sábado, 21 de maio de 2011

Tudo sobre o Messias: Rabino Aryeh Kaplan



Descendente do Rei David, ele profetizará uma era de paz mundial.
O Messias será um ser humano normal, nascido de pais humanos. Conseqüentemente, é possível que até já tenha nascido.
Semelhantemente, o Messias será mortal. Finalmente, morrerá e deixará seu reino como herança para seu filho ou sucessor.
A tradição menciona que este será um descendente direto do Rei David, filho de Jesse, como está escrito, "Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes um renovo." (Isaías 11:1). Da mesma forma, em nossas orações, pedimos, "que o filho de David floresça," e "que a memória de Mashiach Ben David surja... perante você." Existem inúmeras famílias judias hoje que podem traçar sua descendência diretamente ao Rei David.
O Messias será o maior líder e gênio político que o mundo já viu. E, igualmente será o homem mais sábio que já existiu. Usará seus talentos extraordinários para precipitar uma revolução mundial que trará a justiça social perfeita para a humanidade, e influenciará todas as pessoas a servirem a D’us com coração puro.
O Messias também alcançara a profecia e se tornará o maior profeta da história, segundo somente para Moisés.
Qualidades especiais
O profeta Isaías descreveu seis qualidades com as quais o Messias será santificado: "o espírito do D’us descansará nele, (1) o espírito de sabedoria e (2) compreensão, (3) o espírito do aconselhamento e (4) grandeza, (5) o espírito do conhecimento e (6) o temor a D’us" (Isaías 11:2). Em todas estas qualidades, o Messias superará qualquer outro ser humano.

O Messias não se deixará iludir pela falsidade e hipocrisia deste mundo. Terá o poder para entender o espírito da pessoa, conhecendo assim, seu registro espiritual completo podendo então julgar se é culpado ou não. Com relação a este poder, está escrito, "Deleitará-se pelo temor a D’us; não julgará pelo que seus olhos vêem, ou repreenderá pelo que seus ouvidos ouvem" (Isaías 11:3). Este é um sinal pelo qual o Messias será reconhecido. Porém, similarmente como o presente da profecia, este poder se desenvolverá gradualmente.
O Messias usará este poder para determinar em qual tribo cada judeu pertence. Então, dividirá a Terra de Israel em heranças terrestres onde cada tribo receberá sua parte. Começará com a tribo de Levi, determinando a legitimidade de cada Cohen e Levi. Com relação a isso o profeta escreve, "Ele purificará as crianças de Levi, e refinará-las como ouro e prata, para se tornarem portadoras de uma oferenda para D’us com honradez" (Malachi 3:3).
Metas e Missão
A missão do Messias tem seis partes. Sua tarefa principal é fazer com que todo o mundo retorne para D’us e Seus ensinamentos.

Ele também restabelecerá a dinastia real para os descendentes de David.
Ele supervisionará a reconstrução de Jerusalém, inclusive o Terceiro Templo.
Ele juntará o povo judeu na Terra de Israel.
Ele restabelecerá o Sanhedrin, o supremo tribunal religioso e as leis do povo judeu. Esta é uma condição necessária para a reconstrução do Terceiro Templo, como está escrito, "restituirei os teus juízes, como eram antigamente, os teus conselheiros, como no princípio; depois te chamarão cidade de justiça, cidade fiel. Sião será redimida pelo direito, e os que se arrependem, pela justiça “(Isaías 1:26-27). Este Sanhedrin também poderá reconhecer formalmente o Messias como rei de Israel.
Ele restabelecerá o sistema sacrifícios, como também as práticas do Ano Sabático (Shmitá) e o Ano Jubileu (Iovel).
Portanto, como Maimonides declara, "Se surgir um governador da família de David, submerso em Torá e em seus Mandamentos como David e seu antepassado, que siga tanto a Torá Escrita como a Oral, que conduza Israel de volta a Torá, fortalecendo a observância de suas leis e lutando em batalhas por D’us, então podemos assumir que ele é o Messias. E se for bem sucedido na reconstrução do Templo em seu local original e juntar o povo dispersado de Israel, sua identidade como Messias passa a ser uma certeza."
Influência mundial
Assim como os poderes do Messias se desenvolverão, sua fama também o fará. O mundo começará a reconhecer sua profunda sabedoria e virá buscar seu conselho. Portanto, ensinará toda a humanidade a viver em paz e seguir os ensinamentos de D’us. Os profetas, deste modo, prenunciam, "Nos últimos dias acontecerá que o monte da casa do Eterno será estabelecido no cume dos montes, e se elevará sobre os outeiros, e para ele afluirão todos os povos. Irão muitas nações, e dirão: Vinde e subamos ao monte do Eterno, e à casa de D’us de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos e andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e as palavras do Eterno de Jerusalém. Ele (o Messias) julgará entre os povos e corrigirá muitas nações; estes converterão as suas espadas em relhas de arados, e suas lanças em podadeiras: uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra." (Isaías 2:2-4, Miquéias 4:1-3)

Na Era Messiânica muitas pessoas não-judias se sentirão compelidas a se converter ao Judaísmo como o profeta prenuncia, “Darei a todas as pessoas uma língua pura, para que possam chamar o nome de D’us, e todos possam servi-Lo de uma só forma” (Zacarias 3:9). Uma vez que o Messias se revele, todavia, convertidos não serão aceitos.
Ainda, Jerusalém se tornará o centro de adoração e instrução para toda humanidade. Deste modo D’us disse a Seu profeta, "Voltarei para Sião, e habitarei no meio de Jerusalém; Jerusalém se chamará cidade fiel; e o monte do Eterno, monte santo " (Zacarias 8:3).
Então começará o período em que os ensinamentos de D’us serão supremos sobre toda humanidade, como está escrito, "O Eterno reinará no monte Sião e em Jerusalém; perante os seus anciãos (ele revelará sua) glória " (Isaías 24:23). Todas as pessoas virão para Jerusalém buscando D’us. O profeta Zacarias descreve este fato graficamente quando diz, "Virão muitos povos, e poderosas nações buscar em Jerusalém o Eterno e suplicar a Seu favor...naquele dia sucederá que pegarão dez homens, de todas as línguas das nações, pegarão, sim, na orla da veste de um judeu, e lhe dirão: Iremos convosco, porque temos ouvido que D’us está convosco." (Zacarias 8:22-23).
Em Jerusalém, o povo judeu será estabelecido como professores espirituais e morais de toda humanidade. Naquele tempo, Jerusalém se tornará a capital espiritual do mundo.
Na Era Messiânica, todas as pessoas acreditarão em D’us e proclamarão Sua Unidade. Desta forma, diz o profeta, "O Eterno será rei sobre toda terra; naquele dia um só será o Eterno, e um só será seu nome.”(Zacarias 14:9).
Paz e Harmonia
Na Era Messiânica, inveja e competições pararão de existir, e no lugar delas haverá abundância de coisas boas e todos os tipos de gentilezas serão tão normais quanto a poeira. Os homens não travarão ou se prepararão para guerra, como o profeta prenuncia, ". Uma Nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.” (Isaías 2:4).

Na Era Messiânica, todas as nações viverão pacificamente juntas. Semelhantemente, pessoas de todas os níveis viverão juntas em harmonia. O profeta comenta este fato alegoricamente quando diz, "O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi.” (Isaías 11:6-7).
Embora o Messias influencie e ensine toda humanidade, sua missão principal será trazer o povo judeu a D’us. Deste modo, o profeta diz, "Porque os filhos de Israel ficarão por muitos dias sem rei, sem príncipe, sem sacrifício, sem coluna, sem estola sacerdotal ou ídolos do lar. Depois tornarão os filhos de Israel e buscarão ao Eterno seu D’us, e a Davi, seu rei; e nos últimos dias, tremendo se aproximarão do Eterno e de sua bondade" (Oséias 3:4-5). Igualmente lemos, "O meu servo Davi reinará sobre eles; todos eles terão um só pastor, andarão nos meus juízos, guardarão os meus estatutos e os observarão.” (Ezequiel 37:24).
Ao passo que a sociedade avança em direção a perfeição e o mundo se torna cada vez mais religioso, a principal ocupação da humanidade será conhecer a D’us. A verdade será revelada e o mundo inteiro reconhecerá que a Torá é o verdadeiro ensinamento de D’us. É o que o profeta quer dizer quando escreve, "...a terra se encherá de conhecimento do Eterno, como as águas cobrem o mar” (Isaías 11:9). Da mesma forma, toda a humanidade atingirá os níveis mais altos de Inspiração Divina sem qualquer dificuldade.
Embora o homem ainda tenha o livre arbítrio na Idade Messiânica, ele terá todo o incentivo para fazer o bem e seguir os ensinamentos de D’us. Será como se o poder do mal estivesse totalmente aniquilado. É o que o profeta prenuncia, "porque está é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Eterno. Na mente lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei...não ensinará jamais cada um ao seu irmão dizendo: conheça D’us, porque todos Me conhecerão, desde o menor até o maior deles” (Jeremias 31:33-34).
O profeta também diz em nome de D’us, "Darei vos um coração novo, e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne” (Ezequiel 36:26), ou seja, a inclinação em direção ao bem estará tão fortalecida no homem que este não seguirá suas tentações físicas. Pelo contrário, irá constantemente se fortalecer espiritualmente e andará em direção a servir a D’us e seguir Sua Torá. Este é o significado da promessa da Torá: "E abrirá o Eterno, teu D’us, teu coração e o coração de tua descendência, para amares ao Eterno, teu D’us, com todo o coração e com toda tua alma, para que vivas” (Deuteronômio. 30:6).
Prática religiosa
O Messias não mudará nossa religião de forma alguma. Todos os mandamentos vão estar ligados à Era Messiânica. Nada será adicionado ou extraído da Torá.

Há uma opinião que diz que os únicos livros da Bíblia que serão regularmente estudados na Era Messiânica são os Cinco Livros de Moisés (o Pentateuco) e o Livro de Ester (Meguilat Ester). A razão para isto é que todos os outros ensinamentos dos profetas são derivados da Torá, e já que o Messias revelará todos os significados da Torá à perfeição, a escrita profética não será mais necessária.
O sistema de sacrifícios será restabelecido na Era Messiânica. Porém, só será aceito o sacrifício de ação de graças, pois já que o coração do homem será circuncidado o desejo de pecar não mais existirá e os sacrifícios que serviam para se reconciliar e reparar o erro não serão necessários. Conseqüentemente as únicas rezas que existirão serão as de ação de graças.
Nossos profetas e sábios não anseiam pela Era Messiânica para que possam mandar no mundo e dominar a humanidade. Também não desejam que as nações os honre, ou que possam ser capazes de comer, beber e serem felizes. Só desejam uma coisa: estarem livres para poderem se envolver com a Torá e sua sabedoria. Não querem que nada os atrapalhe ou distraia, pois, desta forma podem se empenhar para serem merecedores da vida no Mundo Vindouro.
Do livro: “The Handbook of Jewish Thought” (Vol. 2). Publicado pela Maznaim. Reimpresso com permissão.
 



 

sábado, 14 de maio de 2011

Tehillim Os Salmos:


Tehilim - Os Salmos (Guematria)

A principal ferramenta de trabalho do cabalista são as letras hebraicas. 
A partir delas, formou-se o Universo e é como podemos transmutar a realidade.


As letras podem ser usadas isoladamente ou em grupos.
Estes grupos formam nomes, que podem ter um significado intelectual ou não.
Em geral, este significado é absolutamente secundário.

 O que importa é a energia criada pela combinação das letras. 
Elas são chaves de acesso a estas energias. Por este motivo, não importa se o usuário conhece o idioma hebraico, mesmo que ele não tenha noção do que está lendo, falando ou escrevendo, ele acessará esta energia. 

É mais um daqueles casos em que temos que ultrapassar a dimensão do lógico, do intelectual, para podermos acessar nossas dimensões superiores.

Tudo o que somos e o que fazemos no Mundo Físico recebe 3 "roupagens": o pensamento, a fala e a ação. Cada uma destas roupagens tem uma força e todas elas são necessárias para que algo se materialize nesta dimensão em que estamos (Malchut). Assim, tudo o que pensamos, falamos e executamos vira realidade.

 A força e amplitude que este novo ser criado atingirá, depende da energia emocional que colocamos ao criar este novo ser.

Portanto, dentro das práticas cabalistas estão sempre incluídas estas 3 coisas. Muitas vezes, esta ação é o acender uma vela, um incenso. 

A principal, dentro das linhas mais místicas da cabalá é a escrita. Desenhamos Nomes Sagrados, letras.

Ao desenhar uma letra (especialmente se primeiro nós a contemplamos mentalmente, depois a vocalizamos e depois a escrevemos), criamos um "ser" com aquela energia.

Aquele ser continuará influenciando o ambiente a sua volta. 
Isto se chama "ressonância mórfica" e existe em diversas culturas.
Por exemplo, é uma prática comum do Extremo Oriente colocar ideogramas em determinados locais.

A simples presença daquele "ser", muda os fluxos energéticos ali existentes. O mesmo é feito com as letras hebraicas. Sozinhas, ou combinadas, elas estão vivas e influenciando aquilo que está ao seu redor.

A partir destes princípios surgiram, dentro da Cabalah, algumas combinações muito poderosas, que são usadas em forma de oração.
A principal é o Sêfer HaTorah.

A Torah é o Universo.
Ela é a estrutura do Universo materializada.
Possuir um pergaminho da Torah em sua casa é algo extremamente luminoso. 

Lê-lo, olhá-lo, deixá-lo vibrando no ambiente durante algum tempo é fundamental.

Por isso, em determinados rituais cabalistas, abrimos e erguemos o Sêfer HaTorah e o visualizamos através das franjas do talit.

A Torah também deve ser estudada todas as semanas. Ela deve ser entendida em todas as suas formas: Pshat (significado literal), Remez (entender a metáfora, a lição ali existente), Drash (entender os códigos, através de guematria ou de elucidações existentes em comentários externos, como o Midrash, o Zohar, livros de profetas e comentários de cabalistas) e Sod (segredos místicos, a revelação que se dá pela energia das letras da Torah, o nível muito além do intelectual e do emocional).
Quando praticamos estes 5 níveis de entendimento da Torah, atingimos o PRDS, ou PaRDeS, o tal do Paraíso.

Outro livro muito importante nos foi deixado por aquele que melhor soube utilizar as letras e suas combinações: David HaMelech (o Rei David). O famoso episódio de David e Golias narra como ele vence um gigante com uma pedra. Quando os textos nos falam de "pedras", normalmente estão se referindo às letras. Yacov deitou sua cabeça em pedras no monte Moriah e, a partir daí, lutou contra o anjo Peniel e se superou, tornando-se Israel.
David também utilizou pedras na atiradeira (combinou-as de forma a uni-las fortemente) e destruiu Golias ao neutralizar sua cabeça, sua fonte. A partir desse evento, o rumo de sua vida mudou, abrindo o caminho para os eventos que o levaram a tornar-se rei de Israel.

Este grande compêndio de combinações de letras, de "pedras para matar gigantes", é o Livro dos Salmos. Obviamente, trata-se da versão hebraica, casher, sem acentuação. É uma grande arma. No entanto, considera-se que fazem efeito as traduções também, já que os idiomas são formados por letras hebraicas (elas são a estrutura da realidade).
Os salmos devem ser lidos e recitados.
Podemos escolher frases que nos interessam e repeti-las como canções, como mantras. Algumas são clássicas, repetidas há milênios em forma de canção. A leitura do salmo pessoal (sua idade +1), também é muito eficaz para o autoconhecimento.

No Chabad podemos encontrar os salmos hebraicos em português, ou na versão transliterada.

Algumas canções clássicas que são frases dos salmos:

"Hine Ma Tov Umanayim Shevet Achim Gam Yachad" - Como é bom e agradável viverem irmãos juntos em harmonia (Salmo 133)

"Kol HaNeshamah Tehal-El Yah, Halelu-Yah" - Que todos os seres vivos louvem ao Eterno! Louvado seja o Eterno! Haleluiá! (Salmo 150)

"Hodu L'Adonai Ki Tov Ki Leolam Chasdoh" - Agradecei ao Eterno, porque Ele é bom e eterna é Sua misericórdia. (Salmo 118)

"Adonai Sefatai Tiftach Ufi Yaguid Tehilêha" - Adonai, abre os meus lábios e a minha boca proferirá o Teu louvor. (Salmo 51)

"Shiviti Adonai Lenegdi Tamid" - Tenho posto ao Eterno diante dos meus olhos (ou diante de mim, ou à minha frente). (Salmo 16)

Compreendendo ou não o texto, é uma boa prática começar a incluir os Tehilim (salmos) em suas orações e meditações diárias.

Sempre que houver problemas no mundo, perto ou longe de você, recite salmos em nome daqueles que precisam de Luz.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Judaísmo e Bruxaria

Judaísmo e Bruxaria

by Rabbi Ahron Lopiansky
Entre D'us e o mundo de natureza esconde-se uma ponte "oculta". Atravessá-la é perigoso e um pequeno deslize significa cair no abismo da idolatria.

A maioria das crianças se impressiona com histórias de bruxas e diabos, como aparece nos filmes de Harry Potter e o Conde Voldemort. Já num mundo contrário a aquele, ou seja, racional, estas forças misteriosas adicionam um elemento de diversão e excitação e mexem com a imaginação. Eles permitem a uma criança sentir que existe um caminho para pelo qual podem ultrapassar um sistema impiedoso e insensível.

Nasceu pobre sem ser culpa sua? Não tem problema, uma maravilhosa fada virá até a porta da sua casa e lhe dará a fortuna que você tanto ansiava. Há alguém lhe atormentando impiedosamente? Um feitiço será lançado e ele se tornará um esquilo para o resto de sua vida.
Os filmes da Bruxa de Blair proporcionam aos adolescentes alguns momentos de excitação e medo, e uma leve sensação de que talvez realmente exista algo espreitando do lado de fora.

TRÊS ABORDAGENS GERAIS

Quando uma pessoa amadurece, três abordagens gerais em relação ao "oculto" e às forças externas começam a se manifestar.

Existem pessoas sérias, racionais que riem de tudo isso. Para elas o mundo é racional, determinado e qualquer outra coisa não faz sentido para elas.

Existe também, um segundo grupo de pessoas, que tendem a ser espirituais, artísticas, poéticas, etc. Estas sentem que o mundo tem uma dimensão espiritual, por isso, existem todos os tipos de forças e mistérios que a razão não pode compreender. Este é o mundo em que há a leitura da borra do café, cartas de tarô, bolas de cristal e previsões psíquicas.
Em seguida, existem pessoas profundamente religiosas, cuja visão de mundo é a de uma grande batalha entre as duas forças no mundo: a do bem e a do mal. O capitão da força do bem é D'us, ajudado por muitos anjos, santos, mártires, etc. O capitão da força do mal é o diabo, ajudado por demônios, espíritos e políticos maus. O mundo deles é ameaçado por gente como as pessoas más do livro de Harry Potter, devido a grande severidade com que é lidada a bruxaria na Bíblia.

NÃO JUDAICAS

Nenhuma destas três abordagens gerais estão de acordo com o Judaísmo. Qual é a perspectiva da Torá em relação à bruxaria?

A Torá tem uma opinião negativa em relação à bruxaria em seus variados formatos, como por exemplo:

"O feiticeiro não deve ter permissão para viver." (Êxodo 22:17)

" Quando entrares na terra que D'us lhe concedeu; não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos.Não se achará entre ti...nem adivinhador, nem agoureiro, nem feiticeiro...nem quem consulte os mortos. Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação para D'us, e é por causa destas abominações que D'us está lhe dando sua terra." (Deuteronômio. 18:9-12)

Mas por que? Qual é o problema ?

A abordagem antagonista "diabo versus D'us" é um anátema para o Judaísmo por causa do dualismo que se encontra nela. D'us é Um, e só Um. Ele age de muitos modos diferentes, mas não existem "dois" exércitos no sentido completo da palavra.
O Judaísmo sim fala do "Satanás/diabo,"mas o vê como um agente de D'us, testando a sinceridade das ações do homem, a força de suas convicções, e a perseverança de sua fibra moral. Embora este "diabo" pareça atrair o homem para fazer o que é errado, ele não é uma criatura má. Mais do que isso, ele conduz uma "operação de picada"; atraindo para o lado ruim, mas na realidade trabalhando para D'us. Uma leitura superficial do início do livro de Jó transmite esta mensagem: D'us enviou "Satanás/diabo" para testar a retidão de Jó.

Da mesma forma que um dentista ou médico testa a firmeza de um dente ou osso sondando-os e da mesma forma também que o exército analisa a integridade e fidelidade de seus soldados testando-os, assim é que D'us faz com relação ao homem. Um teste revela o mérito interno das ações da pessoa, demonstrando realmente do que elas são feitas.
Então, se mágico e oculto existem, por que são tão maus?

MÁGICA BOA, MÁGICA MÁ

Nós também encontramos muitos tipos de "mágica boa" nas fontes talmúdicas, como bênçãos, amuletos etc. Então, como distinguimos entre estes dois tipos de forças espirituais?

A perspectiva mais usada é a de Nachmânides, um grande pensador. Tentaremos adaptar e explicar esta perspectiva.

Embora D'us seja o único criador do universo, Ele criou um sistema autônomo de "natureza" que serve como uma superfície intermediária entre D'us e o homem.
O sistema da natureza é auto-suficiente e tem suas leis e relações de causa e efeito. Então se uma pessoa utilizar este sistema sem recurso imediato de D'us, pode ser considerado como um tipo de ateísmo. É fácil pensar que o sistema se movimenta sozinho, independente de D'us. Gravidade, inércia, eletro-magnetismo, e etc, todos funcionam da mesma forma se a pessoa é um pecador ou um santo. Uma pessoa que acredita nos fenômenos de natureza sem se preocupar em si perguntar sobre sua causa, nem sendo sensível à manipulação de D'us nestes eventos naturais, é iludido pelo sistema a desacreditar em D'us.

Entre D'us e este mundo da natureza esconde-se uma ponte que chamamos "oculta" ou "quase-espiritual". Ela é capaz de mudar e desviar-se das regras da natureza, por milagres, mágicas, etc. Mas este mundo quase-espiritual, embora seja mais elevado do que o da natureza, não é o Divino. Tem suas regras e leis de operação e é talvez mais poderoso do que o mundo físico, mas certamente não é onipotente.
Então devemos usar este mundo do mesmo modo que usamos o mundo físico?
Segundo Nachmânides, de modo geral, D'us não deseja que nós façamos uso deste mundo. D'us quer que tomemos consciência Dele dentro do mundo natural, e através de Seus fenômenos. Alguém que subverte o sistema da natureza, usando constantemente o mundo sobrenatural, vai contra a vontade de D'us.

Em casos como estes, em que pessoas utilizaram estas forças sobrenaturais, elas sempre enfatizaram o fato de que os milagres gerados deste modo mostram a onipotência de D'us de superar os fenômenos naturais. Isto é semelhante (entretanto não é o mesmo que) os milagres que D'us mostrou a Israel no Egito com o objetivo de estabelecer verdades Divinas. Quando uma pessoa íntegra usa, por acaso, a intervenção Divina, ela se apóia nestas grandes verdades.

O PERIGO DE FAZER ERRADO

É neste momento que existe o perigo de fazer errado. Uma pessoa que percebe que as leis da natureza em relação a elas mesmas são insuficientes para explicar o mundo, ela penetra neste mundo mais espiritual e encontra uma mistura de todos os tipos de "seres espirituais." Se ele entender que estes são agentes de D'us, esta se torna uma experiência espiritual verdadeira. Mas, se ele entender de modo errado que estes seres são independentes de D'us, estará participando de uma adoração de ídolos! Estas forças, então se tornam uma fonte para o mal quando são vistas como um poder alternativo para D'us.

Talvez a melhor ilustração para esta dupla abordagem está no episódio da "serpente de cobre":

E as pessoas falaram mal de D'us e Moisés ... e D'us mandou entre o povo serpentes abrasadoras, que mordiam o povo e morreram muitos do povo de Israel. E disso D'us a Moshé faça uma serpente abrasadora (de cobre), põe-na sobre uma haste: e será que todo mordido que a olhar, viverá. Então Moisés fez uma serpente de cobre e a pôs sobre uma haste; sendo alguém mordido por alguma serpente, se olhava para a de cobre, sarava.. (Números 21:4-9)
A Mishná (Rosh Hashaná 29a) faz uma abordagem:
A serpente curou ou matou? Mais propriamente, quando Israel olhou ao céu e dedicou seus corações ao seu Pai Divino [eles eram curados], e quando não, eles se enfraqueciam.
Aqui temos ambas as facetas do sobrenatural: primeiramente, a natureza milagrosa da serpente fez com que as pessoas percebessem que a praga foi mandada por D'us, ou seja, Ele a criou, e então trabalharam para se melhorar. Desta forma, foi uma experiência espiritual positiva.

Mas, mais tarde as coisas se desintegraram e ao invés da serpente ser uma forma de reconhecimento a D'us, se tornou uma serpente curativa independente do poder de D'us. E isto era idolatria. Por essa razão, centenas de anos mais tarde, o Rei Hezekiah destruiu esta serpente de cobre, pois as pessoas a tinham transformado em ídolo!

ENTENDENDO A ADORAÇÃO DE ÍDOLOS

A adoração de ídolos é a percepção de que existem muitas forças com variados poderes sobre a humanidade e talvez até acima de D'us. O idólatra acha que pode usar estes "poderes" contra D'us se souber como arrancá-los para longe de D'us.

É como se o poder do D'us fosse investido numa arma de fogo que Ele segura em Sua mão. O idólatra acha que se arrancar esta arma de fogo de D'us, poderia, então controlar, ter todo o poder. Ele compara os feitiços da bruxaria com a habilidade de dominar D'us.
O exemplo principal deste tipo de pensamento é o do profeta do mal Bilam, que é chamado de feiticeiro pela Torá. Ele era uma pessoa com muito conhecimento nesta área do universo. Sempre conspirava em usar o mundo mágico contra D'us. Pensava que entendia a mente de D'us e que com uma poderosa manipulação, poderia ser mais esperto do que Ele!
De certo modo, esta é a pior forma de idolatria possível. Por um lado, a pessoa está ciente de algo "real." Não é um estranho que olha para uma pedra que uma mente primitiva fantasiou num d'us. Mais do que isso, é um poder que trabalha. Mas, mesmo assim é totalmente falso, porque nada é independente de D'us.

Para nós, o teste de "espiritualidade" é a moralidade. Qualquer forma de "espiritualidade" que não faz nenhuma demanda moral ao ser humano, não busca trazê-lo mais íntimo de D'us e não destaca o potencial Divino de homem, é espiritualidade falsa ou mal.
Se uma pessoa prática "rituais ocultos" e o conteúdo deles é um murmurar de palavras estranhas, fantasias estranhas, ou rituais estranhos, é, ou falso ou mal. Normalmente é falso, mas nos casos em que ele mexe com estes poderes, é mal, pois separou estes poderes de D'us.

Os grandes rabinos que executaram atos sobrenaturais, tinham o objetivo de trazer para casa uma mensagem sobre D'us. Eles ordenaram as pessoas a reconhecerem o Criador, desenvolverem seu caráter, serem bons com o próximo, serem honrados e féis, etc. Colocados num contexto maior de D'us, Torá e moralidade, estes milagres incomuns foram realmente revelações Divinas.

domingo, 24 de abril de 2011

A razão da queda dos dois templos sagrados


LEIS E TRADIÇÕES
A razão da queda dos dois Templos Sagrados

Tisha B'Av, o nono dia do mês judaico de Menachem Av, é um dia de luto nacional para o Povo Judeu porque nesta data foram destruídos o Primeiro e o Segundo Templo.
Com exceção de Yom Kipur, Tisha B'Av é a única data do nosso calendário na qual somos obrigados a jejuar durante mais de 24 horas. Mas, enquanto Yom Kipur é um dos dias mais felizes do ano, um dia de Perdão e Clemência Divina, Tisha B'Av é o dia mais triste do calendário judaico. É a culminação de um período de três semanas de luto nacional que se inicia em 17 de Tamuz - um dia de jejum que começa antes do amanhecer e termina após o pôr-do-sol.
Foi no dia 9 de Menachem Av que o Primeiro e o Segundo Templo Sagrado de Jerusalém foram destruídos. Construído pelo Rei Salomão, filho e herdeiro do Rei David, o primeiro Beit Hamicdash foi destruído em 422 antes da Era comum pelos exércitos de Nabucodonosor, rei da Babilônia.
O segundo, erguido sob a liderança de Ezra após a volta dos judeus de um exílio de 70 anos, na Babilônia, foi destruído 490 anos após o Primeiro Templo pelas legiões romanas que exilaram os judeus da Terra de Israel.
Jejuamos e lamentamos em Tishá B'Av a destruição do Templo Sagrado por ser esta a causa primordial do sofrimento do Povo Judeu. As conseqüências foram dramáticas: exilado da Terra de Israel, nosso povo se dispersou pelos quatro cantos do mundo, permanecendo durante dois mil anos à mercê de outras nações. Foram dois milênios de perseguição, discriminação, expulsões, pogroms e mortes que culminaram na Shoá.
A destruição do Templo Sagrado, Morada de D'us na Terra, teve sérias conseqüências e continua tendo, não só para o Povo Judeu, mas para a humanidade como um todo. Poucos sabem que o Templo não era apenas o local mais sagrado da cidade mais sagrada da Terra, mas, em termos espirituais, era o escudo protetor do mundo, pois os serviços lá realizados expiavam não somente os pecados dos Filhos de Israel, mas também os de toda a humanidade. Desde a destruição do Templo, os homens perderam uma grande fonte de proteção.
Nossos Sábios ensinam que nas gerações em que o Templo não for reconstruído é como se o mesmo tivesse sido novamente destruído. Isto significa que continuam sendo cometidos os mesmos pecados e erros que causaram a queda do Primeiro e Segundo Templo. Somente quando aprendermos com estes erros, quando deixarmos de cometê-los, o Terceiro Templo será construído, estabelecendo na Terra a utopia com a qual o homem sempre sonhou.
Por que o Primeiro Templo caiu
No Talmud, no Tratado de Yoma, está escrito que o Primeiro Templo foi destruído porque na época os judeus cometiam três pecados capitais: idolatria, imoralidade (adultério e incesto) e assassinato. Mas, ainda no Talmud, o Tratado de Nedarim aponta para outra razão. Está escrito que o Primeiro Templo caiu porque antes de estudar a Torá os judeus não recitavam a bênção apropriada.
Idolatria, imoralidade e assassinato - pecados tão graves que um judeu não pode cometê-los nem para salvar sua vida - podem até justificar a destruição do Templo e o exílio do nosso povo da Terra de Israel. Mas o fato de não recitar uma bênção antes de estudar Torá parece ser uma infração técnica, algo que não poderia ter conseqüências tão catastróficas. No entanto, explicam nossos Sábios que o fato de os judeus cometerem pecados cardeais tão graves, que levaram à destruição do Primeiro Templo, está ligado à forma como se relacionavam com a Torá.
Pergunta o Maharal de Praga, grande cabalista famoso por ter construído o Golem: "Por que a Terra está-se perdendo? A resposta dada por ele é que a Torá foi abandonada. E o que significa abandonar a Torá? Significa não a bendizer". Pois, abençoar a Torá antes de estudá-la - declarando "Santificado és Tu, o Eterno,.... que nos deste a Tua Torá" - é reconhecer que esta pode ser uma dádiva, mas que a Torá ainda pertence a D'us, não a nós. Por outro lado, não recitar a bênção antes de estudá-la, significa removê-la da esfera da santidade. É tratar a Torá, que é a Vontade e a Sabedoria Divina, como qualquer outra obra literária, estudando-a como se fosse matéria da história ou do direito. É transformar o sagrado em profano - e esta é a própria definição de sacrilégio. É ofender tanto à própria Torá como Àquele que a outorgou ao Povo Judeu.
Apesar de D'us estar disposto a relevar muitos dos erros e pecados que cometemos, a omissão em relação à bênção da Torá é algo que Ele não pode ignorar. Fica mais fácil entender a gravidade disso através de uma simples analogia: se alguém se machucar, a dor é transmitida ao cérebro. Mas a ferida mais perigosa é aquela que atinge diretamente o cérebro. Diminuir a santidade da Torá é atingir o âmago do judaísmo, pois esta é como um fio de alta tensão que conecta o homem finito com o Criador Infinito. Se alguém decidir brincar com esse fio de alta tensão - ao interpretar a Torá da forma que lhe convém, mudando ou revogando suas leis, ou a explorando em benefício próprio - corre o risco de ferir sua alma. Ao tratar a Torá como se fosse uma obra humana e não Divina, rompe a ligação desse fio espiritual com sua Fonte. Quando isso acontece, escreve o Maharal de Praga, a Torá trazida por Moshé dos Céus à Terra perde a sua permanência. Deixa de ser a Árvore da Vida e passa a ser uma árvore cortada de sua Raiz, e, inexoravelmente, definhará e acabará por morrer. Isso foi o que levou o povo a cometer pecados tão graves, na época do Primeiro Templo.
Na realidade, os três pecados cometidos foram a matriz de todas as transgressões. A idolatria representa todos os pecados contra D'us; a imoralidade sintetiza todos os que são cometidos por causa de desejos imorais e egoístas; e o assassinato simboliza toda a maldade que o homem comete contra outros seres humanos. Em muitos casos, tais pecados são cometidos quando os homens abandonam a Palavra de D'us, desconectando-se Dele.
Ao ser arrancada de sua Raiz, a Torá se torna apenas mais um código de leis, que pode ser mudado ou até descartado. Não surpreende, portanto, que justamente na época em que os judeus não costumavam bendizer a Torá, a idolatria se tenha disseminado. Ambos os fenômenos são meios pelos quais o homem remove de si o jugo Celestial. Como ressalta o Talmud, os judeus jamais praticaram a idolatria por serem tolos o suficiente para acreditarem em seu poder. Muito pelo contrário: as pessoas adoravam estátuas, estrelas e um bezerro de ouro por serem objetos inanimados, sem poder algum, que nada proíbem ou exigem, e que não punem. Por outro lado, ao nos transmitir Sua Vontade através da Torá, D'us nos deu uma longa lista do que devemos e do que não podemos fazer, e Ele está sempre atento às nossas ações e omissões.
É de extrema importância ressaltar que ofender a Torá não é uma questão de observância religiosa, mas sim de como cada um de nós se relaciona com a Vontade Divina. Aquele que a honra, a considera sagrada, a Palavra de D'us, mesmo que ele próprio não viva sempre de acordo com suas leis ou seu espírito. Tal pessoa vive em um universo centrado no Todo Poderoso. O problema surge quando o indivíduo se coloca no centro do universo e acredita que a Torá deve adaptar-se a ele. Quando isso acontece, a pessoa abandona a Torá de D'us e a transforma em sua própria Torá. E quanto mais a pessoa segue este caminho, maior dano espiritual causa. As conseqüências, como na época da queda do Primeiro Templo, são pecados contra D'us e contra o homem.
Por que caiu o Segundo Templo
Uma das conseqüências da destruição do Primeiro Templo foi o exílio babilônico, que durou 70 anos. Foi um exílio extremamente curto, como um piscar de olhos, quando comparado ao de 2.000 anos iniciado após a queda do Segundo Templo. Mas, por que o Segundo Templo foi destruído? E por que o segundo exílio foi desproporcionalmente mais longo e mais difícil do que o primeiro? O Talmud nos responde: durante a época do Segundo Templo, apesar de serem judeus observantes, os judeus odiavam uns aos outros. Estudavam a Torá da maneira correta, seguiam suas leis e até faziam atos de bondade e caridade. Mas se odiavam e difamavam uns aos outros, nutriam ressentimentos e se alegravam com a desgraça alheia. Nossos Sábios, então, concluem: se a extensão do exílio é uma medida para avaliar a gravidade de um pecado, o ódio entre judeus é pior do que ofender a Torá e cometer os três pecados cardeais.
De fato, Maimônides escreve que a Torá foi dada para estabelecer a paz no mundo. Seu propósito é aproximar os judeus de D'us e, também, uns dos outros. É verdade que quando alguém - por rancor ou indiferença, e não por falta de conhecimento - deixa de abençoar a Torá, ele a ofende. Mas quando um judeu odeia outro judeu, seu ato é muito pior: ele nega a Torá, pois invalida seus objetivos. Além do mais, o ódio entre judeus é uma afronta à Unidade d'Aquele que nos deu a Torá. É verdade que sabemos muito pouco sobre D'us, mas sabemos que Ele é absolutamente Um. Quando nós, Seu Povo, estamos unidos, refletimos a Sua Unidade.
Rashi, o clássico comentarista da Torá, escreve que quando esta foi dada no Monte Sinai, os judeus estavam tão unidos quanto um homem com um único coração. Foi esta unidade que os tornou merecedores da Revelação de D'us e da outorga de Sua Palavra. O maior momento da história judaica aconteceu quando o povo estava unido. Não surpreende, pois, que o pior acontecimento da epopéia judaica - o dia de Tishá B'Av, no qual o Segundo Templo foi destruído, levando os judeus ao seu mais longo exílio - tenha ocorrido quando prevaleciam as lutas internas e a desunião entre nós.
Unidade no seio de nosso povo, não significa que todos devamos concordar sobre todo e qualquer assunto. Significa, porém, que jamais devemos deixar de nos ver como parte de um organismo único. Quando judeus odeiam judeus - quando se ressentem, caluniam e se rejeitam, uns aos outros - estão prejudicando mais o Povo Judeu do que o conseguiriam os nossos inimigos. Não há guerra mais cruel e devastadora do que a guerra fratricida, travada entre irmãos. Uma analogia pode ajudar a entender este princípio: doenças do sistema auto-imune são as mais terríveis e em muitos casos letais. Ocorrem quando o organismo deixa de se reconhecer como uma unidade e passa a considerar certas partes dele mesmo como elementos estranhos, indesejáveis. Reage como se estivesse diante de invasores, tentando expulsá-los. No caso de certas doenças, o resultado é fatal.
Essa analogia explica a razão para a destruição do Segundo Templo e para os 2.000 anos de exílio. Quando os judeus se voltam uns contra os outros - quando tratam outros judeus como indesejáveis - estão agindo como a doença auto-imune, inconscientes de que estão atacando não um corpo estranho, mas a si mesmos.Portanto, ainda que seja inegável que há diferenças importantes e, às vezes, dolorosas entre os diferentes grupos que integram o Povo Judeu, jamais podemos esquecer que somos todos partes de um mesmo organismo. Um indivíduo pode estar insatisfeito com algumas correntes judaicas - pode desaprovar seus costumes, visão política ou grau de observância religiosa - mas ninguém pode negar que todos fazemos parte do mesmo povo e que, apesar das discordâncias e dos argumentos, são "meu osso e minha carne" (Gênese 29:14). Como nos ensina o misticismo judaico, o Povo Judeu faz parte de uma única alma cujas faíscas encarnam em corpos diferentes.

O Terceiro Templo de Jerusalém será mais grandioso que os dois primeiros. Ele poderia e deveria ter sido construído há muitos e muitos anos. Se ainda não foi - se nós ainda jejuamos e nos lamentamos em Tishá B'Av - é porque ainda não retificamos totalmente os pecados que levaram à queda dos dois Templos.
O Zohar, obra fundamental da Cabalá, fala do triângulo espiritual que une D'us, Sua Torá e Seu Povo. O Rebe de Lubavitch, que dedicou sua vida para acabar com o exílio do Povo Judeu, ensinou que se encontrarmos um judeu que ama a D'us, mas que não tem amor pelo seu povo e pela Torá, devemos dizer-lhe que seu amor não perdurará. No entanto, se encontrarmos um judeu que ama seu povo, mas que não tem amor por D'us e pela Torá, devemos trabalhar com ele para alimentar seu amor por seu povo até que este transborde em direção aos outros dois, até que os três amores se unam em um único nó forte que jamais há de se romper.
Quando nós nos unirmos, como indivíduos e como povo, e nos aproximarmos de D'us e de Sua Torá, teremos finalmente retificado os erros das gerações que nos precederam. Quando isso acontecer, todos os judeus retornarão a Israel e o Terceiro Templo será construído. Como todos os nós do triângulo que unem D'us, Sua Torá e Seu Povo jamais serão rompidos, não haverá outro exílio e o Terceiro Templo perdurará para sempre. Este servirá como proteção e bênção para toda a humanidade, e a santidade da Terra de Israel se espalhará e cobrirá todos os cantos da Terra.

Pessach na visão astral judaica

Pessach na visão astral judaica
por Rabino Avraham Cohen


O Sefer Yetzirá, Livro da Formação, considerado o mais antigo livro da Cabalá, tem sua autoria atribuída ao nosso primeiro patriarca, Avraham Avinu. Essa obra revela os segredos da Criação e, entre outros ensinamentos místicos, o mistério da Astrologia segundo o judaísmo.


O Sefer Yetzirá ensina que D'us canaliza para o mundo energia e vitalidade Divina através dos corpos celestiais.

De acordo com o mesmo, cada um dos doze meses do calendário judaico corresponde a um signo do zodíaco, uma cor, uma letra do alfabeto hebraico, um dos cinco sentidos, um órgão ou membro do corpo e uma das Doze Tribos de Israel. Na astrologia judaica, o mês em que a pessoa nasce exerce influência sobre sua personalidade. Seu signo indica o tipo de energia que ela poderá desenvolver e a fraqueza que deverá superar ao longo da vida. Em outras palavras, o judaísmo sustenta que a personalidade do ser humano é influenciada por seu signo.

Na Astronomia, chama-se de zodíaco o conjunto de constelações ao longo da elíptica - o caminho aparente percorrido pelo sol durante o ano. Como os planos das órbitas dos planetas em torno do Sol são quase coincidentes, além do astro-rei os planetas também são encontrados no zodíaco. Daí a importância desse conjunto de constelações.

Tradicionalmente, há doze constelações no zodíaco: Áries (Carneiro), Taurus (Touro), Gemini (Gêmeos), Câncer (Caranguejo); Leo (Leão); Virgo (Virgem); Libra (Balança); Scorpius (Escorpião); Sagittarius (Sagitário, o arqueiro); Capricornius (Capricórnio, a cabra do mar), Aquarius (Aquário, o carregador de água), Pisces (Peixes). Na Astrologia, o zodíaco é constituído pelos signos que dividem a elíptica em 12 zonas - correspondentes às 12 constelações tradicionais, todas elas com a mesma longitude celestial. Uma ressalva: a partir de 1930, quando a União Astronômica Internacional padronizou as constelações, passou-se a incluir no zodíaco uma 13a constelação, a Ophiuchus (o Serpentário).

De acordo com o Sefer Yetzirá, os 12 filhos de Jacob, que se tornaram as Doze Tribos de Israel, representam as 12 diferentes raízes de alma das quais descendem o Povo Judeu. Estas correspondem aos 12 signos tradicionais do zodíaco e aos 12 meses do calendário judaico. No que tange à existência de uma 13ª constelação no zodíaco, é interessante notar que uma das Doze tribos de Israel, a de Yossef, foi dividida em duas tribos - Menashé e Efraim; portanto, há 12 tribos de Israel, que, na realidade, são 13. Ao mesmo tempo, o calendário judaico é tradicionalmente composto por 12 meses; porém, em anos bissextos, há um 13º mês - Adar II. É provável que a divisão da tribo de Yossef, dando origem a uma 13ª tribo, e a adição de um 13o mês em anos bissextos, correspondam à 13ª constelação, Ophiuchus, adicionada ao zodíaco no século 20. Interessantemente, Ophiuchus, segue o signo de Peixes, que corresponde ao mês de Adar. Isto dá a entender que a 13ª constelação corresponde ao mês que segue Adar, a dizer, Adar II, pois não poderia ser Nissan, que é a primeira constelação (Áries). No calendário judaico, Nissan corresponde ao primeiro mês do ano.

Cada um dos 12 meses judaicos está relacionado a uma das 12 letras dentre as 22 que constituem o alfabeto hebraico. Correspondem, também, às 12 características da alma, como a visão, a fala, o pensamento, entre outros, e a um órgão do corpo humano. É importante ressaltar que a ordem desses corpos celestes está relacionada aos sete dias da semana. Em certos idiomas, essa conotação se faz evidente pelos próprios nomes atribuídos aos dias da semana. Na língua inglesa, por exemplo, Sunday significa, o dia do sol; Monday, o dia da lua; Saturday, o dia Saturno, e assim por diante. Em espanhol, essa relação é ainda mais evidente. Além do mais, cada mês judaico está ligado a um dos quatro elementos básicos - terra, fogo, ar e água. Finalmente, cada um dos 12 meses está relacionado a uma combinação específica das quatro letras que formam o impronunciável Nome Divino, o Tetragrama.

Analisaremos, a seguir, à luz do zodíaco, os três primeiros meses do calendário judaico: Nissan - signo de Áries, Iyar - signo de Touro, e Sivan - signo de Gêmeos. Estes três meses estão ligados, mais do que todos os outros, ao nascimento e à formação do Povo Judeu. Porém, antes de procedermos, é extremamente importante esclarecer o papel do zodíaco no judaísmo. O signo é apenas um instrumento utilizado pelo Criador para dirigir o mundo. O signo em si não tem qualquer poder independente. Além disso, o Povo Judeu, em virtude de ter recebido a Torá, alcançou um nível espiritual acima do zodíaco. Os signos são apenas canais através dos quais as forças espirituais vêm a terra. Quanto mais contato alguém tem com D'us e Sua Torá, isto é, com a dimensão espiritual do universo, menos suscetível essa pessoa será à influência das forças astrológicas.

O zodíaco é estudado no judaísmo para se adquirir autoconhecimento: para descobrir talentos e habilidades inatas e para ajudar a identificar a missão da pessoa no mundo. É expressamente proibido utilizar o zodíaco para tentar prever o futuro. Além de proibida, tal atividade costuma ser fútil, pois o ser humano sempre pode melhorar seu destino através da oração e da prática de boas ações, principalmente da generosidade aos outros. Quanto mais aperfeiçoamos nossa conduta e nos ligamos a D'us, mais Ele muda o curso natural dos eventos de forma a nos beneficiar. Portanto, a pessoa que verdadeiramente busca D'us e tem fascínio pelo misticismo deve saber que a Torá torna supérfluas e errôneas as previsões astrológicas. O estudo da Torá, principalmente de sua dimensão oculta, é infinitivamente mais poderoso e benéfico do que a tentativa de se prever o futuro ou tentar, quiçá, manipulá-lo através do estudo da Astrologia.

terça-feira, 8 de março de 2011

MARRANOS RESURGINDO DAS "CINZAS"

MARRANOS - RESURGINDO DAS "CINZAS"

Autor: Marlon Jorge Albuquerque

Uma saga, uma história, gerações perdidas, despatriadas, intolerância religiosa, verdades escondidas, perda do credo, perda dos filhos, desapropriações, tratamentos desumanos, perda do próprio nome, suplícios, cremações em praça pública, dor, ódio, desespero e morte.

Esse contexto se relaciona aos judeus que viveram momentos da história de horror, pelo fato de terem nascidos num lar judeu, sofreram e morreram. Como podemos explicar este trecho da história humana? O que foi tão valoroso para que tudo isso ocorresse? Com certeza houve um valor seja ele qual for. Somente o ódio não seria capaz por si só, nem o mais profundo ódio seria capaz de trazer tanta maldade sem estar acompanhada de uma lógica.

Estamos falando da história dos Marranos, os judeus forçados ou crípto-judeus, que foram perseguidos pela Igreja Católica e pelos Protestantes entre os séculos XVI e XIX. A Igreja Católica iniciou essa perseguição a partir do Século I, quando a personalidade "jurídica" da Igreja Católica era apenas o Estado, o Governo, o Império Romano, que nas mãos do Imperador Vespasiano e seu querido filho Tito o General das legiões, do exército romano, chegou a Jerusalém e dizimou todos que ali se encontravam, levando consigo o espólio da guerra, da vitória triunfal para sua pátria amada, Roma. Os judeus que não morreram, escaparam para o Galut. O exílio inicia-se mais uma vez, desta vez para a Península Ibérica, Marrocos, Turquia e outros países vizinhos.

Devido os tratados políticos a partir do século XIV, a maior parte da Europa aderiu aos éditos e concílios da Igreja Católica que buscou historicamente o domínio religioso e filosófico que a partir de então todos que fossem pego com práticas hereges (judaizantes) deveriam ser supliciados até que chegasse perto da morte e por ultimo ser executado, queimado em praça pública, isso era um ato de purificação para a Igreja o que veio fazer com que todos os judeus que se encontravam debaixo da autoridade do Estado religioso fugissem.

Em Portugal o rei D. Manuel I conhecido também por D. Manuel de Bérrio, no início do século XVI inicia um processo de expulsão dos judeus do Estado portugues, nesse sentido os judeus já não mais tinham saída, voltar para Espanha ou Israel não dava mais, os judeus estavam na ponta da Península Ibérica para serem jogados no oceando Atlântico, sem saída ou Deus faria mais um milagre ou seria o fim destes opóbrios judeus. Mas o Deus de Israel não exitou em abrir o mar vermelho novamente, só que desta véz foi o Oceano Atlântico, indo todos para as Américas.

Antes que todos saíssem tiveram que pagar por suas liberdades, como se fosse um tipo de fiança para Portugal, só sendo liberados ainda após todos terem sidos batizados com nomes de famílias portuguesas, assim, ou aceitavam esse tratado ou seria o fim. Assim o Brasil foi habitado por "bandidos", esse foi o nome que os condenados da Inquisição dos quais seus nomes se encontram registrados na Torre do Tombo em Portugal até os dias de hoje levaram, bandidos por não terem aderidos e/ou terem resistidos as imposições das Igrejas cristãs.

A perseguição parecia ter tido fim, mas isso não foi verdade, os braços do "Santo Ofício" chegou até o Brasil, isso veio a colaborar também para que o Brasil fosse desbravado, fazendo com que os judeus saissem do litoral e se embreassem no interior brasileiro. Ao chegarem no Brasil, atracaram no Estado da Bahia e sairam para Perambuco, subiram para o nordeste, posteriormente, desceram para Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso com a busca do ouro numa forma de se verem livres dos olhos da Igreja para continuarem as suas tradições, o medo de serem pegos em práticas judaicas, mudavam suas práticas como forma de manterem aceso o pavil da esperança para posteridade, como? Através de casamentos entre parentes, como uma forma de preservação da etnia, rituais familiares, rituais fúnebres e costumes.

A história de Antônio José da Silva – o Judeu, preso pela Inquisição em 5 de Outubro de 1737, (isso a menos de 300 anos) acusado de praticar o judaísmo, foi executado na fogueira em Lisboa em 18 Outubro de 1739, aos 34 anos, na frente de seus familiares, num "auto-de-fé" presidido pelo rei D. João V, "O Magnânimo". No mesmo dia foram queimados mais dez "judaizantes". Esse fato foi um marco para a história dos judeus no Brasil.

O Brasil enquadra-se desde o advento da República, com a edição do Decreto119-A, de 17 de janeiro de 1890, que instaurou a separação entre a Igreja e o Estado, como um Estado laico. A história das Constituições brasileiras foi influenciada diretamente pela Igreja, que preferiu deixar de ser repressora passando para a defesa, uma questão de evolução politizada.

Os costumes marranos no Brasil quase tiveram fim, não fossem os dados históricos e as tradições familiares, bem como, o êxodo do povo no território brasileiro e os nomes de batismos. Todos esses dados são um conjunto de fatos que levam a um cidadão brasileiro ter a possibilidade de ser parte dessa saga. Hoje a ciência com seus avanços consegue aproximar mais ainda essa possibilidade em até 99% de alguém ser um descendente de judeu perseguido pela Inquisição, de ser revelado seu passado e sua história familiar, através do DNA e da pesquisa genética.

O processo de retorno dos marranos ao Estado de Israel está iniciando após 500 anos, por questões de conscientização do indivíduo de sua história, envolvendo cada ancestralidade, mas não basta ser apenas descendente, para ser um judeu original ele deve voltar-se aos princípios da Torah, do Pentateuco, dos costumes e filosofias de vida da Bíblia Hebraica, do Único Deus, do monoteísmo, como forma de resgatar totalmente sua origem, devendo se desconverter totalmente ao cristianismo e de seus princípios fundamentais como por exemplo a fé em Jesus Cristo, o que torna difícil para muitos dos que reconhecem sua descendência judaica, pois já assumiu essa postura como princípio fundamental de sua vida. Isso é normal, pois temos que entender que o fundamento religioso é individual e pessoal e não por força. Em qualquer história sempre haverá um remanescente.

No dia 22 de julho de 2010, o Sindicato Israelita das Comunidades Anoussita(SICA) sediada em Israel, por seu presidente Dr. Asher ben-Slomo, fez um simpósio sobre a questão marrana no Knesset (Congresso de Israel) buscando o entendimento e o apoio do parlamento israelense na causa dos marranos, qual teve sucesso com apoio dos deputados daquela casa legislativa, como é o caso do Deputado e Rabino Haim Amsalem que considera os marranos "semente de Israel", o Deputado Yaackov (Katza Le) Katz, Chefe da Coligação Ichud Leumi (União Nacional) e o Deputado e Professor de Medicina Arieh Eldad.

No dia 26 de outubro do corrente ano, estive como Porta-Voz do SICA com uma comitiva representativa do grupo com um público de 40 pessoas frente à Embaixada de Israel em Brasília. No ato denominado como Manifesto o Dr. Guiora Backer, Exmº Embaixador de Israel no Brasil, nos recebeu em seu gabinete e recebeu de nossas mãos o Manifesto que solicita do governo de Israel providências no sentido de enviar ao Knesset projeto de lei que possibilite o retorno do grupo como reconhecidamente descendentes de judeus. O próprio Embaixador disse que "reconhece os marranos como parte do povo judeu exilado".

A Igreja Católica através do Papa João Paulo II reconheceu seus atos de horror e os erros do passado, isso não reparou as conseqüências causadas por ela e nada poderá reparar tamanho dano causado, tudo bem, isso foi um processo histórico e parte da história humana. Agora temos que reconstruir essa história.

Muitos me perguntam por que só agora vocês estão querendo retornar ao seio do povo de Israel? O problema é que sempre houve essa vontade de retornar, mas as adversidades, influências e ingerências, impediram que ocorresse o início do processo, sem falar que nossa história é um problema que afetava a Igreja e os princípios judaicos pelos níveis de alienação causados pelo processo histórico, sem falar do medo até hoje de represálias. O Brasil é um país cristão, a abertura da filosofia religiosa está sendo sedimentada a partir da Constituição brasileira de 1988, a liberdade religiosa está socializando-se, onde as convicções fazem parte de um trabalho político de convencimento, filosófico e histórico que estão fundamentados nos princípios dos direitos do homem.




- Ângelo Adriano Faria de Assis Macabeas da Colônia: criptojudaismo feminino na Bahia- séc.XVI-XVII. Niterói, UFF, Doutoramento, 2004, mimeo.

- Anita Novinsky Inquisição - Prisioneiros do Brasil, séculos XVI- XVIII. Rio de Janeiro, Expressão e Cultura, 2002 e Lina Gorenstein "O Brasil marrano - as pesquisas recentes" - comunicação apresentada no Seminário Interno do Laboratório de Estudos sobre a Intolerância, 2005 e publicada no site http://www.rumoatolerancia.fflch.usp.br

- Anita Novinsky Cristãos-novos na Bahia São Paulo, Perspectiva, 1972, cap. "O Homem dividido" e Lina Gorenstein A inquisição contra as mulheres, op.cit.,p.387 e seg.

- Anita Novinsky "Ser marrano em Minas Colonial" in Revista Brasileira de História. São Paulo, ANPUH/Humanitas, n.40, julho de 2001, pp.161-176.

- Lina Gorenstein A Inquisição contra as mulheres. São Paulo, Humanitas, 2005, p.319 e seg.

- Lina Gorenstein Ferreira da Silva Heréticos e Impuros - Inquisição e cristãos-novos no Rio de Janeiro, século XVIII. Rio de Janeiro, Séc. Municipal de Cultura, Depto de Informação e Editoração, 1995, cap. 5 "A Igreja contra o Judaismo", p.101-113

- Primeira Visitação do Santo Oficio às Partes do Brasil - Denunciações e confissões e Pernambuco (1593-1595). Recife, Fundarpe, 1984 (introdução José Antonio Gonsalves de Mello), p.30 e seg.

http://www.artigonal.com/educacao-online-artigos/marranos-resurgindo-das-cinzas-3589394.html

Perfil do Autor

MARLON JORGE ALBUQUERQUE

Judeu, 39 anos, casado, pai de dois filhos, 1º Sargento da PMGO, Formado em Direito pela Universo e pós-graduado em Direito Constitucional e Administrativo pela PUC-GO. e-mai: sgt-albuquerque@hotmail.com

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O QUE A CABALA DIZ SOBRE...


O QUE A CABALA DIZ SOBRE...

Almas gêmeas

Quem acredita na máxima popular que diz que os opostos se atraem está enganado. No livroTransforme sua vida com a Cabala (Universo dos Livros), o autor Rodrigo Rudiger explica que na filosofia cabalística existe a chamada “equivalência de qualidades”. Isso significa que, se dois objetos espirituais forem idênticos em suas qualidades, eles se unirão em um sentimento mútuo, que engloba todos os outros sentimentos. Esse é o amor: a aproximação dos desejos, pensamentos e qualidades, que permite que as pessoas tornem-se compreensíveis umas às outras. Nesse processo, torna-se evidente que as duas almas poderão evoluir juntas. Sobre o amor, ainda, o renomado cabalista Rav Kuk disse certa vez, durante uma entrevista em uma rádio de Israel: “será que é possível encontrar num mundo tão complexo um sentimento tão puro? A sabedoria da cabala afirma que, enquanto o homem não mudar o seu desejo egoísta para o altruísmo, ele jamais sentirá o sabor do verdadeiro amor”.

Felicidade

A cada dia, o universo em que vivemos se transforma. O mundo, portanto, não é um produto acabado, onde simplesmente existimos, sem qualquer interação. Segundo o rabino Michael Berg, devemos aproveitar essa possibilidade de alterar e melhorar o mundo para que ele se torne um lugar do qual possamos verdadeiramente desfrutar. “Muitas guerras, perseguições e tragédias humanas foram perpetradas ao longo dos séculos, supostamente por serem a vontade de Deus. No entanto, a cabala nos diz que a vontade Dele é que encontremos prazer em Sua criação”, diz Berg. Ou seja, a felicidade está, aos olhos de Deus, entre os nossos maiores objetivos. E, para alcançar essa plenitude, devemos viver de modo a potencializar nosso desenvolvimento espiritual e transformar nossa natureza de reativa para proativa – investir no autoconhecimento e cultivar a preocupação com o outro são passos fundamentais.

D'us

A cabala é, em essência, um sistema de adequação do ser humano com o universo e com o bem absoluto – ou seja, com Deus. O objetivo maior de quem estuda os ensinamentos cabalísticos é entrar em contato com o divino, que é infinito, incorporando tudo o que existe, existiu e existirá. Mas, de acordo com o rabino Yossef Salton, Deus não é alguém com uma figura ou estrutura definida, como é costumeiramente retratado – Ele deve ser compreendido, na verdade, como uma energia infinita. “Quando é dito na Bíblia que o homem foi criado à imagem de Deus, significa que nossa essência espiritual também é energia”, explica
.

Autoconhecimento

Em meados do século 18, o filósofo Immanuel Kant (1724-1804) afirmou que “somos todos dotados da maravilhosa capacidade de não nos reconhecermos”. E essa é uma verdade para grande parte das pessoas. Para os cabalistas, o autoconhecimento é absolutamente necessário, e deve resultar de uma longa busca individual, que ninguém pode empreender a não ser você mesmo. É a partir dessa busca que se traça o caminho para o estudo aprofundado da cabala e o desenvolvimento que este traz. “Abra-me um pouco seu coração, e eu lhe abrirei o mundo”, ensina o Zohar. É com a auto-análise, que resulta do conhecimento profundo de si próprio, que fundamentamos o desejo por mudanças e podemos ir além.


                         A quem interessar possa. Encontrei o assento de batismo de um Francisco, filho de um PEDRO GUARDÊS DE MOURA...