terça-feira, 8 de março de 2011

MARRANOS RESURGINDO DAS "CINZAS"

MARRANOS - RESURGINDO DAS "CINZAS"

Autor: Marlon Jorge Albuquerque

Uma saga, uma história, gerações perdidas, despatriadas, intolerância religiosa, verdades escondidas, perda do credo, perda dos filhos, desapropriações, tratamentos desumanos, perda do próprio nome, suplícios, cremações em praça pública, dor, ódio, desespero e morte.

Esse contexto se relaciona aos judeus que viveram momentos da história de horror, pelo fato de terem nascidos num lar judeu, sofreram e morreram. Como podemos explicar este trecho da história humana? O que foi tão valoroso para que tudo isso ocorresse? Com certeza houve um valor seja ele qual for. Somente o ódio não seria capaz por si só, nem o mais profundo ódio seria capaz de trazer tanta maldade sem estar acompanhada de uma lógica.

Estamos falando da história dos Marranos, os judeus forçados ou crípto-judeus, que foram perseguidos pela Igreja Católica e pelos Protestantes entre os séculos XVI e XIX. A Igreja Católica iniciou essa perseguição a partir do Século I, quando a personalidade "jurídica" da Igreja Católica era apenas o Estado, o Governo, o Império Romano, que nas mãos do Imperador Vespasiano e seu querido filho Tito o General das legiões, do exército romano, chegou a Jerusalém e dizimou todos que ali se encontravam, levando consigo o espólio da guerra, da vitória triunfal para sua pátria amada, Roma. Os judeus que não morreram, escaparam para o Galut. O exílio inicia-se mais uma vez, desta vez para a Península Ibérica, Marrocos, Turquia e outros países vizinhos.

Devido os tratados políticos a partir do século XIV, a maior parte da Europa aderiu aos éditos e concílios da Igreja Católica que buscou historicamente o domínio religioso e filosófico que a partir de então todos que fossem pego com práticas hereges (judaizantes) deveriam ser supliciados até que chegasse perto da morte e por ultimo ser executado, queimado em praça pública, isso era um ato de purificação para a Igreja o que veio fazer com que todos os judeus que se encontravam debaixo da autoridade do Estado religioso fugissem.

Em Portugal o rei D. Manuel I conhecido também por D. Manuel de Bérrio, no início do século XVI inicia um processo de expulsão dos judeus do Estado portugues, nesse sentido os judeus já não mais tinham saída, voltar para Espanha ou Israel não dava mais, os judeus estavam na ponta da Península Ibérica para serem jogados no oceando Atlântico, sem saída ou Deus faria mais um milagre ou seria o fim destes opóbrios judeus. Mas o Deus de Israel não exitou em abrir o mar vermelho novamente, só que desta véz foi o Oceano Atlântico, indo todos para as Américas.

Antes que todos saíssem tiveram que pagar por suas liberdades, como se fosse um tipo de fiança para Portugal, só sendo liberados ainda após todos terem sidos batizados com nomes de famílias portuguesas, assim, ou aceitavam esse tratado ou seria o fim. Assim o Brasil foi habitado por "bandidos", esse foi o nome que os condenados da Inquisição dos quais seus nomes se encontram registrados na Torre do Tombo em Portugal até os dias de hoje levaram, bandidos por não terem aderidos e/ou terem resistidos as imposições das Igrejas cristãs.

A perseguição parecia ter tido fim, mas isso não foi verdade, os braços do "Santo Ofício" chegou até o Brasil, isso veio a colaborar também para que o Brasil fosse desbravado, fazendo com que os judeus saissem do litoral e se embreassem no interior brasileiro. Ao chegarem no Brasil, atracaram no Estado da Bahia e sairam para Perambuco, subiram para o nordeste, posteriormente, desceram para Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso com a busca do ouro numa forma de se verem livres dos olhos da Igreja para continuarem as suas tradições, o medo de serem pegos em práticas judaicas, mudavam suas práticas como forma de manterem aceso o pavil da esperança para posteridade, como? Através de casamentos entre parentes, como uma forma de preservação da etnia, rituais familiares, rituais fúnebres e costumes.

A história de Antônio José da Silva – o Judeu, preso pela Inquisição em 5 de Outubro de 1737, (isso a menos de 300 anos) acusado de praticar o judaísmo, foi executado na fogueira em Lisboa em 18 Outubro de 1739, aos 34 anos, na frente de seus familiares, num "auto-de-fé" presidido pelo rei D. João V, "O Magnânimo". No mesmo dia foram queimados mais dez "judaizantes". Esse fato foi um marco para a história dos judeus no Brasil.

O Brasil enquadra-se desde o advento da República, com a edição do Decreto119-A, de 17 de janeiro de 1890, que instaurou a separação entre a Igreja e o Estado, como um Estado laico. A história das Constituições brasileiras foi influenciada diretamente pela Igreja, que preferiu deixar de ser repressora passando para a defesa, uma questão de evolução politizada.

Os costumes marranos no Brasil quase tiveram fim, não fossem os dados históricos e as tradições familiares, bem como, o êxodo do povo no território brasileiro e os nomes de batismos. Todos esses dados são um conjunto de fatos que levam a um cidadão brasileiro ter a possibilidade de ser parte dessa saga. Hoje a ciência com seus avanços consegue aproximar mais ainda essa possibilidade em até 99% de alguém ser um descendente de judeu perseguido pela Inquisição, de ser revelado seu passado e sua história familiar, através do DNA e da pesquisa genética.

O processo de retorno dos marranos ao Estado de Israel está iniciando após 500 anos, por questões de conscientização do indivíduo de sua história, envolvendo cada ancestralidade, mas não basta ser apenas descendente, para ser um judeu original ele deve voltar-se aos princípios da Torah, do Pentateuco, dos costumes e filosofias de vida da Bíblia Hebraica, do Único Deus, do monoteísmo, como forma de resgatar totalmente sua origem, devendo se desconverter totalmente ao cristianismo e de seus princípios fundamentais como por exemplo a fé em Jesus Cristo, o que torna difícil para muitos dos que reconhecem sua descendência judaica, pois já assumiu essa postura como princípio fundamental de sua vida. Isso é normal, pois temos que entender que o fundamento religioso é individual e pessoal e não por força. Em qualquer história sempre haverá um remanescente.

No dia 22 de julho de 2010, o Sindicato Israelita das Comunidades Anoussita(SICA) sediada em Israel, por seu presidente Dr. Asher ben-Slomo, fez um simpósio sobre a questão marrana no Knesset (Congresso de Israel) buscando o entendimento e o apoio do parlamento israelense na causa dos marranos, qual teve sucesso com apoio dos deputados daquela casa legislativa, como é o caso do Deputado e Rabino Haim Amsalem que considera os marranos "semente de Israel", o Deputado Yaackov (Katza Le) Katz, Chefe da Coligação Ichud Leumi (União Nacional) e o Deputado e Professor de Medicina Arieh Eldad.

No dia 26 de outubro do corrente ano, estive como Porta-Voz do SICA com uma comitiva representativa do grupo com um público de 40 pessoas frente à Embaixada de Israel em Brasília. No ato denominado como Manifesto o Dr. Guiora Backer, Exmº Embaixador de Israel no Brasil, nos recebeu em seu gabinete e recebeu de nossas mãos o Manifesto que solicita do governo de Israel providências no sentido de enviar ao Knesset projeto de lei que possibilite o retorno do grupo como reconhecidamente descendentes de judeus. O próprio Embaixador disse que "reconhece os marranos como parte do povo judeu exilado".

A Igreja Católica através do Papa João Paulo II reconheceu seus atos de horror e os erros do passado, isso não reparou as conseqüências causadas por ela e nada poderá reparar tamanho dano causado, tudo bem, isso foi um processo histórico e parte da história humana. Agora temos que reconstruir essa história.

Muitos me perguntam por que só agora vocês estão querendo retornar ao seio do povo de Israel? O problema é que sempre houve essa vontade de retornar, mas as adversidades, influências e ingerências, impediram que ocorresse o início do processo, sem falar que nossa história é um problema que afetava a Igreja e os princípios judaicos pelos níveis de alienação causados pelo processo histórico, sem falar do medo até hoje de represálias. O Brasil é um país cristão, a abertura da filosofia religiosa está sendo sedimentada a partir da Constituição brasileira de 1988, a liberdade religiosa está socializando-se, onde as convicções fazem parte de um trabalho político de convencimento, filosófico e histórico que estão fundamentados nos princípios dos direitos do homem.




- Ângelo Adriano Faria de Assis Macabeas da Colônia: criptojudaismo feminino na Bahia- séc.XVI-XVII. Niterói, UFF, Doutoramento, 2004, mimeo.

- Anita Novinsky Inquisição - Prisioneiros do Brasil, séculos XVI- XVIII. Rio de Janeiro, Expressão e Cultura, 2002 e Lina Gorenstein "O Brasil marrano - as pesquisas recentes" - comunicação apresentada no Seminário Interno do Laboratório de Estudos sobre a Intolerância, 2005 e publicada no site http://www.rumoatolerancia.fflch.usp.br

- Anita Novinsky Cristãos-novos na Bahia São Paulo, Perspectiva, 1972, cap. "O Homem dividido" e Lina Gorenstein A inquisição contra as mulheres, op.cit.,p.387 e seg.

- Anita Novinsky "Ser marrano em Minas Colonial" in Revista Brasileira de História. São Paulo, ANPUH/Humanitas, n.40, julho de 2001, pp.161-176.

- Lina Gorenstein A Inquisição contra as mulheres. São Paulo, Humanitas, 2005, p.319 e seg.

- Lina Gorenstein Ferreira da Silva Heréticos e Impuros - Inquisição e cristãos-novos no Rio de Janeiro, século XVIII. Rio de Janeiro, Séc. Municipal de Cultura, Depto de Informação e Editoração, 1995, cap. 5 "A Igreja contra o Judaismo", p.101-113

- Primeira Visitação do Santo Oficio às Partes do Brasil - Denunciações e confissões e Pernambuco (1593-1595). Recife, Fundarpe, 1984 (introdução José Antonio Gonsalves de Mello), p.30 e seg.

http://www.artigonal.com/educacao-online-artigos/marranos-resurgindo-das-cinzas-3589394.html

Perfil do Autor

MARLON JORGE ALBUQUERQUE

Judeu, 39 anos, casado, pai de dois filhos, 1º Sargento da PMGO, Formado em Direito pela Universo e pós-graduado em Direito Constitucional e Administrativo pela PUC-GO. e-mai: sgt-albuquerque@hotmail.com

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O QUE A CABALA DIZ SOBRE...


O QUE A CABALA DIZ SOBRE...

Almas gêmeas

Quem acredita na máxima popular que diz que os opostos se atraem está enganado. No livroTransforme sua vida com a Cabala (Universo dos Livros), o autor Rodrigo Rudiger explica que na filosofia cabalística existe a chamada “equivalência de qualidades”. Isso significa que, se dois objetos espirituais forem idênticos em suas qualidades, eles se unirão em um sentimento mútuo, que engloba todos os outros sentimentos. Esse é o amor: a aproximação dos desejos, pensamentos e qualidades, que permite que as pessoas tornem-se compreensíveis umas às outras. Nesse processo, torna-se evidente que as duas almas poderão evoluir juntas. Sobre o amor, ainda, o renomado cabalista Rav Kuk disse certa vez, durante uma entrevista em uma rádio de Israel: “será que é possível encontrar num mundo tão complexo um sentimento tão puro? A sabedoria da cabala afirma que, enquanto o homem não mudar o seu desejo egoísta para o altruísmo, ele jamais sentirá o sabor do verdadeiro amor”.

Felicidade

A cada dia, o universo em que vivemos se transforma. O mundo, portanto, não é um produto acabado, onde simplesmente existimos, sem qualquer interação. Segundo o rabino Michael Berg, devemos aproveitar essa possibilidade de alterar e melhorar o mundo para que ele se torne um lugar do qual possamos verdadeiramente desfrutar. “Muitas guerras, perseguições e tragédias humanas foram perpetradas ao longo dos séculos, supostamente por serem a vontade de Deus. No entanto, a cabala nos diz que a vontade Dele é que encontremos prazer em Sua criação”, diz Berg. Ou seja, a felicidade está, aos olhos de Deus, entre os nossos maiores objetivos. E, para alcançar essa plenitude, devemos viver de modo a potencializar nosso desenvolvimento espiritual e transformar nossa natureza de reativa para proativa – investir no autoconhecimento e cultivar a preocupação com o outro são passos fundamentais.

D'us

A cabala é, em essência, um sistema de adequação do ser humano com o universo e com o bem absoluto – ou seja, com Deus. O objetivo maior de quem estuda os ensinamentos cabalísticos é entrar em contato com o divino, que é infinito, incorporando tudo o que existe, existiu e existirá. Mas, de acordo com o rabino Yossef Salton, Deus não é alguém com uma figura ou estrutura definida, como é costumeiramente retratado – Ele deve ser compreendido, na verdade, como uma energia infinita. “Quando é dito na Bíblia que o homem foi criado à imagem de Deus, significa que nossa essência espiritual também é energia”, explica
.

Autoconhecimento

Em meados do século 18, o filósofo Immanuel Kant (1724-1804) afirmou que “somos todos dotados da maravilhosa capacidade de não nos reconhecermos”. E essa é uma verdade para grande parte das pessoas. Para os cabalistas, o autoconhecimento é absolutamente necessário, e deve resultar de uma longa busca individual, que ninguém pode empreender a não ser você mesmo. É a partir dessa busca que se traça o caminho para o estudo aprofundado da cabala e o desenvolvimento que este traz. “Abra-me um pouco seu coração, e eu lhe abrirei o mundo”, ensina o Zohar. É com a auto-análise, que resulta do conhecimento profundo de si próprio, que fundamentamos o desejo por mudanças e podemos ir além.


O QUE A CABALA DIZ SOBRE...

O QUE A CABALA DIZ SOBRE...

Espiritualidade

É a partir do sincero exercício da espiritualidade que conseguimos alcançar o patamar mais alto de desenvolvimento e entrar verdadeiramente em contato com o divino. Segundo o Zohar – que é a obra mais importante para os cabalistas, escrita há quase dois mil anos – o universo é regido por leis espirituais precisas de ação e reação, causa e efeito. No comentário mais famoso sobre o Zohar, chamado Sulam (escrito no século XX pelo Rabbi Yehuda Ashlag) é descrito um método prático, passo a passo, para entender essas leis e alcançar o grande objetivo de todas as almas: atingir um grau de espiritualização em que não existam mais barreiras entre os mundos da matéria e do espírito. Assim, a criatura seria, novamente, aderida ao Criador. Essa posição é chamada de “o fim da correção”, o mais alto nível de completude.

Pecado.

Sim, o conceito de pecado existe na filosofia da cabala, a qual ensina que ações, desejos e pensamentos negativos trazem aflição para nossas próprias vidas e também para o restante do mundo. No entanto, não sofremos punição imediata por nossos pecados. Segundo o rabino Michael Berg, diretor do The Kabbalah Centre (um dos principais centros de estudo da cabala no mundo) caso vivêssemos em um mundo onde os efeitos da ação negativa se manifestassem de imediato como dor e sofrimento, o elemento de escolha desapareceria de nossas vidas. “A correlação entre causa e efeito está oculta para preservar o poder de escolha individual. Por isso não levamos um choque elétrico de imediato a cada vez que nos movemos na direção espiritual errada. Da mesma forma, não somos imediatamente recompensados cada vez que fazemos a ação correta”, explica Berg. Ou seja, cabe apenas a nós ter consciência de nosso comportamento e da relação que ele traça com as leis espirituais, bem como tomar decisões sabendo que consequências – tanto boas quanto más – se desenvolverão a partir de nossas ações. “A dor é uma oportunidade para corrigirmos nosso comportamento”, diz o rabino.



Inveja 

"A inveja é um sentimento natural, que surge quando, em vez de querer algo, você quer evitar que o outro consiga alguma coisa", descreve o rabino Nilton Bonder, líder espiritual da Congregação Judaica do Brasil, em seu livro A cabala da inveja (Editora Imago). Ele explica que, assim como a alegria está ligada à gratidão pelo que Deus nos deu, a inveja representa ingratidão pelo corpo e pelas posses que recebemos dele. “É um anseio autodestrutivo de ser outra pessoa, com uma rejeição implícita de quem nós somos na verdade”, diz. Para a cabala, que tem o autoconhecimento e a autovalorização como conceitos fundamentais, esse é um grande mal. “A inveja representa uma corrupção do fluxo de energia divina. É uma distorção do anseio pela luz, sentimento que nos é dado para ajudar em nossa transformação espiritual”, diz Michael Berg.

Destino

Em vez de uma trajetória pré-definida e inflexível, o destino de cada um é definido de acordo com suas ações durante a vida. Por isso, o agora é sempre mais importante. Segundo o rabino Shmuel Lemle, coordenador da unidade carioca do The Kabbalah Centre, o importante, em vez de manter-se preso às lembranças do passado, é dedicar energia ao que acontece hoje, já que o agora é o único momento no qual podemos interferir, alterando consideravelmente o plano previamente desenhado. Mesmo assim, há quem tente usar a cabala para prever acontecimentos futuros. Um exemplo pode ser comprovado no best-seller americano O código da Bíblia (Editora Cultrix), de Michael Drosnin, no qual o autor alega que, por intermédio de cálculos matemáticos, é possível encontrar qualquer acontecimento passado ou futuro na Bíblia – o que, é claro, não é nenhuma novidade para os estudiosos da cabala. A grande diferença é que Drosnin se arrisca a fazer profecias e previsões, o que é possível, mas terminantemente proibido pelo judaísmo. “Prever o futuro é uma deturpação da verdadeira função da numerologia cabalística”, diz Shmuel Lemle.

Perdão

Nos textos sagrados, encontramos a história de Esaú e Jacó, irmãos gêmeos que se tornam grandes rivais quando Jacó resolve se passar por Esaú perante o pai. O objetivo? Roubar as regalias do outro que, primogênito, tinha direitos exclusivos. O Zohar relata que, furioso, Esaú aproximou-se do irmão com imensa raiva e intenção de matá-lo, mas, em vez disso, seu coração o impeliu a dar um beijo no rosto de Jacó – o beijo do perdão. Segundo a cabalista Graziella Marraccini, esse episódio ilustra a importância de aceitar o outro de coração aberto e evitar os julgamentos, pois perdoar cria a condição para que sejamos também perdoados, e condenar o próximo é também uma forma de condenar a si mesmo. “Esaú mudou seu impulso de matar porque reconheceu que dentro de seu irmão existia a mesma centelha divina contida nele próprio”, diz Graziella.

Dinheiro

O dinheiro é visto, muitas vezes, como o símbolo maior da ganância, uma fonte de energias ruins. Mas não é bem assim. Para os cabalistas, a riqueza só é um pecado quando é movida pela avareza e pelo egoísmo. Se administrado de maneira correta, o dinheiro pode ser uma intensa fonte de luminosidade. Mas por que? Demaneira geral, nossas posses são necessárias para que vivamos com qualidade, além de permitirem que ajudemos os outros. É aí, por sinal, que reside um dos grandes ensinamentos da cabala em relação ao altruísmo: a doação sem expectativa de retorno. Segundo o rabino Nilton Bonder, autor também da obra A cabala do dinheiro (Editora Imago), sempre que você abre mão de algo para ajudar o outro – sendo esse ato por pura vontade e empatia –, está potencializando sua interação com o universo. "Nesse caso, o universo o acolhe e gratifica de alguma maneira", explica Bonder. Isso porque o dinheiro representa energia, e energia precisa estar sempre em circulação. Dessa forma, todos vivem bem, em harmonia consigo mesmo e entre si. “Ninguém é tão pobre que não possa doar alguma coisa, nem tão rico que não possa receber", recomenda Bonder.

O QUE A CABALA DIZ SOBRE...

O QUE A CABALA DIZ SOBRE...

Espiritualidade

É a partir do sincero exercício da espiritualidade que conseguimos alcançar o patamar mais alto de desenvolvimento e entrar verdadeiramente em contato com o divino. Segundo o Zohar – que é a obra mais importante para os cabalistas, escrita há quase dois mil anos – o universo é regido por leis espirituais precisas de ação e reação, causa e efeito. No comentário mais famoso sobre o Zohar, chamado Sulam (escrito no século XX pelo Rabbi Yehuda Ashlag) é descrito um método prático, passo a passo, para entender essas leis e alcançar o grande objetivo de todas as almas: atingir um grau de espiritualização em que não existam mais barreiras entre os mundos da matéria e do espírito. Assim, a criatura seria, novamente, aderida ao Criador. Essa posição é chamada de “o fim da correção”, o mais alto nível de completude.

Pecado.

Sim, o conceito de pecado existe na filosofia da cabala, a qual ensina que ações, desejos e pensamentos negativos trazem aflição para nossas próprias vidas e também para o restante do mundo. No entanto, não sofremos punição imediata por nossos pecados. Segundo o rabino Michael Berg, diretor do The Kabbalah Centre (um dos principais centros de estudo da cabala no mundo) caso vivêssemos em um mundo onde os efeitos da ação negativa se manifestassem de imediato como dor e sofrimento, o elemento de escolha desapareceria de nossas vidas. “A correlação entre causa e efeito está oculta para preservar o poder de escolha individual. Por isso não levamos um choque elétrico de imediato a cada vez que nos movemos na direção espiritual errada. Da mesma forma, não somos imediatamente recompensados cada vez que fazemos a ação correta”, explica Berg. Ou seja, cabe apenas a nós ter consciência de nosso comportamento e da relação que ele traça com as leis espirituais, bem como tomar decisões sabendo que consequências – tanto boas quanto más – se desenvolverão a partir de nossas ações. “A dor é uma oportunidade para corrigirmos nosso comportamento”, diz o rabino.



Inveja 

"A inveja é um sentimento natural, que surge quando, em vez de querer algo, você quer evitar que o outro consiga alguma coisa", descreve o rabino Nilton Bonder, líder espiritual da Congregação Judaica do Brasil, em seu livro A cabala da inveja (Editora Imago). Ele explica que, assim como a alegria está ligada à gratidão pelo que Deus nos deu, a inveja representa ingratidão pelo corpo e pelas posses que recebemos dele. “É um anseio autodestrutivo de ser outra pessoa, com uma rejeição implícita de quem nós somos na verdade”, diz. Para a cabala, que tem o autoconhecimento e a autovalorização como conceitos fundamentais, esse é um grande mal. “A inveja representa uma corrupção do fluxo de energia divina. É uma distorção do anseio pela luz, sentimento que nos é dado para ajudar em nossa transformação espiritual”, diz Michael Berg.

Destino

Em vez de uma trajetória pré-definida e inflexível, o destino de cada um é definido de acordo com suas ações durante a vida. Por isso, o agora é sempre mais importante. Segundo o rabino Shmuel Lemle, coordenador da unidade carioca do The Kabbalah Centre, o importante, em vez de manter-se preso às lembranças do passado, é dedicar energia ao que acontece hoje, já que o agora é o único momento no qual podemos interferir, alterando consideravelmente o plano previamente desenhado. Mesmo assim, há quem tente usar a cabala para prever acontecimentos futuros. Um exemplo pode ser comprovado no best-seller americano O código da Bíblia (Editora Cultrix), de Michael Drosnin, no qual o autor alega que, por intermédio de cálculos matemáticos, é possível encontrar qualquer acontecimento passado ou futuro na Bíblia – o que, é claro, não é nenhuma novidade para os estudiosos da cabala. A grande diferença é que Drosnin se arrisca a fazer profecias e previsões, o que é possível, mas terminantemente proibido pelo judaísmo. “Prever o futuro é uma deturpação da verdadeira função da numerologia cabalística”, diz Shmuel Lemle.

Perdão

Nos textos sagrados, encontramos a história de Esaú e Jacó, irmãos gêmeos que se tornam grandes rivais quando Jacó resolve se passar por Esaú perante o pai. O objetivo? Roubar as regalias do outro que, primogênito, tinha direitos exclusivos. O Zohar relata que, furioso, Esaú aproximou-se do irmão com imensa raiva e intenção de matá-lo, mas, em vez disso, seu coração o impeliu a dar um beijo no rosto de Jacó – o beijo do perdão. Segundo a cabalista Graziella Marraccini, esse episódio ilustra a importância de aceitar o outro de coração aberto e evitar os julgamentos, pois perdoar cria a condição para que sejamos também perdoados, e condenar o próximo é também uma forma de condenar a si mesmo. “Esaú mudou seu impulso de matar porque reconheceu que dentro de seu irmão existia a mesma centelha divina contida nele próprio”, diz Graziella.

Dinheiro

O dinheiro é visto, muitas vezes, como o símbolo maior da ganância, uma fonte de energias ruins. Mas não é bem assim. Para os cabalistas, a riqueza só é um pecado quando é movida pela avareza e pelo egoísmo. Se administrado de maneira correta, o dinheiro pode ser uma intensa fonte de luminosidade. Mas por que? Demaneira geral, nossas posses são necessárias para que vivamos com qualidade, além de permitirem que ajudemos os outros. É aí, por sinal, que reside um dos grandes ensinamentos da cabala em relação ao altruísmo: a doação sem expectativa de retorno. Segundo o rabino Nilton Bonder, autor também da obra A cabala do dinheiro (Editora Imago), sempre que você abre mão de algo para ajudar o outro – sendo esse ato por pura vontade e empatia –, está potencializando sua interação com o universo. "Nesse caso, o universo o acolhe e gratifica de alguma maneira", explica Bonder. Isso porque o dinheiro representa energia, e energia precisa estar sempre em circulação. Dessa forma, todos vivem bem, em harmonia consigo mesmo e entre si. “Ninguém é tão pobre que não possa doar alguma coisa, nem tão rico que não possa receber", recomenda Bonder.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Carne e Leite Porque Devemos Separar

Por que os judeus separam a carne do leite?

RESPOSTA:
Consta na Torá: "Não cozerás um cabrito no leite de sua mãe."
Nossos Sábios aprenderam daqui em detalhes a proibição de cozinhar, ingerir ou ter qualquer proveito da mistura de carne e leite.
As leis de Cashrut embora contribuam para a saúde física do ser humano, não é este seu principal objetivo. Há significados mais profundos, nem todos a nosso alcance.
D'us criou os seres do mundo em 4 níveis: mineral, vegetal, animal e o ser humano. Cada um foi criado para se elevar e alcançar um nível espiritual acima daquele em que foi criado, aproximando-se desta forma do Criador.
Quando uma planta é regada, a água, um mineral inanimado, eleva-se ao nível do vegetal. O mesmo ocorre quando um animal se alimenta de plantas. Também o homem tem o dom de elevar seu alimento, e deve também tentar se elevar a um nível acima de seu próprio - o Divino - ligando-se a D'us pelo cumprimento das mitsvot.
Certos alimentos, porém, foram proibidos pela Torá, pois o Criador das almas sabe que são prejudiciais à alma judaica; ou seja, o homem não tem força suficiente para elevá-los. Estes rebaixam o homem a níveis inferiores, afastando-o de D'us.
Um exemplo é a ingestão de sangue, proibida pela Torá. O sangue provém da fonte espiritual de severidade (guevurá). O sangue pode até ser positivo, mas necessita de uma força muito especial que o homem não possui para elevá-lo. Por isto, era jogado no Altar do Templo Sagrado, onde obtinha energia suficiente para trazer benefícios desta força severa de sua natureza, elevando-o para a santidade. Por não possuir esta força, foi proibido ao ser humano o consumo de sangue.
O Talmud diz que "o sangue se transforma em leite". No momento em que a severidade do sangue é quebrada e subdividida durante a gestação do bezerro, por exemplo, uma parte alimenta o feto, enquanto a outra se transforma em leite; e torna-se possível ingeri-lo.
A carne do animal casher pode ser ingerida, pois provém da quebra do sangue que o ser humano tem força para elevar; também o leite pode ser ingerido. Mas no momento em que carne e leite se misturam volta-se à composição sanguínea original, de severidade, que faz mal à alma humana.
Um renomado médico de Jerusalém publicou um estudo que diz que a carne manda certas transmissões ao cérebro, enquanto o leite manda outras transmissões; se houver cruzamento, podem se afetar mutuamente. O lapso de tempo necessário para que o trabalho da carne termine até que o cérebro fique limpo para receber novas transmissões é de exatamente 6 horas (o tempo exigido pelas leis de cashrut para ingestão de leite após carne).
Desta forma entendemos que as leis de cashrut são muito especiais e trazem para a alma e o lar judaico muita santidade, atingindo níveis superiores. D'us é o grande Médico especialista do mundo - não apenas fornece o remédio para a cura em caso de doença, mas faz um tratamento preventivo; orienta através da Torá e mitsvot todos os passos dos seres humanos: como deve se comportar e que dieta deve seguir, a fim de que não adoeça espiritualmente.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

D'us Criou o Mal?



D'us Criou o Mal?

"Por que coisas ruins acontecem no mundo e nos atemoriza tanto?"
"D'us causa o sofrimento?"
"Como podemos viver tranquilos e em paz?"
"D'us criou o mal? Se criou, por quê?"
Esta são algumas das perguntas mais intrigantes de todos os tempos. Talvez seja por que a Torá começa com a Criação – para nos ensinar que D'us é a fonte de tudo: "Eu criei a luz e as trevas; Eu fiz a paz e criei o mal" (Yeshayáhu).

Quanto ao "por quê", este é um pouco mais difícil de entender. O bem é permanente, sendo o principal ingrediente na criação do mundo, ao passo que o mal é transitório (Bereshit). A Cabalá ensina que Adam, o primeiro ser humano, era uma composição de todas as futuras almas da humanidade. Portanto quando ele (todos nós) comeu da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, o mal foi "misturado" à bondade inerente ao mundo. Como nós, coletivamente, trouxemos o mal a este mundo, temos agora a responsabilidade de elevá-lo. No decorrer de nosso dia, temos oportunidades de corrigir o erro que a humanidade cometeu num estágio menos maduro de nossa existência, ao escolher "fazer o bem e afastar-se do mal" (Tehilim). Ao escolher com sabedoria, iluminamos os cantos escuros do universo e devolvemos uma centelha da Criação ao seu estado natural, puro.

Por que D'us criou o mal? Para que possamos rejeitá-lo.

Algumas pessoas nascem más?

Não, as pessoas não nascem más; nascem com potencial. Antes do nascimento, diz o Talmud, um anjo leva a pessoa diante de D'us e pergunta o que será. D'us decreta muitas coisas, tal como talentos, riqueza e até o nome do cônjuge. Porém D'us nunca decreta se a pessoa irá ou não procurar um cônjuge. Esta é uma mitsvá, e cabe a pessoa decidir. D'us também não determina se a pessoa usará suas habilidades para propósitos bons ou maus.

Os pais, a criação e o ambiente, todos desempenham uma parte naquilo que a pessoa será. No entanto, D'us criou um mundo onde as pessoas decidem o que fazer. Podem utilizar seus atributos Divinamente concedidos para ajudar o próximo, ou para feri-lo.

Como sei se estou usando meus talentos para fazer o certo? Algumas pessoas pensam que aquilo que estou fazendo é errado.

Diferenciar o certo do errado não é tão simples quanto diferenciar a esquerda da direita. Esta busca por respostas é um motivo pelo qual o Judaísmo atribui um valor tão alto ao estudo de Torá. Seus textos legais e morais nos ensinam o que fazer e como melhor atingir nosso potencial. A Torá, juntamente com os comentários das autoridades, não é apenas uma coleção de "Faça" e "Não Faça". O Zôhar, o texto que é autoridade em misticismo judaico, declara que D'us "primeiro olhou dentro da Torá e depois criou o universo". Como a Torá é o projeto para a Criação, dentro dela está toda a informação necessária para uma vida significativa. A palavra "Torá" vem do radical ho-ro-ah, que significa orientação ou instrução.

Você pode chamá-la de manual de instruções para a vida, disponível em português e não precisa ser montada.

Você disse que o mal é temporário, mas as pessoas ainda podem escolher praticar más ações, se desejarem. É possível que o mal jamais cesse?

Os jornais de hoje respondem a isso melhor que qualquer rabino. O mundo está presenciando um evento fenomenal. Pessoas do mundo inteiro estão se unindo para reconstruir, confortar e impedir que os atos do mal jamais voltem a acontecer. Os governos estão enviando pessoas, tecnologia e auxílio. Milhares são voluntários procurando ajudar. Até as empresas estão deixando a competitividade de lado para trabalharem juntas.
Nossa geração acaba de testemunhar como um indivíduo pode causar um impacto no mundo todo em questão de minutos. Este potencial é ainda maior no âmbito do bem. Toda boa ação afeta o mundo inteiro, enfraquecendo as forças do mal e fortalecendo as forças do bem.
A Torá nos ensina que nossas boas ações coletivas mudarão a natureza fundamental de toda a Criação. Quando isso acontecer, até os animais deixarão de atacar uns aos outros. "O lobo se deitará com o cordeiro." A bondade inerente que estava presente no início da Criação será tão evidente e exposta que as pessoas " naturalmente "escolherão o bem acima do mal". Nas palavras dos Profetas: Nação não erguerá a espada contra nação, nem aprenderá mais a guerrear." Como explica Maimônides, "Inveja e competição cessarão… não haverá mais doenças, derramamento de sangue ou fome." É possível que pessoas e países que certa vez foram adversários possam trabalhar juntos para o bem do mundo? Simplesmente abra o jornal da manhã.







segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Bençãos e Rezas.

BENÇÃOS E REZAS
                                                       Benção para os alimentos.

Para o vinho:

Barúch Atá AdoNai Eloheinu Mélech Ha'Olam Boré Pri Hagafen


Bendito Seja Tu, Eterno, Nosso D´us, Governante do mundo, Criador da fruta do vinhedo.

Para o pão:

Barúch Atá AdoNai Eloheinu Mélech Ha'Olam Hamótzi Léchem Min HaÁretz


Bendito Seja Tu, Eterno, Nosso D-us, Rei do universo, Que extrai pão da terra.


Para frutos da terra:

Barúch Atá AdoNai Eloheinu Mélech Ha'Olam Boré Pri Ha'Adama.


Bendito Seja Tu, Eterno, Nosso D-us, Rei do universo, Criador do fruto da Terra.

Para frutos da árvore:

Barúch Atá AdoNai Eloheinu Mélech Ha'Olam Boré Pri Ha´Etz


Bendito Seja Tu, Eterno, Nosso D-us, Rei do universo, Criador dos frutos da árvore.


Para alimentos com farinha:

Barúch Atá AdoNai Eloheinu Mélech Ha'Olam Boré Minei Mezonót


Bendito Seja Tu, Eterno, Nosso D-us, Rei do universo, Criador de diversos alimentos.

Para outros frutos diversos:

Barúch Atá AdoNai Eloheinu Mélech Ha'Olam SheHacól Niheié Bid'Varó


Bendito Seja Tu, Eterno, Nosso D-us, Rei do universo,Que tudo fez por sua palavra.


Para depois das refeições:

Barúch Atá AdoNai Eloheinu Mélech Ha'Olam Boré Nefashot Rabot Vechesronan Al Col Ma Shebarata Lehachaiot Bahem Nefesh Col Chai, Barúch Chei Haolamin


Bendito Seja Tu, Eterno, Nosso D-us, Rei do universo, Criador de muitos seres e seus requisitos; Por todas as coisas que Criou para manter as almas de todos os viventes, bendito seja O que vive eternamente.



                         A quem interessar possa. Encontrei o assento de batismo de um Francisco, filho de um PEDRO GUARDÊS DE MOURA...