constam na Santa Torá. Todo aquele que não acredita nele(1) ou que não espera pela sua vinda, não renega apenas os outros profetas da Torá, mas a própria Torá e Moshê Rabênu, pois a Torá garantiu sua vinda, como está escrito: "...Então o Senhor teu D'us mudará tua sorte para o melhor e se compadecerá de ti...e te reunirá de entre os povos nos quais te havias dispersado" (Devarim 30:3-5). Estas palavras explícitas da Torá já incluem tudo o que foi dito(2) pelos profetas. Na própria parashá de Bilam (Bamidbar 24:17-18) consta uma profecia sobre os dois Messias, referindo-se ao primeiro, o Rei Davi, que salvou o povo judeu de seus opressores, e ao último Messias, que será seu descendente e redimirá o povo judeu no final: "eu vejo - mas não agora" (refere-se ao rei Davi); "eu o contemplo - mas não de perto" (refere-se ao Rei Messias); "uma estrela procedente de Jacó" (este é Davi); "um cetro erguer-se-á de Israel" (O Rei Messias); "e esmaga as cabeças de Moab": trata-se de Davi, como está escrito:"Ele venceu os moabitas e os mediu com um cordel" (Samuel Beit 8:2); " e dominará todos os filhos de Set";(3) - trata-se do Rei Messias, sobre quem está escrito: "O seu domínio irá de mar a mar" (Zacarias 9:10); "Edom se torna uma possessão" - tal passagem refere-se a Davi, como está escrito:"e os iduemues se tornaram súditos de Davi..." (Samuel Beit 8:6); "e Seir será uma herança...": aqui a referência é para o Rei Messias, como está escrito: "E os salvadores subirão a montanha de Sião para julgar a montanha de Esaú. Então este reino pertencerá ao Senhor" (Ab 1:21)

2 - Mesmo com relação às cidades de refúgio,(4) está escrito: "Quando o Senhor alargar as tuas fronteiras... acrescentarás ainda mais três cidades..." (Deuteronômio 19:8-9); isto ainda não aconteceu, e D'us não ordenou isto à toa. Quanto aos profetas, nem é preciso mencioná-los pois suas profecias estão cheias.(5)

3 - Não penses que o Rei Messias precisa fazer sinais e maravilhas, criar algo novo [como um "novo testamento"(5A)], ressuscitar os mortos ou realizar algum ato do gênero. Não é assim: Rabi Akiva, que foi um grande sábio dentre os sábios da Mishná, e também arauto do Rei Ben Coziva(6), dizia que aquele rei era o Rei Messias. Ele e os sábios de sua geração acreditavam que o mesmo era o Rei-Messias, até que foi morto pelo pecado(7). Quando (Ben Coziva) foi morto, todos souberam que ele não era o Rei-Messias - os sábios não lhe pediram sinal ou maravilha. O principal é o seguinte: a Torá, seus estudos e suas leis são eternos, nada se pode acrescentar ou subtrair deles.

4 - Um rei descendente de Davi, que se erga e se aprofunde no estudo da Torá, se ocupe com os Mandamentos como seu ancestral Davi, seguindo a Torá Escrita e a Oral,(8) que induza todo o povo judeu a andar nelas, a reforçar as suas brechas e a guerrear as batalhas do senhor:(9) este provavelmente será o Messias. Se ele fizer tudo, for bem-sucedido e construir o Beit Hamicdashe no seu devido lugar, reunindo o povo judeu, será o Messias com certeza, e restabelecerá o mundo todo fazendo todos servirem a D'us, juntos, como está escrito: "Então, darei aos povos lábios puros, para que todos possam invocar o nome do Senhor e servi-Lo sob um mesmo jugo" (So 3:9). Se ele não vier lograr tal êxito ou se for morto, saber-se-á então que não era quem a Torá nos garantiu, que era apenas um como todos os reis da casa de Davi, íntegros e bons, mas que faleceram. D'u só o terá feito existir para testar o povo: "Entre esses homens esclarecidos, alguns serão prostrados, a fim de que entre eles haja os que sejam acrisolados, purificados e alvejados, até o tempo do Fim., porque o tempo marcado ainda está por vir" (Daniel 11:35).

Mesmo sobre Jesus, de Nazaré, que pensava ser o Messias e que foi julgado pelo Bet Din já fora profetizado: "Muitos dentre o teu povo se insurgirão, erguendo-se como 'profetas' e fracassarão. (Daniel 11:14). Pode haver fracasso maior [que Jesus]? Todos os profetas falaram que o Messias vem redimir o povo judeu e salvá-lo, reunir os seus dispersos e fortalecer os Mandamentos: [Jesus], aquele causou a perda do povo judeu pela espada, dispersou seus sobreviventes e rebaixou-os, trocou a Santa Torá (por outros livros) e iludiu grande parte do mundo, para servir a outros deuses além de D'us. Porém, não está ao alcance do homem captar as intenções do Criador, pois, "os Meus pensamentos não são os vossos pensamentos, e os vossos caminhos não são os meus caminhos" (Isaias 55:8), tudo o que fizeram Jesus de Nazaré e o ismaelita,(10) que veio depois, é apenas uma forma de preparar o caminho para o Rei-Messias, moldando o mundo todo para servir a D'us conjuntamente, como está escrito: "Então darei aos povos lábios puros, para que todos possam invocar o Nome do Senhor e servi-Lo sob o mesmo jugo" (So 3:9). De que maneira? O mundo todo está repleto das idéias do Messias, as palavras da Torá e os Mandamentos espalharam-se pelas ilhas mais longínquas e por inúmeros povos de coração duro, eles discutem todos esses assuntos e os mandamentos da Torá dizendo: 'estes preceitos são verdadeiros, porém não são mais obrigatórios hoje em dia'. Outros dizem: 'há mistérios, e é preciso dar uma interpretação diferente, pois o Messias já veio e revelou o segredo...' Quando vier o Messias (Verdadeiro), e quando ele triunfar, ele se elevará,(11) então, de imediato, todos reconhecerão que herdaram apenas falsidades de seus antepassados, e seus "profetas" e ancestrais os iludiram.

Mishné Torá,Leis dos Reis, capítulo XI do livro Juízes. 1 - No Messias; 2 - Posteriormente a Moisés, o que seria dito depois pelos profetas; 3 - Os sábios debatem como será o "domínio sobre os filhos de Set" (terceiro filho de Adão e Eva, do qual adveio toda a humanidade): uns acham que, após terem recebido os castigos merecidos, os outros povos serão redimidos, mas num nível inferior ao do povo judeu; outros sábios acham que eles não terão nenhum destaque, mas ficarão submetidos aos judeus; 4 - Leia Números 35:9-34; Êxodo 21:13-14, Deuteronômio 19:1-13; 5 - De referências ao Messias;5A - Nota deste editor; 6 - é o Bar Cohvá, que viveu 52 anos após a destruição do Beit Hamicdashe, liderando a revolta contra Roma do ano 135 da era comum; 7 - De ter assassinado o Rabi Elazar Ha-Modai; 8 - Talmude, tanto o da Babilônia, como o de Jerusalém. Ver na introdução.; 9 - Contra os inimigos do povo judeu; 10 - Maomé. Os sábios explicam que todos os acontecimentos e fatos, individuais ou mundiais, são Providência Divina, são meios e caminhos, com o objetivo de revelar a Divindade, só que, se o homem ou pessoa tem mérito, essa Revelação vem pelo lado positivo, e se não, pelo lado negativo; 11 - À liderança.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Uma Breve História dos Anoussitas


UMA BREVE HISTORIA DOS ANOUSSITAS








RETIRADO DA REVISTA JUDAICA



Uma parte da sociedade brasileira, incluindo parte da comunidade judaica, desconhece tudo - ou quase tudo - sobre os marranos.(bene anoussim) A outra parte tem conhecimentos superficiais, não muito precisos historicamente. É comum, por exemplo, ouvir essas pessoas comentando que marranos eram os judeus portugueses que mudaram seus nomes hebraicos para portugueses, geralmente de plantas e animais.
Embora isso de fato tenha ocorrido como evidenciam alguns Oliveira, Pereira, Carneiro e Lobo, não só nomes identificados com a fauna e a flora foram usados por aqueles judeus. O universo de nomes portugueses adotados pelos marranos engloba praticamente todos os nomes próprios usados pelos lusitanos, conforme constatamos em Raízes Judaicas no Brasil, de Flávio Mendes Carvalho(1). Aos interessados no assunto recomendo meu livro Os Marranos e a Diáspora Sefardita(2).



Outro erro freqüente entre os que têm noções sobre os marranos é relacionar a designação com "porcos" da língua espanhola. De fato, a tradução literal é coincidente, mas o termo "marrano" é muito mais transcendente, segundo explicações de especialistas como David Gonzalo Maeso ("A respeito da etimologia do vocábulo marrano", em Os Marranos, coletânea organizada por Nachman Falbel e Jacó Guinsburg) e Elias Lipiner (Santa Inquisição: Terror e Linguagem). Com base nestes estudos, semanticamente é mais correto e espiritualmente mais justo, entender o termo marrano como a junção das palavras hebraicas mar (amargo) e anussim (forçados). Isto é: os forçados amargamente a deixar o judaísmo.
Nesse ponto, o da religiosidade, há ainda aqueles que dizem que os marranos traíram o judaísmo para usufruir a vantagem de uma cômoda conversão ao catolicismo. Qual a vantagem, pergunto? A aparente vantagem era enganosa, e aqueles judeus sabiam e sentiam na pele que ao aceitar a religião imposta, aceitavam também ser julgados como hereges cristãos ao praticar ritos judaicos clandestinamente. Então, uns poucos privilegiados (e mesmo assim necessitando de muita sorte) conseguiam sair de Portugal rumo à Holanda, Turquia, Marrocos, Brasil. Outros realmente optavam por morrer queimados gritando o Shemá Israel!(3) E não foram poucos.
Os inquisidores, percebendo que a armadilha da conversão não atraía o número esperado de judeus que seriam logo acusados e condenados sumariamente, enquanto seus bens iam para a Igreja, trataram de fazer a Inquisição funcionar a pleno vapor. A metáfora lembra de perto os campos de extermínio nazistas. Entrava em cena a "Fábrica de judeus", expressão criada pelo dominicano e deputado da Inquisição, Domingos de São Tomás (1640-1670).
Com isso, desde o final do século 15, milhares de judeus foram oficialmente tornados cristãos em Portugal, por decreto. Nessa situação, não havia a opção nem de sair do país, nem de morrer na fogueira. Muitos se suicidaram! não concordamos com um suicídio coletivo. Nem a Torá concorda! Quando Moshe Maimon respondeu aos judeus iemenitas no século 12, recomendou que aceitassem o Islão em vez do suicídio coletivo. Em sua sabedoria, Maimon intuía que a história faria justiça aos descendentes daqueles judeus do Iêmen que foram obrigados a deixar sua fé mosaica. A história também faria justiça aos marranos.
Quem acha que os marranos traíram o judaísmo por conveniência, comete duplo erro: histórico e moral. Os marranos não tiveram opção. Nem o suicídio era opção. Torturados física e psicologicamente, mães assistiam, inertes, a seus filhos serem raptados pela Igreja para serem criados em lares católicos, enquanto outras crianças judias eram abandonadas na ilha africana de São Tomé para serem devoradas pelos animais. Pergunto de novo: Qual a vantagem do judeu se tornar cristão nessa sociedade?
Por último, o grande erro de muita gente é dizer que a Inquisição aconteceu "Há tanto tempo" que nenhum descendente daqueles judeus poderia reivindicar seu direito de pertencer ao povo de Israel hoje. A história tem seu curso natural e não se apavora com 500 anos. Os marranos brasileiros da atualidade que, por convicção própria, desejam retornar ao judaísmo devem ser acolhidos de braços abertos pela comunidade organizada.
A bem da verdade, as conversões forçadas em Portugal e Espanha se intensificaram há 500 anos. A Inquisição só parou de perseguir os judeus nas primeiras décadas do século passado. Visto assim, a história é bem mais recente.
O trabalho por nós desenvolvido, no sentido de recuperar a herança judaico-marrana no Brasil, tem encontrado muita receptividade em pessoas apaixonadas pelo judaísmo, pelo Estado de Israel, pela cultura judaica, e que desejam sinceramente fazer o caminho de volta, teshuvá. Felizmente, a receptividade por parte de rabinos, intelectuais e lideranças comunitárias judaicas tem sido muito favorável para receber e integrar comunitariamente também esses Filhos da Aliança. Notas:




1) Ed. Nova Arcádia, São Paulo, 1992.
2) Ed. Capital Sefarad, São Paulo, 1995.
3) "Ouve ó Israel!", uma das principais orações da liturgia judaica, que reafirma a unicidade de Deus.

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                         A quem interessar possa. Encontrei o assento de batismo de um Francisco, filho de um PEDRO GUARDÊS DE MOURA...